« TONS SADINOS | Entrada | FIM DE TARDE »
maio 23, 2007
PALAVRAS PARA FAZER
Foto: Shark
Palavras escritas, palavras ditas, ideias perdidas na ausência das acções.
Palavras que falam de emoções escoadas pelo buraco negro de uma intenção por concretizar.
Às vezes mais vale calar, cobrir com um remendo de silêncio o futuro orifício que dessa forma nem chega a acontecer.
Palavras por dizer, recatadas, palavras poupadas ao corrector implacável de uma inevitável tendência para a desilusão. Pelo exagero das expectativas em palavras tão queridas mas condenadas ao saco roto por onde deslizam para o esquecimento e em vez de brilharem no firmamento da esperança acabam pisadas como folhas secas no chão.
A cor cinzenta da morte anunciada do Verão, quando um manto de sono a que chamamos Outono começa a cobrir aos poucos a terra calcorreada como a lembrança ignorada das palavras que o vento soprou. Adormecida na letargia a mensagem que tombou no sorvedouro da luz que rompe, a custo, a névoa nas noites frias do interior pessoal de quem gela no litoral enquanto olha o horizonte e só vislumbra uma parede que é feita de humidade caída do céu.
Cada palavra que se perdeu, desorientada pela referência tapada que lhe indicava o sentido que pretendia vestir e o caminho a seguir desenhado no mapa de um significado que alguém não cuidou de decifrar, é como um grito passageiro nos ouvidos do nevoeiro que o encaminha indiferente para um ponto tão distante que nunca mais encontra um caminho de volta. O eco que jamais brota das palavras que passam ao lado do seu receptor.
Sejam palavras de amor ou simplesmente sinais de uma dor que mesmo injustificada acaba assim amplificada nos berros sem nexo dos parágrafos de um texto escrito em contramão na estrada da solidão onde mais ninguém circula, se a mensagem não estimula o verbo comunicar é ilegítimo ambicionar alguma espécie de retorno.
As palavras feitas transtorno que alguém insiste divulgar como um rasto que pretende deixar para memória futura.
De quem busca na noite escura sem sentido (de orientação) algum rasgo de iluminação que substitua o rumo incerto de uma travessia pelo deserto por um caminho infindável de mãos dadas com o espírito inquebrantável das palavras assim recuperadas como argumentos de solidez.
Daquilo que se fez e daquilo que se quer fazer no culto de uma relação onde nunca algo possa ficar por dizer.
Publicado por sharkinho às maio 23, 2007 01:01 PM
Comentários
Tanta palavra...;-)
Publicado por: Mar às maio 23, 2007 07:35 PM
Até parece que estava a pedir conversa... ;)
Publicado por: shark às maio 23, 2007 08:27 PM
tU?? Náá...bocas da reacção. ;-))
Publicado por: Mar às maio 23, 2007 09:46 PM
eU, pois. O tagarela militante... :))
Publicado por: shark às maio 23, 2007 10:19 PM
eU, pois. O tagarela militante... :))
Publicado por: shark às maio 23, 2007 10:25 PM
(Como se vê no exemplo acima...)
Publicado por: shark às maio 23, 2007 10:37 PM