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maio 05, 2007

NOTÍCIA FICTÍCIA DE UM MUNDO MELHOR

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NOTÍCIA DE ABERTURA

Existem coisas no (do) mundo que não podemos evitar. Chamamos-lhe azar ou estupidez ou outra etiqueta qualquer para aqueles imprevistos que nos atrapalham a felicidade, as surpresas desagradáveis que Deus ou o acaso preparam ninguém sabe onde, como, ou porquê apenas para nos infernizar algumas etapas ou mesmo a totalidade da existência.

Por outro lado também há os aspectos que sabemos errados mas sentimo-nos impotentes para conseguir alterar, ou porque não temos a força necessária, ou porque somos fatalistas ou porque somos apenas demasiado burros ou preguiçosos para os contrariar.
Dizemos que a vida é mesmo assim, não há nada a fazer e os outros é que têm a culpa.
Os outros ou Deus, os eternos bodes expiatórios quando o Diabo não fornece uma explicação cabal.
Coisas que herdamos dos antepassados e vamos deixando ficar, mesmo quando colidem com aquilo que sentimos ou mesmo acreditamos ser o melhor para os outros e sobretudo para nós…

Cada um possui a sua visão de um mundo perfeito no qual conseguiríamos viver uma vida ideal. Ou talvez nem tanto, mas seguramente muito melhor.
É impossível coordenar tanto livre pensamento mais o arbítrio das emoções, a salada de influências que sofremos pelo sítio ou pelo tempo onde nascemos ou apenas pela transmissão genética das cenas foleiras que antes já tinham influenciado de forma negativa a vida dos nossos pais ou dos seus tetravós.

Existem, contudo, alguns aspectos relevantes que assumimos consensuais. Em teoria, claro, pois a prática do dia a dia desmente mesmo essa aparente universalidade de conceitos como o amor, a amizade, a honra, a dignidade ou a simples noção de que não é correcto roubar algo de alguém.
E a mesma incongruência acaba por afectar os eleitos a quem confiamos os grandes capítulos da História e a gestão de boa parte daquilo que o nosso destino se faz.

Às vezes bastaria optar pela omissão, o oficial alemão que decidiu afastar do malvado a pasta com a bomba que o iria matar e salvaria milhões do seu ódio irracional, qualquer um de nós que decidia pousar o pé no travão em vez de acelerar feito estúpido até à curva que se revela fatal. Gestos insignificantes como os momentos mais relevantes, tudo tão simples de mudar para pior.
E para melhor também, se for esse o entendimento da maioria (quando impera a Democracia) ou o das pessoas capazes de identificar essas agulhas na linha que podem fazer toda a diferença, por exemplo, no momento em que a viagem atinge a última estação.

Ou podemos acreditar, afinal, que é possível no mínimo facilitar a passagem dos que partilham connosco um dado segmento da vida que nos é concedida para usufruir. Que podemos no mínimo eliminar tudo aquilo que sabemos fazer-nos mal. Ou às outras pessoas. Ou à totalidade dos que suportam as consequências de erros idiotas passíveis de evitar. Ou de não repetir, pela confrangedora estupidez que isso representa.

E é disso que trata um lote de textos acerca de momentos fictícios da vida de um mundo alternativo que eu consideraria melhor na minha concepção das coisas, capaz de nos permitir uma existência mais sábia, mais livre e acima de tudo muito mas mesmo muito mais feliz.

É esse o propósito de cada um dos trabalhos que publicarei sempre que o título da posta repetir o que dá nome à prosa que acabam de ler.

Publicado por sharkinho às maio 5, 2007 03:45 PM