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agosto 28, 2007

MANIPULAÇÃO PATÉTICA

Ninguém me afirmou que ambientalista joga com pacifista. Só rima.
Contudo, confesso que retenho uma imagem que conjuga as duas características nas pessoas mais conotadas com a defesa do planeta.
E por isso, sinto-me desconfortável com os pontapés filmados nas acções de “propaganda” como a que ocorreu por causa dessa incógnita que são as plantas geneticamente alteradas que nos dão a comer, diz-se, pela surra.

De modo algum considero que todos os problemas possuem uma resolução pela via pacífica, embora o anseie. Mas sinto que o movimento ambientalista resvala para uma imagem pública pouco séria com a postura “okupa” de pendor caceteiro.
O vandalismo, ainda que “bem intencionado” ou apenas sustentado pelo desespero perante aquilo que alguns já entendem como uma causa quase perdida, dificilmente poderá angariar apoio junto da população e arrasta os movimentos com tino para uma imagem na opinião pública de grupelhos com um comportamento demasiado similar ao das claques dos clubes de futebol.

Por outro lado, ouvir o Mário Crespo a forçar o paralelo entre a tal acção polémica e o eco-terrorismo soa-me a ético-terrorismo por parte de um profissional da Imprensa a quem se exige a isenção e imparcialidade necessárias para, no mínimo, conter as expressões radicais como instrumento de desestabilização dos seus entrevistados. E para não tentar arrancar respostas comprometedoras com base em perguntas carregadas de opinião pré-formada para proceder ao julgamento televisivo sumário e, no caso concreto, com a sentença proferida pelo próprio tom do jornalista.

Não interessa a ninguém a que clube pertencem as cores dos brutos adeptos do vandalismo em bombas de gasolina ou em transportes públicos. São as claques e ponto.
Da mesma forma, quando o líder de um movimento ambientalista se vê confrontado com um rótulo como o que o MC gosta de impor aos seus “réus” todos os movimentos comem por tabela. O homem gere o noticiário como um apresentador de talk-shows.
E a causa de que se fala não merece mazelas derivadas da arrogância de um profissional que se faz esquecido das regras que qualquer aprendiz da Comunicação Social assimila no ensino secundário, ou da Redacção que impregna (inquina) o seu trabalho com o terreno movediço da interpretação apriorística.

De um lado temos um fulano que decidiu cultivar o que provavelmente constituirá no futuro mais um daqueles erros estúpidos que se revelam sempre tarde demais para evitar a perda de vidas e outras consequências desastrosas.
Do outro temos um bando de putos que embarcaram numa ideia no mínimo palerma e justificada em directo pelo líder do GAIA como um estímulo ao debate do assunto em causa.

Um debate acerca de assuntos sérios não se suscita desta forma teenager, não se impõe à bruta.

E uma notícia não se constrói desta forma tendenciosa e que, na prática, também brutaliza.

Uma e outra são brutais para quem distingue a informação e a convicção sérias destas manipulações patéticas.

Publicado por sharkinho às agosto 28, 2007 01:19 AM

Comentários

!!! Sem querer entrar em polémica e muito menos tomar partido pró ou contra os ambientalistas, devo dizer que, o milho trangénico não é de modo nenhum uma cultura horticula actual. Possuo uma revista da Casa do Alentejo da decada de 50, onde já se faz a apologia do cultivo desse milho, por outro lado, ao que parece, não estão ainda devidamente estudados e cientificamente comprovados os malefícios de tais modificações neste produto alimentar. A meu ver, os produtos quimicos que cada vez mais se usam nas culturas em detrimento do aproveitamento do estrume animal, muitas vezes sem o devido cuidado de espaçamento de tempo relativamente à colheita, e isto muito concretamente em frutos e vegetais também terão a sua quota parte de responsabilidade na falta de saúde e nas novas doenças em expanção. Para que esta medida contra os trangénicos resultasse plena, teria de ser observado também algum cuidado e rigor sobre esta última a matéria ou seja a luta pela proibição de adubos quimicos, pelo menos de alguns.

Publicado por: susete às agosto 28, 2007 10:50 AM

!!! Esqueci um pormenor: Não é por não produzirmos milho trangénico que não o teremos presente na nossa alimentação já que, a maior parte do que chega às nossas mesas não é produto nacional e claro que ninguém nos garante que a carne de vaca e de galináceos assim como leguminosas, frutas e outros, mesmo os derivados, congelados ou enlatados, não contenham produtos trangénicos, pois genéticamente modificado não é só o milho.

Publicado por: Susete às agosto 28, 2007 11:25 AM

!!! Esqueci um pormenor: Não é por não produzirmos milho trangénico que não o teremos presente na nossa alimentação já que, a maior parte do que chega às nossas mesas não é produto nacional e claro que ninguém nos garante que a carne de vaca e de galináceos assim como leguminosas, frutas e outros, mesmo os derivados, congelados ou enlatados, não contenham produtos trangénicos, pois genéticamente modificado não é só o milho.

Publicado por: Susete às agosto 28, 2007 11:26 AM

Sim, eu lembro-me de ouvir falar disto pela primeira vez em meados da década de 70.
Todavia, a questão persiste e eu compreendo que haja quem queira a história mais bem contada nessa matéria da manipulação genética das plantas e tema as consequências de se brincar com o fogo.
Agricultura biológica o mais possível. E se o assunto forem couves temos a Susete para dar umas dicas à malta. :)

Publicado por: shark às agosto 28, 2007 11:27 AM

!!! Só couves ?! Que eu saiba a gaja só nunca semeou foi trigo.

Publicado por: ! ! ! às agosto 28, 2007 01:59 PM

Mil perdões, apenas tentei não quis ferir a modéstia da especialista... :)

Publicado por: shark às agosto 28, 2007 03:03 PM

"Apenas tentei não quis"??? E ninguém me corrige? Ninguém me liga... :(

Apenas tentei não ferir a modéstia. E acabei por ferir a gramática... :)

Publicado por: shark às agosto 29, 2007 12:00 AM