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maio 08, 2007

PARALELOS ASSIMÉTRICOS

Do tempo que com eles passou nesse dia, tempos atrás, recordava-se apenas de frases soltas e conceitos vagos.
Lembrava-se da sensação desconfortável de uma camisa-de-forças mental, das raias da loucura a que a situação os fazia chegar. Pelo menos a um, não o sabia.
Também tinha uma ideia do tédio que a sua rotina lhes gerava, cada dia que passava sem nada de novo para contar.
Isso ficara-lhe na memória como registo da sua percepção da conversa com cada um dos seus interlocutores, os gémeos agora abstémios com quem tomara copos nas madrugadas juvenis.

Lembrou-se ainda das queixas com o barulho e, a propósito, uma voz estridente, incomodativa e permanente que parecia constituir um denominador comum (ele não tinha bem a certeza).
Um olhar triste igualmente lhe ficou na retina, embora pelas semelhanças entre ambos não conseguisse discernir em qual dos dois. Ou mesmo se tinha sido apenas num.

Sabia ser similar a saturação que lia na expressão de qualquer deles, tal como uma crescente vontade de fugir que transpirava das palavras tristes que se prestou a ouvir.
E falavam do azar que os atingiu, a vida estragada num minuto mau.
Em tudo isto, recordava, estavam de acordo também as suas afirmações e os desabafos que ouvira com paciência no dia de os visitar.

Quando partilhou com um amigo esta dúvida que o assaltava, o paralelo que o baralhava em relação a qual seria o irmão que lhe dissera isto ou aquilo ficou mais ainda intranquilo por não lograr uma distinção nas suas impressões do contacto havido.

Lembraram-lhe então que visitara um irmão a cumprir o penúltimo ano de uma pena de cinco na penitenciária local e o outro na casa onde vivia desde o dia em que casou com uma gaja conhecida que engravidou sem saber o que fazia, uma década atrás, igualmente embriagado no momento da ocorrência fatal.

Publicado por sharkinho às maio 8, 2007 04:18 PM

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