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março 06, 2008
A POSTA NA SIMPLES CONSTATAÇÃO (for my eyes only)
Sempre que o tempo, na sua infinita sabedoria, me concede a razão de que no passado aparentemente me privou confronto-me com uma vara de dois bicos. Sobretudo quando essa razão tem a ver com pessoas e a verdade dos factos confirma o acerto das minhas piores previsões.
Se, por um lado, o desvendar póstumo da minha “inocência” neste ou naquele conflito ou picardia me permite a reconciliação comigo próprio pelo devido enquadramento das minhas reacções, por outro lado sinto-me desconfortável com a constatação de que há mais pessoas de má índole do que desejaria.
Já por diversas vezes me invectivaram por desferir “ataques” sem alvo identificado nos desabafos a que (cada vez menos) me permito. Fui inclusivamente citado como cobarde nessa perspectiva.
E insisto nessa opção, arriscando as peles que me possam vestir, precisamente porque os meus ataques sem alvo definido possuem sempre destinatário/a concreto a quem a carapuça encaixa na perfeição e só esse/a se constitui o devido receptor.
Nessa medida, o apontar público de um dedo reservo-o para as situações em que a minha atitude hostil justifica esse tipo de identificação para que os bois sejam chamados pelos nomes e desmascarados na sua condição.
À pequena “sapatada” dou-lhe o estatuto de reacção privada que deve ter e apesar de publicar o recado não ofereço de bandeja a trica a mirones que dela se poderiam servir para o alimento de discussões e trocas azedas de palavras sem interesse algum.
Ao longo de mais de três anos desta actividade ainda não houve quem me provasse cobarde, canhestro ou gratuitamente hostil (nesta última, quando o fui apresentei as minhas desculpas a quem as devia e assumi a responsabilidade inerente pelos maus momentos que qualquer pessoa pode ter – ainda que não os reconheça).
Sou homem para assumir as minhas fraquezas e limitações como o sou para gabar os méritos que me assistam e por isso tanto podem encontrar aqui a face visível da bonomia que me caracteriza e prefiro cultivar como podem deparar-se com tudo aquilo que faz jus ao nick que escolhi e me cola a um bicho pouco dado a reacções cordatas.
O dark side que todos temos mas nem todos admitimos com a mesma descontracção…
Essa costela de tubarão leva-me, nos tais momentos menos bons, a virar o dente a quem nada fez para o justificar e por norma acarreta consequências como a ruptura definitiva, qualquer que seja o caminho que escolha para desfazer a merda que fiz. É o preço a pagar e confesso que começo a aceitá-lo como natural.
Porém, também me permite fincar a dentuça ou apenas reagir na proporção a quem me hostiliza sem motivo aparente. E apesar de ficar mal no boneco pela acutilância ou pelo despudor de quem não deve e nada tem a temer, muitas vezes esse instantâneo vem a revelar-se menos feio do que se afigura na altura. É a justiça feita ao retardador e que, quando alguém já vestiu a casaca do mau da fita, chega invariavelmente tarde demais.
É outro preço da impulsividade e da sua exposição em demasia.
E já deixei de perder o sono por isso.
Tudo isto para dizer que me sinto no direito de, no mínimo, me sentir reconfortado quando vejo um/a medíocre desmascarado/a pela mesma verdade que nos fez entrar em rota de colisão. Mesmo quando isso não acontece comigo enquanto protagonista mas pela acção de terceiros e respectiva repercussão no estalar do verniz, pois basta-me a certeza de que tinha razão quando assumi o tal lado negro como reacção instintiva e acabei por ver o assunto virado contra mim.
Hoje calhou ter acesso a uma dessas confirmações póstumas da razão que tentaram retirar-me com base apenas na reputação e não na lógica pura dos factos que me envolveram em má hora.
Não me sinto vencedor, nem mesmo capaz de me arvorar senhor de todas as certezas.
Mas confesso-me um nadinha mais confortável na minha pele.
Publicado por sharkinho às março 6, 2008 12:20 PM