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setembro 15, 2007

QUEM COM CÂMARA MATA...

Luís Filipe Meneses, um dos dois candidatos à liderança do maior partido da oposição(?), mentiu descaradamente perante as câmaras da televisão relativamente à sua disponibilidade para os debates com o adversário directo, Marques Mendes.
A situação, amplamente divulgada pela SIC Notícias (que acusa o candidato de dar o dito por não dito relativamente à aceitação de um debate nesse canal), é ilustrada com declarações de Meneses no início de Setembro e agora desmentidas pelo próprio.

Este tipo de comportamento, que a opinião pública parece tolerar relativamente aos políticos (com os resultados que se conhecem), denuncia uma realidade à qual os sociais-democratas não podem de todo virar a cara:
O PSD terá que optar pelo mal menor. E neste caso, literalmente…

É público que não me identifico com o partido em causa, mas seria absurdo (num contexto de maioria absoluta – situação que me preocupa, qualquer que seja a cor) não prestar alguma atenção a esta consequência dos sucessivos desaires do partido nos mais recentes plebiscitos. E constato, apreensivo, que o PSD prepara-se para confirmar aquilo que toda a gente já percebeu.
O partido não recuperou ainda dos desaires e prova disso é a renitência das possíveis opções para a liderança perante um cenário confrangedor que reúne um Marques Mendes obviamente debilitado em matéria de confiança dos militantes e simpatizantes laranja e um Luís Filipe Meneses que, na minha perspectiva, reúne o que de pior encontramos em Santana Lopes com alguns traços ainda mais preocupantes do estilo Valentim Loureiro (em termos de gestão autárquica e/ou de influências).

Qualquer candidato (de qualquer partido) que se veja apanhado em versões contraditórias que permitam questionar a integridade da sua palavra constitui para mim uma ameaça que urge erradicar. E Meneses não é virgem neste tipo de situações “não foi exactamente isso que disse”, para além de se assumir um homem próximo das bases (onde quase tudo acontece em função da tal gestão de influências que não me parece a mais saudável interpretação das regras do jogo democrático).

Assim, e apesar de não perder o sono em caso contrário, sei que se os militantes social-democratas elegerem Luís Filipe Meneses e a gigantesca incógnita que ele representa em termos de carácter estarão a dar um tiro no escuro. Estarão, a meu ver, a habilitar a Primeiro-Ministro de Portugal um político tão… flexível que não pode inspirar confiança para o cargo.
E também sei que será um golpe de misericórdia para as ambições de um PSD que mesmo com a quase certa recondução do actual líder não se pode permitir grandes euforias.

Com a oposição de esquerda paralisada pela crueza dos números e pela apatia generalizada e a de direita entregue a um CDS/PP inenarrável e ao PSD obrigado a jogar para o empate interno por falta de soluções (teoricamente) vitoriosas, só uma reviravolta impensável retirará Sócrates do poder.
E mesmo a reedição da maioria absoluta não é de desdenhar, confrontando os eleitores com o actual leque de opções que, sejamos frontais, soam fraquinhas.

Algo me diz que isso não trará nada de bom aos portugueses no futuro próximo.

Publicado por sharkinho às setembro 15, 2007 12:55 AM

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