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junho 24, 2007
QUE NEM VOS PASSE PELA CABEÇA...
...Que a "folga" de ontem relativamente ao assunto que pautou a semana do charco (e a minha por inerência) reflecte alguma espécie de satisfação do dever cumprido e que agora continuamos todos para bingo com a ligeireza que o assunto, de todo, não pode aceitar.
Tratou-se de uma opção deliberada, de um sinal que me dou para recordar que em nenhum tipo de problema conseguimos dar o melhor se o entendemos como uma obsessão. E essa será certamente a maior limitação dos pais das crianças desaparecidas, pois para eles a questão não pode colocar-se de outra forma mesmo que isso afecte a sua luta.
A ideia de fazer algo não implica perturbar a nossa vida, nem acrescentar-lhe uma preocupação permanente que desmotiva e fragiliza. Implica encontrar a disponibilidade necessária para não deixar cair.
E eu não deixei ontem, como hoje não estou a deixar. Limitei-me a optar por perseguir o rasto à corrente lançada para poder construir a listagem que prometi e cumprirei, qualquer que seja a verdade que ela possa exprimir em termos estatísticos.
Quem lá constar (e eu orgulho-me de fazer dela parte) representa esperança para quem se vê e se sente sozinho numa guerra impossível de ganhar.
Por isso, ontem reuni os blogues que consegui apurar (cerca de vinte) e hoje tentarei publicar essa lista, transformando-a numa posta em actualização permanente que servirá de referência para quem queira saber quem dá a cara pelo problema e está disposto/a a cumprir o imperativo moral que todos sem excepção devemos sentir nesta matéria.
Sem deixar que isto se transforme num transtorno no meio das nossas vidas agitadas por carradas de factores.
Apenas algo que preencha uma parte dos nossos dias para que a memória não morra e as vítimas não desistam de lutar.
Podemos no mínimo oferecer-lhes uma voz, um meio de divulgação dos apelos que pelos canais tradicionais demore demasiado tempo a efectivar, uma rede de blogues mensageiros.
E depois, tudo o que possa daí derivar em função da capacidade de iniciativa do todo ou apenas de cada um de nós.
Por favor, entendam que é apenas isso que está em causa e que no final só esse objectivo poderá prevalecer, num assunto que transcende largamente qualquer realidade comezinha que se lhe queira associar.
Bastam a lógica, a inteligência e um pouco de sensibilidade para entender as coisas da forma mais correcta.
É uma causa comum, demasiado adormecida por condicionalismos possíveis de eliminar.
E este é um meio ao nosso dispor para caminharmos em conjunto nessa direcção.
Falta também dar-vos conta da componente mais analógica que entretanto abracei, mas garanto que não esqueci nem tenciono adiar por mais tempo do que o necessário para encontrar uma abordagem em condições.
Publicado por sharkinho às junho 24, 2007 03:49 PM