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agosto 21, 2007
USUFRUTO PROIBIDO

Nem lhe deu tempo para pensar. Depois de lhe ter franquiado a entrada, ela deveria saber o tipo de abordagem previsível de um homem assim.
Era um tipo prático, de raciocínio simples, e por isso percebeu quando ela lhe voltou as costas e entrou para o aposento onde bastaria ter fechado a porta atrás de si para sinalizar uma recusa.
Nem lhe deu tempo para hesitar. Possante, agarrou-lhe uma nádega com a mão direita enquanto a outra puxava para os seus lábios a boca que parecia convidá-lo a beijar. E beijou, sôfrego. E ela deixou, ávida.
E ambos tombaram na cama poucos metros adiante, ele enorme, por cima, ela enlouquecida, por baixo.
E as mãos sem controlo, as disponíveis. E a roupa prática de Verão a desimpedir os corpos aos poucos para as peles se tocarem tão perto quanto lhes era possível, por dentro onde fosse acessível, e a língua dele à procura, gulosa, do que nela lhe sabia melhor.
As mãos na cabeça do amante, perdida no prazer crescente do fogo que entre as pernas a consumia e o resto do corpo totalmente combustível, a fêmea disponível para a investida do calmeirão que lhe agarrava ambas as nádegas com as mãos e a apertava contra o rosto e a degustava como um doce de eleição.
Assim que gemeu mais alto e o corpo tremeu como numa espécie de convulsão sentiu o peso de uma mão num dos seios, a outra logo a seguir e um homem a subir aos poucos, evidente a vontade que acumulava de consumar a conquista com a sua marca viril.
E ela com as pernas abertas, ansiosa, a boca do amante habilidosa na metade do corpo acima da que lhe implorava uma acção imediata de preenchimento de um vazio.
Voltou a gemer acima uns decibéis quando sentiu a entrada firme do membro que agarrava e media e agora conduzia como uma viatura de emergência para o local da ocorrência mais grave a atender.
Ele grande, ela flexível, o perfeito deslizar e o orgasmo irreprimível quando sentiu tudo quanto cabia dentro de si.
Uma pausa de segundos, para ele apreciar a expressão da parceira e a deixar sossegada naquele momento de explosão individual.
E depois o regresso ao movimento normal de vaivém. Forte mas cuidadoso, tentava manter-se amoroso enquanto a possuía e por todo o lado lhe fazia pequenos carinhos com a boca e com as mãos.
A mudança de posição e ela desvairada com a respiração ofegante que sentia agora vinda detrás. De lado e ele todo encaixado em si outra vez, a anca a funcionar como alavanca pela robustez das suas mãos. A nítida percepção do que a tomava de assalto, um falo muito erecto que a levava à loucura enquanto ele sussurrava frases mais ou menos ordinárias que aumentavam o desvario que dela se apoderou.
Foi quando dele se libertou e lhe buscou a cintura e lhe provou que sabia retribuir o prazer recebido daquele pedaço lambido de homem em condições.
Pouco tempo durou, pois quando menos o esperou ele afastou-se delicado e deitou-a de bruços, corpo espalmado pelo peso e uma sensação confusa num misto de dor e prazer e deixou de doer quando os seus dedos acariciaram o que deviam e ela aceitou de bom grado a surpreendente intrusão.
E a absoluta necessidade de experimentar toda a novidade possível naquela primeira mas talvez última ocasião. Mas a consumação daquele macho vibrante aconteceu no instante em que ela, saciada, regressava de novo onde o tronco acabava e a zona da pila começava e ela queria explorar um pouco mais. E seria até ao fim, pois o amante tratado assim não conseguiu prolongar a sua contenção e ela acolheu a explosão abocanhando a granada.
E sentiu-se realizada com o espasmo e o som e o olhar agradecido do amante embevecido que a abraçou no final.
Deixou-a prostrada no leito, linda e mesmo a jeito de uma apetecida repetição.
Mas saiu como sentia sua obrigação nas circunstâncias em causa.
E ela sorriu satisfeita quando ouviu a porta fechar e decidiu deixar-se ficar a fazer planos para a incursão seguinte ao espaço sideral, que sabia de antemão seria sempre a melhor, com o marido que regressaria umas horas depois.
Publicado por sharkinho às agosto 21, 2007 11:41 AM
Comentários
Esta foto foi tirada por ti?
Publicado por: claudia às agosto 21, 2007 01:51 PM
Este texto está demais.
Publicado por: claudia às agosto 21, 2007 02:06 PM
Este texto está demais.
Publicado por: claudia às agosto 21, 2007 02:07 PM
Obrigado, Cláudia. E a foto, lamentavelmente, não é minha... :)
Publicado por: shark às agosto 21, 2007 03:12 PM
Uma tusa literária, sem dúvida. Humída de segredos e desejos catapultados na pena. Releio-te com gosto e cada dia reconheço algo novo. Também fazes parte dos meus hábitos diários.
Não aprendes-te isto nas aulas do Óscar Soares Barata!
Publicado por: Taninos às agosto 21, 2007 04:28 PM
Uma tusa literária, sem dúvida. Humída de segredos e desejos catapultados na pena. Releio-te com gosto e cada dia reconheço algo novo. Também fazes parte dos meus hábitos diários.
Não aprendes-te isto nas aulas do Óscar Soares Barata!
Publicado por: Taninos às agosto 21, 2007 04:40 PM
Foi mais nas imediações do lago dos peixinhos, Taninos. :)
És Iscspiana?
Publicado por: shark às agosto 21, 2007 06:20 PM
!!! Não percebo como te mandam o mail que dizes ter recebido, sobre a foto deste post, exactamente por ser proveniemte de um membro de família (familia blogueira) como lhe chamas, devia era de haver entre nós um espirito de entre-ajuda e salvo raras excepções em que as pessoas podem ser identificadas, as fotos publicadas deveriam ser do domínio publico, ainda mais quando se prestam a um prosa belissima como é esta tua. Mais, se o puxão de orelhas vem de alguém que frequenta este espaço e, se assim é não pode deixar de gostar do que lê, essa chamada de atenção deveria ser mas de agradecimento pelo facto de teres usado para ilustrar o teu texto esta imagem que se parece com uma escultura viva.
Publicado por: Susete às agosto 22, 2007 10:05 AM
!!! Só para dizer que achei a imagem tão bonita que copiei para ilustrar um poema no "Imagens e Poemas" já apaguei.
Publicado por: susete Evaristo às agosto 22, 2007 10:07 AM
Para a leitora em causa se eu for família sou um parente muito afastado, Susete... :)
Mas nota que ela tem toda a razão, pois os laços "familiares" não podem permitir que alguém se aproprie de textos ou de fotos dando a entender (por omissão) que são de sua autoria.
Ou seja, a leitora tem toda a razão e sabe qual é a minha posição nessa matéria.
E por isso não é justo dirigir-lhe qualquer tipo de animosidade, pois reagiu em conformidade com a coerência que sempre defendi.
Publicado por: shark às agosto 22, 2007 12:24 PM
Iscspiana com muito gosto. Aprendi muito por aqueles lados, vivi coisas extraordinárias e dormi muitas sestas á sombra da Palmeira e do lago das rãs...já não havia orçamento para os peixinhos...
Publicado por: Taninos às agosto 22, 2007 03:54 PM
A blogosfera é nossa! Mais uma Iscspiana na coisa.
Também lá passei dos melhores anos que vivi e ainda hoje mantenho contacto próximo com muita malta de lá.
Não havia igual, quando o palácio era nosso... :)
Publicado por: shark às agosto 22, 2007 06:43 PM