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outubro 03, 2007
FOLHA SOPRADA
Arrasta-me pela vida como uma folha perdida de um livro que alguém deixou por escrever no capítulo que falava do Outono e ignorava as árvores despidas e perseguia com o olhar, imaginava, uma folha a voar libertada naquele momento pela força do vento mais a vontade incontrolável de partir para outro lugar.
A ligação precária a uma terra imaginária onde fugir não constitui opção mas a sede de emoção inspira um desejo irreprimível de perseguir o calor do sol no céu a que uma pele abrasadora me consegue arrastar.
Pela vida, como uma folha esquecida de um jornal que alguém deixou sobre o banco do jardim onde fizeste de mim notícia de primeira página no despertar matutino do teu corpo sedento de informação. Quem sou quando estou, onde ficarei e porquê. Como, ainda não sei. E o quê? Jamais saberei.
Amor em letras garrafais, para ultrapassar a miopia que possa desfocar a imagem cristalina daquilo que o meu corpo afirma ser fonte segura que jorra em ti a verdade de um facto que sabias mas preferiste ignorar a dada altura enquanto a folha aguardava uma brisa própria da estação, pousada no meio do chão junto à porta de uma estalagem no topo de uma montanha com vista para o mar.
E a vida a arrastar o tempo a passar a ferro o sentimento até a linha ficar plana no monitor e soar o avisador do código azul que implica um esforço derradeiro de reanimação.
Boca a boca, massagem cardíaca, alta voltagem de um beijo carregado de desejo que desperte de novo o vento capaz de me arrastar, como uma folha escolhida por uma pessoa conquistada pela leitura das palavras gravadas no caule de uma página em branco, para o fim (como um objectivo que se pretende alcançar).
Ou para o princípio de uma história reescrita ao sabor de outro vento (mais resistente à passagem do tempo) cujo sopro a memória nunca consiga apagar.
Publicado por sharkinho às outubro 3, 2007 12:50 PM
Comentários
you're the only one I want, the only one I think about
is it possible?
that someone like you could complete me?
so much to see, so much to ask...
escrevendo um lugar comum: gosto do que escreve/s
Publicado por: Trintapermanente às outubro 3, 2007 04:54 PM
É difícil, se não impossível, escapar aos lugares comuns quando queremos manifestar o gosto que a escrita dos outros nos dá.
Mas sabes que do lado de cá não soa comum e chega ao lugar indicado, que é o meu ego insaciável de reconhecimento, infantil, do prazer que aquilo que faço provoca em quem se dá ao trabalho de o apreciar.
Em suma, obrigado por manifestares o teu agrado.
So much to answer... :)
Publicado por: shark às outubro 3, 2007 05:20 PM