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março 08, 2008

A LÓGICA FUTEBOLÍSTICA

Sempre que uma equipa de futebol exibe piores resultados, todos os restantes intervenientes no processo apontam o dedo ao bode expiatório e é do treinador a cabeça que rola.
A lógica subsequente é a de responsabilizar apenas quem delineia a estratégia e não quem a executa, a de fazer rolar a cabeça de um "culpado" de circunstância, mesmo que seja ponto assente que só não se mexe em equipa que ganha.

Ou seja, os jogadores de futebol, a quem compete levar a cabo a concepção do treinador, continuam a ser mimados pelo público mesmo quando se torna gritante a sua falta de talento e/ou de motivação e/ou de falta de disciplina táctica.
Para a lufada de ar fresco que se impõe há sempre uma cabeça que rola, a do mister, havendo casos em que a mesma equipa é treinada por três ou quatro pessoas diferentes numa mesma época.
Às vezes até acontecem milagres, os jogadores que nada rendiam com o treinador A transfiguram-se sob a batuta do treinador B e o mínimo que se pode presumir é que andavam a fazer ronha, apesar das suas principescas regalias (sobretudo por comparação com as de outras classes profissionais, mesmo no âmbito da prática desportiva).
Contudo, na maioria dos casos os clubes esbanjam milhões em acordos de rescisão resultantes das ditas chicotadas psicológicas (que custam caro, essas decisões levianas) e os substitutos contratados raramente conseguem impor a sua visão a tempo de evitarem o descalabro na tabela classificativa.

Tudo isto faz parte de uma lógica de funcionamento à escala planetária que acredita na substituição dos estrategas como solução para os rendimentos mínimos de um colectivo qualquer.

Mesmo que, como o caso de Mourinho ilustra, não existam de facto melhores alternativas.

Publicado por sharkinho às março 8, 2008 10:09 PM