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maio 07, 2007
A POSTA CONQUISTADORA
Algo salta no meu peito sempre que me invades a alma com a infantaria poderosa que desembarca a partir desse teu olhar.
O medo instantâneo de não conseguir desempenhar o papel que me compete quando a força do aríete ameaça a solidez do portão que me separa da paixão descontrolada.
Avanças com essa armada colossal convocada por Neptuno, a artilharia pesada do teu desejo sem rumo pelo meu corpo confiado aos ditames do invasor.
E eu leio o amor nesses clarões da tua retina, as explosões em escrita fina nas palavras incandescentes que os teus lábios desenham em mim.
O meio para atingires um fim que é a minha absoluta capitulação, o toque da tua mão como o rufar de tambores que anunciam os batedores para apalparem o terreno em busca da confirmação. Da minha rendição total a esse encanto especial que é a força que emanas desses olhos incrustados num rosto belo como cones de vulcão.
Força aérea a bombardear tudo o que alcança o teu olhar e eu sinto-me no céu quando na mira das armas o alvo sou eu.
Uma farda despida à primeira investida das tuas tropas de elite. E não é algo que se explique, esta cedência completa à tua polícia secreta que me arranca segredos e me expurga os medos agora desterrados para um paradeiro nos confins.
A cumplicidade nascida num crime que ninguém pratica, na pele que se agita em pequenos sinais de um prazer tão puro e tão livre das castrações que não passam de aberrações inventadas por quem inveja a felicidade alheia.
E agora sinto-me grato por poder sucumbir à tua vontade de possuir aquilo de que disponho no homem que sou.
Afinal aquilo que saltou no peito onde repousas, tentação, era apenas o coração que é como um povo libertado por esse teu golpe de estado que comemoramos depois.
Era a euforia à solta nas principais artérias da capital de uma nação que formamos os dois.
Publicado por sharkinho às maio 7, 2007 09:56 PM