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dezembro 19, 2007
FUMO PROSCRITO
O Governo encarregou-se de me proporcionar mais um excelente pretexto para a clausura, consignando na lei aquilo que já muitos particulares me impunham nas suas casas e mesmo nos seus automóveis (apenas uma vez por pessoa, remédio santo para se livrarem da minha presença futura).
Vou cozinhar mais, vou sair menos e mesmo assim restam-me poucas dúvidas de que acabarei multado algures.
Ou desatinado com algum dos muitos que já me olham de lado, ar de repulsa, por causa da beata que ostento onde ainda posso, tão parvo quanto teimoso, ao canto da minha boca marginal que por agora apenas lhes sorri, desafiadora.
Publicado por sharkinho às dezembro 19, 2007 11:59 AM
Comentários
Estás convidado para uns serões de pecado tabagista.Tenciono fazer exactamente o mesmo que tu e mais - o meu carro continuará com cinzeiroa a abarrotar e quem não gostar que vá a pé.
(também cozinhas? estou a ver que vamos começar a trocar receitas.)
Publicado por: teresa às dezembro 19, 2007 12:17 PM
Uns serões de pecado tabagista? Hum...
Define tabagista... :)
Publicado por: shark às dezembro 19, 2007 12:38 PM
!!! Podes sempre dar um pulo à terra de que tanto gostas e na imensidão do "Pulo do Lobo" dar vazão a esse teu vicio. Agora a sério que haja recomendações e alertas para alguns cuidados nomeadamente em restaurantes, pastelarias ou noutros locais de consumo ou frequentados por crianças tudo bem mas quando se exagera ao ponto a que chagamos qualquer dia até dentro das nossas casas somos vigiados a coisa já começa a não ser lá muito boa. Qualquer dia a ASAE vai a nossa casa medir a qualidade do ar (aliás parece que já ouvi falar nisso mas em minha casa não entram) proibem-nos de usar colheres de pau, tijelas de barro, de ter comida no frigorifico mais de 3 dias etc.etc.etc.
Publicado por: ! ! ! às dezembro 19, 2007 01:07 PM
A hipocrisia é tanta que até te proíbem de fumar em sítios onde te vendem tabaco. Que tal EXIGIR que o governo nos preste contas sobre o destinos que dá aos impostos que pagamos quando compramos tabaco?
Publicado por: Maria às dezembro 19, 2007 01:09 PM
TABAGISTA - nicotina+alcatrão+monóxido de carbono.
SERÂO - terceira pessoa plural,futuro,verbo ser;
pedaço de tempo, mais ou menos longo, a seguir ao jantar.
Publicado por: teresa às dezembro 19, 2007 01:34 PM
Caro amigo portuga e seus companheiros portugas..
Aqui no Brasil não está sendo diferente... Existem leis sendo feitas, para por selo nos lugares não-fumantes, até chegar uma hora em que proibirão de vez fumo em lugares públicos.
O que antes era charme, agora virou repulsa para alguns hipócritas, que reclamam do cheiro do cigarro, mas não da fumaça do carro...
Nas ruas, principalmente do centro da cidade de São Paulo, parar de fumar é impossível, aqui a é a massa que prevalece, então nem adiantaria formular uma lei que proibisse os cigarros nas ruas... Enquanto no próprio lar, no apartamento em que eu morava, a moradora do andar de cima fez um escandalo porque eu fumava na escada enquanto tomava um café,, mesmo a escada tendo janela, a criatura ainda acha que fumaça faz curva e vira à esquerda...
De nada posso fazer se os outros não tem o gosto ou vício que possuímos..
Até!
Publicado por: Ana às dezembro 19, 2007 01:36 PM
Ò Espantação, eles até podem proibir as colheres de pau desde que proibam tambem os rolos da massa... :)
Publicado por: shark às dezembro 19, 2007 02:12 PM
Não era mal pensado, Maria. E já agora, é impressão minha ou a expressão "meios de transporte" implica que a lei também se aplica no interior dos nossos carros?
Publicado por: shark às dezembro 19, 2007 02:14 PM
Mais ou menos longo, a seguir ao jantar? Excelente, Teresa. Não dispenso o cigarrinho a seguir ao pequeno-almoço... :))))
Publicado por: shark às dezembro 19, 2007 02:16 PM
Bed & breakfast? Não posso que a minha casa não está licenciada para essas modernices e ainda me entra a ASAE porta dentro...
Publicado por: teresa às dezembro 19, 2007 02:21 PM
O problema, Ana, tanto aí como aqui, são os fundamentalistas. Sobretudo os proibicionistas (os mesmos que não praticando sexo o condenam como imoral e detestam saber os outros felizes nesse plano).
Concordo que existam leis que proibam o fumo em recintos fechados onde predominem crianças, nos hospitais e mesmo nos cinemas.
Mas em grandes restaurantes (ou em quaisquer edifícios amplos e bem ventilados, como um aeroporto) custa-me a aceitar a lei portuguesa neste domínio.
Mas o pior, sem dúvida, é a ligeireza com que os não-fumadores (ou pior, o ex-fumadores) assumem a postura de rejeição e dão início ao processo de margnalização de quem possui um vício público se calhar menos censurável e efectivamente menos prejudicial aos outros do que alguns dos seus vícios privados...
Publicado por: shark às dezembro 19, 2007 02:25 PM
Bed? Eu não fumo nesses espaços. Nem antes nem depois (das trocas de receitas ou outros temas de conversa com que a pessoa ocupa o tempo enquanto não chega o João Pestana).
Publicado por: shark às dezembro 19, 2007 02:29 PM
O João também fuma e gosta de cozinhar?
Publicado por: teresa às dezembro 19, 2007 02:42 PM
Eu sou daquelas que te olham de lado... E bem contente por ver as coisas mudarem. FINALMENTE.
Publicado por: claudia às dezembro 19, 2007 03:14 PM
Espero que sim, pois aí o serão tabagista ainda adquiria um teor de nicotina mais elevado...
E três não são uma multidão (numa amena cavaqueira). :)
Publicado por: shark às dezembro 19, 2007 04:07 PM
Olhas-me de lado? O que interessa é que gostes do que vês nesse olhar de esguelha, Cláudia. :)
E contente por veres as coisas mudarem onde ou quem?
Publicado por: shark às dezembro 19, 2007 04:09 PM
Já nos estou a ver a passar de sms em sms a morada dos bares clandestinos, onde se entra pela porta escondida na cabine de provas da alfaiataria, e no meio da inspiradora nuvem de fumo falarmos das coisas verdadeiramente importantes para a humanidade como onde arranjar tabaco sem se ser fuzilado...
Publicado por: ernesta às dezembro 19, 2007 04:26 PM
desde que não falte o tabaco ou o vinho....
Publicado por: teresa às dezembro 19, 2007 04:28 PM
Eu por mim, já não lhe misturo tabaco!... Agora, só puro! :)
Não te amofines! Este pessoal quer morrer cheio de saúde! Palermas! :)
Boas Festas para ti e para os teus!
Publicado por: Antão às dezembro 19, 2007 05:10 PM
Mudar porque agora tenho a lei do meu lado. Se vir um fumador, faço-lhe a vida negra. Quanto a ti, querido, talvez abra uma excepção. Sempre houve excepções à regra...
Publicado por: claudia às dezembro 19, 2007 05:35 PM
A brincar, a brincar, Ernesta...
Antes de mais, bem vinda a este humilde repositório das minhas flatulências mentais.
Já fui dar uma vista de olhos ao teu (jovem) blogue e auguro-lhe(te) o maior sucesso. Parabéns pelo título, tá o máximo. :)
Publicado por: shark às dezembro 19, 2007 05:45 PM
É que não falta nada com toda a certeza, amiga Teresa. Mesmo que o João se balde, é cacilhar madrugada fora até nos chorarem os olhinhos...
Publicado por: shark às dezembro 19, 2007 05:46 PM
É bom que faças de mim uma excepção, Cláudia. Conhecendo o meu feitio, sabes bem que existem regras na minha maluqueira que não consegue admitir excepção alguma.
E eu tenho o curso de socorrista, caso te dê algum ataque de falta de ar... :)
Publicado por: shark às dezembro 19, 2007 05:49 PM
Antão, o eterno comentador-surpresa!
Eu ainda misturo porque tenho pouco traquejo nessas coisas e não só dispenso vir a ser um cadáver com bom aspecto como a um melga como eu ninguém deve contestar o direito a uma eutanásia em slow motion.
Devolvo-te esses votos de Boas Festas e ainda lhes acrescento um portentoso abraço virtual!
Publicado por: shark às dezembro 19, 2007 05:56 PM
E olha que, lá na tasca, fuma-se. Já viste?
quanto aos cumprimentos muito obrigada, mas estou farta de escrever para as paredes. Acho que vou começar a falar de sexo ou da Pamela Anderson (que é quase a mesma coisa) que assim vale mais estar quieta...
Publicado por: ernesta às dezembro 19, 2007 06:47 PM
Calma, colega, quisto é preciso um nadinha de paciência.
Não é que eu não goste de falar de sexo ou da Angelina Jolie (que é exactamente a mesma coisa), mas ainda é cedo para os grandes argumentos (mesmo os de silicone como os dessa nadadora-salvadora).
Publicado por: shark às dezembro 19, 2007 06:57 PM
Olha lá, veterano de serviço, pode-se cobrar consumos mínimos e obrigar a um comentáriozito por visita? É que nunca percebi como era importante essa coisa do feed-back até agora...
Publicado por: ernesta às dezembro 19, 2007 07:13 PM
"cacilhar madrugada fora"? Gosto das tuas figuras de estilo.
Publicado por: teresa às dezembro 19, 2007 07:23 PM
Dou-te um caso concreto. Um dia destes, estava eu muito bem instalada, num dos meus cafés habituais, a ler, toda feliz da vida. Mas a felicidade tem sempre um termo. Entraram, quase ao mesmo tempo, dois fumadores: um homem e uma mulher (esta última batia o recorde da cachimbada). Bem, o cubículo tornou-se uma antecâmara ardente de fumos e baforadas. Não aguentei. Levantei-me e pedi a conta. A mulherzinha, surpreendida, habituada a ver-me a ficar até mais tempo.
- Já?!!! A menina já vai embora?
- Vou. É o fumo...
- Hã... Não sou eu...
- Eu sei. Mas... não suporto.
Nesse dia, voltei para casa mais cedo, desconsolada. Preferi um serão sozinha com os meus livros a permanecer naquele café luminoso, cheio de vida e agradável, mas... com nicotina a mais no ar.
Do you understand, my friend? Mas, se um dia me fizeres um boca a boca para me salvar a vida, vou com todo o gosto gasear-me por ti, meu amor.
Publicado por: claudia às dezembro 19, 2007 07:29 PM
Cláudia,
também detesto fumo em cima apesar de ser um cigarro ambulante. Mas deixe que lhe diga, quem vai para um café ler um livro, como já fiz muitas vezes, é porque para além das letras também gosta das pessoas, e da vida, e do entra e sai e do olha ali aquele e aqueloutro, e do fumo, e do cheiro a café, e da conversa da mesa do lado cheia de doenças ou de amores perdidos.
Um café é, ou devia ser, um lugar de gentes e as gentes são assim - cheiram mal às vezes e bem outras menos, fazem barulho a comer, gritam com as criancinhas e levam o cão para cheirar os pastéis.Outras gentes podem ler, ou escrever o Ser, ou um manifesto para o Dantas ou uma carta para a gaja. Mas são gentes e gentes querem-se assim, com fumos e cheiros e barulhos.
Deixe o Shark gaseà-la e inspire bem todos os vapores - vale a pena sentir, nem que seja um cheiro de cinzeiro.
Publicado por: ernesta às dezembro 19, 2007 08:01 PM
Se um dia te derem, boca a boca, um cigarro já filtrado por outros pulmões não queres outra coisa, Cláudia :))
Publicado por: Maria às dezembro 19, 2007 09:11 PM
Os três comentários acima deste são uma sequência demolidora, deixem-me que vos diga. :)
Publicado por: shark às dezembro 19, 2007 09:22 PM
Estes comentários todos ainda vão fazer de mim um fundamentalista... Enfim, ninguém vos obrigou a começar a fumar. Se até agora o sacrificio era feito pelos não-fumadores, quando vou a uma discoteca não me posso queixar do fumo que apanho em cima, se calhar, a partir de agora, o sacrificio vai ter que ser partilhado por todos...
Quanto aos impostos dos cigarros espero que sejam investidos em campanhas anti-tabagistas e em toda a medicina necessária para curar os males que advêm do tabaco. Ainda acredito no estado social.
Publicado por: Randomsailor às dezembro 19, 2007 11:28 PM
Voto no cacilhanço, duas vezes, que tenho um cão e o voto dele conta. E mais: voto no protesto aberto a assumido, repetido até ao enjoo tão absurdo como o absurdo enjoo que é esta nova moda anti-tabaco, paranóico-ecológica, politicamente correcta e lucrativamente vendável. Um protesto duplo, sempre que surgir esse argumento de chacha do respeito pelos outros, que os outros fazem questão de esquecer que é um pau de dois bicos.
Por tudo isto e mais 987546398 caracteres que não cabem aqui, eu cá vou cacilhando na medida exacta da minha escolha pessoal e com o mesmo exacto muito respeito pelos outros que já tinha antes do Estado me obrigar a ler 'fumar mata' 2635 vezes por dia, ainda por cima metendo ao bolso 60% daquilo que eu pago para poder ter um 'fumar mata' só para mim.
Assim, com ou sem asae porta dentro, a seguir ao jantar ou ao pequeno almoço, que ninguém te páre na escolha, caríssimo: zero zero shark, licença para cacilhar.
Publicado por: rvn às dezembro 20, 2007 12:07 AM
Voto no cacilhanço, duas vezes, que tenho um cão e o voto dele conta. E mais: voto no protesto aberto a assumido, repetido até ao enjoo tão absurdo como o absurdo enjoo que é esta nova moda anti-tabaco, paranóico-ecológica, politicamente correcta e lucrativamente vendável. Um protesto duplo, sempre que surgir esse argumento de chacha do respeito pelos outros, que os outros fazem questão de esquecer que é um pau de dois bicos.
Por tudo isto e mais 987546398 caracteres que não cabem aqui, eu cá vou cacilhando na medida exacta da minha escolha pessoal e com o mesmo exacto muito respeito pelos outros que já tinha antes do Estado me obrigar a ler 'fumar mata' 2635 vezes por dia, ainda por cima metendo ao bolso 60% daquilo que eu pago para poder ter um 'fumar mata' só para mim.
Assim, com ou sem asae porta dentro, a seguir ao jantar ou ao pequeno almoço, que ninguém te páre na escolha, caríssimo: zero zero shark, licença para cacilhar.
Publicado por: rvn às dezembro 20, 2007 12:09 AM
Há um pequeno lapso na lógica do teu comentário, Sailor. Quando afirmas que dantes eram os não-fumadores a penar e agora a coisa vai ser repartida por todos eu não consigo encaixar nada mais do que uma simples inversão de papéis.
Partilhado por todos quem?
Por outro lado, se dantes tu podias optar em não frequentar as discotecas para fugires ao fumo eu, que fumo, deixo mesmo de poder frequentar discotecas.
Se ninguém me obrigou a fumar e assumo que o faço porque quero, a ti também ninguém te proibiu de o fazeres quando te der na bolha (dentro dos limites que o bom senso impõe). Até agora.
Publicado por: shark às dezembro 20, 2007 12:39 AM
Rui, só me deixas margem de manobra para fazer que sim com a cabeça... :)
Publicado por: shark às dezembro 20, 2007 12:45 AM
Bom shark, a utopia perfeita eram as quotas de fumo. Se calhar se todas os fumadores só fumassem três cigarros por noite em sítios públicos nada disto seria necessário e eu poderia fumar o meu cigarro bimensal que não faz mal a mim nem a ninguém... Acho que esta seria uma regra justa.
Quanto a penas, nunca refilo quando há pessoal ao meu lado a fumar, apesar de me agradar mais um ambiente sem tabaco. Se no futuro houver locais públicos para fumadores e não fumadores é a oportunidade perfeita para na metade das visitas serem os fumadores a dizerem-me, "não, hoje não tens que apanhar com o fumo de ninguém.".
Publicado por: Randomsailor às dezembro 20, 2007 01:17 AM
ernesta, cada um é como é, mas toda a gente sabe que o cigarro faz mal à saúde.
Maria, não me parece...
Publicado por: claudia às dezembro 20, 2007 01:23 AM
Mas eu conheço um que se me gaseasse numa primeira fase de enamoramento eu não me importava nada. É que nem teria sequer pulmões para sentir seja o que for a não ser o descompasso louco do meu coração.
Publicado por: claudia às dezembro 20, 2007 01:29 AM
Isso já acho mais razoável, Sailor, pois é uma solução possível para o consenso. E é isso que está em causa, nem tanto ao mar nem tanto à terra, exigirem o respeito pelos direitos de quem não fuma sem esquecerem que para nós outros está em causa um vício e/ou um prazer indispensável.
Errado é apontarem o dedo a um grupo numeroso de cidadãos como se de repente passassemos a ser um bando de vermes.
Às vezes é essa a ideia que passa...
Publicado por: shark às dezembro 20, 2007 09:52 AM
Andas tão romântica, Cláudia... :)
Publicado por: shark às dezembro 20, 2007 09:53 AM
Eu não queria entrar em polémicas mas acho um egoísmo quase infantil esta recusa em ver quem tem razão. Eu sou fumadora mas sou a favor desta lei anti-tabaco. E shark, não podes frequentar discotecas onde não se fume porquê? Eu fumo e consigo estar duas horas sem fumar. Não percebo como se pode minorar e apelidar esta lei de "mania" ou "snobismo". Não é nenhuma tragédia não fumar em sítios públicos fechados, pior seria eu saber que algum fumador passivo, quem sabe uma criança, pudesse contrair qualquer doença por causa do meu fumo. E é que pode acontecer! É por isso que não se trata de democracia, uma vez que a democracia não é praticada por nós fumadores, que somos negligentes até mais não.
Publicado por: Debbie Harry às dezembro 20, 2007 12:04 PM
Enfim, acho um assunto demasiado sério que envolve a saúde de pessoas que nada têm a ver com o meu vício, para o resumirmos a "ai coitadinha de mim que agora já não posso fazer o que me apetece, esta coisa da liberdade e tal". Pois para mim liberdade nada tem a ver com isto. Até porque eu sou cativa do vício. Já sei que este discurso vai ser rotulado de discurso de betinha por algumas mentes, mas estou habituada a ir contra a corrente:-)
Publicado por: Debbie Harry às dezembro 20, 2007 12:08 PM
É impossível evitar a polémica quando os assuntos são controversos por natureza, Debbie.
Não posso frequentar discotecas porque não aguento sequer metade das tuas duas horas e não me vejo a entrar e a sair constantemente para fumar um cigarro.
A tragédia não está em não poder fumar em sítios públicos, mas sim em sítios públicos enormes e bem ventilados (como o aeroporto que citei ou restaurantes de grande dimensão) e, pior ainda, em "meios de transporte". Meios de transporte? Era só o que faltava eu não poder fumar no meu carro...
E em locais de trabalho? Eu pago a renda do meu local de trabalho. Aos não fumadores que não aceitem o facto de eu lá fumar resta uma alternativa bem mais sensata do que proibirem-me: deixem de frequentar o espaço em questão.
A lei é demasiado restritiva e já está a fazer-se sentir no comportamento das dondocas que mesmo que estejam a 50 metros de um cigarro contorcem os rostos em caretas de desaprovação.
É essa a minha maior preocupação quanto aos termos da lei, que peca por excessiva.
E quanto aos efeitos nos outros que referes, proibam também os automóveis, as indústrias poluentes e a comida que nos envenena aos poucos.
Publicado por: shark às dezembro 20, 2007 12:51 PM
Eu concordo com muito do que aí escreves, nomeadamente em relação à poluição, mas se as coisas têm de ser feitas, vão ser feitas uma de cada vez. Não é por haver poluição que o fumo deixa de ser prejudicial e que por isso enquanto houver indústrias poluentes deixa-me cá continuar a fumar porque até é um mal menor. E sou apologista da divisão dos locais entre fumadores e não-fumadores. Quanto ao carro, não tenho, ando de transportes públicos e não está nos meus objectivos também por razões ecológicas. E se o tivesse não fumava lá dentro, sabes porquê? Porque o fumo e a sua toxicidade não abandonam os espaços, mesmo que ventilados. E com uma criança, o nosso egoísmo tem de ficar para outro plano. Eu tive problemas respiratórios quando era cirnaça porque os meus pais fumavam em casa e no carro (não havia tanta informação e por isso achavam que bastava não fumar para cima de mim). Curei-os com anos de natação. Isto faz-me lembrar as grávidas que fumam porque, coitadas, não conseguem deixar de fumar. Eh pá, eu também fumo, mas não é a coisa mais importante da minha vida. É só isto.
Publicado por: Debbie Harry às dezembro 20, 2007 01:12 PM
Essa do "eu pago a renda do meu local de trabalho" foi muito à mussolini:-D lol.
Publicado por: Debbie Harry às dezembro 20, 2007 01:16 PM
Falavas de liberdade há pouco? Ora bem, eras livre de escolher não fumar no carro, por exemplo.
E agora não és.
Quanto à divisão de locais, esta lei pura e simplesmente anula essa possibilidade. Só há locais para os cidadãos puros, saudáveis e que pratiquem natação como tu ou jogging como o Sócrates.
A proibição é sempre o caminho mais fácil. Mas é aquele que mais me desautoriza enquanto pessoa capaz de discernir o que devo ou não fazer.
E o sexo é mais importante para mim do que o tabaco. Se o proibirem recorro à guerrilha urbana para lutar contra este regime careta.
Publicado por: shark às dezembro 20, 2007 01:25 PM
Eu pergunto-me é se tu achas que esta lei é um complô contra os não-fumadores ou apenas uma forma de potenciar a saúde de todos. Eu não pratico natação, pratiquei. E continuarei a falar de liberdade como sempre a entendi. A minha liberdade acaba onde começa a tua. Eu também fumo, não estou a falar do que não sei.
Publicado por: Debbie Harry às dezembro 20, 2007 01:53 PM
Chapéu para Debbie Harry. Sou uma apoiante.
Publicado por: claudia às dezembro 20, 2007 02:37 PM
Always romantic, Shark. Even with a smoking lover.
Publicado por: claudia às dezembro 20, 2007 03:01 PM
Complô? Não. Potenciar a saúde de todos? Claro que quero acreditar nessa motivação, como quero acreditar na vida para além da morte.
Desculpa o tempo verbal incorrecto quanto à natação e viva a liberdade de falar acerca da dita cuja.
Eu quero apenas ser feliz e fumar no fim de cada jantarada sem ter não sei quantos adultos a olharem para mim como se eu fosse o abominável homem das neves.
E em momento algum te presumi ignorante acerca do assunto, apenas errada (porque tens uma opinião diferente da minha e não porque haja algum erro em concreto).
E agora vou fumar um cigarrinho para celebrar a liberdade de podermos discutir qualquer assunto sem medos.
Publicado por: shark às dezembro 20, 2007 03:31 PM
Não querendo ser maçadora acrescento que não havendo provas da existência de vida depois da morte, existem muitas a favor da ausência do fumo...quer queiramos quer não. Vais negar, ou relativizar? E eu acho que se trata muito disso, de nos custar a aceitar um realidade diferente daquela que idealizamos, porque, realmente, no meu mundo perfeito, nenhum prazer devia ser prejudicial à saúde! Comer, beber, fumar, foder.
Publicado por: Debbie Harry às dezembro 20, 2007 04:34 PM
Não maças nada. Não vou negar, pois sou estúpido mas não estupidamente teimoso, que preferia nunca ter tocado num cigarro para agora não ter que passar por estes filmes. Mas nessa óptica, e considerando o mal que as mulheres me fazem à saúde (mental, pelo menos), nunca devia ter tocado na primeira... :)
E na parte final do teu comentário até agito as bandeirinhas e vou prá manif se for preciso, para subscrever com entusiasmo juvenil o conceito do prazer sem restrições.
:)
Publicado por: shark às dezembro 20, 2007 05:33 PM
Eu sabia que íamos acabar de mãos dadas a cantar o hino do hedonismo:-)
Publicado por: Debbie Harry às dezembro 20, 2007 05:44 PM
Lá lá lá lá...
Publicado por: shark às dezembro 20, 2007 08:29 PM