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setembro 18, 2007

A POSTA QUE ÀS VEZES VIVEMOS ASSIM

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Às vezes torna-se tão óbvio o quanto a nossa vida varia na percepção apenas em função da forma como a conseguimos olhar.
A capacidade de encontrar os pontos de luz no meio da escuridão e de os focarmos até se destacarem na nossa alma como horizontes infindáveis onde o sol perpetua o seu nascer, essa mesmo.

Às vezes é tão fácil perceber, de entre o ruído de fundo das agressões que este mundo prepara para nos entorpecer, o quanto a vida se faz das pequenas coisas que definem os contornos da diferença com uma nitidez que nos surpreende quando a olhamos com olhos de ver.
O gesto bonito de um filho ou o sorriso maroto de uma mulher amada, a vida observada à luz mais forte que é precisamente aquela que o amor nos dá.
A vida do lado de lá das coisas entediantes, das rotinas irrelevantes dos dias perdidos porque estamos entretidos a cultivar uma espécie de obrigação de sofrer.

Às vezes é simples distinguir o que interessa no meio de dias passados à pressa, perseguindo objectivos sem nexo, ignorando necessidades como o sexo e muitas outras prioridades de que uma vida se deve fazer.
A palavra amiga de alguém que se esforça por nos entender as manias, por nos perdoar as arrelias que qualquer pessoa mais próxima é capaz de suscitar.
A vida que devemos olhar como uma vela alimentada pela força do fogo mas vulnerável a um simples sopro do vento ou a um suspiro mais profundo dos que se dão quando as pálpebras da consciência se fecham e no cenário só se perfilam as ameaças sinistras à felicidade que o medo ou o cansaço inventam para nos distrair do essencial.

Às vezes uma vida que apelidamos de normal está recheada de pequenos pirilampos à solta dançando no breu para prenderem a atenção de quem olha mas se sente incapaz de observar.
Precisamos de acreditar que é possível ser feliz, apesar de tudo o que nos diz tratar-se de uma utopia. A vida oferece-nos magia a cada instante do espectáculo que nos proporciona.
Uma noite suada na cama ou a gargalhada espontânea de alguém que nos selecciona por acaso ou talvez não de entre uma imensa multidão que nos explora ou simplesmente nos ignora em face das decisões egoístas e das emoções contrabandistas que nos roubam aos poucos a fé.

Parece simples mas não é, esta visão apurada de uma vida ignorada nos seus aspectos positivos que bastam, se o quisermos, para fazerem acontecer a diferença necessária.
Uma vida imaginária nos sonhos que afinal é o embrião do que podemos alcançar com a determinação de quem exige ser feliz e partilhar essa euforia com alguém que nos sorria perto o bastante para segurar a nossa mão ou acelerar-nos o coração com o desejo que brilha num olhar.

Às vezes basta deixar que a vida nos desperte do torpor para reinventarmos o amor nas suas múltiplas facetas.

Nas coisas mais insuspeitas podemos encontrar os aspectos da vida que devemos abraçar, como a esperança dos loucos que confiam nos poucos que contribuem para cada amanhã se antever agradável de viver. A loucura revela-se no oposto desta premissa, a que sempre nos afasta dos tais pontinhos de luz na paisagem.

E depois é só abrirmos os olhos a essa mensagem e percebermos a sorte de enquanto não chega a morte (ou algo ainda pior) sobejarem as oportunidades de nos revelarmos capazes de a tornarmos, nem que seja só às vezes, mesmo muito melhor.

Publicado por sharkinho às setembro 18, 2007 10:58 AM

Comentários

!!! Às vezes basta VIVER!!!

Publicado por: ! ! ! às setembro 18, 2007 11:01 AM

A mim chega-me, até ver... :)

Publicado por: shark às setembro 18, 2007 11:08 AM

Gostei muito destes texto!

Publicado por: Mar às setembro 18, 2007 12:36 PM

Another satisfied customer! :)

Publicado por: shark às setembro 18, 2007 12:53 PM

Mais um texto fabuloso.................. e sobretudo cheio de esperança e optimismo, coisas que rareiam nos dias de hoje.
mais um vez.............obrigada

Publicado por: maria às setembro 18, 2007 02:51 PM

Olá

Olhar aqui tb é bom :-)

www.pnet.pt

Publicado por: Pnet às setembro 18, 2007 03:35 PM

De nada, maria. Basta reduzir as coisas à sua versão mais simplifica e elas surgem clarinhas como água.

Publicado por: shark às setembro 18, 2007 05:25 PM

Simplifiquei demasiado a palavra "simplificada". Desculpa, maria.

(Ò pnet, atão e pilim ou uma bejeca que seja para ajudar à manutenção deste espaço baril prá publicidade à borla, hum?)

Publicado por: shark às setembro 18, 2007 05:28 PM

Às vezes custa-me tanto perceber as tuas primeiras frases a negrito. Olho que decompô-la em sintagmas é um verdadeiro desafio.

Publicado por: João Pedro da Costa às setembro 18, 2007 10:47 PM

Um belo texto com uma bela imagem!

Publicado por: rosa silvestre às setembro 18, 2007 11:10 PM

Eu tenho uma primeira fraquita mas depois de meter a quinta já ninguém me agarra.
Olha lá e sentes-te mais enriquecido com essa ginástica mental que te imponho, ò manjerico?

Publicado por: shark às setembro 18, 2007 11:59 PM

Tirando o Pnet que veio cá na onda da propaganda e o João Pedro da Costa que me persegue com o prontuário para todo o lado, parece desenhar-se algum consenso de que me safei bem com esta posta, Rosa.
E só posso tirar estas conclusões porque a malta me dá pistas.
E por isso, mesmo ao João Pedro da Costa, esse cruzado da minha descredibilização, eu é que devo elogios.
E beijocas, claro. :)

Publicado por: shark às setembro 19, 2007 12:04 AM

Beijocas sempre.

Publicado por: João Pedro da Costa às setembro 19, 2007 06:42 PM

Alguma vez as neguei, cariño?

Publicado por: shark às setembro 19, 2007 08:51 PM

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