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junho 25, 2007

UM ESBOÇO GROSSEIRO

the seagull has landed.jpg
Foto: Shark

Foi-lhe negado o perdão pela ausência da perfeição que em dada altura exibiu. Desastrada a sua atitude conciliadora, pior ainda quando enveredava pela reacção hostil.
Parecia de propósito, rasteira da vida, a sucessão de imponderáveis que aumentavam a pressão e arrastavam os desfechos para becos sem saída.

Circulava sem nexo pelo labirinto complexo da sua mente inquinada pelo excesso de informação deturpada que inevitavelmente lhe distorcia qualquer conclusão.
O despropósito da reacção injustificada que embaraçava depois, quando já pouco ou nada podia fazer.
E o ciclo vicioso que aumentava e cada vez mais contagiava tudo em seu redor com o vírus da solidão.

As suas relações explodiam como bolas de sabão, desapareciam como seara lambida pelo fogo que ateava inconsciente com palavras insanas e tentativas trapalhonas para remediar o mal feito assim.
Como peças de dominó tombadas numa sucessão interminável de réplicas do abalo original que produzia com o impacto das suas intervenções, jaziam no solo da sua memória os amores acabados e os encontros adiados para amanhã ou nunca mais.

Destroços de uma guerra interior descontrolada, estupidamente extravasada para fora dos limites de um território em ebulição. Uma bala no coração em cada resposta às suas agressões extemporâneas até a hemorragia ser impossível de estancar.
A imagem a sangrar nas manifestações da sua evidente desorientação, o choque da deserção generalizada em ambos os lados da fronteira.
The enemy within.

O silêncio em volta do campo de batalha vazio onde parou para pensar.

Acabou por encontrar a solução nas armas abandonadas que reuniu no centro do paiol que demoliu por implosão, fundidas num enorme invólucro de metal com pequenas ranhuras destinadas à observação prudente do que acontecia lá fora. Invulnerável aos outros no interior de um blindado completamente parado e por isso mesmo inofensivo como meio de agressão.

Conformou-se com a solidão tranquila até perder sequer a vontade de olhar o céu.
Algum tempo mais tarde, a sua fortaleza petrificada acabou convertida num imenso mausoléu.

Publicado por sharkinho às junho 25, 2007 05:36 PM