« MANIAPIX, A GAULESA - Capitulação IV | Entrada | MANIAPIX, A GAULESA - Capítulo II »
março 08, 2008
MANIAPIX, A GAULESA - Capítulo III
Mas os segundos passavam como horas enquanto na fila os oito ou nove crédulos que aguardavam o desenlace do meu drama começavam a bufar, nas tintas para o facto em apreço.
Tive então que optar entre:
a) Desatar aos berros e à estalada e partir a loja toda (coisa que o meu seguro de responsabilidade civil não cobre e o meu advogado não aconselha);
b) Ceder à condição de refém (não me devolviam o dinheiro na hora nem me substituíam um equipamento que nem chegou a funcionar) e deixar na loja o artigo e o pilim.
Optei a custo por uma solução híbrida, retirando da primeira opção as partes da estalada e do vandalismo e somando o resto à segunda.
Ou melhor, até consegui nem berrar. Mas elevei o tom de voz o bastante para a minha indignação ser audível até ao final da fila (muito para lá da porta do estabelecimento) e exigi a presença do terrível, do poderoso, do ameaçador livro de reclamações (que o jovem pixmaníaco providenciou com a mesma descontracção com que me entregaria um rolo de papel higiénico emprestado), arriscando ter que repescar um item da opção a) se os patos na minha traseira bufassem alto demais a respectiva impaciência.
Munido com o dito bloco de apontamentos para manifestações de desagrado, saquei da caneta como se de um revólver se tratasse e preenchi o formulário com os dados pessoais mais um resumo bem claro daquilo que motivava a minha indignação.
E essa, recordo-o, passava pelo facto de eu ter desembolsado uma pipa de massa para comprar um equipamento que não funcionava e ser obrigado a regressar a casa com o rabinho entre as pernas, as mãos a abanar e a carteira mais levezinha, até ver…

Publicado por sharkinho às março 8, 2008 12:31 AM