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maio 18, 2007

A UM METRO DA LUZ

pyramid.jpg

Sentia-se como um explorador apanhado de surpresa por uma armadilha instalada no interior de uma pirâmide, cada vez mais comprimido pelas paredes contra o sarcófago de um escriba importante, de um assessor de qualquer grande e poderoso faraó.
A claustrofobia a aumentar com a pressão do avanço daquele gigantesco espremedor e ele lá dentro, como rato preso na ratoeira à escuta dos passos felinos da morte a chegar.

E ele esgotava a mente em busca de uma saída para aquela situação, raciocinava em vão as hipóteses mais absurdas apenas para ter a certeza de que não deixava em aberto qualquer solução que pudesse surgir na pior altura e aumentasse ainda mais a sua agonia no fim.
Pensava assim enquanto media a distância com o olhar, o espaço cada vez menor naquela tumba que partilharia com um ilustre desconhecido a quem nada incomodaria a proximidade de outro cadáver qualquer.

O aperto que aumentava a cada nova estação. O Inverno, a Primavera e depois o Verão devastador com o sopro de calor que emanava daquelas paredes humanas, os passageiros unidos com o único intuito de o esmagar.
E ele queria ir trabalhar como todos os dias, mas arfava como um estúpido perdido no meio da multidão. O medo que o invadia e os vermes que percorria com o olhar alucinado de alguém enlouquecido pelo quotidiano desenhado com requinte pelo melhor arquitecto enviado por Rá.

O sol que não via por detrás da barreira impenetrável que o oprimia como um manto pesado de nuvens no Outono que entretanto chegou quando, para espanto dos indiferentes mais próximos, a última folha caiu e o louco saiu aos gritos da carruagem na derradeira viagem, deixando a mala com os ossos do ofício no interior do túmulo da sua sanidade que abandonara a realidade algures no túnel onde agora buscava, demente, um fundo com uma luz.

Publicado por sharkinho às maio 18, 2007 10:13 AM

Comentários

!!! Bela parábola está tudo dito!

Publicado por: ! ! ! às maio 18, 2007 10:51 AM

Não me fales em claustrofobia que começo logo com urticária.
Bem esgalhada a prosa, simbólica q. b. :-)

Publicado por: Mar às maio 18, 2007 12:22 PM

Eu não digo nada, Espantação... :)

Publicado por: shark às maio 18, 2007 01:00 PM

Esqueci-me, Mar, desse pormenor. Mas assim o texto mexeu mais contigo.
Espero que estejas melhor, parceira.

Publicado por: shark às maio 18, 2007 01:01 PM

!!! Claro que não dizes nada não precisas!

Publicado por: ! ! ! às maio 18, 2007 03:15 PM

Estou um nadica melhor, até fui trabalhar e tudo, só mesmo agora consegui vir à net, dpeois dos multiplos afazeres... (grrr, só ontem no feriado estive pior)
E mexeu pois.:-)

Publicado por: Mar às maio 18, 2007 10:31 PM

Mas agora é fim-de-semana e podes curti-lo em melhores condições.
Fico feliz por ti. :)

Publicado por: shark às maio 18, 2007 10:56 PM

Fiquei muito espantado com a Ilha, que é muito bonita e com muitos segredos e mistérios

Publicado por: Eduard às maio 22, 2007 04:17 PM

Fiquei muito espantado com a Ilha, que é muito bonita e com muitos segredos e mistérios

Publicado por: Eduard às maio 22, 2007 04:18 PM

Não duvido. Onde fica?

Publicado por: shark às maio 22, 2007 05:16 PM

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