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agosto 11, 2007
PALAVRAS INÚTEIS?

Palavras tão fáceis, palavras tão ágeis a transmitirem ou dissimularem emoções. A voz por escrito de alguém incapaz de calar mais do que a boca que beija como louca a imagem de um desejo ou a tangibilidade da sua concretização.
As palavras tão certas, palavras tão perfeitas a espalharem o som do que se escreveu. A melodia de uma paixão ou a cacofonia que uma desilusão acarreta. A escrita da palavra mais correcta para transmitir algo que de outra forma tenderá a morrer.
O tempo que não perdoa e a memória que nos atraiçoa pela idade ou pela doença, pela dúvida ou apenas pela necessidade imediata de negação.
Mas as palavras por definição constituem-se testemunho, na leitura do passado tal e qual o sentiu quem nesse tempo assistiu impotente ao desenlace de histórias mal interpretadas que poderiam conhecer outro final. No futuro em que o leitor se permite pensador em vez de se deixar apropriar pelo encanto ou pela ira e enveredar pela explicação desnecessária.
A execução sumária de uma ilusão, de uma fé ou de uma certeza até. Definitivas as consequências, se ausentes as palavras que permitem desvendar o equívoco ou distinguir a mensagem verídica na intenção de quem a gravou.
Na forma de palavras cuja verdade intrínseca o tempo não consegue esborratar.
Palavras tão fáceis de decifrar, tão fiáveis na respectiva interpretação depois de o tempo deixar assentar todo o pó que impede a sua leitura correcta no presente. A visão mais esclarecida com a análise posterior do relato de um grande amor ou da essência de uma opinião espontânea.
Palavras indispensáveis para quem gosta de (se) falar.
Ou palavras indecifráveis (para quem não as saiba ler).
Publicado por sharkinho às agosto 11, 2007 09:53 PM