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fevereiro 01, 2008
A POSTA COM OS MEUS BOTÕES
Apesar da minha condição de macho da espécie e, mais ou menos por inerência, tendencialmente gabarola em matéria de desempenho sexual, confesso que não me sinto orgulhoso pelo facto de ainda gostar tanto de sexo e, acima de tudo, por manter uma capacidade de resposta nesse domínio que jamais ousei vaticinar no passado quando pousei a ideia neste estatuto quarentão.
Ou seja, não me envaideço quando constato essa realidade. Antes me delicio com a sorte que isso representa para um gajo como eu que sempre afirmou gostar da fruta.
E eu gosto da fruta, tal como aprecio cada vez mais tudo o que lhe está associado por natureza. A corte, a fantasia, o clima que se instala entre as pessoas quando se sintonizam em simultâneo nesse canal, são argumentos que me fascinam, que me deliciam em cúmulo com o inexcedível prazer carnal que o sexo representa.
De resto, já várias vezes referi que entendo a carcaça como uma fonte inesgotável de dores e de desconforto e que só isso bastaria forçar o contraditório.
O prazer é quase obrigatório para nos compensar dessas pequenas (ou grandes) partidas que o corpo nos prega, num dente, nas costas, na sequência de um acidente ou de uma doença ou de qualquer outra das muitas mazelas a que se oferece tão frágil material.
Não dura para sempre, tal como não a possuímos na primeira etapa da existência, a nossa capacidade para usufruir da sensibilidade pela positiva. Precisamente aquela que o sexo sublima, quando corpos e mentes se predispõem às sensações.
Sempre que penso acerca deste assunto confronto-me com uma lógica que já julguei inabalável e que me empurraria para conclusões fáceis e de aparente incontestabilidade.
De entre estas, destaco a que parece mais óbvia quando se conjuga em teoria a apetência pela coisa com uma coisa saudável e funcional: não escapa uma (hipótese de).
Contudo, na prática não funciona de forma tão linear.
É corrente o pressuposto de que a (matur)idade nos vai, digamos, refinando os gostos e mesmo que assim não fosse tratar-se-ia de um busto excelente para justificar o crescendo de negas que o envelhecimento e consequente perda progressiva de, digamos, entusiasmo costuma acarretar.
E nesse contexto, os que temos a sorte de conservar por mais uns anos um tempo de resposta quase juvenil deveríamos ter dedo leve no gatilho do engate e, como se diz no meu bairro, não perdoar nem ao menino Jesus.
Fico sempre surpreendido quando me vejo desmentir essa conclusão, desperdiçando momentos e pessoas mesmo a jeito para o usufruto que acima refiro da fezada de ter a máquina em perfeitas condições. Soa-me quase pecaminoso, passe a heresia.
Porém, acabo sempre por interiorizar esses alegados desperdícios como manifestações da tal refinação que, de resto, acaba por constituir uma vacina contra a vulgarização do acto e das pessoas envolvidas (se aviarmos pila a granel).
Eu não me gabo das quecas que dou, saboreio o conjunto das suas memórias e, nalguns casos, das respectivas repercussões na minha ligação com as pessoas visadas ou nas que eu próprio reconheço em mim.
Não procuro o Guiness nem colecciono troféus. E não preciso de provar nada seja a quem for enquanto dispuser da certeza (e dos factos que a sustentam) de que na hora da verdade e dentro das condições que eu entendo indispensáveis não falta nada ao tubarão nem a quem o procura.
Por isso me sinto na boa quando declino uma hipótese que, por este ou aquele motivo, não preenchem os requisitos que me dou ao luxo de exigir. Como uma espécie de filtro para a distinção entre a rapidinha eufórica no vão de uma escada e uma tesão prolongada pela conjugação de factores mais próxima da ideal como a sinto e a defino.
Esta é uma das vantagens de podermos olhar a vida em ambas as direcções, passado e futuro, resultando desse miradouro uma serenidade e uma confiança que nos permite aumentar a fasquia da exigência nas pessoas e nos rituais.
E essa exigência, longe de se tornar um impedimento em termos quantitativos, acaba por se tornar num selo de qualidade na nossa percepção e um reconhecimento implícito do valor que atribuímos às pessoas e/ou às situações que, sob o crivo deste critério, ainda assim nos envolvem.
Sempre, e por isso também, muito especiais na nossa percepção individual.
E no fundo é só essa que conta.
Publicado por sharkinho às fevereiro 1, 2008 03:51 PM
Comentários
sharky,
Tenho justamente o que tu precisas.
http://setevidascomoosgatos.blogspot.com/2008/01/rebeldias-anais.html
Para que servem os amigos, afinal?
Abraço.
Publicado por: rvn às fevereiro 1, 2008 03:58 PM
Pois, não te deves gabar das quecas que dás muito menos com quem as dás, nem tão pouco falar das tuas performances sexuais, isso deve ficar no segredo dos deuses, é do foro intimo de cada um, jamais poderá ser publicitado.
Eu já tinha desconfiado que a red botafogo ia funcionar como motor de arranque qual musa inspiradora; bém amanhã é sábado sempre dá para desbundares a noite toda. :)
Publicado por: A Jorge às fevereiro 1, 2008 04:46 PM
Sensibilizaste-me com o teu gesto, Rui. A sério.
Iluminaste os meus passos para un otro camiño...
Publicado por: shark às fevereiro 1, 2008 05:05 PM
Publicitado? Eu já aqui assumi os meus flopes e garanto-te que não é coisa que apeteça publicitar, António Jorge... :)
Mas neste blogue existe a tradição de dar algo de meu aos leitores como contrapartida do tempo precioso da sua atenção. E já há algum tempo que não oferecia nada relativo ao meu foro íntimo, pelo que...
Publicado por: shark às fevereiro 1, 2008 05:08 PM
Eu sei Shark, de repente apeteceu-me brincar contigo :):)
Publicado por: A Jorge às fevereiro 1, 2008 05:30 PM
Andas a ser assediado, Shark?
Publicado por: Maria às fevereiro 1, 2008 06:22 PM
Não, mas gostava. :)
Publicado por: shark às fevereiro 1, 2008 07:48 PM
Bem...isso é que é escrever...
E também é sentir e pensar, "não só com a cabeça de baixo", como se diz na minha terra.
A maturidade tem destas coisas...
Publicado por: celia às fevereiro 1, 2008 11:59 PM
Não só mas também. Nada de más interpretações... :)))
Publicado por: shark às fevereiro 2, 2008 10:51 AM
Mas é suposto com a tua idade a pessoa gostar menos de sexo?
Publicado por: Debbie Harry às fevereiro 2, 2008 10:53 AM
Muito te gabas. Este post tem tanta fruta que vai atrair muita mosca!
Publicado por: claudia às fevereiro 2, 2008 11:37 AM
Eu acho que vai atrair abelhas ;-)
Publicado por: paula às fevereiro 2, 2008 03:04 PM
Não é suposto, Debbie, mas é voz corrente que acontece.
Nunca te constou?
Publicado por: shark às fevereiro 2, 2008 06:01 PM
Gabo-me? Ò Cláudia, tens dúvidas de que se fosse ao contrário eu o omitia? Sou o que sou e falo do que me apetece, possa ou não favorecer a minha imagem (aliás, basta ver o lindo serviço que tenho feito nessa matéria...).
O texto não incide na minha portentosa erecção (passe o exagero) mas sim no facto de ela existir para sorte minha e ainda assim eu não me sentir com espírito nem atitude de atesoado.
Tás a ver a cena? :)
Publicado por: shark às fevereiro 2, 2008 06:06 PM
Abelhas, Paula? Em que entrelinhas topaste o mel? :)
Publicado por: shark às fevereiro 2, 2008 06:09 PM
Sinceramente nunca me constou...:-)
Publicado por: Debbie Harry às fevereiro 2, 2008 06:13 PM
Diz-se, e pelas reacções que tenho recolhido em ambos os géneros arrisco acreditar, que a partir dos 40 nós homens (sem generalizações) começamos a perder a pujança. É o tempo de encostar à boxe e ir divergindo a atenção para novos interesses nos quais o sexo não parece prioritário excepto nos papos machões para consumo externo.
Seja como for, sempre que em conversa com gajos da minha idade refiro isto mesmo que aqui publiquei recebo sempre em troca reacções cépticas ou mesmo relativamente hostis.
Ora, aquilo que se esperaria seria precisamente o contrário. Nem que fosse pela pala...
Daí a minha conclusão, precipitada ou não, alimentada também pelo crescendo nos queixumes por parte das mulheres com parceiros dessa faixa etária.
Se estou errado, ando estupidamente feliz com algo que nem é nada de especial.
Mas o que mais me interessa no fim nem são as conclusões... :)
Publicado por: shark às fevereiro 2, 2008 08:24 PM
Então não percebi o que é que interessa. Nem eu nem ninguém.
Publicado por: Debbie Harry às fevereiro 2, 2008 09:05 PM
Estou totalmente de acordo contigo, revejo-me em tudo aquilo que acima escreveste, vou-me dedicando à criação de canários e a dar uns passeios no meu puro sangue marquês, sim, porque quanto ao resto, já deu o que tinha a dar.
Publicado por: A Jorge às fevereiro 2, 2008 09:20 PM
Há algo de errado com a minha pronúncia, Debbie?
Ao ponto de já seres porta-voz de toda a gente, quando afirmas que ninguém percebeu?
Pois eu tenho a certeza de que percebeu a maioria e estou ao dispor para esclarecer quaisquer dúvidas que ainda te restem. Ou a quem mais pretender esclarecê-las.
E insisto, as conclusões não são o mais importante para mim. Os factos, aquilo que permite obtê-las, esses sim são da maior relevância.
Mas não é disso que estás a falar, pois não? :)
Publicado por: shark às fevereiro 2, 2008 09:54 PM
Canários são uma excelente opção, António Jorge.
Não desafinam, não desatinam e não nos desasossegam o corpo e a alma. :)
Publicado por: shark às fevereiro 2, 2008 09:59 PM
Ok, então, diz, sucintamente, o que te interessa retirar deste texto que escreveste. Porque eu estou muito curiosa. E que factos são esses? Os mesmo que se encontram na vida de toda a gente, parceiros satifeitos, parceiros insatisfeitos?
Publicado por: Debbie Harry às fevereiro 2, 2008 10:03 PM
E são donos de um cantar melodioso que nos tranquilizam.
Publicado por: A Jorge às fevereiro 2, 2008 10:12 PM
Da satisfação ou insatisfação dos parceiros darão eles conta, não me compete fazer análises subjectivas nesse particular.
A mim não interessa retirar pevas pois não escrevo para os meus olhos, mas esperava que quem lesse o texto aprendesse mais alguma coisa a meu respeito.
Nomeadamente no que concerne à forma como faço a gestão dos meus, digamos, entusiasmos. Da tesão, para ser mais objectivo.
E agora vou tentar ser sucinto: o que eu esperava que retirassem deste texto é uma imagem mais rigorosa do meu funcionamento como homem e como pessoa do que aquela que às vezes parece transparecer de algumas reacções com que me confrontam.
Para fazerem sentido alguns recuos que protagonizo e assim se evitarem conclusões precipitadas e bocas foleiras encapotadas, por exemplo.
Consegui explicar-me melhor?
Se assim não for, avança.
Eu não recuo...
Publicado por: shark às fevereiro 2, 2008 10:19 PM
Sim, percebi. Já sabes que se quisesse avançar, o faria. E quanto a mim, não te preocupes que tudo o que quiser perguntar, faço-o directamente. E, acho que já to disse noutras ocasiões, eu não acredito nas pessoas que aqui vêm só para te elogiar ou só para te insultar. Para mim cheira-me logo a esturro.
Publicado por: Debbie Harry às fevereiro 2, 2008 10:40 PM
De qualquer modo, apesar de ser bastante mais nova do que tu, já percebi que não vale a pena acreditarmos que os outros nos vão entender completamente ou sequer a 50%. Acho que se nos aceitarmos como somos, isso transparece com tranquilidade e é quanto basta. E se insistirmos demasiado nas tentativas de nos perceberem, corremos o risco de ficarmos muito presos ao nosso próprio umbigo, de não pararmos de falar de nós, etc.
Publicado por: Debbie Harry às fevereiro 2, 2008 10:46 PM
Nessas questões umbilicais sei que posso beber de ti conselhos sábios, Debbie, e tenho-os sempre na devida consideração. :)
Eu não me aceito como sou e jamais conseguirei esse desígnio. Exijo-me sempre melhor, ainda que isso me leve a questionar-me em regime de permanência ou mesmo a inferiorizar-me aos meus próprios olhos e aos das outras pessoas. E raramente sinto que sou flor que se cheire...
De resto, os outros são sempre muito realistas e não me deixam margem de manobra para euforias.
É este o melhor antídoto, o melhor dissuasor do meu impulso para falar de mim.
Nesta fase do charco falo, às vezes, do que penso ou sinto. E raramente daquilo que sou, ou que me acredito.
Publicado por: shark às fevereiro 2, 2008 10:55 PM
"Nessas questões umbilicais sei que posso beber de ti conselhos sábios, Debbie, e tenho-os sempre na devida consideração. :)" Lol. Mas que sabes tu do meu umbigo? Que sabes tu da minha vida, que por sinal até é bastante difícil, dedicada aos que me rodeiam e muito pouco burguesa para vires insinuar que sou egoísta? Enfim.
Publicado por: Debbie Harry às fevereiro 2, 2008 11:23 PM
Eu referia-me ao que li nos teus posts acerca do assunto, não apontei o dedo ao teu umbigo em concreto.
Insinuei-te egoísta? Falando em bom portoguês, diz-me lá onde caralho topaste tu tal insinuação?
Tás tonta, rapariga?
Vai lá revistar os teus arquivos e vê lá quantos posts e comentários já dedicaste à questão dos umbigos.
Tás a desatinar, confessa...
(E já agora explica porquê, se não der muita maçada.)
Publicado por: shark às fevereiro 2, 2008 11:58 PM
Tu agora fizeste-me lembrar uma pessoa que eu conheço, que quando alguém discute com ela, diz que a pessoa está desequilibrada:-)
Além de que tu vais dar sempre uma resposta, com tendência a piorar o discurso e a roçar o insulto, como esta última. Mas dou o desconto. Não é fácil (eu também não gosto) que nos critiquem negativamente ou simplesmente que nos questionem.
Se lesses o meu blog com atenção (e ninguém é obrigado a lê-lo até porque é privado) percebias que me debato precisamente com essa necessidade de fugir ao egoísmo. Que tenho consciência disso e espero ter melhorado com o tempo. E tu, tens?
E depois ainda tenho outro blog, totalmente dedicado a coisas e pessoas bonitas das quais gosto e que uso exactamente para as gabar e não para esperar que lá comentem e me passem a mão pelo pêlo.
Publicado por: Debbie Harry às fevereiro 3, 2008 10:25 AM
A roçar o insulto? Porquê, porque utilizei uma palavra feia no contexto de uma troca de argumentos com quem julgava poder lidar com a confiança de uma amiga?
Olha, os factos estão à vista e provam-me certo em diversos pressupostos que sempre negaste.
Estamos definitivamente conversados nesse aspecto, no meu entender.
E para não seguires o teu caminho frustrada por não cumprires o objectivo (com a melhor das boas intenções, claro) de me emporcalhares mais um bocadinho a imagem dou-te a razão toda nesta e em futuras divergências e não volto a contestar-te ou a perturbar-te com "a minha tendência para piorar o discurso", ok?
Beijinhos e obrigado por esta estimulante troca de impressões.
Publicado por: shark às fevereiro 3, 2008 12:55 PM
Já somos dois no que diz respeito a confirmação de instintos. Gostei do autoritarismo do "estamos conversados". A democracia fica nas frases feitas.
Publicado por: Debbie Harry às fevereiro 3, 2008 02:54 PM
Vês? Até conseguimos alguma forma de consenso...
Publicado por: shark às fevereiro 3, 2008 03:09 PM
(Só faltou, nessa tua sinceridade tão apregoada, contares à malta exactamente o que te motiva a enveredares por esta via...)
Publicado por: shark às fevereiro 3, 2008 03:13 PM