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julho 28, 2007

A POSTA QUE ATÉ PARECE FÁCIL

Nem sei se isto é uma característica da maioria mas gosto de acreditar que sim. Dou menos valor a uma vitória suada do que a uma conciliação bem sucedida.
Daqui não se pode concluir que me agrada perder nem que seja a feijões. De todo.
Mas aceito o empate como um resultado decente por comparação com uma vitória que presume sempre o meu “génio” mas igualmente implica o aproveitamento de uma falha ou fraqueza de alguém.

A conciliação é um resultado sempre positivo porque mesmo que ninguém ganhe ninguém sai perdedor. E ambas as partes do conflito de interesses podem gabar a sua mestria na difícil arte da diplomacia que, doa a quem doer, ainda é o que nos vai salvando os couratos no contexto de um mundo entregue a líderes marados e suas tendências belicistas.
O mesmo se passa no microcosmos de cada um de nós.
E se existissem conflitos insolúveis ainda andávamos à trolha com os espanhóis…

Quem vai à guerra dá e leva e nem sempre a balança pende para o lado que nos serviria melhor. Mesmo quando “ganhamos” (ou apenas saímos da refrega com alma para alimentar essa ilusão). O vencedor, se pessoa de bem, acaba por lamentar os estragos provocados no oponente destroçado e a este último só restam desculpas de circunstância (a honra, o brio, o orgulho, a vitória moral) para atenuar a conclusão óbvia de que mais valia ter procurado uma solução consensual.

Não há volta a dar, julgo eu, do ponto de vista lógico.
E por isso mesmo, apesar de refilão e aparentemente agressivo, predomina sempre em mim a vontade de solucionar os problemas pela via do diálogo e da inteligência necessária (ou a possível) para encontrar um ponto satisfatório de impasse. Esse impasse é o momento crucial, no qual as pessoas podem avaliar ganhos e perdas e, quando a sensatez prevalece, dar o conflito por sanado.
Sem que alguém necessite de sair do assunto com mazelas evitáveis e com o amargo sabor de uma perda qualquer que talvez pudesse ter sido evitada.

Isto não tem nada a ver com dar a outra face a quem nos esbofeteia. Ninguém conte com a minha costela apostólica romana para evitar o troco na hora. Mas depois, quando temos que decidir entre o empate negociado ou o murro bem dado que abre caminho para a zaragata sem controlo surge o tal impasse que faz toda a diferença.
Ok, tu deste-me e eu dei-te a seguir. Agora vamos lá tentar perceber se ficamos quites assim ou se é preciso mais uns piparotes ou umas beijocas (isto em sentido figurado, claro) para arredondar as contas de forma mais justa.

Isto é uma versão caricatural, mas aplicada a casos sérios pode revelar-se decisiva para uma mudança de rumo benéfica para as partes envolvidas num diferendo qualquer.
Só um burro não entende que algum benefício é melhor do que uma perda garantida e esta acontece sempre, mesmo ao vencedor.
Porque resulta sempre má onda. Ou porque aquele que ganhou é um malandro porque abusou do poder e foi longe demais (coitado do que perdeu), ou porque o que perdeu ainda deu umas caneladas valentes e o outro pelo menos essas não as levava, ou apenas pelas repercussões externas que acabam por se virar quase sempre contra a imagem dos contendores (quem está fora nem sempre racha lenha...).

É uma porra, mas parece-me que é mesmo assim.
E por isso cedo, mais do que julgam, ao apelo da concórdia e da resolução ponderada quando me vejo envolvido numa escaramuça. Ou pelo menos nunca coloco de lado essa hipótese remota de dar a volta “a bem”, mesmo que isso implique uma espécie de paz podre, fragilizada pela “porrada” que entretanto se desenvolveu ou até condicionada apenas a uma trégua temporária que permita respirar fundo e (porque não?) pensar.

É que em qualquer tipo de guerra ninguém tem tempo de assentar ideias enquanto zunem as balas e se faz sentir bem alto o fragor dos canhões.

Publicado por sharkinho às julho 28, 2007 01:26 AM

Comentários

Sobretudo quando as guerras que "compramos" até nem são as nossas.
Quantas vezes isso não acontece ape3nas porque alguém nos ventilou algum gás Anthrax aos ouvidos sobre outra pessoa que até nem conhecemos de lado nenhum e nem quer saber da nossa vida para nada. Mas ao comprarmos a contenda de outros convencemo-nos da nossa justeza.
Depois, olhando para trás (que o tempo, nestas coisas, leva sempre a melhor) apercebemo-nos que as cinzas do que restou até podiam continuar a ter sido belas construções, se não nos tivessem usado como testas de ferro...

Publicado por: Mar às julho 28, 2007 03:29 PM

E parece que há quem tenha muita habilidade a mobilizar gente de todo o tipo para disputar as suas batalhas, remetendo-se a um silêncio que só na aparência os livra da imagem de cobardolas.

Publicado por: shark às julho 28, 2007 03:50 PM

!!! Ora aí está uma das minhas opções de vida. Explico:sou pela "porrada da grossa se for preciso" quando vejo que há um diz que disse que é feito com sacanice. No entanto, defendo que a melhor forma de se sair de uma contenda mixuruca, é olhos nos olhos, dizer o que se deve, o que se pensa e ouvir o outro, no fim um aperto de mão e amigos como dantes. Às vezes perdem-se amigos por trincas que na altura são, ou nos parecem, graves e à distância afinal, chegamos à conclusão que aquele assunto não passou de um mal entendido ou de uma confusão qualquer. Por outro lado, eu tenho verificado, ao longo da minha vida,vencedor e perdedor acabam sempre ganhando, um a contenda os dois uma lição de vida. A isto chama-se crescimento.

Publicado por: ! ! ! às julho 28, 2007 04:33 PM

São seres estranhos que manobram e manipulam julgando-se espertos. O que vale é que acabam sempre onde começaram: na lama. Tudo uma questão de tempo. :-)

(e espantação, é isso mesmo que pratico: olhos nos olhos) ;-)

Publicado por: Mar às julho 28, 2007 05:14 PM

Também gosto do teu ponto de vista, Espantação...

Publicado por: shark às julho 28, 2007 06:36 PM

O futuro encarregar-se-à de desvendar o que nos reserva nessa matéria, Mar. É como dizes, só uma questão de tempo...

Publicado por: shark às julho 28, 2007 06:38 PM