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novembro 22, 2007

FICA ENTRE NÓS

Tenho uma relação complicada com os segredos. Sempre que me vejo envolvido num acabo por concluir que algures no seu efeito podem camuflar potenciais mentiras ou, no mínimo, escorregadias omissões.
Claro que o segredo possui muitas variantes e consigo por exemplo destacar o segredo que alguém nos confia (e que urge preservar) ou o que deriva da certeza de que à sua revelação corresponderia uma perda desmesuradamente superior para alguém.

Nem sempre é fácil distinguir essa fronteira entre o segredo “limpo”, eticamente defensável, e a sua versão oposta, quase sempre reprovável por via das suas motivações ou consequências.
Uma omissão é como um calhau assente no meio de um caminho percorrido às escuras, é um convite ao tropeção por parte de quem o percorra. Alguns segredos possuem como único propósito acentuar essa escuridão.

Eu prefiro abraçar a simplicidade das coisas e acreditar que as eventuais perdas que resultem da revelação de um segredo são compensadas pelo alívio que a mesma pressupõe e pelos benefícios que daí resultam quando o partilhamos com alguém que o mereça ou não se deixe influenciar negativamente pelo seu teor. Alguém com a sensibilidade e a inteligência necessárias para concentrar a sua atenção no acto e não no facto.
Alguém que acredite na verdade como única opção.

Por isso mantenho alguns segredos para com quem apenas me lê, assuntos que reservo para (parte de) quem me ouve ou vê (sinal de que o grau de confiança aumenta e, logicamente, a transparência acompanha a tendência). Não porque receie as implicações mas porque desatino com os rótulos fáceis que resultam de uma atitude, regra geral, muito superficial e leviana na avaliação das pessoas nesta plataforma de comunicação.
Os segredos que mantenho não alteram em nada a realidade do homem que sou mas permitem-me filtrar as pessoas a quem concedo a minha confiança.
De cada vez que partilho um segredo com alguém esse pressuposto confirma-se ou desmente-se por inerência, na atitude e/ou na discrição da pessoa visada.

Por regra, permito-me revelar todos os aspectos da minha vida com os pés assentes na convicção de que nada tenho de escabroso para esconder. E tenho alguma dificuldade em entender, embora a aceite sem problemas, a propensão generalizada para o secretismo que me soa desnecessário (e quantas vezes nefasto) na maioria das suas aplicações.
Porque gera falsas expectativas, porque induz em erro, porque priva quem esconde da liberdade de ser e quem desconhece da liberdade de escolher.

Por isso prefiro quase sempre, mesmo arriscando abdicar de alguns benefícios temporários (a verdade vem sempre à tona) e inquinados pelo segredo de conveniência, optar pela sinceridade ainda que ingénua ou mesmo incómoda.
Não se trata de falso moralismo mas da mais simples lógica.

E quando estão em causa pessoas importantes para mim, especiais, a questão nem se coloca.

Publicado por sharkinho às novembro 22, 2007 09:20 PM

Comentários

Ontologicamente falando...este texto está fantástico, shark.
Vai ver o meu, tenho a certeza que vais gostar.
Uma boa sexta-feira, RS.

Publicado por: rosa silvestre(enfermped) às novembro 22, 2007 09:19 PM

Gostei, pois. Mas tu falas do que sabes e eu falo do que sou, o que confere uma credibilidade ao teu que a subjectividade do meu pode trair.
Isso, paradoxalmente, torna ainda mais relevante o teor do teu elogio. :)

Publicado por: shark às novembro 22, 2007 09:46 PM

Listen, do you want to know a secret,
Do you promise not to tell...

Publicado por: escaravelha às novembro 22, 2007 10:26 PM

Só não te conto um segredo para não corares

Publicado por: livro aberto às novembro 22, 2007 10:59 PM

Também gosto desse som, Escaravelha, embora em doses moderadas. :)

Publicado por: shark às novembro 22, 2007 11:24 PM

Deixa-me contar-te um também, Livro Aberto: tinhas que te esforçar bué... ;)

Publicado por: shark às novembro 22, 2007 11:25 PM

Ola colega do blogue das artes:) td bem?

posso chatear um bocadinho? é possivel fazeres divulgaçao nos teus blogues da apresentaçao do meu livro este sabado na fnac do algarve shopping?

a info ta na minha pagina:

www.tiagonene.pt.vu (ta la o cartaz)

obrigado, colega! és um anjo! e claro.. aparece!

Tiago

Publicado por: Tiago nené às novembro 22, 2007 11:27 PM

Contar segredos é um acto de fé.

Publicado por: Debbie Harry às novembro 23, 2007 08:53 PM

Embora às vezes o sintamos como uma penitência... :)

Publicado por: shark às novembro 23, 2007 09:50 PM