« VOLTOU A FEBRE DO CASULO... | Entrada | BOAS ABERTAS »
maio 26, 2007
MINAS E ARMADILHAS
Se morrerem atropeladas meia dúzia de pessoas num dado ponto de qualquer estrada e num intervalo de tempo reduzido talvez nem seja necessária a pressão da opinião pública para que o poder intervenha, impondo as condições de segurança que o número anómalo de fatalidades prova não serem as ideais.
Quer isto dizer que as conclusões obtidas a partir de uma relação causa (falta de segurança)/efeito (estatística elementar) bastam para que toda a gente actue por ser evidente o nexo de causalidade para a excessiva fatalidade em comparação com a de outros locais.
Sem necessidade de estudos que o comprovem.
Já morreram cerca de noventa trabalhadores das explorações de urânio na zona de Nelas e entre os sobreviventes existem muitos que padecem de complicações do foro oncológico. É simples, trabalharam demasiado tempo em contacto com substâncias radioactivas e sofrem as terríveis consequências.
Não é preciso ser particularmente inteligente para somar dois e dois. A percentagem de pessoas afectadas por este tipo de problemas é tão mais reduzida noutros pontos do país e noutras actividades profissionais que é elementar a dedução acerca da origem desta mortalidade anómala na Urgeiriça.
Contudo, o Delegado de Saúde da zona dá a cara pelos “estudos” que não permitem provar a ligação entre o contacto com a radiação dos minérios e a proliferação de doenças cancerígenas na massa laboral das minas. E são esses estudos que negam às pessoas afectadas a natural compensação, o apoio que o assumir de responsabilidades implicaria para atenuar um castigo já de si injusto e quantas vezes fatal.
E onde quero eu chegar com isto tudo?
À manifestação da minha incapacidade para entender esta dualidade de critérios.
Publicado por sharkinho às maio 26, 2007 02:45 PM