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maio 12, 2007
QUE CONTES MUITOS, MAR

Uma das formas ao nosso alcance para distinguir os dias importantes daqueles outros tão descaradamente iguais é atribuir um valor especial aos primeiros.
Uma efeméride não passa de um marco com que assinalamos no calendário os destaques que merecem celebração. Porém, festejamos esses dias com satisfação porque nos recordam os momentos mais significativos e/ou as pessoas que os protagonizaram.
Esse poder discricionário faz parte do nosso reduzido leque de opções relativamente às que o acaso nos constrói. Não podemos evitar os maus bocados ou as pessoas de treta que se cruzam com o nosso caminho mas temos o privilégio de esquecer ou ignorar os tais marcos dos outros quando esses outros não ofereceram algo de relevante e apenas se distinguem pelo seu comportamento dito “normal”.
A “normalidade”, nos dias que correm em matéria de relações humanas, não é susceptível de justificar efemérides e a vaga lembrança desses cruzamentos (que resultam afinal de simples desorientações fugazes na escolha dos caminhos) desaparece no tempo com a rapidez de um nome de alguém enterrado numa vala comum.
Por isso distinguimos aquilo que não se apelida normal. Distinguimos a raridade especial que nos marca, uma jóia, porque se destaca na multidão de dias ou de pessoas como o reflexo de um halo de luz.
Buscamos a proximidade a essa especialidade que encontramos em alguém, cultivamos as coisas que possam homenagear a sua existência e relevar a importância de que essa vida se revestiu ao nosso olhar.
E ninguém melhor do que nós cristãos para abraçar o culto do aniversário como um indispensável ritual. A referência de uma data que associamos à relevância de um nascimento essencial, pela felicidade como pela fé.
Eu finquei o meu marco em meia dúzia desses dias que em cada ano nos recordam algo de importante que nos acontece ou aconteceu, a loucura de uma paixão ou a resistência tenaz de uma amizade tão séria.
E apesar de agnóstico até às orelhas comemoro o dia de uma aparição no mundo que, umas décadas depois, em muito consolidou a minha fé. Nas poucas pessoas que me evitam ateu.
Mas reclamo o meu quinhão na discreta celebração de um dia que não assinalo na agenda por estar gravado a ouro no meu calendário pessoal.
Um dia nosso, afinal, pois sei que me sabes solidário com cada pessoa que te estima e que hoje só deseja abeirar-se de ti.
Conta muitos, amiga e parceira. Ainda sobra uma vida inteira para te provar, como vês, que continua a valer a pena insistires com afinco naquilo que és. E eu gosto assim.
Mais coisa, menos coisa… :-)
Publicado por sharkinho às maio 12, 2007 12:00 AM
Comentários
Coisa difícil, tecer comentários a um texto assim...
Para mais depois de uma manhã inteira sem conseguir ligar a net, uma pessoa chega aqui e dá de caras com um texto que é...a sua cara! :-)
Só te posso dizer que contas comigo como eu sei que conto contigo, mesmo quando não me escreves textos assim. Porque em relações a sério, é assim.
Brigada, parceiro. E um beijo.
Publicado por: Mar às maio 13, 2007 01:14 PM
Ora ainda bem que gostaste. Tem um dia feliz.
Publicado por: shark às maio 13, 2007 02:36 PM
Obrigada Espantação. Conto contar muitos ;-)
Beijinho, foste gentil.
Publicado por: Mar às maio 13, 2007 03:50 PM
!!! Olá, desculpa Shark mas é para deixar aqui os meus mais sinceros parabens à Mar, posto que o teu texto me dá a saber que celebra mais um lindo dia de anos.
Parabens conta muitos (um de cada vez) Beijinhos
Publicado por: ! ! ! às maio 13, 2007 04:29 PM
Já venho tarde para te dar os Parabéns, Mar, mas desejo muitas felicidades para essa vida longa que espero, seja recheada de alegrias. E com muitos dedicados textos lindos como este.
Publicado por: celia às maio 13, 2007 07:38 PM