março 24, 2008

BUTE LÁ ENFRENTAR O PAPÃO!

Nunca escondi a minha aversão a este dia da semana. E até tentei explicar porquê, embora me pareça demasiado óbvio para justificar esclarecimentos adicionais.
A segunda-feira é o dia de regresso ao quotidiano dito normal. São os despertadores, essa invenção demoníaca, os primeiros a anunciarem o início desse dia terrível com as suas campainhas ou besouros e a relembrarem cada um de nós que o dia anterior já era e nasceu (aos berros) aquele que anuncia o ciclo que só encerram as sextas-feiras com a sua chegada auspiciosa. E também são as evocações dos inúmeros afazeres que programamos em vão para um período que nunca decorre exactamente como o pensámos ao longo do fim-de-semana.

A segunda-feira marca o recomeço de uma luta incessante contra o relógio que teima em avançar rumo a seis dias depois mas acelera endiabrado quando aquilo que temos marcado se aproxima inexoravelmente do adiamento que a falta de tempo justifica.
É o dia da reabertura da agenda, esse calendário de obrigações que fazem parte das funções que a vida acabou por colocar no caminho da maioria sem grandes hipóteses de escolha. Por acaso, por aperto, por transmissão sucessória, raramente por gosto ou por vocação.

É para mim um dia não, pois não faço aquilo que gosto e poucos gostam daquilo que faço. Ganho a vida a esbanjá-la numa missão imposta pela correria a que nos deitamos com a sede de "chegar lá", não sei bem onde, ao sucesso. Ou apenas à concretização dos sonhos pequenos, à ultrapassagem dos obstáculos que nos impomos a um ritmo consentâneo com uma vida digna desse nome.

Contudo, quando enfrento a fera nos olhos e lhe adivinho a vontade de me fincar a dentuça do desânimo com uma panóplia de contrariedades e de imposições acabo sempre por reagir como aprendi e faço peito ao desafio.
Não se pode mostrar medo às ameaças reais ou imaginárias.
E a melhor maneira de as desarmar consiste sempre em surpreendê-las com algo de tão simples como um sorriso rasgado em cheio nas ventas.

Isso é que as deixa mesmo desorientadas... :-)

Publicado por sharkinho às 11:37 AM | Comentários (2)

março 20, 2008

SORTE MACACA

Passei boa parte do meu dia a aturar gente desequilibrada.
Há dias assim...

Publicado por sharkinho às 10:34 PM | Comentários (4)

março 19, 2008

A DURA VIDA DE UM CALCETEIRO

A última chamada que atendi era do meu gestor de conta a pedir para eu ir ao banco num instantinho para tapar um buraco.

(E o que chove lá fora?)

Publicado por sharkinho às 02:42 PM | Comentários (2)

DIA DO PAI

E quando um gajo recebe como prenda principal do Dia do Pai umas notas tão boas que colocam a sua filhota numa proposta formal de candidatura ao quadro de excelência da respectiva escola?

Um gajo só lhe apetece é sorrir e alardear-se feliz.

Publicado por sharkinho às 11:53 AM | Comentários (16)

EU PENSAVA QUE A CONFIANÇA SE CONSTRÓI

Mas os factos comprovam-me que, em casos excepcionais, a obra fica inteiramente adjudicada à intuição.

Publicado por sharkinho às 12:21 AM | Comentários (2)

março 10, 2008

A FRIVOLIDADE

Entedia-me.

Publicado por sharkinho às 10:24 PM | Comentários (2)

março 09, 2008

PEQUENOS NADAS...

molho de sapateira do shark.jpg
Foto: Shark

É verdade, fui eu que fiz o sensacional molho que consta no interior destas belas criaturas criteriosamente seleccionadas pelo tubarão.
A vida boa também se faz destas pequenas dádivas marinhas...

E não vale a pena pedirem a receita, pois a conjugação dos ingredientes (nomeadamente a definição de quantidades) varia consoante a matéria-prima disponível.

COF COF!

Publicado por sharkinho às 07:45 PM | Comentários (17)

TÃO SIMPLES, AFINAL

sorri para mim.JPG
Foto: Shark

Olho para o céu enquanto escrevo estas palavras e nele reconheço o estado de alma que me conduz os dedos pelo teclado em busca da forma mais espontânea e genuína de vos transmitir a sua essência.
Vejo as nuvens escuras, imensas, destaparem o sol em janelas de luz. E parece que o céu me sorri.

Tento rodear-me das coisas belas que podem distinguir os dias entre si, a felicidade materializada nas pessoas que gostam de mim sem reservas, na beleza das palavras que escuto encantado e nas que leio deliciado pela constatação do que somos capazes quando nos deixamos abraçar pelo amor e pela vontade de nos sentirmos melhor enquanto usufruímos de um privilégio comum.
Na dança das nuvens ao sabor do vento que as molda ao gosto do meu olhar atento em busca de um momento, também ele, especial.

Olho para o céu enquanto tento partilhar convosco o meu sucesso neste dia na luta contra tudo aquilo que consiga desviar-me do objectivo do qual recuso abdicar como este texto tão simples vos diz.

Olho para o céu e sinto vontade de vos contagiar com esta minha verdade.

É verdade que me sinto feliz.

Publicado por sharkinho às 04:55 PM | Comentários (10)

fevereiro 27, 2008

A ESTA HORA...

...Já aterraram no meu colo três situações insustentáveis resultantes da inépcia de um/a profissional qualquer, o que implicou o dobro desse número em contactos desagradáveis daqueles que tocam com frequência ao tubarão.

E depois querem que eu não tenha mau feitio?

Publicado por sharkinho às 10:43 AM | Comentários (2)

fevereiro 25, 2008

O LÁPIS AZUL DA CONTENÇÃO

As emoções descontroladas a berrarem prosas frontais, extremadas.
E eu, contra natura, ando entretido a amordaçá-las.

Publicado por sharkinho às 09:24 AM | Comentários (4)

fevereiro 23, 2008

AZULÃO

Your Inner Color is Blue
Your Personality: Your natural warmth and intuition nurtures those around you. You are accepting and always follow your heart.

You in Love: Relationships are your top priority, and this includes love. You are most happy when you are serious with someone.

Your Career: You need to help others in your job to feel satistifed. You would be a great nurse, psychologist, or counselor.
What's Your Inner Color?

Publicado por sharkinho às 11:16 AM | Comentários (6)

fevereiro 19, 2008

ANDEI NUMA FASE...

...De comer e calar.
Mas agora ocorreu-me que foi assim que se lixou a minha panela de pressão mais pequena.

Publicado por sharkinho às 05:08 PM | Comentários (2)

fevereiro 15, 2008

ESFREGADAS NAS VENTAS

Detesto quando a lucidez me obriga a aceitar que certas realidades insofismáveis não são um mero fruto da minha imaginação.

Ou de uma propensão foleira para a paranóia.

Publicado por sharkinho às 09:19 AM | Comentários (0)

fevereiro 12, 2008

COM A CRISE GLOBAL A ESTOIRAR...

...É flixado um gajo perceber nesta altura que dedicou duas décadas a um ofício em vias de extinção.

Publicado por sharkinho às 10:07 AM | Comentários (3)

fevereiro 08, 2008

SHARK(inho)

eu me baptizo.jpg

Publicado por sharkinho às 04:55 PM | Comentários (43)

fevereiro 03, 2008

GOSTO CADA VEZ MAIS

Do meu cão.

Publicado por sharkinho às 01:26 PM | Comentários (7)

GOSTO DO MEU INSTINTO

Quando me poupa a sarilhos e a desgostos desnecessários.

Publicado por sharkinho às 01:20 PM

fevereiro 02, 2008

COSTELA DE DONZELA

Admiro uma mulher capaz de lutar por mim.

(Com as armas adequadas.)

Publicado por sharkinho às 10:03 PM | Comentários (0)

fevereiro 01, 2008

A POSTA COM OS MEUS BOTÕES

Apesar da minha condição de macho da espécie e, mais ou menos por inerência, tendencialmente gabarola em matéria de desempenho sexual, confesso que não me sinto orgulhoso pelo facto de ainda gostar tanto de sexo e, acima de tudo, por manter uma capacidade de resposta nesse domínio que jamais ousei vaticinar no passado quando pousei a ideia neste estatuto quarentão.
Ou seja, não me envaideço quando constato essa realidade. Antes me delicio com a sorte que isso representa para um gajo como eu que sempre afirmou gostar da fruta.

E eu gosto da fruta, tal como aprecio cada vez mais tudo o que lhe está associado por natureza. A corte, a fantasia, o clima que se instala entre as pessoas quando se sintonizam em simultâneo nesse canal, são argumentos que me fascinam, que me deliciam em cúmulo com o inexcedível prazer carnal que o sexo representa.
De resto, já várias vezes referi que entendo a carcaça como uma fonte inesgotável de dores e de desconforto e que só isso bastaria forçar o contraditório.
O prazer é quase obrigatório para nos compensar dessas pequenas (ou grandes) partidas que o corpo nos prega, num dente, nas costas, na sequência de um acidente ou de uma doença ou de qualquer outra das muitas mazelas a que se oferece tão frágil material.

Não dura para sempre, tal como não a possuímos na primeira etapa da existência, a nossa capacidade para usufruir da sensibilidade pela positiva. Precisamente aquela que o sexo sublima, quando corpos e mentes se predispõem às sensações.

Sempre que penso acerca deste assunto confronto-me com uma lógica que já julguei inabalável e que me empurraria para conclusões fáceis e de aparente incontestabilidade.
De entre estas, destaco a que parece mais óbvia quando se conjuga em teoria a apetência pela coisa com uma coisa saudável e funcional: não escapa uma (hipótese de).
Contudo, na prática não funciona de forma tão linear.

É corrente o pressuposto de que a (matur)idade nos vai, digamos, refinando os gostos e mesmo que assim não fosse tratar-se-ia de um busto excelente para justificar o crescendo de negas que o envelhecimento e consequente perda progressiva de, digamos, entusiasmo costuma acarretar.
E nesse contexto, os que temos a sorte de conservar por mais uns anos um tempo de resposta quase juvenil deveríamos ter dedo leve no gatilho do engate e, como se diz no meu bairro, não perdoar nem ao menino Jesus.

Fico sempre surpreendido quando me vejo desmentir essa conclusão, desperdiçando momentos e pessoas mesmo a jeito para o usufruto que acima refiro da fezada de ter a máquina em perfeitas condições. Soa-me quase pecaminoso, passe a heresia.
Porém, acabo sempre por interiorizar esses alegados desperdícios como manifestações da tal refinação que, de resto, acaba por constituir uma vacina contra a vulgarização do acto e das pessoas envolvidas (se aviarmos pila a granel).
Eu não me gabo das quecas que dou, saboreio o conjunto das suas memórias e, nalguns casos, das respectivas repercussões na minha ligação com as pessoas visadas ou nas que eu próprio reconheço em mim.
Não procuro o Guiness nem colecciono troféus. E não preciso de provar nada seja a quem for enquanto dispuser da certeza (e dos factos que a sustentam) de que na hora da verdade e dentro das condições que eu entendo indispensáveis não falta nada ao tubarão nem a quem o procura.
Por isso me sinto na boa quando declino uma hipótese que, por este ou aquele motivo, não preenchem os requisitos que me dou ao luxo de exigir. Como uma espécie de filtro para a distinção entre a rapidinha eufórica no vão de uma escada e uma tesão prolongada pela conjugação de factores mais próxima da ideal como a sinto e a defino.

Esta é uma das vantagens de podermos olhar a vida em ambas as direcções, passado e futuro, resultando desse miradouro uma serenidade e uma confiança que nos permite aumentar a fasquia da exigência nas pessoas e nos rituais.

E essa exigência, longe de se tornar um impedimento em termos quantitativos, acaba por se tornar num selo de qualidade na nossa percepção e um reconhecimento implícito do valor que atribuímos às pessoas e/ou às situações que, sob o crivo deste critério, ainda assim nos envolvem.

Sempre, e por isso também, muito especiais na nossa percepção individual.
E no fundo é só essa que conta.

Publicado por sharkinho às 03:51 PM | Comentários (34)

janeiro 29, 2008

PAY DAY

Nos meus dias mais aziagos torno-me menos agnóstico do que é costume.É que na minha consciência pesada pelos disparates cometidos existe um terreno fértil para a exploração de uma espécie de fé na qual quase acredito que Ele não dorme e é mais eficaz no deve e no haver do que um Técnico Oficial de Contas.

Depois passa-me.

Publicado por sharkinho às 05:34 PM | Comentários (0)

janeiro 28, 2008

DETESTO BALANÇOS

Porque não sou bom a lidar com números e com avaliações.
E porque enjoo.

Publicado por sharkinho às 09:35 AM | Comentários (5)

janeiro 23, 2008

A POSTA NUMA VIDA DESPAUTADA

passarinhas na pauta.jpg
Foto/Imagem: Shark


Sempre que participei no emocionante ritual escolar dos testes, pontos ou exames (sobretudo naqueles em que recebi notas a vermelho) enriqueci um pouco mais a minha bagageira de conhecimentos no fascinante domínio da diversidade humana.
Um gajo entrava na sala de aula nesses dias e aquilo parecia a sala de espera de um dentista da Caixa, tamanha a tensão que se abatia sobre a maioria dos gladiadores da sabedoria que olhavam o prof como uma espécie de leão faminto com polegares oponentes que decidiam quantos pereciam de entre (those who are about to die) aqueles que o saudavam na arena de carteiras grafitadas.

O circo instalava-se por norma nas filas de trás (quando tínhamos a sorte de dar com professores passarocos ao ponto de não determinarem a distribuição dos cábulas pelo perímetro), embora existissem os atrevidos e mais espertos que instalavam os auxiliares de memória nas barbas do fiscal de circunstância. Safavam-se à grande, os audazes.
Logo aqui faziam-se sentir as diferenças entre os trinta e tal aspirantes a cidadão bem formado (alguns ainda hoje confundem a posse de um canudo com a de um atestado de competência social) que se expunham dessa forma cruel à implacável avaliação da sua forma de encarar a vida.

Era disso que se tratava, se tivermos em conta o discurso institucional que nos separava entre espertos ou burros consoante as notas obtidas nos testes que, aliás, impingiam como apenas um dos elementos da famosa avaliação contínua mas que afinal correspondiam quase na íntegra ao número exposto na pauta para vaidade de alguns, vergonha de uns poucos e absoluta indiferença de apenas um ou dois.
Um gajo até podia passar um ano lectivo enfrentado como uma etapa na luta pela sobrevivência, fazer os têpêcês todos e muito limpinhos e bem caligrafados, não se baldar às aulas para ir dar uns melos ou jogar à bola ou fumar umas merdas. Mas se depois nos pontos a coisa descambava, raramente havia volta a dar.

Contudo, falava eu de como nessas condições especiais cada um/a acabava por revelar a sua natureza, a sua reacção espontânea à pressão de se provar capaz. E se comecei por referir o posicionamento da malta na sala, posso agora adicionar uma ilustração que é quase uma caricatura.
Quantos de vós não se depararam com um “grande amigo” subitamente transformado num Patinhas, deitado sobre as suas preciosas respostas para vos impedir de deitarem o mirone e assim lhe ofuscarem o brilhantismo individual, nos rostos uma expressão parecida com a de um gajo quando dá conta de que o parceiro do lado está a esticar aos limites a visão periférica em pleno urinol?

Por outro lado, também se revelavam as almas mais generosas. Havia sempre uma desgraçada ou um desgraçado que marravam que nem doidos para depois correrem o risco de verem os testes anulados por serem caçados a partilhar, a darem de si para salvarem o coirato dos moinantes que lhes caíam no goto.
Também havia os que bloqueavam com os nervos, choravam até. E os que fintavam com sucesso a “medição de inteligência” com uma notável exibição de esperteza, cabulando e copiando, oportunistas e parasitas, até à licenciatura final.
Conheço alguns assim, doutores. Bem sucedidos na vida, a maioria.

E eu, pouco dado ao estudo fora de horas (de horas de aulas, entenda-se), tinha tempo e disponibilidade para fingir que escrevia ou para escrever a fingir enquanto aprendia a distinguir o efeito das circunstâncias no comportamento de cada um. Ou apenas aproveitava para degustar uma beleza qualquer com o olhar e congeminava a futura abordagem ao galeão carregado de tesouros que iria compensar-me mais tarde da vergonha de um zero ou pouco mais na escala dos valores que nos definiam, em público, quando os profs mais cruéis anunciavam em voz alta os vintes dos vip’s do costume e depois faziam o contraponto com os falhados da prestação negativa.

Aprendi muito na escola acerca daquilo que ainda hoje mais me prende a atenção, as pessoas. Muito mais do que qualquer matéria, do que qualquer disciplina das que me pintavam como “fundamentais” para o futuro que hoje é o meu presente onde não fazem falta alguma.
Aprendi a adivinhar pensamentos, a antecipar reacções, a moderar expectativas, a assumir as minhas escolhas em função de critérios distintos dos que me ensinavam serem os melhores.
Certo ou errado, o meu caminho foi influenciado pela observação dos outros e consequente incidência da minha preferência pelos programas extra-curriculares.

Fui daqueles alunos que mantinham um rigoroso registo das faltas para evitarem o chumbo por essa via, quantas vezes “tapado” ainda antes do Carnaval e privado de baldas ou de irreverências daí em diante e que me obrigavam a ocupar o tempo de clausura numa sala cheia, isolado na minha cabeça a saborear um dos prazeres possíveis em tais condições.

Um desses prazeres é aquele que partilho convosco, cada pessoa que reserva parte do seu tempo para me ler e/ou observar nesta janela virtual.
E sempre que o faço, roubo tempo ao que deveria ser o fulcro dos meus dias, baldo-me a uma obrigação qualquer das que nos impõe a conformidade com o padrão mais votado na democracia musculada do tem que ser.

E até nisso recolho um prazer acrescido deste fruto proibido que às vezes parece feito de propósito para atrair desilusões e arrelias.
Mas que afinal cumpre vários desígnios e fornece, directa ou indirectamente, diversos tipos de prazer.

O usufruto da liberdade de expressão, de que pouco se falava nos meus manuais escolares que peneirava em busca de factores de interesse, é aquele que continua a prevalecer e justifica esta insistência teimosa.

Mesmo quando a nota na pauta, que a medição nunca nos larga, não soa nada positiva.

Publicado por sharkinho às 11:44 AM | Comentários (0)

janeiro 22, 2008

DEMASIADO TEMPO NISTO?

De vez em quando, entro nos bastidores do meu blogue para preparar uma posta nova e tenho a estranha sensação de entrar numa espécie de camarim...

Publicado por sharkinho às 09:22 PM | Comentários (0)

janeiro 20, 2008

NÃO PERCO O SONO POR ISSO

Mas é um dado adquirido que não consigo entender-me com mulheres abaixo dos trinta.

Publicado por sharkinho às 11:00 AM | Comentários (7)

janeiro 15, 2008

QUANDO É QUE PARAMOS...

De remendar ideologias em vez de as assumirmos obsoletas?

Publicado por sharkinho às 09:19 AM | Comentários (0)

janeiro 08, 2008

ELA COMETEU O ERRO...

...De se prender em demasia a uma só pessoa de entre o seu grupo habitual. Agora percebeu a dimensão do equívoco mas os estragos estão feitos e adquiriu um estatuto que a torna dispensável no seio de um colectivo que se habituou a não contar com a sua participação. E que até a rejeita em aspectos pontuais.
Isso preocupa-a e pode vir a tornar-se numa questão melindrosa que a poderá magoar.

Mas eu, que de bom grado me disponibilizo para a apoiar em todo o tipo de situações, sou precisamente a pessoa menos indicada para a poder ajudar neste tipo de cenário.

Publicado por sharkinho às 09:55 AM | Comentários (0)

janeiro 07, 2008

SEMPRE A ABRIR

Vender (ou alugar) uma casa. Vender e comprar um carro. Remodelar um escritório (e provavelmente abrir o segundo).
Adicionar €1500 ao rendimento mensal.

Calha bem um ano bissexto.

Publicado por sharkinho às 11:30 AM | Comentários (2)

MIND GAMES

Fascinam-me os livros e os filmes que abordam dois tipos de tema: as dimensões paralelas e os finais apocalípticos.
Uns e outros recordam-me o quanto está muitas vezes nas minhas mãos a escolha do melhor caminho a seguir para embicar por um futuro como o anseio.

E lembram-me também o quanto pode ser idiota planear o futuro, sobretudo quando esse plano arrisca influenciar de forma negativa escolhas tão determinantes como a que referi.

Publicado por sharkinho às 10:45 AM | Comentários (2)

janeiro 05, 2008

NÃO

Me obriguem a ir para a rua gritar.

Publicado por sharkinho às 05:26 PM | Comentários (6)

QUERO

Ser eu.
Sem censuras. Nem reservas.

Se não for pedir muito...

Publicado por sharkinho às 05:24 PM

JOGAR

Não gosto.
Mas sei.

Publicado por sharkinho às 05:09 PM

janeiro 04, 2008

O (DES)EQUILÍBRIO NAS CONTAS

Hoje despedi-me de alguém e fui "despedido" por outrém.

Publicado por sharkinho às 10:22 PM

APONTAMENTO PESSOAL

Ler sempre os posts antes de enviar os emails.

Publicado por sharkinho às 10:18 PM

COISAS QUE ME FASCINAM

A forma como um silêncio pode adquirir o som de mil palavras.

Ou provocar o ruído de mil interpretações.

Publicado por sharkinho às 11:29 AM | Comentários (6)

CONCEITOS EM VOGA

Leviandade. Arrogância. Egocentrismo. Medo. Cobardia. Superficial. Ambivalência. Subterfúgio. Ambição.

Ganância.

Publicado por sharkinho às 10:43 AM | Comentários (6)

CONCEITOS EM DESUSO

Dignidade. Honra. Cavalheirismo. Frontalidade. Lealdade. Respeito. Brio. Ética. Amizade. Colectivo.

Revolta.

Publicado por sharkinho às 10:36 AM | Comentários (8)

janeiro 01, 2008

ÀS DUAS JÁ ME APANHAVAM ASSIM

shark happy new year.jpg

Sim, o Shark possui um lado menos glamoroso que se revela sob condições extremas.
E quando acelero demais o despiste torna-se inevitável.

Entrei em 2008 quase da mesma forma em que celebrei 1988. Ou por aí...

Publicado por sharkinho às 03:15 PM | Comentários (12)

dezembro 31, 2007

A POSTA NOS FATOS CONFUMADOS

Antes de o ano terminar ainda aproveito para vos desejar que tenham um ano muito cumpridor em matéria legislativa (se falharem uma já podem ser considerados hipócritas) e de convenções (as que seguirem apoiam por inerência).
Ou seja, espero que seja um ano bom para as vítimas de acidente de viação passivas (pessoas que sofrem as consequências dos abusos dos outros, apesar de ilegais, como o excesso de velocidade e outros). E estendo este voto a todos os cidadãos portugueses que passarão a ser vítimas de adulteração da língua passivas (todos quantos de fato optarem pela boa ação de escreverem oje aquilo que podiam deixar para os iletrados de amanhã).

Ainda estendo a minha solidariedade às vítimas da incúria generalizada passivas (as que sentem na pele as repercussões do desmazelo dos outros, mesmo quando esses outros são políticos daqueles que apoiam legislações radicais noutros domínios da protecção de direitos e da saúde dos cidadãos) e, de um modo geral, a todas as vítimas passivas do incumprimento da legislação que visa protegê-las, nomeadamente as vítimas accionistas passivas do regabofe político-financeiro-pessoal que reina na alta finança do país e as vítimas passivas de todos os hábitos, vícios ou simples falta de cuidado que agora passarão a viver numa nação despoluída e ortograficamente reconvertida.

Naturalmente, deixo um abraço sincero às vítimas passivas da leitura deste blogue e que consolidem a esperança de que também a blogosfera seja incluída a curto prazo no extenso rol de coisas que dão prazer em demasia à malta e por isso devem ser proibidas, bastando para isso poderem fazer mal a alguém sem querer.

Tenham um bom ano, respirem fundo e que a escrita vos traga o gostinho tropical acordado. Aqui só podem contar com um ambiente que fala fumarento, sem fato e, de facto, sem gravata também.

E em português arcaico, como agora não lhes convém.

(Ah, e já me esquecia: estou solidário com as vítimas passivas do brinde do bolo-rei desse passado tenebroso e nada europeu.)

Publicado por sharkinho às 09:30 PM | Comentários (7)

dezembro 24, 2007

ENGOLIR A RAIVA ATÉ O CORAÇÃO ARRANHAR O PEITO POR DENTRO

Perante o jovem vizinho bêbedo que nos confronta de forma agressiva depois de espancar a companheira que grita o medo desesperada enquanto pede a toda a gente para não chamarem a polícia.

As veias a latejarem na cabeça enquanto se constata, mais de dois metros de grade metálica de permeio, a impossibilidade física de agarrar o bruto pela nuca e aviar-lhe uma cabeçada e se vislumbra na atitude calma a única solução possível para o problema.

A incógnita da reacção na próxima coincidência à entrada ou à saída do elevador.

Publicado por sharkinho às 12:24 AM | Comentários (2)

dezembro 21, 2007

O IRRESISTÍVEL APELO DO CUMBÍBIO

Dei comigo a desatinar com a minha filha por causa das notas.
Não gostei.
Sobretudo porque os aspectos com que desatino, os reparos dos profs, são precisamente os mesmos com que o avô dela desatinava há umas décadas...

Publicado por sharkinho às 11:45 PM | Comentários (20)

dezembro 18, 2007

TOU FARTO

De música.

Publicado por sharkinho às 04:13 PM

dezembro 16, 2007

MAS ÀS VEZES AS COISAS ESCAPAM-ME SEM QUERER

Às vezes, mas só às vezes, reprimo a vontade de escrever coisas daquelas que ninguém está a contar que alguém escreva. Coisas escritas sem rede, sem freio, sem auto censura, sem controlo algum. Liberdade criativa em estado puro, sem reservas.

Às vezes, sempre, até à data (tirando o olhar que me trai), reprimo a vontade de revelar à vizinha de um dos andares acima (quando a apanho por coincidência no elevador) o quanto me impressiona a sua estrutura óssea e qual o impacto da mesma nas imagens que me ocorrem a propósito e que assim poderia partilhar com ela para depois vermos no que dava.

E assim se explica porque é que a sinceridade absoluta é outro dos múltiplos actos falhados da minha alegada propensão para o culto das utopias.

Publicado por sharkinho às 11:00 PM | Comentários (16)

dezembro 15, 2007

É BOM ESCREVER POSTAS

Sobretudo ao som daquela que continua a ser a minha banda sonora. Seconds Out, dos Genesis.

Publicado por sharkinho às 04:31 PM | Comentários (0)

EU PECADOR ME ASSUMO

Vejo a beleza à minha volta, contagiante, avassaladora.
E sinto-me feio quando não consigo partilhá-la.

Publicado por sharkinho às 04:00 PM | Comentários (4)

dezembro 12, 2007

A POSTA QUE DA FAMA NÃO ME LIVRO

No início deste meu dia recebi dois contactos externos cujo paralelo, apesar de um se englobar no âmbito pessoal e o outro nos meandros do ofício que abracei, me saltou à vista por via de uma certeza que há muito venho invocando aqui: devo ser muito parecido com o comboio de Chelas.
Eu explico.

A questão profissional passa pela tentativa jurídica de me entalar numa questão que de facto não pode comprometer-me. Fiz o que me competia e possuo provas escritas desse pressuposto. Porém, não deixarei de queimar algumas horas de existência num Tribunal de Primeira Instância à conta da má vontade de alguém a quem servi muito bem ao longo de mais de uma década.
Sinto, portanto, o meu envolvimento numa situação melindrosa que não provoquei como uma flagrante injustiça e exibição gratuita de ingratidão à qual darei a devida resposta.

Já a questão pessoal envolve (mais) uma associação de ideias plausível mas apenas no contexto de uma interpretação errada das minhas motivações, das minhas prioridades ou mesmo da forma como reajo a determinados estímulos e/ou pessoas.
Uma situação vulgar, no que me diz respeito, e que apenas confirma o tal pressuposto da parecença com o material circulante da expressão popular que acima invoquei.
É uma cruz, esta facilidade com que as pessoas e os assuntos me arrastam para o centro das piores atenções, esta tendência foleira de em caso de dúvida o Shark nunca usufruir do respectivo benefício e vestir(em-lhe) por sistema a pele menos confortável.

Notem, os/as que já devem estar a afiar o cutelo com base nas suas más experiências de contacto com o lado merdoso do meu feitio, que não renego alguns episódios em que a pele que me serve é mesmo aquela que mereci. Mas alguns não equivale a todos e também eu tenho o direito de ser o alvo de uma calinada alheia, de por força das circunstâncias ou da leviandade com que se rotulam os outros tocar-me a mim o papel do injustiçado.
Pode acontecer, apesar de (quase) toda a gente presumir o contrário e agir em função desse dado adquirido, mesmo que por interposta pessoa.

Estes dois exemplos de como parece simples interpretar-me sempre com base no pior ângulo disponível não visam conferir-me o papel de vítima que aqui e além até me servia.
Se no caso profissional a mesquinhez de quem me tentou arrastar de forma artificial para o centro do furacão com uma falsa acusação que em nada me pode afectar será entendida nesse prisma e, sem ondas, utilizarei os meios legais ao alcance para evitar que se repita com aquela pessoa em concreto, no caso pessoal ainda me exponho (porque arrisco apostar nas pessoas, mesmo quando me atribuem uma postura mesquinha) a uma eventual repetição do “mimo” mais frequente por parte de muita gente de quem gosto ou gostei e que até afirma ou afirmou conhecer-me o bastante para gostar de mim.

Eu não conseguiria gostar de alguém com uma imagem assim.
E além de ser do signo Touro não tenho vocação para ferroviário.

Publicado por sharkinho às 12:00 PM | Comentários (19)

BLACK & WHITE

behind myself.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 12:35 AM | Comentários (4)

dezembro 10, 2007

REJEITO EM ABSOLUTO

Quaisquer fenómenos de rejeição.

Publicado por sharkinho às 11:55 AM | Comentários (2)

dezembro 05, 2007

EMOÇÕES ENSONADAS

Odeio despertadores.

Publicado por sharkinho às 10:23 AM | Comentários (5)

dezembro 03, 2007

BACK TO THE GOOD (TOO) OLD TIMES

duran duran.jpg
Tirado DAQUI

Consta que a mesma escassez de talentos que permite a perpetuação de fenómenos como os Rolling Stones e regressos em força como o das Spice Girls está agora a instalar-se na moda, ou na corrente, ou na onda, ou o que queiram chamar-lhe, com a adopção dos conceitos estéticos dos anos 80.
Na minha dimensão jurássica já consigo olhar para a década em causa no contexto da minha vida e chego à mesma conclusão que me assolava na altura, enquanto via cruzarem-se comigo as aves raras com cabelo à último dos moicanos ou franjinhas à duran-duran: nasci com uma década de atraso relativamente aos meus referenciais estéticos, criativos e mesmo sociais.

Os anos 80, que os estilistas, jornalistas da treta, industriais ligados à produção de adornos e outros fabricantes de estereótipos tentam agora pintar como “a mais criativa” das décadas que nos habituámos a rotular, passaram por mim como uma maluqueira new wave que fazia parecerem meninos de coro os guedelhudos alucinados que me serviam de inspiração na altura e, ainda hoje, continuam a funcionar como arquétipo de um (meu) mundo perfeito onde a guerra é incompreensível, o amor está sempre disponível e as drogas leves são uma opção legal e até estimulada para a malta não viver careta as agruras deste planeta envenenado pela sua desmedida ambição pecuniária e consequente evolução para uma ganância sem freios à escala global.

Um dos mais evidentes caminhos que o mundo entendeu percorrer (e eu situo essa viragem precisamente no hiato que engloba os careless eighties) foi o da estupidificação normalmente traduzida pelas aberrações em massa que tanto jeito dão na sua vaidade distraída a quem gosta de mandar sem contestação ideológica.
Os anos 80, que vivi na maioria mergulhado nos esquemas “políticos” da consolidação das Associações de Estudantes ou a vergar a mola, deram-me a conhecer as primeiras listas X ou Y que em vez de ideologias pregavam formas de estar na vida, visuais e coisas assim. Estavam-se nas tintas para a cena partidária e queriam era o poder de organizarem as festas liceais onde um gajo dava uns melos e curtia com umas gajas boazonas trajadas com as mais espaventosas indumentárias.

Mas eu era um deslocado, definitivamente amarrado aos ícones psicadélicos em agonia enquanto modelos a seguir. Cedi apenas uma vez, num cabeleireiro, a uma profissional que insistiu em cortar-me o cabelo à Simon Le Bon e só me aguentei naqueles propósitos durante 24 horas e depois fui cortar a trunfa a um barbeiro da escola clássica. Ainda assim, coloquei desde sempre a tesoura da tosquia ao nível da broca do dentista e só muito chagado pelos cotas me predispunha a permitir aparar as pontas, como hoje acontece, precisamente pelo efeito marcante dos rostos de um David Gilmour, de um Jim Morrison, de um David Coverdale ou de um Rick Wakeman no meu imaginário adolescente.

Nos anos 80 quase ninguém ouvia a mesma música que eu. Fechava-me em mim próprio a deliciar-me com os Pink Floyd, os Genesis, os Supertramp, o Bob Marley, os nomes sonantes do FM americano e só tolerava a tal de new wave e a punkalhada e outras correntes da época quando trocava, heresia, o Dois, o Rock Rendez Vous ou o Tóquio pelas matinés de música pirosa nas discotecas onde paravam as gajas todas que interessavam na altura (as mais débeis na estrutura psicológica e, logicamente, mais acessíveis do ponto de vista meta no físico).
Às catedrais do rock a malta ia com as amigas, as mulheres a sério, que não aderiam a modas precisamente por cultivarem nas ideias a diferença de atitude que as outras berravam com as farpelas extravagantes que davam uma trabalheira a retirar das moças.

Por isso não me entusiasma a ideia de ver regressado esse período criativo, sem dúvida, mas demasiado marcado para gajos como eu pelo estou-me-a-cagar-nesta-treta-toda-quero-é-curtir-o-meu-visual-futurista que a tal década rendeu.
Sou mais da onda flower power, aqui e além rasgada por uma valente rockalhada para abanar a carola em dias de maior agitação interior.

E sem espaço na discografia para mais artistas repescados de tempos que tiveram a sua piada mas jamais me poderão entusiasmar na sua clonagem anacrónica.

Publicado por sharkinho às 12:12 AM | Comentários (4)

dezembro 02, 2007

MÚSICA NA CASA DE ALTERNE

Nunca atinei com o xpto dos bastidores do charco. Mas o Blogger agora parece feito "for dummies" e até eu consigo lá meter umas cenas.
E consegui incluir uma "jukebox" do tubarão na Casa de Alterne, uma selecção das coisas que vou ouvindo de entre a escolha limitada que o Deezer oferece.

É mais uma peça do puzzle para quem gosta de me analisar dessa forma. Na música que ouço encontra-se muito mais daquilo que sou do que possam julgar.

Espero que gostem da banda sonora para as fotos que lá coloco e que a minha selecção musical ajude quem queira a perceber um nadinha mais a minha mona chanfrada e o que a influenciou para lá do património genético que me faz.

Publicado por sharkinho às 04:08 PM | Comentários (15)

dezembro 01, 2007

DEMASIADAS PALAVRAS

Por usar.

Publicado por sharkinho às 12:22 AM | Comentários (5)

novembro 24, 2007

AINDA HÁ ZONAS DE PENUMBRA

No beco onde encurralo as sombras dos medos para as atormentar com intensos banhos de luz.

Publicado por sharkinho às 07:00 PM | Comentários (0)

FAT ASS

Às vezes tenho saudades dos dias em que me baldava às aulas para ir estoirar o dinheiro do almoço em jogos de matrecos.

Publicado por sharkinho às 12:28 PM | Comentários (6)

novembro 22, 2007

FICA ENTRE NÓS

Tenho uma relação complicada com os segredos. Sempre que me vejo envolvido num acabo por concluir que algures no seu efeito podem camuflar potenciais mentiras ou, no mínimo, escorregadias omissões.
Claro que o segredo possui muitas variantes e consigo por exemplo destacar o segredo que alguém nos confia (e que urge preservar) ou o que deriva da certeza de que à sua revelação corresponderia uma perda desmesuradamente superior para alguém.

Nem sempre é fácil distinguir essa fronteira entre o segredo “limpo”, eticamente defensável, e a sua versão oposta, quase sempre reprovável por via das suas motivações ou consequências.
Uma omissão é como um calhau assente no meio de um caminho percorrido às escuras, é um convite ao tropeção por parte de quem o percorra. Alguns segredos possuem como único propósito acentuar essa escuridão.

Eu prefiro abraçar a simplicidade das coisas e acreditar que as eventuais perdas que resultem da revelação de um segredo são compensadas pelo alívio que a mesma pressupõe e pelos benefícios que daí resultam quando o partilhamos com alguém que o mereça ou não se deixe influenciar negativamente pelo seu teor. Alguém com a sensibilidade e a inteligência necessárias para concentrar a sua atenção no acto e não no facto.
Alguém que acredite na verdade como única opção.

Por isso mantenho alguns segredos para com quem apenas me lê, assuntos que reservo para (parte de) quem me ouve ou vê (sinal de que o grau de confiança aumenta e, logicamente, a transparência acompanha a tendência). Não porque receie as implicações mas porque desatino com os rótulos fáceis que resultam de uma atitude, regra geral, muito superficial e leviana na avaliação das pessoas nesta plataforma de comunicação.
Os segredos que mantenho não alteram em nada a realidade do homem que sou mas permitem-me filtrar as pessoas a quem concedo a minha confiança.
De cada vez que partilho um segredo com alguém esse pressuposto confirma-se ou desmente-se por inerência, na atitude e/ou na discrição da pessoa visada.

Por regra, permito-me revelar todos os aspectos da minha vida com os pés assentes na convicção de que nada tenho de escabroso para esconder. E tenho alguma dificuldade em entender, embora a aceite sem problemas, a propensão generalizada para o secretismo que me soa desnecessário (e quantas vezes nefasto) na maioria das suas aplicações.
Porque gera falsas expectativas, porque induz em erro, porque priva quem esconde da liberdade de ser e quem desconhece da liberdade de escolher.

Por isso prefiro quase sempre, mesmo arriscando abdicar de alguns benefícios temporários (a verdade vem sempre à tona) e inquinados pelo segredo de conveniência, optar pela sinceridade ainda que ingénua ou mesmo incómoda.
Não se trata de falso moralismo mas da mais simples lógica.

E quando estão em causa pessoas importantes para mim, especiais, a questão nem se coloca.

Publicado por sharkinho às 09:20 PM | Comentários (9)

novembro 19, 2007

LOVE BUG

You're a real romantic and a bit of a dreamer.
For you, love is about devotion and tenderness.
You try to show your feelings every day.
Your heart is right there on your sleeve.
When you think of freedom you think of beeing in charge of your direction.

The open road and a full tank can take you pretty much anywhere.

Não sou eu quem o afirma, é esta cena.
Aqueles (sobretudo aquelas) de entre vocês que me conhecem por esta ou outra via, será que concordam com o perfil?

Publicado por sharkinho às 06:38 PM | Comentários (14)

ONDE É QUE ACABA O ALTRUÍSMO...

...E começa a figura de urso?

Publicado por sharkinho às 04:41 PM | Comentários (2)

NÃO ME METAM EM PEDESTAIS

O meu equilíbrio é instável e tenho medo das alturas.

Publicado por sharkinho às 04:39 PM | Comentários (0)

novembro 17, 2007

AO LONGO DAS ÚLTIMAS 24 HORAS

Descobri mais do que pretendia.
E ensinaram-me algo que preferia ter podido encaixar no vasto domínio da minha ignorância.

Publicado por sharkinho às 06:23 PM

CADA VEZ DISTINGO MELHOR

A profundidade dos contornos do meu erro.

Publicado por sharkinho às 06:14 PM | Comentários (2)

novembro 13, 2007

GOSTAVA DE SABER FAZER

Um blogue muito melhor do que o meu.
Mas ainda ninguém se mostrou disponível para me orientar nessa tarefa.

E eu, tá visto, não me revelo capaz de o conseguir sozinho.

Publicado por sharkinho às 11:00 PM | Comentários (4)

HÁ PESSOAS, POUCAS

Que por muito que tentem ou me pintem nesse tom nunca vão conseguir transformar-me em seu inimigo ou coisa assim.

Publicado por sharkinho às 08:26 PM | Comentários (2)

GOSTAVA MESMO MUITO

De ter mão em mim próprio e conseguir poupar-vos a secas como a da posta anterior.
Mas é mais forte do que eu e só me resta apelar à vossa paciência.
Até porque já me provei capaz de fazer melhor para vos justificar a visita.
É este meu feitio de merda que alguns dos que me lêem já tiveram ocasião de constatar...

Mas olhem, é mesmo só de vez em quando e cada vez existem menos ocasiões propícias para a sua repetição.

E agora vamos passar a emissão para os nossos estúdios do Monte da Virgem (gosto de montes).

Publicado por sharkinho às 05:30 PM | Comentários (2)

novembro 11, 2007

O REMINISCENTE

Quando era um puto daqueles que ainda justificam o estatuto, pequenos, faziam-me confusão os meninos (e as meninas) capazes de armarem o maior putedo por causa de um brinquedo que até passava o tempo a um canto ao pó (que sacudiam de vez em quando com uma sapatada).
Contudo, bastava adivinharem sequer o interesse das outras meninas (e dos outros meninos) numa das suas posses para logo se virarem do avesso e exibirem a hostilidade senhorial.

Outra reacção que muito me intrigava era a que se verificava quando os meninos (e as meninas) perdiam ou estragavam os tais brinquedos inúteis do canto para os quais nem olhavam sequer até ao dia de alguém os cobiçar.
A partir daí passavam a desdenhar as outras meninas (ou outros meninos) quando lhes viam (ou imaginavam) nas mãos brinquedos semelhantes ou iguais aos que agora já não podiam exibir no SEU canto de troféus ao abandono.
Não era de "ciúme" mas de simples inveja que se tratava, instintiva e irreprimível.

Hoje cresci. Mas continua a existir muito do puto em mim.

E nos outros também.

Publicado por sharkinho às 11:42 AM | Comentários (4)

novembro 10, 2007

PARECE QUE SOU

auto retrato.jpg
Imagem: Shark


Porque é que o que valemos e o que parecemos tantas vezes se confundem e não raramente se anulam entre si?
Ou seja, no mundo real (aquele onde os princípios alegadamente garantem a correcta hierarquização do que verdadeiramente interessa numa pessoa) o pressuposto de que aquilo que valemos assume preponderância sobre a aparência, essa utopia, mais uma, revela-se desajustada da verdade dos factos que as relações entre as pessoas reflectem.
E isso transmite uma noção de futilidade generalizada que esmaga quem vale algo decente perante quem melhor parece ou se pavoneia, banaliza-nos na cedência ao lado mais fácil (que melhor serve os medíocres) do parecer em detrimento do ser alguma coisa de jeito.

Entendam que escrevo isto com a plena consciência de que não prevaleço no parecer como é óbvio que o que sou não basta à maioria. Falo do mundo que me rodeia e não daquele que melhor serviria os meus interesses ou opções, sem outra motivação que não a de tentar entender esta tendência clara para o privilégio da fachada que me parece desequilibrada nas proporções.
E isso nota-se bastante, mesmo no discurso corrente de pessoas que se tomam por inteligentes e capazes de definirem e respeitarem uma escala de valores e depois se assumem atentas a pormenores como as unhas roídas das mãos ou o tipo de roupa interior que alguém usa.

O que somos, aquilo que deveria pela lógica definir o nosso valor aos olhos dos outros, só se impõe se soubermos parecer bonitos, correctos, vencedores, alinhados, sem arriscar o erro por insistirmos na cobardia pachola do óbvio e do banal. Tão próximos quanto possível da perfeição abstracta que acaba por ser exigida por quem nos avalia com um pé já pousado na fuga por rejeição ao pormenor.
Sucumbimos, alguns, a essa pressão. Incapazes de acompanhar a pedalada do nível de exigência que nos obriga a dissimular cada fraqueza, a maquilhar cada tristeza para irradiarmos um tipo de confiança estranho porque sustentado por indicadores hipócritas e que pouco ou nada de útil nos trazem na selecção de quem nos acompanha ao longo da existência.

E são estes os ingredientes mais comuns da receita infalível com que cozinhamos aos poucos um mundo individualista e condenado à mais cruel solidão.

A que se sente, disparatada, de repente, em pleno ponto de convergência de uma qualquer multidão.

Publicado por sharkinho às 05:59 PM | Comentários (8)

novembro 07, 2007

FÁCIL DE EXPLICAR

Ela é uma mulher muito interessante e eu sou um homem muito interessado.

Publicado por sharkinho às 05:48 PM | Comentários (2)

novembro 06, 2007

JÁ ESTOU NO HI5...

...Mas ainda não faço ideia de qual a vantagem da coisa, nem percebo o respectivo esquema de funcionamento.
Porém, aquela cena inicial de "descobrirmos amigos" a partir dos endereços guardados no nosso email já me permitiu encontrar surpresas e obter curiosas confirmações...

Publicado por sharkinho às 12:51 PM | Comentários (6)

novembro 05, 2007

A POSTA DE PAI

A janela de oportunidade surgiu por mero acaso, à entrada de um centro comercial.
Percebi que ela havia topado de relance a pedinte cega no lado esquerdo da porta e adivinhei que iria concentrar a sua atenção numa armadilha consumista do lado oposto, uma máquina de brindes farsolas das que servem para pretexto de birras das princesinhas de classe média estragadas com mimos e necessariamente caprichosas.

Deixei-a namorar os objectos de caca no interior das esferas transparentes de plástico chinês, conhecendo-lhe a irresistível atracção por aquele tipo de "kinder surpresa" onde a surpresa costuma consistir na desilusão de nunca sair aquilo que se deseja.

Depois saquei da moeda necessária, que afirmei ser a única que possuía, e coloquei-lhe a questão em termos claros. Tens aqui a máquina dos brindes e tens ali uma senhora que precisa da ajuda dos outros para viver com um mínimo de condições. Agora tens que fazer uma escolha.

Desviei-me alguns metros e fiquei a aguardar uma reacção.

Foi quase imediata. Em passo acelerado, dirigiu-se à opção mais correcta e depois veio ter comigo, sorriso nos lábios.
Passámos pela máquina dos brindes da treta e ela nem tocou no assunto, tal como não voltaria a referi-lo quando me viu receber várias moedas no troco do pequeno-almoço que partilhámos num café e ao longo do qual me senti o pai mais orgulhoso do mundo e ganhei ainda mais confiança na solidez e bonomia do seu carácter e na minha capacidade para ajudá-la a ser a pessoa de bem que a desejaria e que ela insiste em provar-se nas mais variadas circunstâncias.

Pode ser imensa a felicidade que se obtém a partir das coisas mais simples de uma vida.

Publicado por sharkinho às 10:00 AM | Comentários (8)

TENHO SAUDADES

De escalar montes ou subir serras só pela pica de poder assistir a um nascer do sol especial.

Publicado por sharkinho às 09:23 AM | Comentários (6)

novembro 01, 2007

NOS RITUAIS NÃO ALINHO

vivam as flores.JPG
Foto: Shark

Hoje é dia de gastar umas coroas em flores para mostrar aos defuntos e aos vizinhos que não nos esquecemos de quem já partiu. Mas esse não é o meu filme. Gosto de flores mas se estivesse morto preferiria assistir do céu (era a primeira bola a sair do saco, eu sei que vou apanhar o elevador que desce...) a um dia feliz para os que entretanto cá ficam.
Ou seja, gosto de entender este dia como um excelente pretexto para me aproximar dos vivos sem que os mortos passem à condição de esquecidos na opção de dispensar o meu contributo para um dia feliz para as floristas deste país tão tradicional nas coisas pacóvias.

E por isso vou fazer-me ao caminho e reunir-me ao clã apenas na fase pós-cemitério e partilhar as conversas acerca dos mortos quando eram tão vivos como gosto de os lembrar, mais uns petiscos e uns copitos que tanto ajudam a avivar memórias e a ressuscitar sorrisos que o tempo deixou de nos oferecer de forma física.

Vou recordar alguns que já não posso abraçar, sem dúvida.
Mas vou acima de tudo sentir o calor daqueles em cujo olhar colho todos os ramos de flores necessários para ornamentar as campas e os jazigos que me servem apenas de ponto de referência para a imagem que a saudade acarinha.

E nessa, os meus mortos são felizes e neste dia reunem-se em família para nos observarem confortavelmente instalados nos seus maravilhosos jardins celestiais.

Publicado por sharkinho às 10:53 AM | Comentários (8)

outubro 30, 2007

HÁ DIAS EM QUE SEJA AQUI SEJA "LÁ FORA"...

...Só tenho coisas que me apoquentem, fónix!

Publicado por sharkinho às 05:51 PM | Comentários (5)

outubro 24, 2007

HÁ PRECISAMENTE OITO ANOS

Aconteceu o meu dia mais feliz.

Publicado por sharkinho às 09:08 AM | Comentários (14)

outubro 18, 2007

A POSTA SUNRISE

sunrise.jpg
Foto: Shark

Na única vez em que dei comigo a tentar perceber o que aquelas proeminências peitorais teriam de tão especial para exercerem tamanho fascínio e um apelo tão poderoso ao meu olhar tive duas reacções quase imediatas. A primeira foi pensar com os meus botões que se questionava um facto desses é porque estava prestes a pegar de marcha-atrás. A segunda serviu apenas para desmentir a primeira.

Os entendidos, que os há em todos os domínios do conhecimento e para satisfação de toda a curiosidade humana, afirmam que uma das explicações plausíveis é o desmamar precoce de uma criança. Um trauma para a vida que transforma cada peito mais saliente num comando à distância dos nossos globos oculares, coisa do foro psicológico ou outro pretexto qualquer para um gajo evitar uma potencial lambada da pessoa sob intensa e bem focada observação.
Outros atribuem esse fenómeno a instintos ancestrais, coisa de mamíferos muito recuados na escala evolutiva que transmitiram de geração em geração a importância de saber mamar para poder singrar numa vida na selva (urbana, também).

Quem não chora não mama e eu confesso que, nessa perspectiva, ando sempre de lágrima no canto do olho. Anos decorridos sobre esse momento singular de reflexão acerca da irresistível atracção que agora assumo como inexplicável também, continuo sem respostas mas permanece intacta a minha vontade de investigar o tema (ainda que sob processos isentos de dúvida metódica, ou seja: não há dúvidas mas vale sempre a pena aplicar os métodos).

De facto (e dá sempre um impacto do caraças começar um parágrafo assim), existem partes do todo que nos compõe que nem vale a pena interrogar. Como o amor, esse insondável mistério (basta envolver gajas), ou o tal deslumbramento por uma parte específica da anatomia feminina.
Pouco nos interessa como e porque nasce o sol quando nos sentamos na falésia a apreciar a despedida da noite, encantados pela explosão de cores no céu.

E por isso abdico de uma explicação para uma tendência que, por isto ou por aquilo, parece nascer com a pessoa e algum propósito servirá ou simplesmente não existiria.
Apenas me esforço por evitar as “bandeiras”, apurando a visão periférica em cada uma das várias auroras que um dia vivido num país tão cheio de sol me proporciona.

Publicado por sharkinho às 11:27 AM | Comentários (8)

outubro 12, 2007

SABES, GOSTAVA MUITO

Que um dia a minha filha pudesse falar do dela como tu falas do teu.

Publicado por sharkinho às 10:56 PM | Comentários (4)

outubro 09, 2007

HOJE É UM DAQUELES DIAS

Em que o rigoroso anonimato que mantenho noutros espaços se revela mais útil. Determinados desabafos que assim se perdem na bagunça de palavras e de imagens da pequena Babilónia virtual em que a blogosfera se tornou poderiam converter-se, como tem acontecido com frequência, em alegadas armas de arremesso minhas e alimentariam os "canhões" de quem aguarda com ansiedade, por esta ou aquela razão, a exposição das minhas fra(n)quezas desbocadas.

Ou seja, poupo-me dessa forma a julgamentos sumários sem apelo e ao constante agravamento da pena que se revela neste meio com maior evidência do que em qualquer outro onde me dou a conhecer.

Um gajo aos poucos vai aprendendo como se faz...

Publicado por sharkinho às 06:34 PM

outubro 08, 2007

DESCONHEÇO

O gajo que escreve por mim noutros blogues.

Publicado por sharkinho às 07:54 PM

outubro 02, 2007

POR OUTRO LADO...

...Quando não estou engripado e consigo reunir alguma da minha escassa lucidez vejo as coisas como elas são e quero que se flixe. Atchim.

E já provoquei o abate de mais uma árvore com a quantidade de lenços de papel que hoje consumi.
É uma trivialidade, bem o sei. Mas ninguém me ouviu prometer que seria um daqueles blogueiros inteligentes e cheios de profundidade na sua postagem.
Sou um gajo do povo.

Com uma gripe endiabrada.

Publicado por sharkinho às 06:33 PM | Comentários (9)

setembro 25, 2007

UM BLOGUE TAMBÉM SERVE PARA ISTO

A mais importante esteve todo o dia sem sistema informático, paralisada naquilo que me serviria para dar sequência ao que interessava resolver. Outra criou-me um engulho administrativo impensável a partir de um esquema de funcionamento arcaico. E ainda sobram as empresas que não estando directamente ligadas ao que faço acabam por boicotar boa parte do meu dia, a que desperdiço na tentativa inglória de fazer perceber a malta que isto não é o Ruanda, essa é a boa notícia, mas sim um país da Europa Comunitária, esta é a má notícia, o que implica que o nível de exigência do pagode aumenta de forma compreensível e não se compreende tanto desmazelo na nossa realidade empresarial.

Preguei aos outros peixes, voltei a meter diversos assuntos no monte dos pendentes e deixei esgotar o tempo de trabalho em exercícios de respiração para não mandar alguém para onde não vos digo agora.

Dá vontade de abardinar quando se enfrentam dias assim.

Publicado por sharkinho às 06:30 PM | Comentários (4) | TrackBack

setembro 24, 2007

SINE DIE

Estou quase, quase pronto para entregar a minha declaração de IRS relativa aos rendimentos do ano passado.
Exactamente como estava há dois meses atrás...

Publicado por sharkinho às 05:51 PM | Comentários (0)

NOTA CURTA

Consigo entender (e até apreciar) o sexo sem amor e a entrega ou a partilha desapaixonada.
Mas não funciono de todo quando constato a evidente ausência de uma qualquer emoção, ainda que controlada.

Publicado por sharkinho às 05:48 PM | Comentários (2)

setembro 23, 2007

DE UMA RELEVÂNCIA CAPITAL

O sol encoberto por uma nuvem de pombos assustados pelo grito de um pregão. A luz reflectida no branco sempre mais branco que o das vizinhas no lençol desfraldado num minúsculo e ferrugento estendal. Os pescadores amadores à beira do rio, olhares distraídos numa regata de veleiros que recorta no horizonte a outra margem no extremo da ponte com nome de revolução.

A cidade desnivelada, pelas colinas espalhada em misturas de estilos que o tempo esculpiu em betão. Mulheres à janela em busca de uma alternativa à novela nas vidas dos que as vivem do outro lado da rua, tão perto, à mercê da indiscrição de paredes com ouvidos e de pessoas curiosas com olhares de falcão.
E os maridos reunidos, todos eles bem bebidos, na esquina de um edifício ou à porta de uma taberna ou de um café.

Crianças que brincam num jardim e eu a lembrar-me de mim tão pequeno como eles na minha infância alfacinha, na existência que caminha sempre depressa para os dias nostálgicos de quem busca no que passou a força para aquilo que lhe resta viver.
E eu a lembrar-me da promessa de nunca aceitar qualquer passado a assombrar o futuro que desejasse diferente neste momento presente que me compete moldar à medida dos meus sonhos de então.

O fim de uma tarde de Verão neste Outono que começa.

E eu a cumprir a promessa, cada vez mais distante da influência nefasta que um passado arrasta quando lhe concedemos demasiada atenção no instante em que preparamos o melhor caminho a percorrer amanhã, se tal existir, ou mesmo depois, se a vida o permitir, sem tempo para gastar com memórias que só empatam a criação das novas histórias que o tempo igualmente cuidará de arquivar num canto do baú.

A luz inconfundível desta Lisboa que às vezes me atordoa com uma ou outra imagem impossível de repetir. Mas que me obriga a decidir, iluminado pelas decisões do meu passado, que este é o melhor momento da vida (porque está a acontecer) e tudo aquilo que fizer faço-o agora e não num tempo irrepetível ou num outro, imprevisível, com o qual não posso alimentar mais do que ambições que podem tornar-se ilusões quando não concretizadas em consonância com as expectativas criadas sempre cedo demais.

O tempo da mudança de folha no caderno como nas árvores deste Outono que hoje não esteve presente na Lisboa que se ofereceu luminosa e se revelou igualmente generosa na inspiração daquilo que a razão às vezes não faculta mas o instinto, pela surra, nos diz.

E o meu insiste, quase me empurra, para as pessoas e os locais que me fazem sentir sem reservas (pela luz que nos afasta das trevas) um lisboeta que se acredita mesmo muito capaz de ser feliz.

Publicado por sharkinho às 09:56 PM | Comentários (2)

TENDÊNCIAS (3)

São cada vez mais as pessoas que só sabem de mim aquilo que lêem ou julgam perceber a partir do que sou neste blogue.

E basta-lhes.

Mas a mim não.

Publicado por sharkinho às 01:15 PM

setembro 13, 2007

FINALMENTE DEI-LHE A VOLTA

sharkarate.jpg

Depois de quase um ano consegui convencer a minha teimosa herdeira a deixar a natação e a juntar-se ao cota numa actividade que sei lhe disciplinará a impulsividade e, em simultâneo, me garante que quando crescer só lhe tocará quem ela quiser.

Sou um pai feliz.

Publicado por sharkinho às 06:26 PM | Comentários (4)

FILHA DE PEIXE

É muito raro tê-la comigo durante o horário de expediente, mas a escola ainda não começou e por isso tive a oportunidade de pela primeira vez ver um cliente a brincar, bastante divertido, com aviões de papel no meio do meu escritório.

Onde ela abanca, algo de diferente tem que acontecer (nem que seja só para agitar as águas)...

Publicado por sharkinho às 12:40 PM | Comentários (5)

setembro 12, 2007

A POSTA VOLUMÉTRICO-PARADOXAL

Quanto mais oco me sinto, mais cedo à tentação irresistível de procurar com afinco quem possua algum tipo de vazio que eu consiga preencher.

Publicado por sharkinho às 02:59 PM | Comentários (10)

setembro 07, 2007

AS VOLTAS TROCADAS

Lia-se a cumplicidade no olhar de ambos até há poucos anos. Soavam indestrutíveis como casal, amigos de longa data e cônjuges daqueles que irradiam solidez.
Soavam indestrutíveis como pessoas também.

E algo terá corrido mesmo muito mal nos últimos tempos, ao longo dos quais ele enveredou por uma verdadeira revolução profissional, muito arriscada e perfeitamente dispensável nesta fase das suas vidas.
Encurralada num qualquer daqueles becos sem saída em que a vida e a nossa mente são férteis, ela optou pela solução mais radical e com o requinte de uma dor física inimaginável.
Destruiu-se por dentro mas nem assim conseguiu largar de vez a existência que alguma partida muito traiçoeira lhe pregou para a enlouquecer dessa forma.

Os estragos foram tantos e tão irreversíveis que quem a conheceu no seu melhor quase deseja que aquela mulher enérgica e ainda quarentona não volte a despertar do coma profundo que a poupa a um inferno garantido.
Ainda pior do que aquele que a terá convencido a partir tão cheia de pressa.

E de forma tão cruelmente determinada que nem o amor de mãe logrou uma milagrosa dissuasão de última hora.

É dela o rosto que mais tem preenchido estes meus dias.
E o dele também.

Publicado por sharkinho às 09:14 PM

setembro 04, 2007

PELO SIM, PELO NÃO...

Reparei por mero acaso na montra de uma loja em Moscavide que exibe um cartaz muito “in” que afirma, peremptório, que está na hora de depilar. Mas ostenta a foto de um rapazola bem musculado e com menos pelos à vista do que quando veio ao mundo.
Já não é uma moda, é uma forma de estar na vida.
Cada vez mais híbridos, os homens portugueses abraçaram com entusiasmo uma série de rituais que antes constituíam um monopólio delas.
E o que mais me mete aflição é precisamente este, o da depilação.

Depilação é uma palavra que qualquer homem deveria sentir hostil por instinto. É que a pessoa depila-se (ou é depilada) e essa expressão não acarreta uma evocação feliz para quem tem uma.
Claro que este é o menos sólido dos argumentos de machão prepotente que caracterizam a minha mentalidade retrógrada, conservadora e, nalguns aspectos, completamente às avessas do que o povo mostra gostar.
E podia reduzir a coisa a uma paródia com estas mariquices, mas a onda da depilação associa-se a outros momentos de culto da casca (manicura, cabeleireiro, solário e por aí fora) que, no meu fraco entender de labrego jurássico, estão a efeminar a rapaziada.

Quem ler esta posta já possui nesta altura material suficiente para me rotular com uma qualquer designação equiparável à que soltamos perante um Datsun 1200 dos anos 70 (não na óptica do clássico mas na perspectiva do chasso daqueles que nem vale a pena levar à inspecção periódica).
Mas eu arrisco e ainda vou mais além na manifestação dos meus pudores contra o escanhoar da minha penugem. Nem a do queixo rapo por completo, aliás.

Um gajo que abdica de forma voluntária de elementos naturais que lhe evidenciam a combinação de cromossomas, nomeadamente os pelos que a Natureza entendeu incluir no pacote de quem fala mais grosso e urina de pé, já percorreu uma parte do caminho para chegar o dia em que decide eliminar mesmo tudo quanto sente a mais.
É que fica mesmo mal, uma pila, logo ali abaixo de um umbiguinho bem cuidado pelas mãozinhas das mamãs, um coiso tão feio e, na prática, quase inútil no pouco tempo que sobra entre o arranjo das unhas e a depilação a laser dos sovacos ou das canelas.

A ideia é ficarem mais bonitos, presumo, e mais apelativos às moças, correcto? E eu pergunto-me se as raparigas (não estou a falar de adolescentes) estão mesmo interessadas na versão andrógina que tem medo que lhe toquem senão desafina…
Tudo indica que sim, a avaliar pelo entusiasmo com que os meus homólogos desbastam esses resíduos pré-históricos, ancestrais, que desfeiam os meninos aos olhos de quem anda a par dos estereótipos da moda.
Tudo indica que não, a avaliar pelo tédio estampado no rosto das lindas mulheres que este país produz como um viveiro quando as vejo em grupos que incluam as versões mais radicais do conceito de metrossexual, os peladinhos com bronzeados de lâmpada que me fazem lembrar, assim de repente, versões mais produzidas dos ET tal como é mais comum descrevê-los.

Eu sou muito homem, como o tom do discurso acima atesta e as mulheres da minha vida sempre cuidaram de louvar, mas até me esforço para disfarçar os tiques de macho (coçar as partes e coisas assim) tentando não chocar as novas gerações de fêmeas que a propaganda dá a entender que nos preferem menos másculos e menos… diferentes delas.
Contudo, cenas como esta da depilação e da manicura e de outros retoques na fuselagem mexem com o bárbaro em mim, trazem à tona o pior de que sou capaz no que respeita à diferenciação dos géneros.

Gosto dos meus pelos. E esse apreço não possui critérios estéticos (se calhar até podia, para algumas apreciadoras) mas sim aquele conforto que qualquer gajo que é gajo sente quando olha para o espelho e se vê tão masculino, tão distinto do oposto que o atrai e que, por norma, não possui esses indicadores visuais que complementam o tal pormenor da pila que raramente se mostra e por isso tem que ser pelo resto que um gajo salienta.
E mantenho as unhas asseadas e com um tamanho razoável (para homem, claro), o que considero suficiente para não chocar as finíssimas observadoras que se concentram nas extremidades dos dedos que alguns bacanos entregam ao cuidado de profissionais.

Vejo-me assim limitado às mulheres que apreciam homens com aspecto de homens, cuidados, elegantes, com classe, mas não como se os seus corpinhos danone merecessem um tratamento digno da melhor joalharia.
Serão poucas, talvez, mas ainda não lhes senti a falta. E mesmo que fossem nenhumas não me dispunha a aceder a estas mariquices (sim, repito) que me descaracterizariam, em prol de constituir um consolo para a vista que desdenho em função de outras consolações que o instinto e a educação tradicional me recomendaram.

E não levo a mal se os gajos que embarcam nestas piroseiras vierem aqui insultar-me pelo que afirmo.

Até é um favor que me fazem.

Publicado por sharkinho às 09:58 PM | Comentários (3)

agosto 31, 2007

DO NOT DISTURB

Cada um de nós possui pelo menos um episódio, uma emoção ou outro aspecto qualquer que nos embaraça perante os outros ou apenas perante nós próprios (por violar de alguma forma a nossa escala interna de valores ou o grau de exigência que nos impomos, de forma leviana e arrogante, em determinadas matérias).
No entanto, isso não nos impede de nos revelarmos (sim, arrisco a generalização) inflexíveis, intolerantes ou mesmo hostis quando os outros nos desiludem de alguma forma.

É tudo a ajudar ao desastre, inclusivamente a relativa superficialidade das relações que mantemos a medo por temermos precisamente as manifestações dessas fraquezas que a todos caracterizam. Isso mais a falta de sinceridade implícita na fuga à exposição demasiada que, quando estão em causa os aspectos que tomam(os) por negativos, é sempre garantida.

Vistas as coisas sob este prisma trata-se de uma realidade cruel. Um pouco como sermos todos deficientes motores e não perdermos uma oportunidade de achincalhar quem possua uma cadeira de rodas ou não consiga dar um passo sem enfrentar um tropeção.
Um pouco como a crueldade espontânea das crianças, incapazes de discernirem o impacto das suas atoardas nas outras a quem descobrem ou inventam um calcanhar de Aquiles qualquer.

Cada um de nós possui um mecanismo de reacção a esse binómio vítima/carrasco que enfrentamos ao longo da vida porque a vida parece ter sido desenhada mesmo assim. Ou seja, possuímos diferentes motivações (ou nenhuma que não a palermice instantânea) para agredirmos os outros explorando as suas debilidades apanhadas em flagrante, como estamos dotados de diferentes poderes de encaixe quando nos vemos apanhados no lado mais perturbador desta equação.

E sentimos como uma injustiça, esse apontar do dedo a que ninguém parece poupar-nos. E não tenho dúvidas que a essa insistência corresponde um imediato apelo de retribuição, de “legítima defesa” vingativa que afinal não passa de uma forma instintiva de equilibrarmos a parada (que boa parte das vezes só se desequilibra de forma artificial, precisamente porque não existem santos e todos temos consciência, mesmo quando o negamos, das nossas imperfeições).
E sei, por ser demasiado evidente, que boa parte da infelicidade crónica que parece ensombrar o quotidiano da maioria de nós deriva precisamente do conflito desnecessário, da quezília gratuita, do desabafo que no fundo reflecte uma forma de dor que se instala quando nos vemos arrastados para essa troca de piropos imbecil.

Não há cobardes como não existem heróis no que diz respeito à inevitável violação de muitos preceitos ancestrais que nos castram, de muitas imposições que nos contrariam e de um ror de pressupostos quem em nada reflectem a verdadeira natureza da nossa frágil e, em muitos aspectos, estapafúrdia condição.
Coisas que afinal em nada contribuem para algum de nós poder dar-se ao luxo de ser feliz sem evitar o cunho de excêntrico, maluco ou marginal. No mínimo somos tidos como inadaptados a essas regras de conduta falsas moralistas que nos traem quando impõe algo que não devíamos ser forçados pela vida (pelos outros) a engolir.

Há dias em que oscilo entre a vontade de chocar (de acordar, soa melhor) as pessoas com o excesso de zelo na minha rebeldia perante algumas convenções ou, em alternativa, a necessidade de gritar ou demonstrar a falta de pachorra de aturar o (que às vezes parece o) mundo inteiro na sua flagrante estupidez colectiva que, reconheça ou não, me inclui na sua exibição diária.
Precisamente pelo mesmo motivo que imputo aos outros o desconforto que me provocam com as suas denúncias da minha imperfeição e acabo cedo ou tarde no mesmo lado dessa vala onde vamos entrincheirando a simplicidade, a espontaneidade, a liberdade pura que deveria imperar em cada (raro) impulso nosso para a interacção.

Há cada vez menos dias em que anseio pelo toque de uma campainha, de um telemóvel ou qualquer outro sinal da existência dos outros e da minha presença nas suas intenções de partilha.

E há cada vez mais dias em que apenas me apetece fazer de conta que não estou.

Publicado por sharkinho às 12:16 PM | Comentários (2)

agosto 26, 2007

HOMENS COM PILAS GRANDES

Esta é sem dúvida uma das expressões dos motores de busca que mais trazem a este charco visitantes ao engano.

O meu número nos Control é o XL mas em centímetros apenas ultrapasso numa unidade o que dizem ser a média nacional.
Em que posso ser-vos útil então?

Publicado por sharkinho às 04:38 PM

agosto 25, 2007

VERSÃO SIMPLIFICADA

Ela hoje acordou virada do avesso. E eu calculei que o dia não seria fácil.
Tudo servia de pretexto para desatinar e eu tentava em vão dar a volta ao péssimo humor que, aliás, é um estado de espírito com o qual me habituei a lidar.

Num crescendo de hostilidade, ela foi-me dando “sapatadas” que eu retribuía com carinho e paciência, com toda a persistência que sempre justificam as poucas pessoas que valem a pena numa vida inteira.
E ela nada. Insistia em fazer-me a vida negra enquanto alvo privilegiado do seu mau feitio que reconheci sem dificuldade alguma.

Claro, acabou por ir longe demais. E eu tenho limites para a condescendência. Passei-me, da forma mais controlada de que fui capaz. Afastei-me, procurei refúgio noutro pouso e tentei encontrar uma saída para o problema que a sua intervenção desastrada criou.
Não consegui essa solução miraculosa.

Mas passada uma hora ou duas, sem uma palavra, ela veio ter comigo onde entretanto me descobriu e ofereceu-me as três flores mais bonitas que encontrou.

Perdoei-lhe na hora os excessos de um dia inteiro.

E ocorreu-me logo ali que um gesto tão bonito só mesmo de uma filha se pode esperar.

Publicado por sharkinho às 07:34 PM

(DESA)BAFO QUENTE

Escrevi naquela pedra todas as emoções exageradas, mais as histórias mal contadas que me perturbavam mas nunca bastavam para desistir.
Gravei naquele suporte o medo que tinha da morte por me saber tão bem a vida sentida assim.
Esculpi com todo o carinho as memórias mais queridas, junto com as histórias divertidas que o tempo em causa ofereceu.

Mas a pedra era de gelo.

E entretanto derreteu.

Publicado por sharkinho às 03:26 PM

agosto 24, 2007

PALEIO ACADÉMICO

Existem pessoas que extraem prazer em fazerem aflorar o pior que existe em cada um. Uns pelo masoquismo, outros pelo sadismo, outros ainda porque são cobardes demais para assumirem as suas próprias variações internas desde que estas belisquem as imagens de anjos que, invariavelmente, insistem vender aos outros depois de comprarem a toda a hora essa ideia.
E uma mentira mil vezes repetida…

Nem sempre essas pessoas são gente de má índole. Muitas vezes apenas padecem das inseguranças e outras debilidades de qualquer um de nós.
Contudo, sentem o apelo de propositada ou inadvertidamente picarem os outros para estes se revelarem piores e, se possível, inferiores a quem esconde de si e dos outros qualquer ponto negativo do seu carácter ou conduta, mesmo à bruta.

Eu tenho sido ao longo de parte da minha vida um alvo fácil para esse tipo de pessoas. Porque sou em parte como os bois (só ando quando me picam). E porque existem em mim os tais pontos fracos que apenas dois dedos de testa permitem a qualquer um explorar na boa.
Uns com este objectivo, outros com um propósito diferente, manipulam-me as emoções por forma a desmascararem-me como um mau.
Ou apenas por forma a poderem acreditar nessa premissa.

São esquemas foleiros, claro, pelas consequências evitáveis que podem produzir e por regra produzem. Mas tudo indica fazerem parte de uma forma de estar na vida e nem os mais nobres sentimentos conseguem adormecer essa característica em quem a possua.

Tudo isto soará ao que já alguém apelidou de meu “paleio académico” a alguns. Porém, não possuo currículo ou habilitações capazes de consubstanciarem tal expressão aplicada ao que o meu cérebro vulgar e menos instruído do que o de tantos frequentadores desta comunidade se esforça por debitar.
Falo como penso e às vezes, como qualquer indivíduo limitado (nem que seja pelo seu percurso pela vida), penso mal.
Mas tenho o à vontade necessário para o escrever. Seja o que for. Sem medo dos olhares alheios ou dos fantasmas que me possam perseguir.

E por isso vou assumindo aqui muitas das minhas fraquezas, até à exaustão. E das minhas forças também, apesar de estas nunca constituírem argumento para diversas pessoas com as características que citei me pouparem à faena.

E por isso também, vejo-me cada vez mais empurrado para fora dos palcos onde a mestria desses talentos melhor se evidencia.

Publicado por sharkinho às 10:58 PM

WHO

Cares?

Publicado por sharkinho às 12:30 AM | Comentários (2)

agosto 22, 2007

HAT TRICK NUTELLA

Chama-se Nutella Snack & Drink e é mais uma terrível tentação para gulosos como eu.
No interior de uma embalagem de aspecto inofensivo encontramos uma conjugação de nada menos do que três factores de prazer.
Uma angústia…

Começo pelo aparentemente mais desinteressante.
Uns mini “gressinos” que isolados nunca constituiriam uma opção. Simples, secos, sensaborões.
Parecem estar ali, num dos compartimentos, só para compor a coisa com um toque de tom claro junto daquele terrível castanho escuro (que, naturalmente, deixo para o fim).

Agora passo à parte líquida da cena. Um chá. Exactamente, um chá frio de limão que não deixa indiferentes mesmo os menos apreciadores. O meu caso.
Contudo, o sacana do chá é a receita ideal para um tipo não embuchar com a guloseima.
Está ali, bebe quem quer.
E dá um jeitão para contrapor a secura provocada pela combinação dos outros dois colegas de embalagem, nomeadamente aquele de que vos falei, castanho profundo, e que deixei para fim porque de uma verdadeira cereja no topo do bolo se trata.
O resto é só para disfarçar, acreditem.

Qualquer um/a de entre vós que gosta mesmo de chocolate já provou o Nutella, aquela maravilha para barrar no pão produzida pelos magníficos da Ferrero (sim, os do bravo Ambrósio).
E esses já não precisam de mais explicações.
É verdade, aquele gesto “proibido” de comer o Nutella à colherada (que feio…) é agora um conceito institucional e só trocamos a colher ou a faca pelos tais gressinos e juntamos-lhes o chazinho da ordem para humedecer aquela pasta crocante de chocolate cinco estrelas com a farinha de trigo.
É de rapar o compartimento até fazer ferida…

E está à venda (malvados) em tudo quanto é hipermercado, supermercado ou simples mercearia.

Esta posta é pouco aconselhável a quem esteja numa de dieta ou outra forma de tortura proibicionista dessa natureza. E eu sei que devia ter fornecido esta informação no início do texto, para não perturbar essas indómitas forças de vontade típicas de quem enfrenta os olhares de Verão.
Faz de conta que são aquelas letrinhas pequenas que passam na pirisga em rodapé nos anúncios de televisão.

Mas olhem que são umas gramas a mais muito bem justificadas…

Publicado por sharkinho às 10:59 PM | Comentários (11)

agosto 17, 2007

INUTILIDADES DE FIM-DE-SEMANA

Nem sempre reajo de acordo com os meus interesses e respectiva lógica.
Aliás, na maioria dos casos reajo em função do meu instinto e da emoção associada.

E concluo que às perdas que daí derivam (inevitáveis) também se somam algumas conquistas (inabaláveis).

Publicado por sharkinho às 09:35 PM | Comentários (0)

agosto 10, 2007

VOU COMER O PÃO QUE O DIABO AMASSOU

E depois ainda ponho o gajo a fazer um bolo de chocolate e um pudim à maneira.
Depressa e com bons modos que eu ando sem paciência para mauzões.

Publicado por sharkinho às 11:40 AM | Comentários (0)

agosto 09, 2007

E O QUE É QUE VOCÊS TÊM A VER COM ISSO, NÃO É?

light my fire.jpg
Foto: Mar / Imagem: Shark

Nem sempre, e ao contrário do que o meu entusiasmo verbal leve a presumir, me deixo arrastar pelas situações que a vida me oferece.
Sou um amante do sexo e das relações emocionais com as mulheres que, na prática, constituem o norte da minha bússola interior.
Mas isso não faz de mim um atleta, um machão, um mulherengo sensível ao mais pequeno sinal.
Procuro acima de tudo as emoções fortes e essas muito raramente caem do céu. E eu sei que por vezes têm que ser alimentadas, o romance em questão, ou mesmo despoletadas por uma conversa intensa, por uma situação propensa ou simplesmente pelo relâmpago que brota de alguns olhares.

Porém, não basta o apelo animal, por muito que não o renegue na minha forma de sentir atracção. Tenho 42 anos e já tive oportunidade de me entregar ao desvario ao longo de um percurso onde tentei acima de tudo aprender a fazer melhor, a entender o que poderiam esperar de mim as mulheres que seduzi ou me seduziram.
Agora exijo a mim próprio argumentos para me envolver de forma mais séria com alguém. Exijo que valha sempre a pena, para as partes envolvidas.
Exijo que no mínimo o cruzamento do meu caminho com o de outras pessoas deixe a marca de um sorriso na memória e nunca o sabor acre da frustração.

É um filtro tão bom como outro qualquer e não faz de mim um homem menos arrebatado ou viril. É uma questão de respeito a mim próprio e por quem partilha comigo um lapso maior ou menor de tempo da sua (sempre) curta existência em matéria de experiências mais íntimas ou apaixonadas.
É uma espécie de culto com o qual me protejo da vulnerabilidade masculina a todas as belezas de que uma mulher se compõe e, em simultâneo, garante a quem me queira por algum motivo que jamais aquilo que aconteça poderá alguém banalizar.

Estou por isso mais selectivo e reservado, pouco dado a entusiasmos juvenis. Nada interessado em deixar-me levar pela força das circunstâncias, pelo carácter adolescente que me guiou até esta fase da vida.
Quero sentir cada momento e cada pessoa como especiais. Quero encarar a vida como um banquete de iguarias que se preparam com paciência, com empenho, com dedicação. E depois se saboreiam, de forma mais ou menos sôfrega consoante o apetite e os hábitos alimentares de cada comensal.
Daqueles que ficam gravados na memória precisamente pelo conjunto de requintes que distinguem um restaurante de luxo de uma tasca comum.

Quero acima de tudo experimentar o amor. E dedicar o que me resta de vida a cultivar a maior das emoções e todas as que lhe estão, directa ou indirectamente, associadas.

Quero acima de tudo não deixar de mim um rasto vulgar.

Ou de alguma forma boçal.

Publicado por sharkinho às 08:35 PM | Comentários (9)

DEPOIS DE UMA SEMANA SEM A VER

Um abraço da minha filha é a melhor sensação que o mundo consegue oferecer-me.

Publicado por sharkinho às 02:45 PM | Comentários (4)

agosto 08, 2007

FIGURAS SEM ESTILO

De há uns tempos a esta parte enveredei pelo recurso à rima como forma de melhorar a musicalidade dos meus “lençóis”. Por outro lado, soavam-me bem alguns textos de índole mais emocional quando os escrevia dessa forma.
Contudo, depois de me ver ridicularizado no blogue de um oponente antigo e no de uma sua aliada nesta circunstância por acção e noutras por omissão perdi a vontade de dar os flancos por essa via.

E ao tomar esta decisão vejo-me obrigado a reconhecer que sobrevalorizo em demasia o escárnio de quem me despreza. De resto, trata-se apenas de mais um dos pormenores estranhos que identifico em mim e me impedem de reconhecer o homem que me acreditei até há uns meses a esta parte. Coisas que denunciam uma mudança para pior nos meus níveis de confiança e noutros aspectos em que venho exibindo uma atitude de merda.

Já conheci melhores dias.

Tudo farei para os trazer de volta.

Publicado por sharkinho às 07:29 PM

agosto 07, 2007

NESTE PRECISO INSTANTE

O único som que me rodeia é o da rebentação das ondas.

Publicado por sharkinho às 12:54 AM | Comentários (7)

agosto 03, 2007

A POSTA NO EQUILÍBRIO INSTÁVEL

tridimensional.jpg
Foto/Imagem: Shark

Descobri que gosto muito mais de pessoas do que, por exemplo, do resto da Natureza (no pouco que ainda fazemos parte desse todo que andamos a destruir) quando me confrontei com uma questão muito simples (daquelas que um gajo coloca a si próprio quando é novo e não tem mesmo mais nada para fazer).
Qual a imagem de elevações no horizonte visual que mais mexe com o tipo de pessoa que sou: a de duas belíssimas montanhas com um pico coberto de neve brilhando sob o sol ou a de dois seios magníficos de uma mulher sensual?

Cada pessoa reage de diferentes formas aos diversos estímulos que a vida nos proporciona. E essa reacção é feita daquilo que somos por instinto, o que se costuma definir por personalidade ou carácter, a “massa” de que somos feitos, somada aos reflexos condicionados pelas experiências anteriores e pelas influências exteriores como, por exemplo, a educação que nos foi dada.
Nesta última predomina a nossa faceta racional, a inteligência, os mecanismos que nos permitem somar dois e dois. Na outra encontramos os factores da impulsividade, da atracção, da irracionalidade com que explicamos as maiores barbaridades ou asneiras que somos capazes de cometer.

Se, na questão que me coloco acima, me deixasse conduzir pelo produto das influências que recolhi ao longo do meu percurso quarentão era bem provável que o bom senso me encaminhasse para a paisagem menos susceptível de acarretar problemas (até porque não possuo costela alpinista) e, vista por vista, deixaria a minha perder-se nas árvores, nos bambis e em toda a magnificência de duas montanhas “daquelas” mesmo a sério (alpinas, matulonas, frias na aparência mas cheias de vida em cada recanto).

Contudo, qualquer pessoa que me conheça (mesmo apenas por esta via) já terá percebido que cada um é pró que nasce e nem os promontórios mais encantadores dos Himalaias produziriam em mim uma centésima do efeito que a silhueta de um simples par de seios recortado contra a parede mais deslavada e impessoal produz.
Prevalece, pois, o apelo irracional, imediato, indesmentível para quem o distingue à légua pela simples análise ao percurso do olhar confrontado com as duas opções com que ilustro o horizonte visual deste lençol.

Esse equilíbrio entre o que a cabeça nos esclarece e o que o coração (chamemos-lhe isso…) nos impõe é uma tarefa tão mais complicada quanto mais desequilibrada se manifestar nos pratos da balança a proporção que pende para o lado mais espontâneo da pessoa.
Ou seja, um gajo acaba sempre por dar consigo a pensar com o, enfim, coração e a servir-se da cabeça apenas para processar as toneladas de informação que, por exemplo, os olhos nos transmitem em dada altura depois de “filtrados” pela tal combustão nascida no coração e que nenhum raciocínio bombeiro consegue dominar.

É uma armadilha, se a quisermos avaliar sob o prisma da razão. E é uma maravilha, se abrirmos à alma os portões da livre iniciativa e nos limitarmos a reter o que de melhor se pode extrair de dada experiência ou emoção.
A escolha não é fácil, embora o pareça. E basta reparar na quantidade de escolhas que nos permitimos nessa óptica do “prá frente é que é o caminho”, mesmo quando a irracionalidade toma o freio nos dentes e dispara pela pradaria do disparate sem olhar a reflexões.

Tomamos decisões contrárias à nossa natureza a toda a hora. E da mesma forma contrariamos aqui e além a recomendação da prudência e abraçamos a pior das opções de um ponto de vista razoável.
Só nos distinguem as tais proporções, o peso relativo do que nos anima ao longo da vida que nos compete fintar ou alinhar de acordo com a nossa ideia aproximada do que representa ser feliz.
Qualquer de nós recebe entretanto as facturas, não nos iludamos, por pender em dada altura para um ou para o outro lado da questão.

Eu duvido da razão no mundo que me ensina que a vida não faz sentido algum. E por isso tento encontrar esse sentido mesmo onde outros apenas encontram a loucura que o instinto de conservação lhes grita para evitar.

E sempre que tento contrariar essa tendência inequívoca acabo, cedo ou tarde, por fechar o equipamento de montanhismo mais os binóculos, inúteis, num canto esquecido de uma arrecadação…

Publicado por sharkinho às 02:49 PM | Comentários (4)

julho 29, 2007

DE DENTRO

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Foto: Shark

Agradeço à vida a paixão que incendeia os meus dias com uma labareda que os enche de luz.
Agradeço-lhe a emoção que me seduz e me arrasta sem rumo, subida e descida, pelos seus caprichos de vida que põe e dispõe de tudo o que sou.
Cada momento um agradecimento que lhe dou, ou devia. Uma vida vazia é como um espectro macabro e eu fujo (deserto) desse horizonte cinzento como o diabo da cruz.

Agradeço à vida cada lágrima vertida, essa água salgada que o sentimento mais forte produz.
Agradeço-lhe a alegria e perdoo-lhe a tristeza, contraponto, que enfatiza o que sinto e ensaia o coração para enfrentar qualquer dor.
Agradeço-lhe acima de tudo o amor e a amizade que o defende com aquilo que se aprende do que vale uma relação.

A vida com paixão, intensa, uma existência tão imensa que se acredita imortal.
A emoção, intemporal, que perdura para lá do que entendemos como um fim.
A eternidade garantida assim, no testemunho deixado de um amor acabado, ira divina, ou de um conto de fadas para encantar gerações.

O bater dos corações, infinito, acelerado por um amor tão bonito que inspira criadores.

Uma vida plena de amores tão perfeitos, mesmo depois de desfeitos pelo mesmo tempo com que a vida nos transforma um dia em pó.
Uma vida que vale por si só, recordações acumuladas das paixões assolapadas, obrigado num sorriso dedicado à vida no dia em que morrer.

E também quero agradecer a todas as vidas que a minha amou pois nessas vidas se inspirou o que de mais belo senti, mesmo a ilusão.

E ofereço estas palavras como penhor da gratidão.

Publicado por sharkinho às 12:59 PM | Comentários (16)

julho 28, 2007

TENS TODA A RAZÃO

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E eu também não tenho nada a esconder. Vamos nessa! :-)

Publicado por sharkinho às 06:17 PM | Comentários (16)

A POSTA QUE ATÉ PARECE FÁCIL

Nem sei se isto é uma característica da maioria mas gosto de acreditar que sim. Dou menos valor a uma vitória suada do que a uma conciliação bem sucedida.
Daqui não se pode concluir que me agrada perder nem que seja a feijões. De todo.
Mas aceito o empate como um resultado decente por comparação com uma vitória que presume sempre o meu “génio” mas igualmente implica o aproveitamento de uma falha ou fraqueza de alguém.

A conciliação é um resultado sempre positivo porque mesmo que ninguém ganhe ninguém sai perdedor. E ambas as partes do conflito de interesses podem gabar a sua mestria na difícil arte da diplomacia que, doa a quem doer, ainda é o que nos vai salvando os couratos no contexto de um mundo entregue a líderes marados e suas tendências belicistas.
O mesmo se passa no microcosmos de cada um de nós.
E se existissem conflitos insolúveis ainda andávamos à trolha com os espanhóis…

Quem vai à guerra dá e leva e nem sempre a balança pende para o lado que nos serviria melhor. Mesmo quando “ganhamos” (ou apenas saímos da refrega com alma para alimentar essa ilusão). O vencedor, se pessoa de bem, acaba por lamentar os estragos provocados no oponente destroçado e a este último só restam desculpas de circunstância (a honra, o brio, o orgulho, a vitória moral) para atenuar a conclusão óbvia de que mais valia ter procurado uma solução consensual.

Não há volta a dar, julgo eu, do ponto de vista lógico.
E por isso mesmo, apesar de refilão e aparentemente agressivo, predomina sempre em mim a vontade de solucionar os problemas pela via do diálogo e da inteligência necessária (ou a possível) para encontrar um ponto satisfatório de impasse. Esse impasse é o momento crucial, no qual as pessoas podem avaliar ganhos e perdas e, quando a sensatez prevalece, dar o conflito por sanado.
Sem que alguém necessite de sair do assunto com mazelas evitáveis e com o amargo sabor de uma perda qualquer que talvez pudesse ter sido evitada.

Isto não tem nada a ver com dar a outra face a quem nos esbofeteia. Ninguém conte com a minha costela apostólica romana para evitar o troco na hora. Mas depois, quando temos que decidir entre o empate negociado ou o murro bem dado que abre caminho para a zaragata sem controlo surge o tal impasse que faz toda a diferença.
Ok, tu deste-me e eu dei-te a seguir. Agora vamos lá tentar perceber se ficamos quites assim ou se é preciso mais uns piparotes ou umas beijocas (isto em sentido figurado, claro) para arredondar as contas de forma mais justa.

Isto é uma versão caricatural, mas aplicada a casos sérios pode revelar-se decisiva para uma mudança de rumo benéfica para as partes envolvidas num diferendo qualquer.
Só um burro não entende que algum benefício é melhor do que uma perda garantida e esta acontece sempre, mesmo ao vencedor.
Porque resulta sempre má onda. Ou porque aquele que ganhou é um malandro porque abusou do poder e foi longe demais (coitado do que perdeu), ou porque o que perdeu ainda deu umas caneladas valentes e o outro pelo menos essas não as levava, ou apenas pelas repercussões externas que acabam por se virar quase sempre contra a imagem dos contendores (quem está fora nem sempre racha lenha...).

É uma porra, mas parece-me que é mesmo assim.
E por isso cedo, mais do que julgam, ao apelo da concórdia e da resolução ponderada quando me vejo envolvido numa escaramuça. Ou pelo menos nunca coloco de lado essa hipótese remota de dar a volta “a bem”, mesmo que isso implique uma espécie de paz podre, fragilizada pela “porrada” que entretanto se desenvolveu ou até condicionada apenas a uma trégua temporária que permita respirar fundo e (porque não?) pensar.

É que em qualquer tipo de guerra ninguém tem tempo de assentar ideias enquanto zunem as balas e se faz sentir bem alto o fragor dos canhões.

Publicado por sharkinho às 01:26 AM | Comentários (6)

julho 15, 2007

A POSTA SEM RETICÊNCIAS

Aqui há dias debitei alguns considerandos acerca da minha perspectiva do que uma amizade deve ser. Não o que a amizade é, não uma verdade absoluta, mas apenas a opinião de uma pessoa qualquer que no caso concreto sou eu.
Nessa altura abordei apenas os aspectos que me parecia necessário esclarecer perante qualquer pessoa que pudesse vir ao engano no sentido de ser minha amiga.
Não vale a pena investirmos o nosso tempo em pessoas cujas características não encaixam nas nossas ou tenham defeitos comprovados aos olhos de outras pessoas, certo?

Errado.

Aí é que reside uma das maravilhas da amizade, que como já muito defendi, não passa de um dos ramos dessa grande árvore que é o amor. Não precisamos de atinar com o feitio de outra pessoa para lhe dedicarmos uma amizade bonita e uma lealdade incondicional. É preferível, mais fácil, acontecer aquele encaixe perfeito. Mas o desafio, tal como no amor, está em conseguirmos ultrapassar divergências e em sermos capazes da flexibilidade necessária para aceitarmos os amigos tal como eles são.
Isto não é uma teoria rebuscada nem uma prática isenta de pecado no que me diz respeito. É aquilo em que acredito e faço o possível por confirmar com os meus actos.

Ou seja, a amizade não pode depender da “perfeição” das pessoas a quem a dedicamos. Exige tolerância, exige boa vontade, exige a capacidade de respeitarmos as parvoíces uns dos outros e de encontrarmos no coração a estima bastante para ultrapassarmos os momentos menos bons. E sobretudo nestes últimos somos moralmente obrigados a mostrar quanto vale afinal essa amizade assim chamada.

Se entre as pessoas, mesmo diferentes ou quase antagónicas, existem explicações óbvias para a cumplicidade, a lealdade, o respeito e outras coisas bonitas que devem sobreviver a quaisquer outras formas de ligação estabelecidas, então não há nada de estranho a concluir e as pessoas de bem devem revelar consideração por quem segue esse tipo de opção e nunca tentar minimizá-las pintando-as como estúpidas ou como incapazes de distinguirem os defeitos que qualquer pessoa normal ostenta.

Eu, com os defeitos que já afloraram na blogosfera como na vida pessoal, dependo em absoluto dos preceitos acima para conseguir contar com a lealdade e a estima seja de quem for. Dependo da paciência, da persistência e mesmo da fé de quem me queira por amigo. Não estou, portanto, a falar por falar e acredito mesmo nestas coisas.
Se faço figura de parvo por alguns amigos? Sem dúvida alguma. E o inverso verifica-se? É fácil de adivinhar que oportunidades não faltam.

Nada disto pode ser misturado no contexto das divergências ou das picardias que às vezes colocam as pessoas em diferentes lados de uma barricada qualquer. Nem sequer podemos associar os defeitos que reconhecemos a uns aos que deles se mantém próximos. Podemos apenas partir do princípio de que se as pessoas insistem umas nas outras é porque possuem motivos para o fazer.

E esses, pelo que pressupõem de legítimo e até de inspirador, merecem ser encarados com a nobreza que distingue o pouco de decente que a vida nos vai permitindo abraçar.

Publicado por sharkinho às 12:31 AM | Comentários (6)

julho 13, 2007

REVERSOS DA MEDALHA

É uma pena, mas as pessoas descobrem sempre tarde demais que deixarem-se fazer reféns do medo e da suspeita (ou do rumor) é também uma forma de derrota.
As pessoas nessas circunstâncias inventam pretextos para dificultarem a comunicação, isolam-se, fogem dos outros, de alguns, aos poucos, com a certeza de ser essa uma inteligente manobra defensiva.

Eu estou cada vez mais parecido com essas pessoas.
Mas não está em causa o medo ou mesmo a suspeição.

É mesmo uma questão de falta de fé.

Publicado por sharkinho às 11:24 PM

julho 12, 2007

ÁGUA BENTA? TAMBÉM É QUANTA FIZER FALTA.

Quando uma pessoa interioriza em definitivo o seu lado menos bom (que cedo ou tarde desponta na maioria de nós) torna-se muito mais fácil definir limites, delinear condutas e estruturar defesas.
Dou-vos um exemplo.
Não sendo desprovido de ambição nem estúpido o suficiente para não perceber o fartar vilanagem que acontece à minha volta, decidi nunca me deixar corromper por alguém. E decidi na boa, não porque quisesse cultivar a minha bonomia ou promover a beatificação póstuma mas porque, conhecendo de antemão os danos colaterais (o segredo necessário, automático, implica que fiquemos dependentes da discrição e/ou da boa vontade do agente corruptor) e a minha reacção de animal ferido quando me encurralam, prefiro nem arriscar.

Claro que todo o homem tem um preço e que ninguém venha por favor oferecer-me como contrapartida de algo um resto de vida abastado num paraíso tropical.
Todavia, a regra permanece em vigor e até hoje funcionou na perfeição.
E compensa, teoricamente, um gajo conseguir livrar-se dessas obscuras teias de compadrios baseados na paz podre pois a contrapartida chama-se respeito e, em boa medida, garante a invulnerabilidade às invectivas ou “investigações” seja de quem for.

É que um tipo incorrupto, como qualquer tipo sem segredos para esconder, pode reagir sem reservas quando sente que alguém escolhe os seus calos para servirem de pouso. Sem nada a temer, sem nada a perder.
É a pele que posso vestir, ainda que não me afirme isento de máculas que derivem das limitações do carácter que a vida me moldou ou acentuou. Mas essas constituem males menores e nunca são passíveis de constranger a minha argumentação no alcance ou no tom.
Sou mesmo livre de voar pelos doces caminhos do direito de resposta à bruta perante quem me aponta um dedo sequer.
Por não possuir esqueletos no armário, por poder assumir sem vergonha os pecados que me provam ser uma pessoa saudável e absolutamente normal.
Por poder dar a cara, literalmente, por tudo quanto afirmo.
Algo que nem toda a gente parece poder reclamar…

Isso, como outras coisas, tem-me permitido ao longo da vida nunca silenciar a minha revolta ou a resposta necessária a quem, erro de palmatória, me considere vulnerável seja em que aspecto for. Não sou. Porque perdi o medo ao dentista, aquele que faltava, e porque não possuo telhados de vidro (encarrego-me eu de os partir para não dar esse prazer a espertalhões) nem segredos por desvendar perante alminha alguma.
Dá uma confiança do caneco a uma pessoa e constitui um obstáculo intransponível para quem entenda, por palermice, embirrar comigo de forma gratuita.

Conquistei ao longo da vida esse direito de que hoje posso gabar-me e que em qualquer plano onde me movo constitui uma verdadeira blindagem a quem me queira mal. Não sou perfeito, assumo-o na boa, mas também não possuo qualquer ponto sensível que possa minimizar-me perante as outras pessoas.
Posso assim desmantelar qualquer abordagem, acrescendo a vantagem de quantas vezes saber mais acerca das “revelações” que me disparam do que os próprios “agressores”.
Nem surpresas conseguem dar-me, salvo raríssimas excepções.

Notem que não invoco qualquer tipo de força ou de poder. Apenas a certeza no cagar de quem não precisa fugir de verdade alguma e nunca pode ser acusado de ter algum dia lançado a primeira pedra a alguém.

Parecem tretas sem importância, mas a quem queira ver acabam por saltar à vista.
Nem sempre de uma forma, isto do ricochete é uma terrível incógnita, que o cérebro consiga alcançar no âmbito do que, no que me respeito, só pode englobar-se no âmbito da visão periférica e às vezes pode acertar sem querer onde mais dói a quem vê mas não observa.

Podem olhar-me de lado, ou de frente até.
Mas nunca se arvorem capazes de me olharem a partir de um qualquer plano superior.

Publicado por sharkinho às 03:02 PM

julho 07, 2007

DO MELHOR QUE A VIDA NOS DÁ

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Foto/Imagem: Shark

É uma das pessoas mais gulosas que jamais conheci. E fui eu quem abriu a caixa de Pandora (já explico como).
Também é bastante ciosa dos seus interesses, não raras vezes admoestada pelo exagero nessa vertente do carácter que tem exibido cada vez com mais convicção.

Contudo, confrontada com a necessidade de optar entre ela e eu próprio, perante a impossibilidade de adquirir determinada guloseima para os dois viu-se forçada a tomar uma decisão imediata.
Estava em causa algo de muito bom e eu nem sequer estava por perto para conhecer o desfecho da sua escolha.

Nem hesitou. Apareceu com um sorriso nos lábios e uma oferta nas mãos. Deixou-me regalar com o mimo e só depois desabafou a sua resignação. Só havia dinheiro para comprar um, precisamente aquele que me deu. Porque não estou bem, depois de uma noite passada a enfrentar problemas digestivos, e isso pesou de forma decisiva no seu impulso infantil.

Antes de ela nascer eu só pedia que fosse perfeita e saudável. Depois passei a pedir que tive