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novembro 19, 2007
CIÚME À DENTADA
De acordo com uma notícia publicada no jornal chileno "Las Últimas Noticias", uma boliviana cortou a língua ao namorado chileno na sequência de um flagra no qual o apanhou a beijar outra mulher.
Depois de uma discussão entre ambos, a mulher, Celia Mita, de 31 anos, propôs-lhe que se acalmasse e a beijasse para fazerem as pazes. E foi durante esse "cachimbo da paz" que a senhora lhe cortou a língua ao meio com tal gana que nada houve a fazer para reconstituir cirurgicamente o escalope do infeliz que, dessa forma, não voltará a falar.
Depois do célebre caso de Lorenzo Bobbit, a quem a respectiva amputou o dito cujo, esta é das mais cruéis manifestações do pior que o ciúme provoca nas pessoas que me constaram nos últimos anos.
E cada uma delas recorda-me a estupidez que transborda da essência desta emoção negativa a que só os românticos mais desvairados podem chamar uma "prova de amor"...
Publicado por sharkinho às novembro 19, 2007 11:21 AM
Comentários
O ciúme é um sentimento muito complicado e perigoso. E sobre ele, lembro-me sempre de um excerto do livro "Equador" de Miguel Sousa Tavares sobre a irracionalidade do ciúme:
"O ciúme é irracional: alimenta-se do seu próprio sofrimento e é como se só conseguisse saciar-se e acalmar-se quando tudo o que de pior imaginou se torna real e nítido. O ciúme é uma dúvida doentia que cresce como um cancro e a que só a certeza de já não haver lugar para dúvidas pode trazer, pelo menos, o bálsamo de pôr fim a essa angústia , a esse enxovalho de viver permanentemente à procura dos sinais da traição. Quanto mais chocante for a evidência, quanto mais real for o real da traição, mais o ciúme se sente recompensado, redimido, quase digno de respeito."
Ciúme é mau para uma relação, mas uma dose mínima de preocupação e atenção são sempre importantes na relação. O problema é saber manter essa dose dentro do limite do respeito para que não se torne em ciúme. Porque o ciúme é corrosivo.
Publicado por: Nelson às novembro 19, 2007 11:13 AM
Concordo com a conclusão do post. Mas a ausência total de ciúme também não é bom sinal.
Publicado por: Debbie Harry às novembro 19, 2007 11:19 AM
Plenamente de acordo contigo, Nelson. E com o MST também.
A dose mínima de preocupação que referes deve traduzir-me em maior cuidado e atenção para com o alvo do nosso amor, a fim de usufruir do melhor que deriva de uma relação amorosa.
Tudo o resto, e não falo de cátedra, é contraproducente e necessariamente hostil (o que enfatiza o absurdo de nos permitirmos um sentimento tão foleiro no contexto do amor).
Publicado por: shark às novembro 19, 2007 11:26 AM
Existe uma gradação no ciúme como em qualquer outra emoção, Debbie. Posso conceber que uma ou outra manifestação do instinto de posse (ciúme, na prática) acabe por fazer parte do conjunto de cenas que nos agarram a alguém, mas prefiro o mau sinal da ausência de ciúme (pode implicar uma confiança em si e no outro para lá do que é normal) do que a contrapartida que exemplos como este ilustram na sua pior faceta.
É que ninguém responde por si quanto à escalada que o ciúme pode produzir...
Publicado por: shark às novembro 19, 2007 11:37 AM
Pelo sim, pelo não, o melhor é não deixar-se apanhar ;) .
Publicado por: Kaffa às novembro 19, 2007 11:39 AM
Lol!!! Ah ganda Kaffa, tu é que consegues ir ao âmago da questão sem nhónhós! :)
Eu desde pequenino faço tudo o que posso para evitar essa situação tão inconveniente e dispensável... :)
Publicado por: shark às novembro 19, 2007 11:46 AM