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setembro 19, 2007

O ÁS DOS FLIPPERS

Puxei-lhe a cena até onde podia e só depois abrandei aos poucos a pressão, tentando encaminhá-la para o ponto ideal.
Larguei de repente e ela rolou bem depressa sobre si própria, deixando-se depois arrastar pela inclinação. Precisamente até onde eu queria, tudo a dobrar.
Desceu, acelerando de repente. Tão depressa que quase me escapou por entre os acrescentos de dedos com que tentei impedir que abandonasse o local cedo demais.

Empurrei-a com força até ao cimo, até onde a extra se escondia ansiosa à espera do talento de um jogador em condições. Acertei-lhe em cheio, naquele alvo desejado. Até estalou, quando a voz metálica anunciou que triplicava a pontuação se conseguisse enfiá-la na estreita portinhola que só se mantinha aberta por alguns instantes.
Os suficientes para a empurrar novamente de forma brusca até ao topo, a glória ao virar da esquina, tentando alhear-me aos comentários invejosos dos mirones enquanto lhe controlava as descidas e preparava o toque perfeito no botão lateral que a catapultava de novo para onde quadruplicava a pontuação.

Já se sentia a tensão acumulada em volta e eu na expectativa de superar os anteriores e constar entre os melhores de entre quantos se haviam esforçado até então. Um número memorável a perpetuar na memória, as minhas mãos a fazerem história e eu embalado para abarbatar o high score.
E ela girava sem cessar, como uma barata tonta, ao sabor de pequenos safanões que lhe indicavam o melhor caminho a seguir.

Mas às tantas começou a descer muito depressa, embalada, em busca de um final que eu tentava desesperado adiar. Pelo meio, manhosa, onde seria quase impossível deter a sua cavalgada inexorável para o refúgio inviolável. E esse seria o único ponto onde eu não poderia tocar-lhe outra vez e forçar mais uns pontos preciosos para o meu resultado final.

A ansiedade a subir, tudo decidido em fracções de segundo. As mãos cravadas na borda, preparando a aplicação da derradeira solução para o que parecia inevitável, e ela tão depressa a caminho do fim e eu só mais um bocadinho, espera, palmada na direita, palmada na esquerda, tá quase, tá quase…

Quase ouvi o meu grito interior quando ela tocou ao de leve no da esquerda, congelado, incapaz de reagir enquanto a malvada sumia egoísta, parecia que sorria, deslizando pela porta de saída central, quando a máquina fez tilt.

Publicado por sharkinho às setembro 19, 2007 10:38 PM

Comentários

É pá devias ter escolhido um título assim mais ambíguo, que a gente até seria levados a pensar que estavas a descrever outra coisa...;-PP

Publicado por: Mar às setembro 20, 2007 12:25 PM

Foi precisamente para evitar más interpretações que eu direccionei a malta para o simples jogo de flippers de que tive saúde.
Sem segundos sentidos, como é meu apanágio e tal... :)

Publicado por: shark às setembro 20, 2007 12:49 PM

LOL! Claro, claro...

(é de mim, que passo dias sem chegar perto de um computador, nestes últimos tempos, ou a blogosfera tá um bocado em banho-maria??)

Publicado por: Mar às setembro 20, 2007 08:21 PM

A coisa anda um nadinha murcha, sim...
Mas nada está perdido enquanto houver um shark around para garantir que a coisa arrebita, né? :)))

(Por acaso, agora que falas nisso...)

Publicado por: shark às setembro 20, 2007 09:10 PM

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