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setembro 07, 2007
CAMPISMO SELVAGEM
A noite, estrelada, espalhava pelo ar o som da rebentação das ondas enquanto os dois conversavam a vida como a viam até ao momento em que a falaram sob o prisma do desejo e da tentação carnal.
A noite avançava sobre si própria, já madrugada, e transportava no calor do seu sopro ligeiro de Verão os sons de outras pessoas naquele areal, caladas as bocas pelos corpos que as sentiam e os sons que se ouviam certamente influenciavam o rumo do diálogo e a pretensa necessidade de dormir.
O saco-cama, vazio, destinava-se a enfrentar um frio que arrepiava no período de transição entre a despedida da noite e o surgimento do sol no horizonte que ambos haviam contemplado em silêncio na esplanada mais acima quando acontecera o ocaso desse dia especial.
E agora surgia, esse leito improvisado, na visão periférica dos dois conversadores cujas palavras pareciam agora abafadas pelos ecos do prazer alheio que ambos sentiam vontade de partilhar mas calavam. Excepto nos olhares que trocavam e lhes denunciava a intenção.
Ele já tremia de emoção quando enfrentou por fim o desafio de lhe propor o parco recato que aquele espaço individual lhes poderia proporcionar, nele enfiados os dois, nela enfiado o que o endurecia nos planos à solta pela sua imaginação treinada para a fantasiar.
Já não conseguia reprimir a erecção que o embaraçava, pueril, quando ela o mirava num soslaio demasiado óbvio para se afirmar como um acaso do olhar.
Foi ele o primeiro a tocar, receoso, mas ela num beijo fogoso abriu-lhe os portões do desejo que nessa altura já nada os impedia de concretizar.
Os corpos colados, contornos traçados, o fecho aberto sem pressas para que ela pudesse descer como de repente lhe apeteceu.
A boca que percorreu o tronco desnudo e quando chegou ao fundo daquele espaço percorrido aguardava-a um membro preparado para lhe sentir o calor do primeiro espaço interior que lhe conheceria na ocasião.
O descontrolo da tesão recíproca, gemido por ele com os olhos fechados e as mãos nos cabelos compridos espalhados por ela, incansável na ânsia de lhe sentir de forma tão nítida os sinais exteriores de um prazer que lhe adivinhava fora do normal.
Sabia-se especial aos seus olhos, desejada, e sentia-se determinada a satisfazer aquele homem que a interessava pelo muito que a intrigava no seu discurso vai-vem.
O movimento que ele ensaiava agora quando se aproximava a hora de se vir.
E ela decidiu adiar esse final feliz mas ofereceu-lhe o que quis, possuí-la, quando a boca confiou a pila aos cuidados intensos de um internamento vaginal.
Beijaram-se de forma prolongada enquanto ela se desembaraçava aos poucos da roupa interior, sozinha no esforço enquanto o amante se transformava num polvo tão sôfregas as mãos que a apertavam ou afagavam e a remexiam por todos os pontos que os seus braços conseguiam alcançar.
A noite a transportar os sons irreprimíveis por entre as ondas audíveis do mar e do prazer de outros corpos a gritar como ela o fez quando finalmente o sentiu prestes a entrar naquele vazio que urgia preencher bem depressa.
Encaixou-o em si até mais não poder e ele a empurrar-lhe o corpo contra si e a arquear-se no contributo possível para a mais completa penetração.
E ela doida com a sensação, dois orgasmos consecutivos. E ele contraído por dentro para evitar a imitação que o corpo exigia mas a cabeça sabia ser inteligente conter naquela altura.
Ela de novo deitada a seu lado, o desejo acordado e o falo como sinal inequívoco de que não chegara ainda a vontade de dormir naquele saco de sentir o corpo na sua mais intensa expressão.
Virou-a de costas para si, alguns instantes depois.
E não tardariam os dois a reentrar no coro da madrugada que cantava o sexo selvagem naquela praia de amantes sob as estrelas onde os levava, a partir daquele saco, a loucura que parecia dominá-los na altura em que ela voltou a assinalar um momento mais alto da sua satisfação.
Mudaram de posição, ela por baixo. E ele a roçar o seu pé descalço pelas pernas abertas que o queriam receber outra vez. Os beijos imensos e os espasmos intensos que a agitaram quando ele, incansável, voltou a entrar e, desta vez devagar, exibiu o entusiasmo juvenil que o tornava mais viril e ele crescia dentro dela ao ritmo da sua emoção. E acelerava a pulsação, realizado com o sonho concretizado nessa noite cujas estrelas ela olhava deliciada enquanto aguardava paciente o momento de o acompanhar no grande final que acabaria por acontecer.
E ele quase a chorar de alegria e ela a saborear a magia de uma forma tão simples de acrescentar uma recordação inesquecível e dar sequência a um desejo visível que o parceiro de circunstância provara ser sério.
No ar ficou o mistério acerca da sequência do episódio, pois o silêncio imperou quando o sol anunciou o seu regresso optimista reflectido nos olhos felizes dos dois amantes em paz.
Publicado por sharkinho às setembro 7, 2007 02:02 AM