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maio 16, 2007
O LOPES AZARADO
O senhor Lopes pressentiu que ia ter um dia mau. Péssimo, aliás, desde o momento em que falhou a palmada no despertador e acertou em cheio no copo de água que se estilhaçaria no chão.
O mesmo aconteceria pouco depois à jarra preferida da sua namorada agora ex, entretanto telefonara a partir-lhe o coração com a triste notícia do final da relação a dois.
Em cacos a sua vida porque a sorte andava fugida e nada parecia correr bem.
Nem mesmo a simples arrumação dos seus pertences na mala de viagem, o perfume na bagagem de um frasco que fraquejou sob demasiada pressão.
Aquela que sentia em cada gesto que fazia, receoso de mais perdas desastradas e de outras cenas maradas que pudessem atrasá-lo para o check in.
Regava as plantas no peitoril da varanda quando o telemóvel tocou e no momento em que se virou o cotovelo à solta pregou-lhe uma grande partida. Observou a queda da sua belíssima begónia a partir do sexto andar, apenas dois abaixo do seu, inclinado na posição ridícula que a tentativa frustrada de evitar a queda lhe proporcionou.
E obviamente reparou como o vaso tocou de raspão na cabeça do pior vizinho possível, apenas o bastante para desviar a rota para o vidro da frente do carro estreante da família Almeida, os coléricos do rés-do-chão.
A maior confusão armada, uma vizinha desmaiada, alguém chamou a polícia e o senhor Lopes foi prestar declarações. Uma eternidade passada na esquadra, o agente sem pressa a buscar no teclado cada vírgula ou til. E o xis, onde está? Mais a porra do agá sempre presente nas muitas entradas do verbo haver.
Haver até havia, mas aquele início de dia acabou aos poucos com as hipóteses que o senhor Lopes tinha de chegar ao aeroporto a horas.
Quando finalmente entrou em casa, depois de entornar uma bica sobre as calças e observar mais um objecto estoirar no meio do chão, era mesmo tarde demais, o avião já descolara e sendo assim nem sequer tentou.
Deitou-se mais cedo, contrariado, demasiado enervado para ver um pouco da televisão onde os destroços do seu avião abriam os especiais informativos de todos os canais a essa hora…
Publicado por sharkinho às maio 16, 2007 09:37 PM
Comentários
coitado do lopes, só arrelias.
e agora para atestar, vai-te lá desengomar da praxadela
bjo
Publicado por: j.p. às maio 16, 2007 09:59 PM
Vai-te encher de moscas, malandra!
Anda caladinha e tal e depois chega aqui, deixa a granada, bjo e péra aí que já venho...
Tá boa.
Estou acorrentado.
Publicado por: shark às maio 16, 2007 11:42 PM
e não é para muitos
o sofá, ora bora lá voltar pro sofá
e apanha a anilha da coisa, ainda espetas essa merda no pé
;)
Publicado por: j.p. às maio 16, 2007 11:51 PM
!!! É muto azar para um homem só.
Publicado por: ! ! ! às maio 17, 2007 11:23 AM
E já viste, Espantação, a Jotapê aproveitou logo o ensejo para eu entrar no espírito do texto... :)
Publicado por: shark às maio 17, 2007 12:11 PM
Ao Lopes Azarado não deves ter grandes dificuldades em vender os seguros :) .
(Mas, apesar de tudo, acho que a moral da história é "há males que vêm por bem", ou não?)
Publicado por: Kaffa às maio 18, 2007 02:16 PM
A moral da história é mais aquele refrão de A Vida de Bryan: "always look at the bright side of life"... :)
E sim, o amigo Lopes seria outro cliente satisfeito com os meus préstimos na matéria. (Passe a publicidade encapotada)
Publicado por: shark às maio 18, 2007 04:09 PM