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novembro 08, 2007

A POSTA QUE EU TOPAVA LOGO A CENA...

fingideira de orgasmos.gif

De vez em quando deparo-me com uma questão incomodativa para qualquer homem: a simulação do orgasmo.
E afirmo-a incomodativa com toda a propriedade, pois sinto-a como um arrepio a cada slide que passo na minha memória enquanto lhe decalco um sinistro ponto de interrogação.
É que parece ser algo bastante comum, um dos mais badalados recursos manhosos dos verdadeiros canivetes suíços que são os cérebros femininos.

Na cama, a maioria de nós gajos joga ao ataque e só nos sentimos vencedores quando conseguimos marcar um golo. Se descobrimos que afinal era falso alarme sentimo-nos tão defraudados como se nos tivessem roubado a vitória num golpe de teatro na secretaria.
E esta do teatro é mesmo intencional, pois existem as que se afirmam peritas nesta arte de talião de alcova (embora um gajo acabe por desconfiar que o são quase todas) e a anatomia facilita-lhes a actuação enquanto num gajo até os pelos do cu batem palmas na plateia do faz de conta.

A coisa faz-me confusão sob vários pontos de vista.
Vista de cima soa de imediato a trapaça, a vigarice, quase uma traição.
Vista de baixo ocorre o contra-senso entre a popular queixa da despedida precoce (é tão bom não foi?) e a necessidade de fingir o êxtase só para correr com o bacano de cima.
Mas seja vista de lado, de esguelha, ou por detrás a coisa afigura-se sempre como uma manifestação de um poder feminino que um gajo só deseja ver pelas costas…

Claro que a culpa é dos gajos, esses maníacos da gritaria que parecem movidos pela energia dos gemidos e só abrandam o vaivém quando o clímax se manifesta em conformidade com a artista. Verdadeiro ou não, para alguns é uma satisfação complementar à que se predispõem usufruir só depois desse fogo de artifício (os que se aguentam à bronca com o barulho das luzes anterior).
E esta do artifício também não aterra por acaso nesta prosa de protesto contra a divulgação pública desse talento que tanto nos embaraça (os que não se estão nas tintas para o golo e contentam-se com um empate – ninguém sai a perder - num jogo recheado de boas oportunidades para rematar à baliza).

Porque afinal quando incluímos este argumento na conversa, as gajas são lixadas, uma pessoa vê-se confrontada com um súbito abrandar na aceleração entusiástica rumo ao seu guiness pessoal, o contador de proezas, e nem sempre o orgulho se lembra de apertar o cinto de segurança. É vê-lo, dissimulado por detrás de um riso amarelo, a aproximar-se em câmara lenta do pára-brisas e acabar por se esborrachar nessa dura e penosa constatação que, ainda por cima, se basta enquanto simples motivadora da dúvida.

Estou solidário para com todos os machos da espécie vítimas desta fraude que desaba nas cabeças (de burro) com o peso de um céu.

Eu sinto-me (algo) confiante (mais ou menos, assim-assim), pela (relativa) certeza de que (se calhar) comigo (provavelmente, penso que) nunca aconteceu...

Publicado por sharkinho às novembro 8, 2007 11:00 PM

Comentários

Há relações onde não há espaço para qualquer tipo de fingimentos, outras que sobrevivem (pouco ou muito) à custa de mentiras piedosas. Se uma mulher te perguntar "sou a mais bonita, não sou?", tu não vais dizer "és gira, mas a Quitéria era muito mais", pois não? Cabe a cada um ficar com o que nos faz feliz e saber o que queremos para nós. Às vezes mais palavras são menos entendimento.

Publicado por: Debbie Harry às novembro 8, 2007 11:32 PM

Eu fiz o texto na paródia, mas olha que a tua perspectiva parece-me muito lúcida.
De resto, a utopia da sinceridade é das que saem mais caras no quotidiano das relações e eu gostava mesmo muito de conseguir fomentar algum debate acerca desse ícone da (alegada) perfeição no mundo perfeito da maioria...

Publicado por: shark às novembro 9, 2007 10:00 AM

Bem, eu aqui estou solidária com vocês que eu também não gosto de peças de teatro deslocadas e patéticas.

Publicado por: claudia às novembro 9, 2007 11:28 AM

Eu não deixo de abrir as necessárias excepções, como quando por exemplo um amante ocasional se revela particularmente melga e a pessoa não quer ferir-lhe o orgulho másculo.
Mas realmente é uma sensação desconfortável, pensarmo-nos alvo de uma encenação dessas...

Publicado por: shark às novembro 9, 2007 12:29 PM

Comparar o cérebro feminino e um canivete suíço é que me parece um pouco manhoso

Publicado por: Maria às novembro 9, 2007 06:12 PM

Péra lá, Maria. Para mim, um canivete suíço é uma ferramenta muito útil e bem pensada.
No contexto do que escrevi não pode ser entendido senão como uma analogia à versatilidade do cérebro feminino. E é esse o único sentido possível na frase onde incluí essa imagem.
Ainda assim, mesmo que fosse manhoso seria bem aplicado às gajas que fingem orgasmos porque lhes apetece e não por uma razão bem específica.
Ou tu és apologista do teatro de alcova? :)

Publicado por: shark às novembro 9, 2007 06:16 PM

Se soubesses quantas mulheres (adultas, casadas) não tiveram nunca um orgasmo...
Teriam que ser muito boas actrizes para fingir uma coisa que nem sonham como é.
(não acredito que haja uma gaja que, pelo menos uma vez, por qualquer motivo não tenha simulado um orgasmo)

Publicado por: Maria às novembro 9, 2007 07:12 PM

Já ouvi dizer. E custou-me a acreditar.
Bom, e quanto às simulações podemos sempre entender isso como uma homenagem sentida ao excelente desempenho do visado... :)

Publicado por: shark às novembro 9, 2007 07:17 PM

:)))

Publicado por: Maria às novembro 9, 2007 07:46 PM

Acho estranho que os homens consigam ser enganados pelas mulheres que fingem o orgasmo porque um orgasmo não é falado nem gritado, é sentido e o próprio corpo femenino demonstra como é, com contrações da vagina e pulsações cardíacas nessa hóra não dá para enganar ninguém...ou será que dá??!!!

Publicado por: Isabel às novembro 10, 2007 02:06 AM

dá para enganar os burros

Publicado por: claudia às novembro 10, 2007 11:58 AM

Eu gosto de acreditar que não, Isabel. E parto do princípio de que só quem não está a sentir o outro nesse momento pode passar ao lado dessas evidências que enumeras.
Além disso, existem muitas mulheres que ejaculam nesse momento (eu sei que sim, não estou a falar de cor) e isso é algo impossível de fingir...

Publicado por: shark às novembro 10, 2007 02:39 PM

Se são egoístas ao ponto de estarem tão pouco cientes das suas parceiras nesses momentos especiais merecem esse epíteto, Cláudia.

Publicado por: shark às novembro 10, 2007 02:41 PM

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