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agosto 14, 2007

ASA DELTA

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Foto/Imagem: Shark

Correr sem parar até à borda do precipício.
E depois saltar num abraço sem fôlego à imensidão do vazio.
E então voar por entre os humores do ar reflectidos nas variações constantes da sua temperatura.

O ar que nos puxa ou nos empurra, sob o olhar atento do sol, para mais perto da terra (a gravidade da situação) ou em voo sereno, planado sem ondas até um ponto qualquer do céu.

E a terra que reparte o horizonte com o azul sem fim, esqueço-me de mim, dispensável, enquanto ela decerto sorri perante o arrojo do homenzinho pequeno que desafia o seu incomensurável poder de atracção e tenta voar como os pássaros munido de asas feitas de papel.

E o ar a pregar as suas partidas, tão depressa um poço como um invisível trampolim. A força de braços fingindo-se capaz de contrariar cada chicotada lateral que determina o rumo a seguir e o vento afinal tão discreto na sua deslocação numa tarde de Verão pachola.

A descida inevitável num espaço de aterragem que simboliza o alívio do chão debaixo dos pés e ao mesmo tempo constitui um pequeno desgosto pelo fim da adrenalina e das múltiplas sensações e equívocos que produz.

Os cabos desapertados, ligações desactivadas uma a uma até não sobrar nenhuma à experiência que assim findou, senão a certeza da vontade de a repetir.

Talvez noutro lugar. Com o vento de feição e outro tipo de embarcação, mais segura, risco calculado e mais prudência na fé.

Um sonho sustentado, felino.

Daqueles que caem sempre de pé.

Publicado por sharkinho às agosto 14, 2007 04:55 PM

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