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julho 31, 2007

PENA MÍNIMA

Para o psicopata ex-GNR acusado do assassínio de três miúdas suas vizinhas. Vinte e cinco anos.
Sabe a pouco. São pouco mais de oito anos de punição por cada uma das vidas que o canalha cada vez menos alegadamente ceifou.

Conhecendo a tradição do país em matéria de generosidade da aposta no milagre da reinserção social, aquelas reduções de pena por bom comportamento de qualquer facínora que acabam por o libertar vários anos antes de cumprida a sentença na totalidade, é bem provável que o fulano saia vivo da penitenciária de onde, no meu entender, jamais deveria sair.

Existem casos e réus cujos contornos extravasam a capacidade humana de entendimento. Crimes tão hediondos e criminosos tão cruéis que ninguém numa sociedade com dois dedos de testa quer ver punidos de forma ligeira.
Em alguns países, a morte é a consequência para os culpados de aberrações que provocam uma onda de choque, um medo instintivo tão forte que leva as pessoas a preferirem fechar os olhos à barbárie implícita numa pena capital.

Vinte e cinco anos de pena máxima são um insulto a todas as vítimas e seus familiares quando está em causa o assassínio premeditado de alguém, sobretudo quando os detalhes provados não deixam dúvidas quanto à natureza aberrante de quem o cometeu.
Ninguém acredita numa Justiça tão branda e o primeiro impulso mental é o da justiça com minúscula, pelas próprias mãos das pessoas afectadas e a quem pena alguma pode compensar uma perda tão trágica mas, de todo, não merecem o insulto de saberem um criminoso mais jovem de novo nas ruas em idade de repetir a façanha.

Como um advogado do processo Casa Pia referiu há dias, a propósito do seu desencanto pelo rumo que o processo tomou, é preciso que neste país a justiça se concentre pelo menos tanto nos esquemas de protecção dos direitos das vítimas como se esforça no interesse dos prevaricadores.
É isso que está em causa, tal como a inevitável conclusão que se retira desta “alergia” do sistema a penas mais pesadas, nomeadamente a única capaz de garantir a segurança dos cidadãos e conferir aos injustamente acusados condições (e tempo) para provarem a sua eventual inocência (o que a pena de morte nunca permite e os erros já se provaram acontecerem).

E essa conclusão é a de que sai caro sustentar o sistema prisional e no entender deste Estado sem coração a pena dos que sofrem a perda é mais barata do que uma pena a sério para os seus causadores.

Publicado por sharkinho às 11:29 PM | Comentários (0)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

santo antónio de lisboa.JPG
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 06:45 PM | Comentários (0)

O SELO PARA O MEU CARRO

Custou quase trinta contos.
Fiz mal a alguém?

Publicado por sharkinho às 06:11 PM | Comentários (6)

EU GOSTO DE ANIMAIS

coruja.JPG
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:09 AM | Comentários (7)

julho 30, 2007

NUM TEMPO QUALQUER

cadárvore.JPG
Foto: Shark

Nos ramos, pássaros famintos pareciam aguardar que o vento lhes trouxesse notícias da terra onde a abundância (na cabeça de um pássaro) certamente saberia voar.
Mas bastaria chover e isso parecia não estar para acontecer, tal como já não acontecia há mais tempo do que qualquer daqueles pássaros conseguiria lembrar.

Lá por baixo, outras criaturas resistiam como podiam, as pessoas, ao calor insuportável, à sede e ao pó.
A sua pele falava, como a de velhos pescadores, da aridez que sulca as cútis como antes, no tempo em que os pássaros famintos ainda não passavam os dias em galhos onde acabavam por morrer novos demais, os arados rasgavam a terra para as outras criaturas, as pessoas, conseguirem comer algo que não os corpos esqueléticos dos pássaros a quem as árvores não conseguiam deitar a mão num momento em que o vento entendia soprar mais uma vida para o chão.

Cansava, só de os ver naquele arrastar do padecimento, as pessoas, calados pela planície em busca de sucessivos nadas em que se convertiam as miragens, alucinação, que lhes traíam o olhar e os convenciam a andar, quantas vezes, uns passos demais.
Caíam como os pássaros, primeiro os novos e depois os velhos, levantando uma pequena nuvem de poeira que parecia uma alma acabada de sair do inferno e ficavam ali até que alguém passasse que os transportasse sem pressa até à mais próxima vala comum.

Nos ramos, pássaros famintos com os bicos escancarados pareciam ignorar que há muito os milagres não aconteciam naquela terra massacrada pelo sol. Aguardavam a morte sem chegarem algum dia a experimentar a vida que lhes era destinada viver. Noutro tempo qualquer e nunca naquele espaço onde se tecia cada pedaço de uma manta ilustrada que contava as histórias de dor que os lá de baixo, as pessoas, insistiam em contar por entre o princípio do fim e o momento da respectiva consumação.

Eram gritos de alerta aos viajantes, os que passavam distantes temendo algum assomo de força do desespero naqueles corpos ressequidos e quase privados de locomoção. Temiam um surto de ladrões, ou de outra doença esquisita e naquelas paragens quase sempre fatal para quem dela não conseguia fugir.

Daquela terra já não fugia ninguém. Nem os pássaros famintos nas árvores despidas, poucos que restavam, eram estúpidos e por isso não ousavam voar em busca da terra da abundância que, existindo, certamente voaria até aos pássaros cujas forças já não permitiam lá chegar a tempo de evitar o mesmo destino que nas árvores aguardavam em paz.

Naquele lugar, todos sabiam, os pássaros nas árvores e os lá de baixo, as pessoas, que a salvação ficava sempre, em qualquer direcção, a uma distância comprida demais.

Publicado por sharkinho às 10:56 PM | Comentários (0)

EU GOSTO DE PESSOAS

menina on the rocks.JPG
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 03:48 PM | Comentários (2)

É SÓ PRA DIZER

Que ainda cá ando, mas a semana está a começar de uma maneira que não dá abébias...
Daí a escassez de palavrinhas.

É que um gajo tem mesmo que fazer pela vidinha.

Publicado por sharkinho às 03:43 PM | Comentários (9)

julho 29, 2007

EU GOSTO DE ANIMAIS

não dou entrevistas.JPG
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:40 PM | Comentários (6)

A POSTA À RÁDIO-AMADOR

Por acaso há mais alguém que tenha ficado sem sinal TV Cabo há uns minutos atrás?

(ou será que me esqueci de pagar a conta?)

Publicado por sharkinho às 10:58 PM | Comentários (0)

DE DENTRO

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Foto: Shark

Agradeço à vida a paixão que incendeia os meus dias com uma labareda que os enche de luz.
Agradeço-lhe a emoção que me seduz e me arrasta sem rumo, subida e descida, pelos seus caprichos de vida que põe e dispõe de tudo o que sou.
Cada momento um agradecimento que lhe dou, ou devia. Uma vida vazia é como um espectro macabro e eu fujo (deserto) desse horizonte cinzento como o diabo da cruz.

Agradeço à vida cada lágrima vertida, essa água salgada que o sentimento mais forte produz.
Agradeço-lhe a alegria e perdoo-lhe a tristeza, contraponto, que enfatiza o que sinto e ensaia o coração para enfrentar qualquer dor.
Agradeço-lhe acima de tudo o amor e a amizade que o defende com aquilo que se aprende do que vale uma relação.

A vida com paixão, intensa, uma existência tão imensa que se acredita imortal.
A emoção, intemporal, que perdura para lá do que entendemos como um fim.
A eternidade garantida assim, no testemunho deixado de um amor acabado, ira divina, ou de um conto de fadas para encantar gerações.

O bater dos corações, infinito, acelerado por um amor tão bonito que inspira criadores.

Uma vida plena de amores tão perfeitos, mesmo depois de desfeitos pelo mesmo tempo com que a vida nos transforma um dia em pó.
Uma vida que vale por si só, recordações acumuladas das paixões assolapadas, obrigado num sorriso dedicado à vida no dia em que morrer.

E também quero agradecer a todas as vidas que a minha amou pois nessas vidas se inspirou o que de mais belo senti, mesmo a ilusão.

E ofereço estas palavras como penhor da gratidão.

Publicado por sharkinho às 12:59 PM | Comentários (16)

julho 28, 2007

TENHO ANDADO ARREDADO DAS NOTÍCIAS

Mas ao que vou sabendo, continua tudo doido neste país e os títulos estão a ser feitos de coisas medonhas...

Publicado por sharkinho às 06:33 PM | Comentários (0)

O MEU GLORIOSO

Está a deixar-me muito preocupado...

Publicado por sharkinho às 06:29 PM | Comentários (6)

TENS TODA A RAZÃO

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E eu também não tenho nada a esconder. Vamos nessa! :-)

Publicado por sharkinho às 06:17 PM | Comentários (16)

FLOWER POWER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 01:36 AM | Comentários (4)

A POSTA QUE ATÉ PARECE FÁCIL

Nem sei se isto é uma característica da maioria mas gosto de acreditar que sim. Dou menos valor a uma vitória suada do que a uma conciliação bem sucedida.
Daqui não se pode concluir que me agrada perder nem que seja a feijões. De todo.
Mas aceito o empate como um resultado decente por comparação com uma vitória que presume sempre o meu “génio” mas igualmente implica o aproveitamento de uma falha ou fraqueza de alguém.

A conciliação é um resultado sempre positivo porque mesmo que ninguém ganhe ninguém sai perdedor. E ambas as partes do conflito de interesses podem gabar a sua mestria na difícil arte da diplomacia que, doa a quem doer, ainda é o que nos vai salvando os couratos no contexto de um mundo entregue a líderes marados e suas tendências belicistas.
O mesmo se passa no microcosmos de cada um de nós.
E se existissem conflitos insolúveis ainda andávamos à trolha com os espanhóis…

Quem vai à guerra dá e leva e nem sempre a balança pende para o lado que nos serviria melhor. Mesmo quando “ganhamos” (ou apenas saímos da refrega com alma para alimentar essa ilusão). O vencedor, se pessoa de bem, acaba por lamentar os estragos provocados no oponente destroçado e a este último só restam desculpas de circunstância (a honra, o brio, o orgulho, a vitória moral) para atenuar a conclusão óbvia de que mais valia ter procurado uma solução consensual.

Não há volta a dar, julgo eu, do ponto de vista lógico.
E por isso mesmo, apesar de refilão e aparentemente agressivo, predomina sempre em mim a vontade de solucionar os problemas pela via do diálogo e da inteligência necessária (ou a possível) para encontrar um ponto satisfatório de impasse. Esse impasse é o momento crucial, no qual as pessoas podem avaliar ganhos e perdas e, quando a sensatez prevalece, dar o conflito por sanado.
Sem que alguém necessite de sair do assunto com mazelas evitáveis e com o amargo sabor de uma perda qualquer que talvez pudesse ter sido evitada.

Isto não tem nada a ver com dar a outra face a quem nos esbofeteia. Ninguém conte com a minha costela apostólica romana para evitar o troco na hora. Mas depois, quando temos que decidir entre o empate negociado ou o murro bem dado que abre caminho para a zaragata sem controlo surge o tal impasse que faz toda a diferença.
Ok, tu deste-me e eu dei-te a seguir. Agora vamos lá tentar perceber se ficamos quites assim ou se é preciso mais uns piparotes ou umas beijocas (isto em sentido figurado, claro) para arredondar as contas de forma mais justa.

Isto é uma versão caricatural, mas aplicada a casos sérios pode revelar-se decisiva para uma mudança de rumo benéfica para as partes envolvidas num diferendo qualquer.
Só um burro não entende que algum benefício é melhor do que uma perda garantida e esta acontece sempre, mesmo ao vencedor.
Porque resulta sempre má onda. Ou porque aquele que ganhou é um malandro porque abusou do poder e foi longe demais (coitado do que perdeu), ou porque o que perdeu ainda deu umas caneladas valentes e o outro pelo menos essas não as levava, ou apenas pelas repercussões externas que acabam por se virar quase sempre contra a imagem dos contendores (quem está fora nem sempre racha lenha...).

É uma porra, mas parece-me que é mesmo assim.
E por isso cedo, mais do que julgam, ao apelo da concórdia e da resolução ponderada quando me vejo envolvido numa escaramuça. Ou pelo menos nunca coloco de lado essa hipótese remota de dar a volta “a bem”, mesmo que isso implique uma espécie de paz podre, fragilizada pela “porrada” que entretanto se desenvolveu ou até condicionada apenas a uma trégua temporária que permita respirar fundo e (porque não?) pensar.

É que em qualquer tipo de guerra ninguém tem tempo de assentar ideias enquanto zunem as balas e se faz sentir bem alto o fragor dos canhões.

Publicado por sharkinho às 01:26 AM | Comentários (6)

julho 27, 2007

OUT OF THE BLUE

stairway to blue.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:06 PM | Comentários (4)

TENHO ANDADO

Pouco disponível para o virtual.
É que o analógico está muito baril.

E onde estou a net da TMN é uma caca.

Publicado por sharkinho às 10:03 PM | Comentários (0)

julho 26, 2007

IMAGENS DE LIBERDADE

soltar amarras.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 03:24 PM | Comentários (8)

DÁ-ME GOZO

Ver anónimos às turras uns com os outros numa caixa de comentários.
Sobretudo quando as suas intervenções denunciam que sabem com quem estão a falar, deixando-os na triste figurinha de falsos mascarados (o que acrescenta o ridículo à cobardia implícita).

Publicado por sharkinho às 12:15 PM | Comentários (7)

julho 25, 2007

ANOITECER À PRESSA

depois do sol.JPG
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:54 PM | Comentários (0)

SECOND WIFE

Enquanto ele andava entretido a brincar com o seu avatar no monitor do computador de casa ela fez as malas e foi brincar com o monitor do seu ginásio...

Publicado por sharkinho às 12:05 PM | Comentários (6)

FILTROS DE COR

balões disney.JPG
Foto: Shark

A vida pelos olhos de quem observa, debaixo de uma ponte, aquilo que acontece num mundo ao qual já nem sente pertencer.
A vida pelos olhos de quem assiste, a bordo de um iate, ao passar do tempo de qualidade que a distância abastada proporciona.
A vida pelos olhos de um pai, num hospital de campanha, com um filho morto nos braços por uma doença que o outro lado do mundo há muito erradicou.
A vida pelos olhos de quem ignora, na fila de trânsito, outras preocupações que não as da sua realidade comezinha e saturada de pressões.
A vida pelos olhos de quem acredita, no interior de um confessionário, que aquilo que se vive de melhor só acontecerá depois de morrer.

A vida a acontecer aos olhos de quem não selecciona mas apenas distingue os filtros de cor que o acaso aplica consoante os tempos e os espaços destes mil mundos possíveis num mundo camaleão.


Publicado por sharkinho às 11:08 AM | Comentários (0)

BLACK & WHITE

desponte.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:19 AM | Comentários (0)

julho 24, 2007

SÓ ACONTECE AOS OUTROS

ground control.JPG
Foto: Shark

Tanto quanto percebi, um grupo de trezentos passageiros de um voo que os deveria trazer desde Cancún (México) viu-se confrontado com uma avaria num sistema qualquer do avião.
A avaria em causa, embora não impedindo a aeronave de cruzar os céus, era grave o bastante para impor determinada altitude sob pena de a cabina perder a pressurização.

Eu detesto andar de avião.
E faz-me imensa impressão que só cinquenta passageiros em três centenas tenham optado, em face das circunstâncias, por ficarem em terra…

Publicado por sharkinho às 05:33 PM | Comentários (6)

EU GOSTO DE ANIMAIS

bird on wood.JPG
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:25 AM | Comentários (6)

A POSTA PRÓ BONECO

Perante factos não há argumentos. E as conclusões perfilam-se, cristalinas, sem um esforço mental por aí além.
Claro que todos corremos o risco de deturpar os raciocínios quando os carregamos com os fardos da subjectividade, do palpite, da especulação. Mas em boa medida conseguimos obter um quadro razoável a partir do que se afigura difícil se não impossível de contestar.

Depois é-nos pedido que assumamos uma reacção em conformidade com as ditas conclusões, boas ou más. Ou seja, existem consequências inevitáveis para as reacções, certas ou erradas, às conclusões, idem, que necessitamos assumir para nos sentirmos donos de alguma coisa que seja no destino que nos arrasta a seu bel-prazer.
Quase sempre é nas reacções que a bronca se produz, pois temos a opção de amadurecer as conclusões até um ponto onde a sensatez pode fazer toda a diferença na respectiva interpretação. Mas não a exercemos.

Isto é perverso, se tivermos em conta a bela utopia da sinceridade como um ideal. Se hesitamos em reagir, nomeadamente em fazer perguntas que esclareçam melhor as interrogações que nos esforçamos por suprimir, já estamos perante um dilema quanto à tal obrigação moral de sermos sinceros (pelo menos) com algumas pessoas.
Na blogosfera a coisa amplifica, pois literalmente qualquer pessoa tem acesso às reacções espontâneas e não seria surpresa para ninguém ver esse voyeurismo convertido num exercício de puro deleite canalha.

É assim que as coisas acontecem na vida real que aqui também se faz, em versão “higiénica”. A gente fala demais, os/as vampiros/as de pretextos sugam-nos a fraqueza ou a debilidade e já está. Mais uma boa razão para baixar o nível de prioridade da bendita sinceridade que nos contos de fadas toda a malta respeita e admira.
É chato, bem sei, colocar as coisas nestes termos. Mas até o macaco acaba por ganhar calo onde as coisas acontecem da pior maneira possível.

O silêncio é de ouro e por isso mesmo constitui a alma de qualquer negócio. Mas não do nosso, este de blogar, que se torna invariavelmente fútil quando as brincadeiras de miúdos perdem a piada e quem visita acaba por enjoar o mergulho no vazio.
Claro que podemos sempre abraçar a Cultura, dar-lhe o nosso toque pessoal e inconfundível e aborrecer o “pagante” até ao adormecimento total. Ou podemos inventar personagens, fantasias de nós próprios que pululam alegremente no contexto de uma farsa que só pode produzir histórias curtas com péssimos finais.

Mas poucos de nós possuem a bagagem bastante para impressionar neste meio (por norma) dotado de formação superior e quase nenhuns aliam essa sabedoria ao talento inato para a transmitir de uma forma apelativa.
E são mesmo raros os que conseguem sustentar por muito tempo a máscara de verniz que os/as cobre com um anonimato que cedo ou tarde satura ou acaba por se perder, para desgosto de quem comprou, gato por lebre, a imagem forjada.

As alternativas que restam resumem-se ao difícil encaixe no enxameado mundo da análise política que, em boa medida, abriu o caminho para este benefício de que usufruímos aos milhares. Só os muito bons conseguem destacar-se nessa matéria.
Também há o recurso à “especialização”: cinema, teatro, dança clássica ou moderna. Informática, comunicação, culinária.
Ou à simplificação: futebol, gajas, sexo, coisas das quais todos percebemos o bastante para nunca ficarmos mal na gravura.

E ainda resta a literatura, sobretudo a poesia sempre tão popular, associada ao Amor (esse tema que toda a gente fala mas pouca sabe exactamente de quê) que constitui sempre um assunto fascinante (e que teoricamente pode abrir caminho para um dos itens da simplificação de que vos falava mais acima).

Algo me terá escapado ao longo desta lengalenga, mas acabo por vir parar ao tema que escolhi para o charco e do qual a maioria das pessoas acaba por abdicar (como autor/a ou como visita).
Os blogues pessoais ou intimistas, descaradamente virados para o umbigo de quem os faz (já foi mais o caso por estas bandas), só podem ser uma de duas coisas: verdadeiros ou falsos.

Por verdadeiros entendo os que efectivamente reflectem algo de quem os leva a cabo, os raros genuínos que cometem a leviandade de se descascarem por esta via. Fruta mesmo à mão para a corja oportunista…
Por falsos, não necessariamente com uma conotação pejorativa, encaro os que reflectem a vontade ou a necessidade de alguém se proteger (ou esconder) por detrás de um filtro qualquer. Ser homem em vez de mulher, ser no fundo uma simples caricatura.

Existem pessoas mal intencionadas, para tal bastando terem mau fundo e/ou tomarem alguém de ponta. Com ou sem razão, com ou sem intenção deliberada de exercerem o poder de espalhar ao vento o escárnio, o desdém ou qualquer outra repugnância que se monta tão bem em cima de um lapso, de uma estupidez ou de uma calinada de quem arrisca dizer alguma coisa de verdadeiro e sem rede em vez de investir na diplomacia tão prudente como (desculpem-me a franqueza) hipócrita do segredo, do medo, do faz de conta.

É isso que enfrenta quem precisa de tomar decisões nesta comunidade tão exigente quanto ingrata, tão unida quanto distante, tão porreira até ao momento em que os príncipes encantadores se transformam em sapos por assumirem em público que possuem um orifício igual ao que desenvolve calosidades nos símios que referi (lá para cima, quando ainda havia duas ou três pessoas a ler esta posta).
Perdido o encanto, sobrevém a hostilidade ou a indiferença.

E as reacções, claro, acabam por surgir depois.
A blogosfera dos “comuns”, a minha, está a definhar no lodaçal dessas tretas.

E ninguém me viu apregoar inocência.

Publicado por sharkinho às 12:25 AM | Comentários (10)

julho 23, 2007

BLACK & WHITE

alto relevo faculdade de letras.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:23 PM | Comentários (0)

FADO VADIO

A senhora, septuagenária ou suficientemente estragada pela vida da noite para o parecer, fora fadista (ou alternadeira, ninguém conseguiu afiançar).
Dela sabiam também que vivera durante anos com a filha e um homem da noite até ao dia em que ambos resolveram alterar a política (e a estrutura) de alianças no seio da família e deixaram a senhora fadista sozinha a cantar.

A senhora, absolutamente conformada ou apenas desempoeirada o bastante para o parecer, exibe-se feliz. Cheia de palheta, ar de diva, cuidado na aparência e dignidade na expressão, encheu a sala com a sua presença e ainda lá terá ficado umas horas a dar música ao proprietário do tasco, seu velho conhecido, algo que, de acordo com as suas palavras de cavalheiro para quem a discrição nunca se renega, não teria dado em nada…

E eu retenho, desta pequena lição que uma hora de almoço me proporcionou, o quanto o tempo consegue relativizar as histórias mais dramáticas e os passados mais controversos ao ponto de soarem gargalhadas onde antes as lágrimas e a reprovação faziam a banda sonora dos filmes das vidas que só os cromos deste calibre conseguiriam, com o seu calo e estaleca para enfrentar a desdita, protagonizar com tanto à-vontade para vestir ou despir qualquer tipo de pele que o acaso algures lhes colou.

Publicado por sharkinho às 11:58 AM | Comentários (0)

julho 22, 2007

A VIDA É ASSIM

esplendor alentejano.JPG
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:49 PM | Comentários (3)

CAVALOS E BURROS

De um lado as ”bombas” anunciadas com cavalos à brava e conotadas com máquinas de Fórmula Um ou de outra modalidade de alta competição prego a fundo. Até as gasolineiras carregam no pedal com os seus combustíveis supersónicos cheios de força para conferirem mais umas partículas de segundo aos topos de gama da moda.
Do outro, os radares da Câmara alfacinha a tirarem a fotografia a dois mil aceleras por dia e uma frota de viaturas à civil da GNR a caçarem mais uns quantos nas insuspeitas auto-estradas onde parece pecado circular abaixo dos 150 à hora.

De um lado os campeões do asfalto urbano a gabarem o seu recorde pessoal da travessia do IC19 que baixaram em dois minutos à custa de meia dúzia de manobras impensáveis a velocidades estapafúrdias.
Do outro as famílias dos que oferecem às centenas a vida à estrada mais os que mal conseguem balbuciar os contornos da sua asneira ou da dos outros que os amarrou a uma cadeira de rodas ou à cama de um hospital.

De um lado a sede de viver desarvorada que provoca arritmias e exige adrenalina para se sentir tão intensa como a que pintam nos filmes ou nas revistas as vedetas que depois, tantas vezes, acabam por se desmascarar na sua realidade mimada e infeliz.
Do outro a vontade de viver desesperada dos que abrandam em cada estrada e só torcem para que não venha um louco descontrolado consumar o supremo acto de estupidez a meias com quem abdica do risco em abono de uma existência estatisticamente mais prolongada.

De cada vez que me deparo com os números da sinistralidade nas estradas custa-me a entender onde reside afinal a dificuldade de atinarmos nas nossas decisões sobre rodas.

Publicado por sharkinho às 10:36 PM | Comentários (0)

POST CARD

viena imperial.JPG
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 01:16 PM | Comentários (2)

julho 21, 2007

IN TEMPORAL

sol da meia noite.jpg
Foto/Imagem: Shark

Essa força que emana do teu sorriso como um bando de mil pássaros no momento da sua evasão. Uma mancha no céu, colorida e cheia de luz.
Essa beleza que a tua presença produz, como um horizonte imenso iluminado pela despedida do sol. Um cenário no olhar, irrequieto, pleno do movimento das tuas emoções espelhadas.

Esse timbre das palavras cantadas pelo som da tua voz. Como a banda sonora da história filmada de uma vida feliz. Uma melodia no ar, envolvente, o ruído da nascente de um rio avassalador.

Uma força interior e bonita que ecoa como um trovão nas paredes do coração de quem usufrui do privilégio de te amar.

Esse relâmpago que gritas ao vento com que agitas os cabelos no meu peito quando anuncias a bonança, ofegante, mas prenuncias a tempestade seguinte nesse fogo do teu olhar.

Esse cheiro da terra molhada numa tarde bem quente no pino do Verão.
Que me arrasta, como um pedaço de madeira à deriva no oceano, para o centro de um furacão.

Publicado por sharkinho às 08:53 PM | Comentários (3)

julho 20, 2007

IMAGENS DE LIBERDADE

alma de gaivota.jpg
Foto/Imagem: Shark

Publicado por sharkinho às 04:59 PM

DANCE WITH ME

dance with me.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:15 PM

EU GOSTO DE ANIMAIS

bolacha maria.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:49 AM

LINQUES PARA O RUI PEDRO (act)

rui pedro actual.jpg

Os linques abaixo correspondem aos blogues que aderiram à corrente para lembrar o problema das crianças desaparecidas, com especial incidência no caso do Rui Pedro (desaparecido há oito anos) mas tendo em conta cada uma das crianças por encontrar e as que possam vir a ser vítimas desta crueldade sem explicação.
São apenas os que consegui encontrar, pelo que peço antecipadamente desculpa por qualquer omissão e reitero o pedido de que me informem (nas caixas ou por email) de blogues que adiram à publicação do nome e do rosto do Rui Pedro (de preferência com um linque para o site Rui Pedro.Net) para ser incluído nesta lista que anseio tão grande quanto possível quando a enviar para o site atrás referido.

Recordo todos/as quantos/as tomarem conhecimento desta iniciativa que o que está em causa é mostrar que é possível fazer algo de mais concreto por intermédio da nossa comunidade para minorar um problema tão grave quanto dramático.
Não aguardem um convite formal, avancem nos vossos espaços com a referência ao Rui Pedro e exibam a vossa vontade de acabar com este mal, num sinal de esperança para quantos precisam de toda a ajuda e encorajamento que puderem obter.

Esta listagem ficará em aberto à espera de todas as novas adesões a uma corrente diferente e para a qual apelo à vossa compreensão. É tão simples quanto um post intitulado "Rui Pedro", uma reprodução da foto acima e, se possível, algum linque para o Rui Pedro.Net. Ou qualquer outra forma de recordar o problema, interessa acima de tudo marcar presença.

Adiram como preferirem mas não cruzem os braços, por favor.
Nesta guerra, a desistência não é uma opção.

Aprender e Ensinar

Ritual Café

Proximizade

Ponto sem Nó

Pópulo

Contas sem Conta

Pensamentos Soltos

Encanto (Brasil)

Conversamos?!...

outrÒÓlhar

A Educação do meu Umbigo

O Cartel

Cogitare

Casa de Alterne

Olá, sou o Gaspar!

Em Casa da Ena Rot

Kaskaedeskaska

Flores, Elfos e Anjos

Criancices

Notas ao Café

Diário de Mim

Urgente ser Criança

Ana Scorpio

Viver um Novo Fim

Jardim dos Pequeninos

Charquinho

Estou Estupefacta

Notas do Director

Tempo de Teia

Terrear

Jardim das Cores

Palavras do @vesso

O Avesso dos Ponteiros

A Dreamer's Space

Letras são Papéis

A Papoila

CindaMoledo

Serpa-eriovasti

Ceolino's

Da Condição Humana

Uma Pausa para Pensar

Rádio Macau (Macau)

A lista encerra aqui e será enviada para quem pode dela extrair algum benefício e inevitáveis conclusões.
Eu extraí as minhas. A minha intervenção passará a acontecer no mundo real, no âmbito da Associação da qual podem tomar conhecimento AQUI.
Obrigado a quem participou.

Publicado por sharkinho às 11:45 AM | Comentários (19)

TÁ QUASE...

night pool.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:11 AM

FLOWER POWER

grito de cor.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:37 AM

julho 19, 2007

FERNÃO CAPELO

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Foto: Shark

(Por falar no assunto: alguém sabe dizer-me o que é feito das gaivotas do Parque das Nações?)

Publicado por sharkinho às 06:27 PM | Comentários (9)

A GÔNDOLA DE LANZAROTE

É o título da minha crónica publicada hoje no AEIOU.

Publicado por sharkinho às 12:55 PM

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

romance no parque.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:11 PM | Comentários (2) | TrackBack

julho 18, 2007

EU GOSTO DE PESSOAS

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 06:37 PM | Comentários (5) | TrackBack

O ESTADO DA DISTRITAL LARANJA DE LISBOA

psd moscavide.JPG
Foto: Shark

Pode avaliar-se pelo brio esfarrapado com que uma parte dos seus militantes encaram a presença do partido no distrito.

(Na foto: bandeira portuguesa em exibição na fachada da sede local do PSD Moscavide.)

Publicado por sharkinho às 10:11 AM | Comentários (0) | TrackBack

ESPELHOS DA ALMA

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Abre-me a alma como a um livro se faz e acarinha cada palavra minha das que falarem de amor. Beija-as por favor com o teu olhar surpreendido e o coração acelerado pela emoção de receberes no peito a força de um impacto superior.
Acredita então no poder endiabrado do meu espírito apaixonado pelo teu. Acredita que o destino te deu a maior dádiva possível, uma paixão tão incrível que não consegues conter as lágrimas que transformam num borrão as palavras que te dou a ler agora, pois a morte às vezes não espera quando deixamos as coisas urgentes para depois.

Olha para nós dois no capítulo mais empolgante de uma história tão diferente que a minha alma escreveu, vermelho rubi, a emoção como a vivi a cada segundo precioso do teu cheiro e da tua voz.
Olha sobretudo para nós, assim descritos, na verdade que reclama aos gritos a posteridade que confirma um amor imortal.
Inscrito na alma cujas páginas folheias quando lês nos meus olhos a mensagem que escrevo em mim e que fala de uma história sem fim, contada ao pormenor, a minha vida no seu melhor quando nela entraste de rompante pela mão do acaso a que muitos chamam Deus.

Devora as palavras que são tuas, o som do nosso riso pelas ruas, a sombra de um abraço apertado desenhada no chão ou a agradável sensação de duas peles confundidas entre si.
Descobre o quanto gosto de ti nos textos sinceros (que os da alma são verdadeiros, na sua essência preservada pela ausência de filtros protectores).
O calor dos raios solares que iluminam alguns parágrafos, os que falam de todos os dias em que festejámos a luz.

Acredita nessa escrita que não padece dos tropeções desta boca tão desastrada a falar porque nasceu para te beijar e as palavras já foram guardadas, para sempre, no registo permanente que gostava de te mostrar num doce momento de leitura.
Interrompe-o com os rasgos de loucura que só o desejo mais intenso produz.

Abre-me a alma como a um livro se faz e mostra-me que és capaz de decifrar esta forma de te amar trapalhona, está toda escrita naquela zona que diz

Este amor fui eu que o fiz, tatuado na tela onde o coração o pintou.

E tu sabes que era a tua a imagem que o inspirou.

Publicado por sharkinho às 12:04 AM | Comentários (12)

julho 17, 2007

FLOWER POWER

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 10:29 AM | Comentários (6)

FAÇO MINHAS

Estas palavras.
(E o percalço acontece aquém fronteiras também...)

Publicado por sharkinho às 10:16 AM | Comentários (0)

julho 16, 2007

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 06:06 PM | Comentários (3)

POR POUCO VENCIA, O NOSSO ETERNO GARCIA

Desde o saudoso Arnaldo de Matos (que se dizia ser primo afastado do Júlio, pela sua irreverência tout court) que o MRPP não tinha um líder tão persistente e carismático.
Ok, tão persistente e emblemático...

Numa (plura)lista constituída por quase tantos independentes como as candidaturas independentes propriamente ditas, salta sempre à vista o nome alegadamente mais boicotado pelas televisões na história da Democracia em Portugal.
Candidato a tudo quanto possa, Garcia Pereira revela-se um homem tenaz.

E os resultados deste plebiscito só não coroam o PCTP/MRPP como o maior dos mais pequenos porque o CDS/PP acaba de se apropriar, pelo seu colossal trambolhão, dessa gloriosa conquista dos militantes mais rodados na mais tradicional arte urbana de esquerda que é a pintura mural de intervenção.

(Só não contem é com a televisão...)

Publicado por sharkinho às 12:48 PM | Comentários (11) | TrackBack

PEDRO QUARTIN GRAÇA SIMÃO JOSÉ (Vejam lá se fixam o nome do bacano de uma vez por todas)

O Partido da Terra (MPT) não consegue chegar nem ao céu da boca dos eleitores. Ninguém conseguiu reter na memória o nome do cabeça de lista e isso em muito terá contribuído para o penúltimo posto na implacável classificação que está reservada aos partidos menores.

Daí estranhar-se, perdido por um perdido por pouco mais de mil, não ter o MPT optado pela sua terceira candidata suplente, certamente mais chamativa no particular da nomenclatura.

Senão vejamos:
Vitaline Maria Correia de Lacerda Ramalho Cardoso Ferreira.

Rendia, bem esmifradinhos, mais meia dúzia de votos ou não rendia?

Publicado por sharkinho às 12:33 PM | Comentários (2) | TrackBack

FORA DA CÂMARA PEREIRA

Cantas bem mas não me alegras, disse o povo à candidatura monárquica do fadista betinho. Menos de mil votantes e um vincado último lugar entre os doze candidatos são o triste fado que o PPM e o seu cabeça de lista viram confirmado nas urnas do seu funeral (político) na capital.

Ninguém percebeu a mensagem desta candidatura.

Aliás, ninguém a encontrou...

Publicado por sharkinho às 12:24 PM | Comentários (2) | TrackBack

O ZÉ A MAIS (Ou o Coelho que só faz falta sossegadinho na cartola)

Foram só 0,77% mas qualquer resultado acima de zero seria mau. Só não ficou ainda pior porque o Garcia Pereira voltou a vencer a "Segunda Liga" e salvou a honra do convento, roubando ao grupelho das tiradas xenófobas o único título que (felizmente) poderiam ambicionar.

Agora propõem-se eleger um deputado em 2009 e toda a gente sabe quem se perfila no horizonte para esse lugar.
E é bom para a Democracia existir quem mantenha na luta partidária algum sentido de humor.

Ainda que perante o discurso desta malta outras vontades se sobreponham à vontade de rir...

Publicado por sharkinho às 12:13 PM | Comentários (2) | TrackBack

O ZÉ FAZ FALTA MAS UM É SUFICIENTE...

A malta de Lisboa até gosta de gajos assim, acha-lhes piada e oferece-lhes sem hesitar as suas mais calorosas palmadinhas nas costas.
Mas também não convém abusar da costela contestatária, senão estes jovens rebeldes acabam por adiar as inaugurações das obras públicas que o povo gosta tanto de engalanar para se poder gabar do estatuto pioneiro e, com sorte, ainda chegar em primeiro e aparecer na televisão.

Pelo seguro, mais vale eleger três herdeiros do passado Carmona do que multiplicar a inconveniência (gira e tal) do vereador-fiscal que empata mais do que ganha.

E para isso já bastam aos alfacinhas o Sporting e o Benfica...

Publicado por sharkinho às 11:59 AM | Comentários (2) | TrackBack

O MANUEL DOS ANZÓIS

A Nova Democracia envelheceu prematura com os miseráveis 1.187 votos que o Monteiro's One Man Show rendeu na Capital. Acima de tudo pela vergonha implícita no facto de até o PNR ter logrado maior votação no seu projecto de direita trauliteira.

A sorte do persistente líder desta corte de renegados centristas é ser obviamente complicado reunir quórum para efectuar um congresso numa sala maior do que a do cinema Império.

Ainda por cima só para reeleger o figurão do costume, correndo sempre o risco de lhe dar alguma "travadinha do café" e o partido ficar órfão, partido de vez...

Publicado por sharkinho às 11:49 AM | Comentários (0) | TrackBack

UMA HELENA ESPINHOSA NO MEIO DO ROSEIRAL

A maioria rosa permaneceu relativa à conta de uma Roseta (es)colhida na sua Alegre estufa. Os dois eleitos pelos independentes dissidentes afiguram-se decisivos para que António Costa consiga governar a Câmara sem depender dos outros independentes dissidentes (liderados por Carmona Rodrigues).

A arquitecta deste nó na garganta vitoriosa socialista conseguiu produzir a partir do nada (ou menos, considerando a condição de outsider a que o PS a condenou) um resultado que deixa o partido do poder refém da sua antiga camarada.

São as estranhas voltas que o destino partidário dá...

Publicado por sharkinho às 11:37 AM | Comentários (2)

UMA MÁ CORREIA DO ALTERNADOR

Paulo Portas, o líder que alterna (ausências e regressos, meias vitórias e rotundos fracassos), recebeu um duro golpe no entusiasmo arrivista do seu assalto ao poder e terá perdido alguma da energia de feirante honorário.
A mesma bruma que devolveu aos centristas o seu D. Sebastião da treta abateu-se sem apelo sobre as ambições do CDS/PP na capital, com naturais reflexos nos viveiros contestatários do resto do país.

Se escapou incólume à questão dos submarinos, não é certo que esta derrota-torpedo lhe permita de novo evitar o naufrágio das suas expectativas.

Ah, o Telmo...
Pois, o Telmo apostou mal. E perdeu.

Publicado por sharkinho às 11:25 AM | Comentários (2)

CARMONA LISA

O sorriso mais enigmático da noite pertenceu ao professor presidente que passou a vereador independente e deixou o partido que o abandonou em muito maus lençóis.

O seu resultado reflecte ainda uma cisão interna que deixa a Distrital laranja de Lisboa a braços com um problema de consequências imprevisíveis para o futuro das suas estruturas locais.

E o eleitorado lisboeta voltou a provar que na sua sensibilidade fadista existe sempre um espaço generoso para a misericórdia e o perdão.

Publicado por sharkinho às 11:07 AM | Comentários (2)

UMA TEIMOSIA DO CARVALHO

Pela boca do Ruben, que voltou a dar voz a mais um empate do PCP (ficou na mesma e por isso não perdeu, como já era esperado).
Perante a composição determinada pelos resultados eleitorais, os comunistas ficam na edilidade lisboeta como é costume na Assembleia da República:

Não podem interferir em decisão alguma mas fazem sempre um saudável alarido democrático pelos direitos dos trabalhadores, contra a arrogância do grande capital, pela defesa intransigente das conquistas de Abril, pela luta contra os...

(Rewind)

Publicado por sharkinho às 10:51 AM | Comentários (6)

O FERNANDO OBTEVE UM RESULTADO MUITO NEGRÃO

E por causa disso o líder da oposição já perguntou quantos são e vai-se a eles num congresso que promete movimentações animadas.
O PSD teve nestas eleições a particularidade de ser entalado em simultâneo por dois não-militantes por quem Marques Mendes deu a cara.

E agora confirmou-se que as eleições alfacinhas traziam no bico toda a água que o líder laranja de ocasião já meteu desde que abraçou a sua missão impossível.

Publicado por sharkinho às 10:39 AM | Comentários (4)

O PS GANHOU EM LISBOA E O ANTÓNIO GOSTA

Mas boa parte da euforia de vitória protagonizada pela malta das excursões de Famalicão ou de Teixoso que substituía os lisboetas na festa deveu-se à derrota dos outros.

É que ficou no ar um objectivo chamado maioria absoluta, se a memória não me falha...

Publicado por sharkinho às 10:24 AM | Comentários (4)

julho 15, 2007

EM PARALELO

brook watson and the shark.jpg

Como numa rasteira das que o destino nos prega para testar a capacidade de cada um para lidar com os seus trambolhões.
Como num simples cruzamento de linhas que pode originar a coincidência fatal ou a conversa inicial de uma relação proibida.
Como em todas as manhas do azar ou da sorte na vida que determinam o caminho a seguir sem que alguém possa intervir de forma esclarecida para mudar a agulha.

No prato, a deslizar, diamante, sobre as pistas traçadas no vinil. As músicas tocadas ao gosto de quem manda afinal nisto tudo e compõe os arranjos como impõe a natureza do tom, a pureza do som que se torna roufenho quando na melodia alguns acordes despertam para a realidade inevitável de uma generalizada surdez.

Como num sonho concretizado dos que flutuam inacessíveis no limbo que a utopia oferece para nos seduzir.
Como numa fita antiga, a preto e branco, sublimada a magia da imagem pelo mais belo aproveitamento da luz.
Como na maioria daquilo que se vê, exactamente o que alguém produz a partir da sua visão subjectiva depois de renegar a natural alternativa noutro olhar que não o seu.

Na tela, a contracenar, amante, sobre as linhas definidas pelo guião. As cenas interpretadas ao sabor das palavras simples de um escritor, adaptadas às exigências dramáticas e às imagens capazes de agarrarem uma audiência quando nas bilheteiras se faz sentir o longo braço da lei, numa terra de cegos quem tem um olho é rei, da oferta e da procura num mercado global.

Como numa dimensão paralela, num mundo secreto onde a vida acontece exactamente como a pretendemos e até conseguimos ignorar os pecados deixados por limpar no planeta distante que deixámos para trás.

Como numa mentira, mas daquelas tão compensadoras que qualquer consciência consegue na boa aceitar.

Ou simplesmente ignorar.

Publicado por sharkinho às 04:49 PM | Comentários (5) | TrackBack

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 01:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

A POSTA SEM RETICÊNCIAS

Aqui há dias debitei alguns considerandos acerca da minha perspectiva do que uma amizade deve ser. Não o que a amizade é, não uma verdade absoluta, mas apenas a opinião de uma pessoa qualquer que no caso concreto sou eu.
Nessa altura abordei apenas os aspectos que me parecia necessário esclarecer perante qualquer pessoa que pudesse vir ao engano no sentido de ser minha amiga.
Não vale a pena investirmos o nosso tempo em pessoas cujas características não encaixam nas nossas ou tenham defeitos comprovados aos olhos de outras pessoas, certo?

Errado.

Aí é que reside uma das maravilhas da amizade, que como já muito defendi, não passa de um dos ramos dessa grande árvore que é o amor. Não precisamos de atinar com o feitio de outra pessoa para lhe dedicarmos uma amizade bonita e uma lealdade incondicional. É preferível, mais fácil, acontecer aquele encaixe perfeito. Mas o desafio, tal como no amor, está em conseguirmos ultrapassar divergências e em sermos capazes da flexibilidade necessária para aceitarmos os amigos tal como eles são.
Isto não é uma teoria rebuscada nem uma prática isenta de pecado no que me diz respeito. É aquilo em que acredito e faço o possível por confirmar com os meus actos.

Ou seja, a amizade não pode depender da “perfeição” das pessoas a quem a dedicamos. Exige tolerância, exige boa vontade, exige a capacidade de respeitarmos as parvoíces uns dos outros e de encontrarmos no coração a estima bastante para ultrapassarmos os momentos menos bons. E sobretudo nestes últimos somos moralmente obrigados a mostrar quanto vale afinal essa amizade assim chamada.

Se entre as pessoas, mesmo diferentes ou quase antagónicas, existem explicações óbvias para a cumplicidade, a lealdade, o respeito e outras coisas bonitas que devem sobreviver a quaisquer outras formas de ligação estabelecidas, então não há nada de estranho a concluir e as pessoas de bem devem revelar consideração por quem segue esse tipo de opção e nunca tentar minimizá-las pintando-as como estúpidas ou como incapazes de distinguirem os defeitos que qualquer pessoa normal ostenta.

Eu, com os defeitos que já afloraram na blogosfera como na vida pessoal, dependo em absoluto dos preceitos acima para conseguir contar com a lealdade e a estima seja de quem for. Dependo da paciência, da persistência e mesmo da fé de quem me queira por amigo. Não estou, portanto, a falar por falar e acredito mesmo nestas coisas.
Se faço figura de parvo por alguns amigos? Sem dúvida alguma. E o inverso verifica-se? É fácil de adivinhar que oportunidades não faltam.

Nada disto pode ser misturado no contexto das divergências ou das picardias que às vezes colocam as pessoas em diferentes lados de uma barricada qualquer. Nem sequer podemos associar os defeitos que reconhecemos a uns aos que deles se mantém próximos. Podemos apenas partir do princípio de que se as pessoas insistem umas nas outras é porque possuem motivos para o fazer.

E esses, pelo que pressupõem de legítimo e até de inspirador, merecem ser encarados com a nobreza que distingue o pouco de decente que a vida nos vai permitindo abraçar.

Publicado por sharkinho às 12:31 AM | Comentários (6)

julho 14, 2007

(IN)VENTO

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 01:48 PM | Comentários (7) | TrackBack

NÃO ESQUECI

Partilhaste comigo o teu fetiche por mulheres cabeludas, as tuas preferidas na hora de exibir aquela característica que os homens da família se obrigavam por tradição.
A mesma que te puseram à prova quando te mandaram combater por uma "pátria ultramarina" e te fizeram saltar do alto de um pássaro de ferro para o chão onde as balas dos “turras” te ceifaram os amigos e te condenaram a meses de dor num hospital militar.

Os homens da família que nunca viram a cara ao desafio, aceitam o risco e avançam contra o perigo como carne para canhão por causa de uma tradição que algum antepassado tonto criou.
E tu, diferente em tanto e sempre para melhor, abraçavas na guerra como conquistavas no amor e vestias essa pele que nos legou o apelido comum e nos impele para diante quando fugir seria de caras a melhor das opções.

Nunca te confessei o motivo mais forte da admiração que me causavas, não pelas histórias que me contavas acerca do cumprimento desse dever estapafúrdio de nos provarmos heróis mas pela forma subtil como deixavas passar a mensagem da vulnerabilidade a que nos expõe a ameaça das emoções que nos cegam e tu reconhecias sem ver.
A tua coragem no campo da batalha que travamos a sós, a guerra dentro de nós quando nos sentimos arrastados para diferentes lados pelo apelo do que somos contra aquilo que nos obrigamos a ser.

O chamamento de uma mulher, irresistível, e o impulso irreprimível de sentir a vida carpe diem como se pudesse acabar amanhã.
Como a tua acabou, de repente, depois de umas semanas doente em que adivinhavas o pior. A cirurgia que temias e acabou por te matar mais depressa do que o inimigo que insistia em alastrar pelo teu corpo como erva daninha quando a sorte te emboscou.

Partilhaste comigo as linhas principais do compromisso implícito no nosso tronco genético comum, nas entrelinhas do que dizias e na traição sistemática de um olhar que não sabia mentir. Ensinaste-me a agir com maior prudência e a tomar consciência do quanto era preferível investir na paixão do que nas investidas de machão para impressionar o pagode.

Lembro o sorriso maroto dos melhores dias e as rugas na testa que te denunciavam a preocupação quando te ouvi falar pela última vez.

A mesma testa lisa e fria que beijei no único momento em que demonstrei o carinho que o código familiar de conduta masculina nos impedia de demonstrar e tu foste o primeiro a contestar com a assumpção das tuas fraquezas e a partilha das tuas tristezas, sentidas em segredo ou parcialmente assumidas, a medo, pelos outros membros do núcleo a que tu e eu nunca parecíamos pertencer da mesma forma.

Lembro-te, tio, como o sinal de esperança que encontrava quando tantas vezes me revoltava contra a dureza excessiva do nosso “regime beirão” e que tanto me afastava do ideal comum.

Por tua causa, com essa partida acelerada e de todo inesperada do mais jovem de tantos irmãos, contrariaste outra vez a lógica do sistema que nos impunha determinada maneira de ser.

Com a tua perda, tio, a minha esperança que restava também foi a primeira a morrer.

Publicado por sharkinho às 12:48 PM

julho 13, 2007

RUGAS DE EXPRESSÃO

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:34 PM

REVERSOS DA MEDALHA

É uma pena, mas as pessoas descobrem sempre tarde demais que deixarem-se fazer reféns do medo e da suspeita (ou do rumor) é também uma forma de derrota.
As pessoas nessas circunstâncias inventam pretextos para dificultarem a comunicação, isolam-se, fogem dos outros, de alguns, aos poucos, com a certeza de ser essa uma inteligente manobra defensiva.

Eu estou cada vez mais parecido com essas pessoas.
Mas não está em causa o medo ou mesmo a suspeição.

É mesmo uma questão de falta de fé.

Publicado por sharkinho às 11:24 PM

SEM TÍTULO

uma questão de perspectiva.JPG
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:14 PM

QUANDO NO TEU PEITO ME DEITO A SONHAR

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Foto/Imagem: Shark

E depois concentrar a fadiga do olhar no aconchego repousante de outra beleza qualquer.
Sem reservas nem porquês. Sem pensar.
Apenas confiar a vista a uma questão de pormenor especial.
E deixá-la perder-se no prazer do usufruto da luz nos seus incontáveis prodígios de refracção que produz, na chispa brilhante e ocasional que acorda a visão para o momento em que a sensação de movimento é transmitida por um simples reflexo num pequeno lençol.

De água parada no tempo, agitada pelo vento que a arrepia no que os olhos entendem como uma ligeira ondulação.
O murmúrio da rebentação nas margens de um lago, o som de um beijo como a água o dá. Dessa forma ou pela chuva a cair, as gotas que acariciam os rostos como lágrimas doces de uma alegria incontida pelo usufruir de uma vida que também se faz de insignificâncias assim.

Um horizonte sem fim de coisas belas e sem relação com qualquer tipo de pressão das que cansam a mente e a afastam do simples que a defende das mazelas provocadas por inúmeras complicações.
Um ponto isolado no céu, o reflexo prateado nas penas de uma ave que imita como pode as estrelas ansiosas pela noite a cair. Ou os arco-íris espontâneos que se desenham por cima das rochas, nos borrifos das ondas, e desaparecem depois.
Uma única exibição, sem direito a reposição nos olhares distraídos daqueles que se encontram perdidos a vaguear pelos meandros mais escuros do seu interior.

Já não distinguem o amor das coisas feias que os atormentam nas histórias que inventam a partir de um quotidiano sem cor. Arrastam os pés pelo areal, incapazes de se alhearem do mal que os possui e do desencanto que lhes destrói a fé na beleza que a toda a hora está a acontecer.
Já não conseguem ver os pequenos pontos de luz serena oferecidos na presença terrena e esbanjados como o resto da existência na sua versão generosa.

As pétalas suaves de uma rosa que te dão.
Acabada de desabrochar no reflexo de um olhar comandado pelo coração.

Publicado por sharkinho às 11:27 AM | Comentários (4) | TrackBack

julho 12, 2007

TONS ESTIVAIS

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 06:13 PM | Comentários (0)

ÁGUA BENTA? TAMBÉM É QUANTA FIZER FALTA.

Quando uma pessoa interioriza em definitivo o seu lado menos bom (que cedo ou tarde desponta na maioria de nós) torna-se muito mais fácil definir limites, delinear condutas e estruturar defesas.
Dou-vos um exemplo.
Não sendo desprovido de ambição nem estúpido o suficiente para não perceber o fartar vilanagem que acontece à minha volta, decidi nunca me deixar corromper por alguém. E decidi na boa, não porque quisesse cultivar a minha bonomia ou promover a beatificação póstuma mas porque, conhecendo de antemão os danos colaterais (o segredo necessário, automático, implica que fiquemos dependentes da discrição e/ou da boa vontade do agente corruptor) e a minha reacção de animal ferido quando me encurralam, prefiro nem arriscar.

Claro que todo o homem tem um preço e que ninguém venha por favor oferecer-me como contrapartida de algo um resto de vida abastado num paraíso tropical.
Todavia, a regra permanece em vigor e até hoje funcionou na perfeição.
E compensa, teoricamente, um gajo conseguir livrar-se dessas obscuras teias de compadrios baseados na paz podre pois a contrapartida chama-se respeito e, em boa medida, garante a invulnerabilidade às invectivas ou “investigações” seja de quem for.

É que um tipo incorrupto, como qualquer tipo sem segredos para esconder, pode reagir sem reservas quando sente que alguém escolhe os seus calos para servirem de pouso. Sem nada a temer, sem nada a perder.
É a pele que posso vestir, ainda que não me afirme isento de máculas que derivem das limitações do carácter que a vida me moldou ou acentuou. Mas essas constituem males menores e nunca são passíveis de constranger a minha argumentação no alcance ou no tom.
Sou mesmo livre de voar pelos doces caminhos do direito de resposta à bruta perante quem me aponta um dedo sequer.
Por não possuir esqueletos no armário, por poder assumir sem vergonha os pecados que me provam ser uma pessoa saudável e absolutamente normal.
Por poder dar a cara, literalmente, por tudo quanto afirmo.
Algo que nem toda a gente parece poder reclamar…

Isso, como outras coisas, tem-me permitido ao longo da vida nunca silenciar a minha revolta ou a resposta necessária a quem, erro de palmatória, me considere vulnerável seja em que aspecto for. Não sou. Porque perdi o medo ao dentista, aquele que faltava, e porque não possuo telhados de vidro (encarrego-me eu de os partir para não dar esse prazer a espertalhões) nem segredos por desvendar perante alminha alguma.
Dá uma confiança do caneco a uma pessoa e constitui um obstáculo intransponível para quem entenda, por palermice, embirrar comigo de forma gratuita.

Conquistei ao longo da vida esse direito de que hoje posso gabar-me e que em qualquer plano onde me movo constitui uma verdadeira blindagem a quem me queira mal. Não sou perfeito, assumo-o na boa, mas também não possuo qualquer ponto sensível que possa minimizar-me perante as outras pessoas.
Posso assim desmantelar qualquer abordagem, acrescendo a vantagem de quantas vezes saber mais acerca das “revelações” que me disparam do que os próprios “agressores”.
Nem surpresas conseguem dar-me, salvo raríssimas excepções.

Notem que não invoco qualquer tipo de força ou de poder. Apenas a certeza no cagar de quem não precisa fugir de verdade alguma e nunca pode ser acusado de ter algum dia lançado a primeira pedra a alguém.

Parecem tretas sem importância, mas a quem queira ver acabam por saltar à vista.
Nem sempre de uma forma, isto do ricochete é uma terrível incógnita, que o cérebro consiga alcançar no âmbito do que, no que me respeito, só pode englobar-se no âmbito da visão periférica e às vezes pode acertar sem querer onde mais dói a quem vê mas não observa.

Podem olhar-me de lado, ou de frente até.
Mas nunca se arvorem capazes de me olharem a partir de um qualquer plano superior.

Publicado por sharkinho às 03:02 PM

PAINTING THE SKY

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 02:15 PM | Comentários (4)

ANDAM FRESCAS, ANDAM...

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Foto/Imagem: Shark

De acordo com um estudo divulgado pela revista Sábado, metade das mulheres portuguesas assumem já terem tido um one night stand.
Eu repito: metade das portuguesas assumem, o que deixa no ar a hipótese de se somar a esta percentagem mais uns pós das que consideram que o segredo é a alma do negócio.

Esta refrescante conclusão demonstra que as nossas raparigas estão a mudar os seus hábitos, ou pelo menos a contrariarem na prática o discurso teórico que lhes é imposto pelos costumes.
E considerando os números em causa e o que eles representam, a rapaziada não tem tido mãos a medir.
Os outros, sempre os outros…

E pelos vistos as outras, também.

Publicado por sharkinho às 09:31 AM | Comentários (4)

DE PASSAGEM

solitaire.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 09:10 AM | Comentários (4)

NÃO, O ASSUNTO NÃO MORRE POR SI

Tenho estado a assistir a um programa na RTPn acerca das crianças desaparecidas em Portugal, outro contributo para alertar consciências para um problema cuja dimensão pode ler-se no olhar das mães como Filomena Teixeira (mãe do Rui Pedro).
Das mães que não admitem em circunstância alguma palavras como resignação ou conformismo.

No final desta semana retomarei o assunto onde o deixei, enviando a lista de blogues participantes na iniciativa de divulgação do que se presume ser o rosto actual do Rui Pedro para o site que já vos indiquei.

Por outro lado, quero partilhar convosco a intervenção da nossa colega Pandora que me deu a conhecer este linque e que, fora do contexto da iniciativa que referi, tem tentado como eu e tantos outros não deixar que o assunto adormeça no "monte dos esquecidos". Tal como eu, a Pandora já está inscrita na Associação recém criada e da qual vos darei conta em breve.

O assunto, incómodo para qualquer pessoa de bem mas sobretudo para os familiares das crianças desaparecidas, prosseguirá para mim no mundo dito real e no âmbito da Associação mas não se esgotará em qualquer dos meios ao meu alcance neste plano virtual que ilustra bem a necessidade de insistir nesta tecla para abrir os olhos das pessoas aos contornos medonhos deste problema.

E para alimentar a esperança de quem não se pode dar ao luxo de a perder.

Publicado por sharkinho às 12:08 AM | Comentários (0)

julho 11, 2007

BLACK & WHITE

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 06:08 PM | Comentários (0)

A POSTA QUE LHE DEU NA BOLHA

não fui eu.jpg


A princípio deixou-se apoderar pela apreensão quando se descobriu no interior daquela aparente prisão que inviabilizava uma vida em pleno lá fora.
Gostava de acreditar que fazia falta a alguém no exterior da fina película transparente que agora delimitava o seu espaço pessoal. Depressa percebeu que não passava afinal de mais uma ilusão sua, a malta que andava na rua (como chamava ao direito do avesso em que se acreditava) seguia o seu caminho imperturbável e olhava de soslaio, indiferente, a sua figura flutuante que pairava a escassa distância do chão.

Depois foi caindo em si, livre de intromissões ou de interferências, de ralações ou de ingerências que pudessem desconcentrar a sua atenção do que agora se colocava como o mais pertinente dos assuntos a ponderar.
Aos poucos começou a apreciar aquela distância artificial, aquela prudência natural perante o que percebia tratar-se de uma forma bizarra do desconhecido de quem avisavam na infância para nunca dar conversa.

Percebeu que conversava demais e foi sentindo os sinais de forma cada vez mais clara, enquanto observava em silêncio o ruído de fundo que os outros produziam e a sua esfera protectora não impedia de ver ou de ouvir.
Habituou-se com o passar dos dias a essa postura diferente, cada vez mais evidente a conclusão precipitada, a decisão equivocada com base em argumentos nascidos de uma fonte cuja água há muito fluía com vestígios coliformes.
A nascente de ilusões que desaguavam na foz do realismo sumário, sempre ausente uma bandeira azul que garantisse a pureza cristalina que bebia quando a esfera não filtrava o que via nem aquilo que lhe era dado a beber.

Sentia-se agora à vontade no interior daquela cela fictícia, onde passaria a voluntária a detenção quando naquilo a que chamava prisão deixou de procurar uma porta de saída.

E ainda melhor ficou no dia em que constatou que, apesar de algo diferentes da sua e mais ou menos dissimuladas, tanta gente flutuava em redomas invariavelmente muito parecidas…

Publicado por sharkinho às 03:39 PM

HAVE A NICE DAY!

variações no tom.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 09:40 AM | Comentários (5)

A "LIBERDADE" DE EXPRESSÃO OU A "CREDIBILIDADE" DA INFORMAÇÃO?

Tempos atrás, retive um trecho de um livro que passo a partilhar convosco:

Durante muito tempo julgou-se que o boato era um ersatz (um produto de substituição de menor qualidade): por falta de media fiáveis e controlados impunha-se encontrar um media de substituição, que contasse tudo pelo pior. A coexistência dos mass media e dos boatos demonstra o inverso: estes são um media complementar, o media de uma outra realidade. É lógico: os mass media inscrevem-se sempre numa lógica de comunicação descendente, dos que sabem para os que não sabem. O público só recebe, portanto, aquilo que lhe querem dizer. O boato é uma informação paralela e logo não controlada.

Espero que estejam a seguir o raciocínio do autor, para perceberem depois o paralelo que tentarei suscitar.
A coisa prossegue nos seguintes termos:

Para o engenheiro, o técnico, o jornalista, esta ausência de controlo evoca o espectro de uma norma incumprida no altar da credibilidade da informação. É preciso, portanto, suprimi-la.
Para o político, o cidadão, a falta de controlo significa falta de censura, o desvendar do segredo e o acesso a uma realidade oculta. É necessário portanto preservá-la.
A concepção negativa que associa o boato à falsidade é de ordem tecnológica: só é boa a comunicação que é controlada. O boato opõe um outro valor: só é boa a comunicação que for livre, mesmo que a sua credibilidade venha a ser prejudicada.
Por outras palavras, os “falsos” boatos constituem o preço a pagar pelos boatos com fundamento
.

Espero que não tenha sido uma seca para quem lê.
O livro do qual retirei estas palavras (os sublinhados são meus) chama-se Boatos e foi escrito por Jean-Noël Kapferer, um pesquisador nas áreas de comunicação, imagem e publicidade, no final da década de 80.
Só por piada: substituam, nos trechos que reproduzi, a palavra boato pela palavra blogue.

As últimas três peças acerca da blogosfera, bem curtas, que vi num noticiário televisivo tinham como protagonista o inevitável “vilão blogueiro” de serviço (o colega Balbino Caldeira) e com a incidência da notícia na queixa-crime de que nós, os que blogam, ainda vamos ouvir falar mais do que desejaríamos.
Ao longo do mesmo período apanhei três peças, compridas, acerca do Second Life e da maravilha que representa para os deslumbrados jornalistas.
Pergunto: o que faz a diferença no tom? Porque se debruçam os jornalistas com transbordante entusiasmo acerca da nova moda, inventando notícias de uma realidade virtual que nada produziu de concreto em termos informativos senão os dados estatísticos do costume, e da blogosfera só falam os jornalistas que blogam ou os que encontram matéria a jeito para debilitar a imagem da blogosfera?

Cada qual tire as suas conclusões.

(E eu terei todo o gosto em debater o assunto. Na caixa de comentários ou mesmo sob a forma de postas.)

Publicado por sharkinho às 09:33 AM | Comentários (1) | TrackBack

julho 10, 2007

GLOBALIZAÇÃO

maçã do intermarché.JPG
Foto: Shark

Sim, é uma maçã comprada num supermercado em Portugal...

Publicado por sharkinho às 08:30 PM | Comentários (8)

AZUL RISCADO

coisa esquisita.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 02:17 PM | Comentários (0)

MARILLION WAY

I am the producer of your nightmare and the performance has just begun.

Publicado por sharkinho às 02:14 PM

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

electrico na naite.JPG
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:38 PM | Comentários (0) | TrackBack

A OUTRA MARGEM DA PSIQUIATRIA

Sempre que alguém sente na pele (no couro cabeludo, por exemplo) a urticária típica associada ao que a sabedoria popular tão bem ilustra com a expressão “dor de cotovelo”, a reacção instintiva mais comum é a tendência para o desvio da atenção para outrem (não raras vezes o próprio objecto da inveja e do rancor latente e por vezes a esta associado).

Este fenómeno, similar ao que está na origem da alopécia andrógena (provocada por um desvio da atenção da testosterona para os folículos capilares em vez de se concentrar onde mais falta faria), denuncia uma incompatibilidade intrínseca da pessoa afectada com as suas falhas, ausências, flopes ou fraquezas de um modo geral.
E como é sabido, pessoas de má índole tendem a “vingar” as suas frustrações num ícone representativo de tudo quanto sentem a falta ou ambicionam com a plena consciência de que nunca terão ou voltarão a recuperar.

Muitas vezes esse símbolo que atrai, sem razão aparente, a ira mal controlada das pessoas afectadas pelo complexo de inferioridade subjacente ao reconhecimento das limitações, por vezes discutível mas apenas em raras excepções, é dirigida aos mais próximos (pessoas amigas, superiores hierárquicos, etc) denotando uma carga quotidiana de recalcamentos capaz de alterar a personalidade do/a paciente com a mesma eficácia com que uma enzima produz o tão temido DHT.

A pessoa afectada, incapaz de conviver com a agonia interior que lhe dilacera a boa disposição, acaba por exteriorizar de forma mais ou menos evidente as suas perturbações, nomeadamente através do recurso a todos os meios ao seu alcance para atrair a compaixão (o objectivo simulado por detrás da aparente revolta ou animosidade dirigida a alguém) de quem consegue descodificar a complexa cifra a que se reduz a sua comunicação com o exterior.

De resto, a dúvida instalada na mente confusa por um sentimento de perda ou mesmo de pura derrota que se sucedem aos mais simples processos de comparação com os alvos destes/as verdadeiros/as trolhas (na atitude que lhes está comummente associada aos olhos da população em geral) pode degenerar, pelo prolongar dos sintomas no tempo, no que em termos psiquiátricos se costuma designar por obsessão compulsiva.

(Extraído de A Alopécia Interior – Tudo se perde, nada se Transforma, Vol. II)

Publicado por sharkinho às 11:46 AM | Comentários (2) | TrackBack

E A MALTA GOSTA DE VARIAR, NÃO É?

apetite voraz e diversificado.JPG
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:04 AM | Comentários (0)

O MEU CÃO TEM SARNA

o cão do tubarão.jpg
Foto: Shark

E enquanto uns parasitas lhe atacam os tecidos, outros (com duas pernas) atacam-me a carteira e não conseguem resolver o problema.

Publicado por sharkinho às 10:46 AM | Comentários (8)

SILHUETAS

silhueta alentejana.jpg
Foto/Imagem: Shark

Publicado por sharkinho às 09:14 AM | Comentários (0)

É IMPOSSÍVEL NÃO REPARAR

É curioso constatar que sempre que enveredo por uma posta mais intensa e que tenha a ver com amor ou sexo os/as comentadores/as habituais do charco desaparecem da respectiva caixa de comentários sem deixarem rasto de si...

Publicado por sharkinho às 09:11 AM | Comentários (3)

julho 09, 2007

FLOWER POWER

ganham as brancas.JPG
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 11:18 AM | Comentários (11)

EU CONTAVA-VOS...

Mas é segredo...

Publicado por sharkinho às 11:13 AM | Comentários (4)

julho 08, 2007

MIL IMAGENS

romance.jpg
Foto/Imagem: Shark


Uma palavra, ondulante, sobre uma pele sedenta da leitura das emoções tocadas.Com palavras, meigas mas ousadas, escritas com os dedos no papel da imaginação.
Frases inteiras, quero sentir-te vibrar com as imagens que construo com palavras, comunicadas por escrito a uma alma em contacto directo com o ponto do corpo onde os sentidos despertam.
Parágrafos que deslizam pelos ombros,

caminho por ti enquanto te absorvo para jorrarem na minha mente as imagens gravadas, tinta permanente, filmadas em câmara lenta ao longo do percurso incandescente do meu olhar. Por esse corpo que me esforço por imortalizar.
E consigo. Pelo menos em mim.
E contigo. Só me concebo assim.

Capítulos completos que se entrelaçam como os corpos que se abraçam na fantasia inspirada numa imagem cristalizada de ti nas mais variadas posições, as que vi mais as que consigo imaginar a partir de uma mulher que uma só palavra não conseguiria descrever.

Um livro talvez, palavras aos milhares para te cobrirem da cabeça aos pés. Ponto por ponto, até à exclamação final.
Uma história especial na ideia do autor que a escreve como a pensa, uma mulher tão imensa que as palavras parecem nunca bastar.

Uma palavra apenas, porque não?

Talvez a palavra paixão.

Publicado por sharkinho às 11:26 PM | Comentários (2)

A HOUSE WITH A VIEW

com vista para o passado.JPG
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 07:50 PM | Comentários (5)

julho 07, 2007

DO MELHOR QUE A VIDA NOS DÁ

cores felizes1.jpg
Foto/Imagem: Shark

É uma das pessoas mais gulosas que jamais conheci. E fui eu quem abriu a caixa de Pandora (já explico como).
Também é bastante ciosa dos seus interesses, não raras vezes admoestada pelo exagero nessa vertente do carácter que tem exibido cada vez com mais convicção.

Contudo, confrontada com a necessidade de optar entre ela e eu próprio, perante a impossibilidade de adquirir determinada guloseima para os dois viu-se forçada a tomar uma decisão imediata.
Estava em causa algo de muito bom e eu nem sequer estava por perto para conhecer o desfecho da sua escolha.

Nem hesitou. Apareceu com um sorriso nos lábios e uma oferta nas mãos. Deixou-me regalar com o mimo e só depois desabafou a sua resignação. Só havia dinheiro para comprar um, precisamente aquele que me deu. Porque não estou bem, depois de uma noite passada a enfrentar problemas digestivos, e isso pesou de forma decisiva no seu impulso infantil.

Antes de ela nascer eu só pedia que fosse perfeita e saudável. Depois passei a pedir que tivesse inteligência para reflectir e um bom coração. Não precisaria de mais para ser feliz e para ser possível ultrapassar quaisquer problemas que o futuro pudesse trazer. As características menos agradáveis da personalidade nunca prevaleceriam sobre o apelo de pessoa de bem.

Lembro-me bem, como lembrarei enquanto viver, o dia em que depois de meses a leites ou papas, monotonia, decidi meter-lhe num lábio um pequeno pedaço do chocolate que tem sido a minha perdição gastronómica. Vi o brilho nos olhos enquanto a sua boca ainda desdentada degustou aquele novo sabor. Adivinhei o que aí viria em matéria de companhia nas prateleiras mais coloridas dos supermercados, debatendo as carradas de delícias a forrarem o fundo do cesto de compras…

Este não seria o melhor dia para provar o acepipe e a minha barriga não achou piada ao abuso.
Mas foi das coisas que melhor me souberam receber das suas mãos, pelas circunstâncias.
E por me confirmar o prémio acumulado de provir da minha filha, de me provar que ao longo da vida as suas decisões serão provavelmente pautadas pelo que tem de melhor em si.

Só quem sabe como é isto da progenitura pode imaginar como me sinto nesta altura.

Publicado por sharkinho às 08:18 PM | Comentários (8) | TrackBack

TONS ALENTEJANOS

outros caminhos.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:03 AM | Comentários (5) | TrackBack

julho 06, 2007

A POSTA QUE VAI CHOVER (no molhado)

gotadagua.gif


Pessoas tidas como nobres de carácter e cuja integração social se revela perfeita, talvez até líderes de opinião de um microcosmos qualquer, podem sob determinadas circunstâncias fraquejar e surpreenderem pela negativa com actos ou omissões que à priori não as julgaríamos capazes de exibir.
Da mesma forma, cidadãos tidos como marginais por alguma razão e necessariamente apontados como indesejáveis no contexto de dado grupo podem contrariar o estatuto de outsider com rasgos que à partida nunca seriam esperados com origem naquele tipo de pessoa.

O apriorismo confunde-se facilmente com a sempre relativa e quantas vezes ilusória certeza no cagar, a expressão popular que escarnece as ideias feitas, as garantias absolutas, as tomadas de posição irredutíveis com base em falsos pressupostos ou no simples processo de catalogação do(s) objecto(s) avaliados à luz desse critério “de caras”.

Quem vê caras não vê corações, diz o povo e muito bem acerca do quanto pode revelar-se idiota uma apreciação determinada em função de imagens possíveis de construir (logo, artificiais) ou de palavras que o vento acabará por soprar amanhã ou depois.

Os parágrafos acima parecem-me consensuais. Parecem-me.
É que há muito comecei a questionar a minha capacidade para proceder a esse tipo de juízo, confrontado a toda a hora com a surpresa das opiniões contrárias ou hostis por parte de quase toda a gente que mantém alguma forma de contacto comigo.
E aqui debruço-me sobre a blogosfera na sua vertente balão de ensaio para as reacções humanas perante determinados estímulos ou informações.

Cada um é livre de escolher a atitude a tomar relativamente às fraquezas assumidas ou às que os outros não deixam de salientar depois de identificadas (ou apenas presumidas, aliás).
Existe quem opte por esconder esses aspectos menos populares. E quem prefira maquilhá-los. E ainda existe um sector que entende conviver com esses pontos fracos, aceitando-os de forma mais ou menos pacífica, ficando depois dependente das suas necessidades ou dos contornos da sua personalidade e/ou formação pessoal a escolha entre encaixar os defeitos e as limitações na prateleira dos dados adquiridos (e nada a fazer). Ou, em alternativa, enveredar por combater essas debilidades ou no mínimo em compensar quem nos atura com doses suplementares do que julgamos ter de melhor para dar.

Eu aproximo-me deste último conceito, embora seja céptico acerca da minha capacidade para expurgar boa parte do que me afasta de forma irreversível da perfeição que nunca ambicionei.
O melhor possível já me basta, em conjunto com o respeito feroz a um conjunto de limites e a um padrão que se paute por aquilo que mais admiro numa pessoa de bem.
O equilíbrio precário entre o que verdadeiramente somos e aquilo que gostaríamos (ou acreditamos) ser é gerido por cada um de acordo com a sua realidade específica e com os desafios e oportunidades que nos confrontam.

Nesse contexto, nem sempre conseguimos responder à altura das nossas expectativas e da imagem que divulgamos de nós. Basta cedermos à pressão de um período particularmente difícil ou enveredarmos por um caminho menos bom no processo decisório que tantas vezes acaba influenciado pelos outros quando somos permeáveis aos seus conselhos ou sensíveis às suas agressões.

E depois temos as repercussões, nomeadamente ao nível do tal tique apriorístico muitas vezes alimentado por aquilo que está subjacente à expressão “emprenhar pelos ouvidos”, que acabam por acentuar ainda mais o desacerto de quem se vê enredado numa má fama qualquer e constata no quotidiano o castigo eterno a que num mundo tão ligeiro, inflexível e superficial são votados os que mostram em demasia o que as calças ou as saias dos outros cuidam de ocultar.
Sobretudo se tiverem a desdita de mostrarem algo que os denuncie incapazes de alinharem num determinado padrão tido como correcto ou mesmo ideal.

Sempre assim foi e sempre assim será, pois a evolução não parece ter trazido alterações de monta nessa faceta da interacção humana.
Como a blogosfera tão bem reproduz, na sua versão singela do estabelecimento de ligações baseadas acima de tudo na imagem recolhida como fiável a partir de um suporte que por vezes se confunde em demasia com a vida lá fora (não digo a vida real porque é disso que se trata aqui também, ainda que num meio virtual)…

Tudo isto para enquadrar de alguma forma o que me apresto a dizer acerca da iniciativa que tomei quanto ao assunto do Rui Pedro e das crianças desaparecidas, cujo balanço terei que assumir (com as inevitáveis ilações que me ocorrem) nesta altura.

Regressei em definitivo à fase dos lençóis.

Publicado por sharkinho às 11:37 AM | Comentários (2) | TrackBack

O MEU FIM-DE-SEMANA VAI SER

just green.jpg
Foto/Imagem: Shark


VERDE!

A sul.
E espero que o vosso seja igualmente à maneira.

Publicado por sharkinho às 09:47 AM | Comentários (5)

julho 05, 2007

NÃO É UM JOGO DE PINGUE PONGUE

É mesmo uma questão de diferentes (mas coerentes) perspectivas.

Publicado por sharkinho às 11:33 PM | Comentários (4)

HOT SPOTS PARA MOMENTOS ESPECIAIS

ponte e pontal.JPG
Foto: Shark

(Zona oriental da "Expo", junto à ETAR)

Publicado por sharkinho às 02:52 PM | Comentários (0)