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outubro 19, 2007

DAR O OURO AO BANDIDO

Esta situação a acontecer mesmo aqui ao lado, aquela discussão do tratado para nos federar pela surra porque se deram mal quando o tentaram fazer às claras (com referendos e outros engulhos democráticos que nada servem os interesses da classe política europeia), está a deixar-me num conflito emocional interior.
Se por um lado me arrepia olhar para os sorrisos de felicidade dos líderes europeus na sequência do complicado acerto de posições entre os vinte e sete (se fogem às consultas populares é porque adivinhavam bronca), pelo outro sinto-me vaidoso pela forma como o Sócras e o seu novo grande amigo Durão conseguiram dar a volta ao assunto. E com tamanha limpeza que até já tinham umas garrafinhas de um espumante nacional de 95 no armazém (tá mal a insistência do Sócras em impingir a pinga ao presidente francês, eu reparei, malandro do rapaz...).

Embora reconheça que a adesão à União Europeia é uma escolha sem alternativas, aderimos ou afundamos, comecei a temer o pior quando percebi que a coisa iria muito para além da simples parceria económica e, eventualmente, do acerto de agulhas em matéria de coordenação de forças policiais e pouco mais.
É que o entusiasmo dos políticos, exuberantes pelo crescendo do conceito de integração que lhes abre as portas a outro campeonato (Durão Barroso foi apenas o primeiro a perceber o filão), não tem paralelo com o das populações da maioria das nações agora bem encaminhadas para o que cada vez mais se parece com uma federação.
E sinto que estas decisões devem ser referendadas, nem que seja para o assunto ser debatido e as pessoas terem acesso a informação acerca de algo cujas implicações futuras são imprevisíveis porque dependem de muitos factores e alguns destes são demasiado aleatórios para podermos confiar às cegas.

Por isso não consigo reprimir algum orgulho pelo bom desempenho dos que nos representam nestas coisas, embora me sinta ameaçado pelo controlo entregue assim de mão beijada à parte mais directamente interessada (a classe política) e que não constitui propriamente uma malta da nossa inteira confiança. E nem preciso de apontar o dedo aos que lá estão, pois o passado ensina-nos que quando estas coisas são mal pensadas ou os azares batem à porta as proporções podem tornar-se mesmo descontroladas.

E nesse contexto, se calhar um referendo a propósito não seria nada má ideia.

Publicado por sharkinho às outubro 19, 2007 11:23 AM

Comentários

Referendo para quê? Já viste a massa que se gasta para a malta ir votar sem saber em quê?

Publicado por: Maria às outubro 19, 2007 05:46 PM

Por dois motivos, Maria:
Para ver se ainda há uns quantos que apanham a ideia de raspão (agora, nem um);
E para encurralar a pandilha do costume (e nesta não se nota a diferença nas "cores") num dilema político, pois estou certo (como eles) que levavam o nega.
Dava umas postas fixes, tás a ver?

Publicado por: shark às outubro 19, 2007 06:35 PM

Já que aqui estás, ajuda-me a fazer esta conta ò moinante:

Quantos são 100 menos nove? :)

Publicado por: shark às outubro 19, 2007 06:36 PM

100 menos nove? Bem, estou sem calculadora e só tenho vinte dedos...
(quando souberes o resultado avisa)

Publicado por: Maria às outubro 19, 2007 07:57 PM

Quando parar de ressonar, já sei...

Publicado por: shark às outubro 19, 2007 09:36 PM

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