« PARTES DE TRÁS | Entrada | HOJE É SEGUNDA... »
outubro 22, 2007
DAS APREENSÕES PRÁ FOTOGRAFIA
Passei de raspão pela notícia divulgada hoje de manhã na TVI, pelo que não disponho ainda de pormenores. Mas deu para perceber que se tratava do anúncio de diversas apreensões de erva levadas a cabo pelas autoridades em apartamentos particulares.
De acordo com o pivot, as apreensões resultaram de rusgas efectuadas em diversos concelhos da zona da Grande Lisboa e visavam pequenas plantações caseiras para consumo próprio ou, em alguns casos, para o de amigos próximos também.
Só podem estar a reinar connosco.
É proibido vender, plantar e consumir cannabis e derivados. Por esta ordem de importância da proibição, julgo eu. Ou seja, a ideia é deitar a mão aos grandes traficantes (que no domínio das drogas leves são invariavelmente pequenos) e produtores (que em Portugal não existem), até porque o consumo há muito deixou de constituir um factor de criminalização séria.
Como explicam então as autoridades o facto de andarem a perseguir cidadãos que plantam nas suas casas, sem chatearem ninguém e para consumirem nos seus espaços, sem chatearem ninguém (outra vez), em lugar de apontarem baterias para quem possa de facto lucrar indevidamente neste contexto de uma legislação proibicionista absurda?
Agora em vez dos assaltantes de bancos e de bombas de gasolina vão concentrar-se nos tipos que vendem caldo knorr e folha de louro, o gato por lebre do chamon, à malta que passa no Rossio?
Que raio de mensagem pretendem as autoridades divulgar quando anunciam às televisões uma palermice assim? Então agora gabam-se de invadirem a privacidade de cidadãos que em nada prejudicam a sociedade e até lesam os interesses dos traficantes (não lhes compram nada), só para poderem aumentar a quantidade de apreensões?
Só se explicaria se fossem pagos à tarefa ou ao quilo, pois destas apreensões domésticas (quem cultiva é porque consome regularmente) apenas resultam quantidades inexpressivas e novos clientes para os dealers de cada uma das zonas limpas de “perigosos bandidos” pela diligente polícia lusitana.
E isto inverte um nadinha a lógica do combate ao tráfico que preside à estranha obsessão das polícias pela cannabis quando a malta anda toda a snifar coca e a alucinar com pastilhas que se encontram a pontapé na noite lisboeta…
As autoridades andam a lançar-nos serradura para os olhos de caretas para quem a droga, qualquer droga, equivale a terror e degradação social. Dá-lhes jeito esta ignorância das pessoas acerca das diferenças entre drogas duras e leves, tanto no que concerne às verbas (e poderes) envolvidos como, e sobretudo, no que respeita às repercussões dos dois tipos de substância na vida e no comportamento das pessoas.
Se a notícia é verdadeira, este cidadão não está nada agradecido à forma como os decisores definem as suas prioridades e consomem os recursos que o Estado coloca ao seu dispor.
Das duas uma: ou andam a tentar disfarçar o insucesso no combate aos traficantes a sério, das associações criminosas que envolvem fortunas, ou temos no comando das polícias pessoas sem qualquer noção dos alvos que importa abater no verdadeiro interesse do serviço que devem prestar à causa pública.
Publicado por sharkinho às outubro 22, 2007 09:44 AM
Comentários
Não há combate aos grandes traficantes, Shark.
Pelo contrário o consumo às drogas duras é fomentado pelo governo distribuindo seringas grátis pelas prisões.
Publicado por: Maria às outubro 22, 2007 03:01 PM
Pois, e depois lixam o mexilhão, a arraia miúda, para terem números para compor o ramalhete...
Só nos gozam.
Publicado por: shark às outubro 22, 2007 05:10 PM