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junho 27, 2007

JUSTIÇA ÀS DIREITAS

O ilustre D. Pacheco Pereira, sumidade em matéria de blogosfera que de vez em quando produz umas atoardas como a da “percentagem de lixo” que os seus estudos de mercado mentais definem, voltou a dizer de sua justiça.
Repito: de sua justiça (e da justiça de alguns seus correligionários entusiastas), pois no meu conceito de justiça não se encaixa de forma alguma um disparate como a responsabilização legal dos editores de blogues pelo conteúdo das caixas de comentários.

Ou seja, provavelmente inspirado na pureza da sua caixa de comentários (inexistente) no Abrupto, JPP encontrou a fórmula teórica para arrastar a interactividade nula do seu espaço aos dos outros por via de uma interpretação curiosa do conceito de blogue.
Em causa está a possibilidade de qualquer editor de um blogue arcar com as consequências legais de uma intervenção infeliz por parte de um visitante do seu espaço.

Calculo que seja fácil a quem abdica da principal distinção entre um blogue e um vulgar site da Internet (a caixa de comentários) acreditar que qualquer editor de blogues pode manter vigilância 24 horas/dia sobre as asneiras que algum palerma possa deixar no seu espaço para o entalar.
Mais concretamente, o editor de um blogue só pode ir de férias depois de fazer como os estabelecimentos comerciais e fechar as caixas nesse período ou arrisca-se a regressar a casa e ter a Judite à porta por causa de um insulto deixado por um inimigo qualquer.

Isto para mim é um absurdo sob qualquer perspectiva. Criminalizar quem bloga pelas intervenções dos outros, presumindo que o foi o editor quem as publicou? Mas que raio de presunção é essa?
Quer dizer, um gajo deixa um livro em branco na sede da associação de moradores para a malta dizer de sua justiça. Vem o vizinho malandro e bota lá uma calúnia anónima contra o JPP ou algum dos seus incondicionais e o culpado é o dono do livro porque o deixou em branco ao dispor do maralhal?

O editor de um blogue publica posts e publica comentários de sua autoria. Quem comenta (“publish”, isto faz lembrar algo?) num blogue alheio é que assume a publicação, aproveitando a goela da liberdade de expressão que JPP não aceita na versão “liberdade” da coisa tal como um blogue a representa, quando não confere o direito de resposta/contestação no espaço virtual soberano. E quem o apoia acaba por denunciar o mesmo desconforto (quando anui à criminalização de quem permite a divulgação pública das palavras de outrem em respeito ao formato que a blogosfera privilegia).

Mas de um gajo que considera lixo o trabalho de noventa por cento dos seus colegas (maioria na qual terão que se integrar necessariamente muitos dos que subscrevem as suas ideias peregrinas) espera-se o quê?

Publicado por sharkinho às junho 27, 2007 09:06 PM

Comentários

Agora entendi porque anda por aí tanto blogue em que os comentários só são publicados depois da aprovação do autor dos blogue. Ou os outros em que quando o comentário não vai ao encontro daquilo que escreveram (e não estou a falar de insultos) os apagam. Estão com medo de algumas vez serem responsabilizados por algo que não escreveram nem pensaram.
Será que alguma vez nos vamos livrar destes tiques salazarentos, Shark?

Publicado por: Maria às junho 27, 2007 10:44 PM

Eu raramente comento um blogue com esse tipo de filtros. Nem é carne nem é peixe. E embora entenda que alguém o faça em circunstâncias específicas como forma de se proteger de um anónimo insistente ou coisa que o valha, acho que esse tipo de barreiras mata os blogues aos bocadinhos.
E a liberdade de expressão (pelo menos a motivação para usufrui-la) que eles representam.

(Vamos, pois. A razão é como o azeite...)

Publicado por: shark às junho 27, 2007 11:01 PM

o pacheco é uma alarve. mas eu também tenho esse tipo de filtro no meu. não pelos motivos que ele evoca mas pelas alavardices que alguns comentadores deixam. quando estão irritados porque a vida lhes correu mal, descarregam a bílis (em mim, por exemplo), chamando-me todo o tipo de nomes, à família e mais o que lhes dá na gana. não é que os meus posts sejam a virgem maria, mas não se ofende a mãe de qualquer sem primeiro saberem se têm direito de o fazer. é que nem todas as mães são p....
eheheheheh

dei-te como uma das sete maravilhas, mas como tenho comentários fechados, se calhar não aceitas, pero..pero...vou lá num instante abri-los. seriamente. vou mesmo abrir os comentários. 24horas no máximo, não vá um qualquer ver a minha fraqueza momentânea e "disparar" alavardices na caixa de comentários.

fora isso dou-te toda a razão...

Publicado por: Blackangel às junho 27, 2007 11:52 PM

Só disse que raramente comento blogues com as caixas a pedirem pré-aprovação, Blackangel, não vetei blogue nenhum. :)
Também embirro com aquela cena das letrinhas. Gosto de caixas com grande angular, entra tudo de repente e depois logo se vê.
Entretanto topei essa das maravilhas no teu espaço e não posso dizer que fiquei maravilhado, excepto com o que isso possa representar na consideração pelo meu trabalho por parte de quem me passou a "batata quente"... ;)
Agora tou a braços com uma outra e ainda por cima sou um nadinha esquivo nestas coisas, mas estou certo de que vai surgir assim uma ideia fixe para não ser indelicado para com um dos poucos blogues colegas capazes de mimarem o charco com estas lembranças.

Fora isso, também te dou toda a razão. E um abraço à maneira, para complementar.

Publicado por: shark às junho 28, 2007 12:43 AM

!!! ............................... isto é o comentário que me merece, não o teu artigo mas o do JPP. coitaaaaaadooooo!
E já agora "blackangel" deixa-te lá de filtros, as mães são sempre mães, superiores a todos os insultos ou então, coitadas das mães dos arbitos.

Publicado por: ! ! ! às junho 28, 2007 02:19 PM

Li o teu post e o do JPP e continuo com dúvidas. Não percebi o que é que JPP entende por caixa totalmente aberta: se se refere a todas que não têm moderação/aprovação de comentários, ou se se refere aquelas que permitem comentários totalmente anónimos (sem registo do comentador na plataforma ou, mesmo, sem a necessidade de indicar o endereço de e-mail).

Claro que na generalidade dos casos, este é um "falso" assunto. Por exemplo, se alguém deixar um comentário difamatório ou um boato no meu blog sobre o presidente da república ou outra figura pública, em termos práticos, pouco relevo tem. Mas, se o mesmo comentário for publicado no blog do JPP, é impossível prever as repercursões que o mesmo terá no visado, pelo dimensão verdadeiramente pública que poderá assumir.

Confesso o meu desconhecimento de legislação nessa área, mas comparo (não sei se bem) com a responsabilidade que um editor de um jornal terá quando selecciona as "cartas de leitores" que vai publicar: será lícito esse editor publicar uma carta anónima, que lança um boato sobre determinada pessoa, sem provas que o fundamentem? Mesmo que o leitor não seja anónimo, se for um boato infundado, deverá o editor publicá-lo? Caso entenda que sim, qual a responsabilidade do editor, perante a justiça e o lesado?

Sinceramente, ainda não consegui formar uma ideia consistente sobre isso, mas percebo o teu ponto de vista, como percebo o do JPP.

Abraços.

P.S.: pelo título do post, nunca tinha chegado lá :) .

Publicado por: Kaffa às junho 28, 2007 02:43 PM

Ò Kaffa, tu não me digas que distingues a gravidade do insulto pela dimensão das repercussões...
O critério é o mesmo no blogue do JPP ou no teu, pá. À face da lei é tão grave assaltar a bilheteira de um cinema de província como a de um estádio de futebol.
Um blogue sem comentários é um site mais fácil de actualizar e o resto é conversa. Aliás, cada vez mais os blogues e os sites não se distinguem entre si. E no final, qual o formato que irá prevalecer?
Claro, o dos que receiam a interactividade que os expõem (não é possível pesquisar atitudes correctas no Google...) e podem quebrar-lhes o verniz.
Não faltam exemplos de figuras públicas que blogam e não receiam a caixa escancarada como deve ser e até agora nada de novo aconteceu.
Falsas questões, tiques reaccionários de uma forma de ver o mundo demasiado dextra para mim... :)

Publicado por: shark às junho 28, 2007 03:07 PM

"Ò Kaffa, tu não me digas que distingues a gravidade do insulto pela dimensão das repercussões..."

Não sou eu que o digo. No caso de alguém lançar um boato, na altura do lesado pedir responsabilidades em tribunal, as repercusões que o boato teve são tidas em conta, nomeadamente numa eventual indemnização por danos causados, morais ou materiais. E, evidentemente, um boato lançado sobre o P.R. no meu blog dificilmente passará do anonimato ou chegará aos ouvidos/olhos do próprio, assemelhando-se a um comentário privado.

Por falar em comentários privados e "mundo demasiado dextro", não deixa de ser curioso ser um primeiro ministro socialista o primeiro a colocar um blog em tribunal :) .

Não sendo um admirador de JPP, lei-o regularmente e nao me parece que seja um inimigo da liberdade.

Publicado por: Kaffa às junho 28, 2007 03:35 PM

Jornal Público on-line

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Publicado por: Kaffa às junho 28, 2007 03:48 PM

Essa do PM não me afecta pois não o revejo no meu perfil de esquerdalha. :)
Sinto-me lisonjeado (e tu também) por sacares do exemplo da Imprensa para ilustrar um ponto de vista e muito bem. Porém, se não discuto os critérios (ou filtros) que reproduziste (embora seja perigosamente subjectiva a apreciação do que é "conteúdo ambíguo ou irrelevante"), discuto concerteza a privação da liberdade implícita.
Se eu pintar uma injúria em letras garrafais na estátua do Marquês de Pombal (por causa dos tripeiros e lagartos irem para lá festejar os títulos sonegados ao meu Glorioso, por exemplo), serei responsabilizado criminalmente pelo dano patrimonial mas não acredito que alguém meta a Câmara em tribunal por me ter permitido um "espaço de publicação".
Ou melhor, se acho legítimo que quem queira vete as alarvidades isso não implica que encare esse gesto como um imperativo legal mas tão somente moral.
Se o camartelo da justiça começa a pender em excesso sobre os blogues (o PM não esteve bem), mais vale prepararmo-nos para o regresso à fiscalização de tudo quanto sirva para publicar.
Nesse contexto, até um simples jornal de parede...

Publicado por: shark às junho 28, 2007 04:38 PM

E ainda quanto ao episódio a que fazes alusão, o único ganhador é o colega Caldeira que viu multiplicada por 10 a sua visitação e de repente está ao nível do Pacheco Pereira sem quê nem porquê.
Por outro lado, não vi o PM fazer queixa crime alguma quando milhares de sites e blogues alinharam na paródia acerca do seu pretenso affair com o Diogo Infante...

Publicado por: shark às junho 28, 2007 04:42 PM

A do PM era só uma provocação :) . Já agora, apesar dos tiques autoritaristas, a única esquerda que me dá algumas garantias de liberdade em Portugal é aquela a que a restante esquerda adjectiva de direita (agora é que vão ser elas!).

No exemplo que dás é impossível a câmara controlar ou evitar totalmente (logo ser responsável) o vandalismo. No entanto se, como dizes, fosses responsabilizado criminalmente, estarias identificado, pela que a questão não se coloca.

Publicado por: Kaffa às junho 28, 2007 05:50 PM