outubro 02, 2008

O ESTÁDIO VIRTUAL É GRUPO...

Ou sou só eu que não consigo ver a transmissão online do Benfica-Nápoles?
Cheira-me a flope monumental...

Publicado por sharkinho às 07:46 PM | Comentários (2)

agosto 06, 2008

O MEO É UMA ANEDOTA

E este é o único meio ao meu dispor para alertar os incautos.
O meu problema está resumido AQUI, mas podem ver que não sou "filho único" AQUI também.

Publicado por sharkinho às 10:04 AM

março 27, 2008

O REI NA BARRIGA E O PODER NOS COFRES

- Bom dia. Desculpe incomodar, mas eu preciso de uma informação.
- Faça favor de dizer...
- Eu tenho um compromisso calendarizado para dia 29, uma prestação de um crédito qualquer, mas não estou com tempo para me dirigir à vossa dependência mais próxima para fazer o depósito. Se eu fizer hoje uma transferência interbancária fico com o problema resolvido?
- Não, não fica. As transferências interbancárias demoram no mínimo 48 horas e entretanto mete-se o sábado (o tal dia 29...) e por isso só na segunda na melhor das hipóteses...

Moral da história: na banca, aos sábados só não folgam as cobranças.

Publicado por sharkinho às 12:17 PM | Comentários (4)

março 24, 2008

A POSTA QUE AINDA SE POUPA ALGUM NOS DIVÓRCIOS

sem factura.jpg
Foto: Shark


Depois do boicote legislativo aos piercings, um must da preocupação governativa actual, o Executivo eleito com maioria absoluta acaba de apontar as baterias para os recém-casados, esses coniventes por omissão das fortunas que escapam ao fisco na sequência dos casórios multimilionários que grassam por esta nação aos quadradinhos.
Venha o mais pintado (tentar) defender a pertinência de tais preocupações por parte dos líderes que temos e esmagarei essa pessoa com duas palavras apenas, duas estocadas tão simples quanto letais neste particular: bom senso.

Se a primeira idiotice que referi não passa de uma descarada tentativa de intromissão na vida privada de cada cidadão, nomeadamente na sua capacidade decisória sobre o próprio corpo (recordo sem querer as questões do aborto e da eutanásia, à luz desta medida), a segunda idiotice não passa disso mesmo. É a cara desta fase do Governo de Sócrates, chapadinha.
Parecem todos empenhados em acrescentar a burrice aos argumentos que vão sobejando e nem todos explicados pela crise financeira global.

Lua de Fel

Num país onde o matrimónio definha enquanto instituição, uma perda de tempo burocrática em face da penosa estatística de “durabilidade” de tal aliança (e com o ouro ao preço que está…) que se mantém apenas por motivos cada vez mais estapafúrdios, o Governo português decide transformar os recém-casados numa espécie de bufos capazes de substituírem a fiscalização do Estado na actividade económica que lhe compete vigiar. Mais do mesmo, neste deplorável e cada vez mais visível descartar de responsabilidades empurradas para cima da população.
A famosa lei do tabaco é outro ex libris deste jogo do empurra de quem tenta brilhar perante os eleitores à custa deles próprios.

Por outro lado, com uma taxa de desemprego pouco simpática, a criminalidade a trancar portas, o sistema partidário em notória desagregação, o Serviço Nacional de Saúde em desmantelamento e mais um rol de preocupações sérias que afligem o cidadão comum (a falta de liquidez, por exemplo, aflige um nadinha), quem pode levar a sério políticos capazes de se debruçarem sobre estas pintelhices (pardon my french) enquanto o resto do país quase alucina?

Para quem enfrenta todas as ameaças a uma vida condigna sem as couraças de que o Poder (os seus protagonistas) se valem, estas prioridades legislativas soam patéticas e por muito que me intimide a falta de alternativas reais (realistas) a esta opção que nos restou começo a desenvolver aos poucos uma incómoda costela anarca.

E que tal um impostozinho sobre a infidelidade conjugal, hum?

As mais recentes ideias provindas dos patetas capazes de as divulgarem (ao menos que as confinassem ao pudor dos gabinetes que nos custam uma pipa de massa) transformam aos poucos a governação numa história digna de uma banda desenhada.

De resto, a apetência do Governo pelo grafismo, pelas imagens, está bem patente por exemplo no recente investimento num novo logótipo para a ADSE, se a memória não me falha, muito oportuno no contexto dos progressivos cortes nos benefícios de (mais uma) regalia sob a mira da reforma à tesourada que poupa dinheiro aqui para o esbanjar estupidamente ali.

Onde?

Por exemplo nos salários e mordomias dos fulanos que acordam de manhã com vontade de nos estupidificarem por contágio com as suas grotescas exibições de alheamento à realidade que observam à distância para lhes inspirar estas caricaturas decretadas.

Publicado por sharkinho às 11:27 PM | Comentários (4)

março 18, 2008

POR MUITO QUE O MUNDO AMOCHE...

...As tibestas não têm qualquer legitimidade para permanecerem no território ocupado à força.

E ainda menos para repetirem nas terras dos outros os massacres a que se habituaram em casa, sempre que alguém lhes contesta o poder.
Nesse contexto, os Jogos Olímpicos serão apenas mais um aval capitalista para branquear uma realidade que rende mais nesta altura com a face limpa.

Se o Tibete é chinês, porque carga de água Timor Lorosae não pertence à Indonésia? Ou o Kosovo à Sérvia?

Publicado por sharkinho às 10:43 AM | Comentários (4)

março 16, 2008

AINDA BEM QUE NÃO SOU POLÍCIA...

...Pois não sei como reagiria se me aparecesse um taxista bêbedo na esquadra para confessar ter atropelado quatro crianças numa passadeira e fugido do local.

Saber até sei, mas depois deixava de ser polícia...

Publicado por sharkinho às 10:16 AM

março 12, 2008

ESTE NÃO É O MEU BENFICA...

É uma farsa.
Muito farsola.

Publicado por sharkinho às 09:45 PM | Comentários (6)

março 08, 2008

MANIAPIX, A GAULESA - Capítulo I

anjinho musico.gif

Por ocasião da importantíssima aquisição da minha actual Canon (a defunta também o era) desabafei aqui contra uma empresa chamada Pixmania e que em Portugal é representada por uma sociedade unipessoal (o que transmite enorme confiança à clientela).
Em causa estava o facto de eu ter abdicado do privilégio do sofá que qualquer compra pela Internet garante, preferindo dar corda aos sapatos e deslocar-me em carne e osso à loja lisboeta daquela empresa virtual, para me certificar que tudo corria em conformidade.
E não correu.

Resumindo, para não vos maçar com as peripécias secundárias associadas, encomendei uma máquina e juntei-lhe uma série de mariquices que fazem falta mas nunca integram a compra “principal”.
Estamos a falar de uma máquina nova a estrear, pelo que julguei estatisticamente improvável que tivesse problemas e arrisquei pagá-la antes de a experimentar.
Experimentei-a, ou melhor, tirei-a da caixa para descobrir que nem dava sinal de vida mesmo depois de esgotadas todas as soluções de caca constantes do troubleshooting nas últimas páginas do manual em várias línguas que não a do país onde comprei o dispendioso brinquedo.
Essa foi a primeira surpresa desagradável.

(Continua abaixo, senão o lençol punha a malta toda a roncar...)

Publicado por sharkinho às 12:33 AM | Comentários (4)

MANIAPIX, A GAULESA - Capítulo II

Regressei ao estabelecimento onde não haviam faltado sorrisos e palavras tranquilizadoras (devia ter-me lembrado do último candidato partidário que apoiei, mas escapou-me), um nadinha chateado com a contrariedade mas calmo o bastante para me concentrar no objectivo principal: poder tirar fotografias com a máquina fotográfica que adquiri.
Pensava o bom do Shark: “Bem, isto é uma multinacional e tal, não podem “queimar-se” pois vivem da confiança de quem compra pela net e coiso, o problema resolve-se num instante. Basta trocarem esta máquina nado morta por uma idêntica”.
Esta foi a segunda exibição de ingenuidade deste consumidor idiota.

Que não, as condições de compra (as letrinhas pequenas) explicavam os termos em que a coisa se processava.
E a coisa processa-se assim: um gajo encomenda, paga e se houver azar o equipamento é recambiado para França e até daqui a 15 dias se Deus quiser.
E o bom do Shark: “Então vocês não têm uma máquina igual para eu levar enquanto ficam entretidos a ressuscitar a que paguei porque dela preciso para depois a impingirem ao papalvo seguinte na lista?”
Que não, as condições de compra tá a ver?

Nesse caso devolvam-me o dinheiro que eu vou ali e já venho e vocês depois tratam do VOSSO problema.
Querias, tubarão…
Devolvemos com certeza, mas só daqui a 15 dias (depois dos técnicos residentes em França confirmarem o óbito da maquineta).
E vocês não têm aqui alguém que possa ver a máquina? Pode ser uma coisa simples e já não me deixavam “agarrado”.
Pois, mas não. Já tivemos mas deixámos de ter.

Deixaram de ter porque custa dinheiro e não passa de um argumento de venda imbecil, presumo eu, pois apenas serve para atender às reclamações de clientes necessariamente descontentes com a pane do seu equipamento e que, por esse motivo, dificilmente voltarão a comprar ali seja o que for.
Isto, claro, disse eu para mim próprio enquanto o jovem funcionário me olhava resignado com a máquina nas suas mãos inúteis naquela situação concreta.
E entretanto tentava com os meus botões raciocinar depressa (ia ficando pior do que a defunta, com o esforço) a ponto de perceber se estava a viver uma situação normalíssima ou se era uma vítima dos apanhados e todas aquelas máquinas de filmar nas prateleiras estavam a gravar a cena para me exporem mais tarde em horário nobre para a malta se rir.


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Publicado por sharkinho às 12:32 AM

MANIAPIX, A GAULESA - Capítulo III

Mas os segundos passavam como horas enquanto na fila os oito ou nove crédulos que aguardavam o desenlace do meu drama começavam a bufar, nas tintas para o facto em apreço.
Tive então que optar entre:

a) Desatar aos berros e à estalada e partir a loja toda (coisa que o meu seguro de responsabilidade civil não cobre e o meu advogado não aconselha);

b) Ceder à condição de refém (não me devolviam o dinheiro na hora nem me substituíam um equipamento que nem chegou a funcionar) e deixar na loja o artigo e o pilim.

Optei a custo por uma solução híbrida, retirando da primeira opção as partes da estalada e do vandalismo e somando o resto à segunda.
Ou melhor, até consegui nem berrar. Mas elevei o tom de voz o bastante para a minha indignação ser audível até ao final da fila (muito para lá da porta do estabelecimento) e exigi a presença do terrível, do poderoso, do ameaçador livro de reclamações (que o jovem pixmaníaco providenciou com a mesma descontracção com que me entregaria um rolo de papel higiénico emprestado), arriscando ter que repescar um item da opção a) se os patos na minha traseira bufassem alto demais a respectiva impaciência.

Munido com o dito bloco de apontamentos para manifestações de desagrado, saquei da caneta como se de um revólver se tratasse e preenchi o formulário com os dados pessoais mais um resumo bem claro daquilo que motivava a minha indignação.
E essa, recordo-o, passava pelo facto de eu ter desembolsado uma pipa de massa para comprar um equipamento que não funcionava e ser obrigado a regressar a casa com o rabinho entre as pernas, as mãos a abanar e a carteira mais levezinha, até ver…


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Publicado por sharkinho às 12:31 AM

MANIAPIX, A GAULESA - Capitulação IV

Saí nessas condições deploráveis da loja, enfrentando com o ar “tás a olhar com essa tromba de enjoadinho para quem, ò palhaço?” os rostos dos palermas que aguardavam de forma ordeira a sua vez de arriscarem ser embarretados como eu me sentia.
E dirigi-me à Worten, onde comprei outra vez a máquina que pretendia e pude ver a funcionar antes de meter o cartãozinho dourado milagreiro nas mãos de alguém que também bebesse a poção mágica do empréstimo à força.
A partir daí, restava-me esperar (e rezar para que no final dos 15 dias me devolvessem a quantia “capturada” pelo esquema de auto-financiamento sem encargos mais descarado que conheci).
É que multiplicando o montante que me retiveram durante algum tempo por umas dezenas ou centenas de otários (tendo em conta os plasmas caríssimos e outros brinquedos de luxo à vista, a brincadeira terá doído ainda mais a alguns), basta manterem em stock uma unidade defeituosa de cada equipamento para poderem reunir na boa milhares de euros livres de juros durante duas semanas (sim, eles devolvem os sestércios à malta...).
Pelo menos em teoria…

E de forma perfeitamente legal, como acabo de ver confirmado pela resposta definitiva da “autoridade competente” a quem foi encaminhada a minha queixa, da qual retenho a esperança manifestada de que a empresa em causa melhore as suas práticas comerciais no futuro.

They rest my case…


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Publicado por sharkinho às 12:30 AM

março 05, 2008

SARCÓFAGOS DE UM SISTEMA PUTREFACTO

penúltima morada.JPG
Foto: Shark


Anunciado com pompa e circunstância à data da sua inauguração como um autêntico condomínio de luxo para defuntos, um modelo a seguir que quase embaraçava os restantes, o cemitério de Carnide volta à berlinda pelas piores razões.
Em causa está mais um disparate colossal (e dispendioso, a vários níveis) de decisores e de executores a quem confiamos a gestão dos recursos que, na prática, lhes oferecemos de bandeja por via fiscal.
De acordo com o LNEC, o terreno escolhido para última morada de uma parte dos lisboetas não serve para o efeito e a prova visível é o facto de a deterioração dos corpos não acontecer como seria expectável.

Além disso, o LNEC acrescenta à asneira mais umas quantas (as do costume) ligadas ao deficiente sistema de drenagem e às consequências do depósito de entulho das obras do Metro (que alguma inteligência rara entendeu por bem “sepultar” no perímetro).
Daí resulta que depois de ter ficado reduzido a menos de meia dúzia de funerais por ano, com consequentes prejuízos para quem investiu no comércio ali instalado com a Câmara por senhoria, o cemitério modelo alfacinha prepara-se para executar “acções de despejo” a sete mil dos seus ocupantes.
Sete mil trasladações com tudo o que isso implica de tempo, de esforço, de custo e de perturbação para os vivos (que os mortos não se devem ralar…).

Para além dos contornos da situação, que é de morrer a rir (e perdoem-me o humor negro que só nos pode arrancar um sorriso amarelo), salta à vista a bagunça reinante e a tradicional impunidade de todos quantos chancelaram mais este prego no caixão da imagem da autarquia lisboeta. E das suas depauperadas finanças.

Contudo, nem é a questão financeira a de maior relevância neste assunto. Enquanto estas negligências grosseiras que desmascaram a incompetência dos técnicos e responsáveis envolvidos não for devidamente punida, nomeadamente impedindo essas múmias andantes de repetirem a proeza no futuro, estaremos a permitir que continuem a cavar sepulturas do mesmo género noutras obras camarárias com o beneplácito de quem os sustenta.
Estaremos, no fundo, a abrir as portas a repetições de tragédias como a de Entre-os-Rios, outro bom exemplo de como a culpa nestas coisas morre sempre solteira.

E o problema, sobretudo ao ritmo a que a cidade de Lisboa acumula cadáveres nesta vaga criminosa, é que qualquer dia não teremos onde enterrá-la.

Publicado por sharkinho às 10:50 AM | Comentários (2)

março 04, 2008

ENCONTREM-NO!

Foi há dez anos que desapareceu o Rui Pedro.

Publicado por sharkinho às 08:37 PM | Comentários (6)

março 03, 2008

ALÉM DISSO EU TENHO UM SINAL NA PILA E ELE NÃO...

quite shocking.jpg

Eu e outro gajo temos exactamente a mesma idade. Por coincidência até nascemos no mesmo dia. Somos ambos benfiquistas, temos olhos e cabelo da mesma cor, partilhamos a mesma ideologia e até comungamos a esmagadora maioria dos valores.

Temos em comum uma situação financeira equilibrada e estabilidade profissional, bem como casa própria, carro e todos os meios necessários para manter uma vida normal. Pagamos os mesmos impostos, não temos vícios caros, o registo criminal está imaculado, somos ambos agnósticos mas até levamos uma existência aceitável do ponto de vista cristão.

Estudámos na mesma escola e obtivemos praticamente os mesmos resultados. E o carácter, muito parecido, acaba por nos pautar a vida com normas de conduta e comportamentos sociais que nos integram em grupos de amigos muito similares.
Damo-nos bem com a vizinhança e, regra geral, as pessoas até dizem bem de nós.
Porque somos ambos cidadãos discretos, reconhecidos como bem-educados, razoáveis e isentos de máculas nessa dimensão da nossa imagem.

Em conversa descobrimos que somos ambos homens apaixonados, emotivos, cultivamos com a mesma intensidade o amor.
Partilhamos ainda o facto de ambos possuirmos muito jeito para lidar com crianças, de quem gostamos ao ponto de jamais se colocar a hipótese de as molestarmos ou negligenciarmos de alguma forma.

Mas como ele vive com outro gajo só eu é que posso adoptá-las.

Publicado por sharkinho às 08:44 PM | Comentários (10)

ASSOBIEM PARA O LADO...

...Senhores responsáveis pelas forças policiais presentes nas zonas do Parque das Nações, de Moscavide e de Sacavém, enquanto as televisões exibem imagens do desplante com que o street racing acontece nas vossas barbas.

E apesar do granel provocado por dezenas de pessoas e de veículos nem um agente da autoridade destacado para apurar a origem do ruído audível até vários quilómetros de distância, mesmo na ressaca de um assassinato tão mediático como o que aconteceu poucos metros acima da pista improvisada por quem parece contar com a impunidade como um dado adquirido.

Ao olhos do cidadão comum as autoridades até parecem ter medo.
Mas isso são tudo más vontades paisanas...

Publicado por sharkinho às 12:14 PM | Comentários (4)

fevereiro 18, 2008

SUAS ALTEZAS OS MAGISTRADOS TRIPEIROS

Já aqui dei um lamiré acerca do fascinante tema das conferências de Imprensa e respectivo abandalhamento com a anuência tácita dos jornalistas.
E agora, a propósito do anúncio de uma "conferência de Imprensa" promovida por cerca de três dezenas de juizes do Porto, eis que volto à vaca fria.

Em causa está a mania de imporem as regras de funcionamento ao sabor das suas conveniências. Ou seja, os senhores magistrados souberam pedir licença para limparem o seu bom nome em público relativamente ao que veio a lume em torno do caso Bexiga, mas à sua pose de virgens ofendidas juntaram a soberba de proibir quaisquer perguntas por parte dos jornalistas nessa ocasião.
E quem pergunta sou eu que a mim não podem impedir: que raio de "conferência" é essa em que um fala e os outros baixam as orelhas?

Eu não sou jornalista. Mas garanto-vos que se o fosse ia admirar o Director de Órgão de Comunicação Social capaz de se recusar a enviar alguém para, na prática, justificar a existência destas iniciativas à medida do freguês.

Se não respeitam a missão de informar não merecem o direito de a utilizar em benefício próprio.
Para publicidade e divulgação gratuita que mandem um fax. Ou por email uma apresentação em PowerPoint que o editor logo vê se tem relevância ou não para publicação imediata...

Publicado por sharkinho às 03:17 PM | Comentários (17)

fevereiro 08, 2008

HOTEL RUANDA

total caos.jpg

Vi ontem pela primeira vez, em versão cinematográfica, apenas uma mera representação do horror de que se fez aquela história. A realidade, aquela que a outra História conservará para um dia nos esfregar nas ventas da memória uma vergonha das que julgávamos contemporâneas dos nossos pais e avós, fez-se de uma explosão de barbárie que só surpreende quem nunca olhou os olhos de uma multidão descontrolada. Basta somar o ódio à receita e temos o caldo entornado sobre a bonomia humana que deveria bastar para que estas coisas jamais acontecessem.

Estas coisas continuam a acontecer e no nosso tempo de vida adivinho sequelas deste filme naquele ou noutro ponto qualquer do planeta que aos poucos se divide em dois. Ricos e pobres, "bons" e "maus", brancos e outros, ocidentais e esfomeados. E sedentos, e desesperados. E, como o filme em causa evidencia, entregues à sua sorte sempre que a desdita os privar de petróleo, de ouro, de qualquer riqueza ou simples relevância conjuntural que impulsione a vontade de intervir por parte de quem pode mas só faz quando calha.
Quando convém.

Agitar consciências.
É uma expressão que antes me dizia tudo e hoje diz quase nada. As consciências moribundas apenas se agitam em pequenos estertores oportunistas de quem inclina o corpo, desconfortável, para o outro lado do sofá enquanto rumina o pequeno drama do quotidiano de quem não possui moralidade para queixume algum perante o somatório de exemplos que este mundo, a metade dos que se choram sem motivo e a metade dos que já não dispõem de lágrimas para chorar, nos disponibiliza como termo de comparação.

Num modelo social a que chamamos ocidental e que nos ensina a sentirmo-nos príncipes da terra, importantes, determinantes, especiais, grassam os factos que nos provam apenas números na gigantesca contabilidade da máquina que ignora ou trucida quem deixa de fazer parte do tecido produtivo, da roda dos milhões que alimentamos sem cessar apenas para evitar que ela nos morda as mãos. Somos números, apenas, por quanto nos esforcemos para o desmentir até que a falência, a doença, a velhice ou outra fragilidade qualquer nos exponha a fractura sem clemência.
A factura da evidência que os do outro lado do mundo global conhecem à nascença e que os arrasta pela miséria perante a nossa indiferença até o problema se fazer sentir de forma tão descarada que ninguém o pode ignorar.
Quase sempre tarde demais.

Os interesses, não os nossos - gente comum - mas os de quem decide porque pode ou porque a apatia generalizada o permite, sobrepõem-se cada vez mais ao valor de qualquer vida, de muitas vidas até.
Somos apenas aquilo que a sorte deixar e enquanto o nosso caminho não se cruzar com o de um poder sem rosto que nos mima se o servirmos, que nos despreza se o deixarmos e que nos esmaga se o tentarmos contrariar.

E sorte a nossa, a de podermos ainda assim obliterar numa qualquer forma de alienação a responsabilidade passiva pela perda de um milhão daqueles que no outro lado do mundo, quase tão distante como o falso planeta chamado Plutão, servem de figurantes mudos nestes filmes para os cegos e os surdos que apenas aguardam na plateia a sua vez de se sentirem tão supérfluos como aqueles que a sua indiferença abandona, cobarde, à certeza de uma morte que se podia evitar.

Ou de uma sobrevivência cujos termos tornam essa realidade num pesadelo ainda pior.

Publicado por sharkinho às 10:27 AM | Comentários (4)

janeiro 28, 2008

SEM DIGNIDADE NO FIM

Com pouco tempo de intervalo, dois homens morreram no nosso país. Ambos septuagenários.
Um perdeu a vida no corredor de um hospital, caído da maca onde alguém o deixou a sós com o destino que assim lhe traçou como se uma decisão pudesse travestir-se em pistola disparada à queima-roupa na cabeça que a queda desamparada destruiu. O outro foi despachado num táxi, semi-nu, como uma coisa que atrapalha e urge descartar. À pressa. Para logo a seguir regressar, ainda mais doente, e apresentar a sua recusa definitiva à hipótese de futuras humilhações.

Isto não são histórias susceptíveis de envergonharem um país. A vergonha, a que escasseia, concentro-a apenas nos rostos anónimos de quem participou na infâmia que acima resumi.

E gente culpada de indecências assim assume-se apátrida na minha indignação.

Publicado por sharkinho às 09:26 PM | Comentários (10)

janeiro 26, 2008

QUE LHES TOMBE O BASTÃO NAS VERGONHAS

É curiosa a convergência de reacções dos principais partidos políticos às declarações do novo Bastonário da Ordem dos Advogados, a propósito da classe política e dos sinais de alerta que são voz corrente na opinião pública.
António Marinho não disse mais do que tempos atrás saiu da boca de alguém ligado à Procuradoria-Geral da República e a vida real vai confirmando penosamente nos jornais e no quotidiano da população.
No entanto, em uníssono, as virgens ofendidas saltaram de imediato dos seus feudos cor-de-rosa e exigem um inquérito. Um inquérito, já!

Aos olhos de quem está de fora, esta súbita exigência de justiça, de esclarecimento das acusações implícitas nas palavras de quem se limitou a chover no molhado, soa tão farsante que parece talhada à medida para o Entrudo que se aproxima.
O tom das reacções dos figurões que deram a cara pelos seus clubes privados, alegadamente justificadas pela relevância das declarações por provirem do Bastonário, denuncia a sua vontade de fazerem a folha a quem falou demais e está mesmo a jeito para servir de exemplo e, em simultâneo, constituir (no falhanço inevitável e costumeiro do elemento de prova) mais um argumento da classe política em abono da integridade que não consegue alardear onde e como interessa ao país.

Ou seja, ao tentarem atrair António Marinho à cilada das perguntas sem resposta possível que o possam cobrir de descrédito, exigindo nomes e factos para consubstanciar as suas declarações, pretendem apenas punir um incómodo desbocado que antes muitos amargos de boca lhes tinha dado durante o seu tempo de antena enquanto comentador de noticiários televisivos.
Isto porque, e como António Marinho argumenta, o facto de denunciar o tráfico de droga que é uma realidade no país não obriga seja quem for a fornecer os nomes e as moradas de todos os traficantes e consumidores.

E tem razão, o Bastonário, e só não vê quem não quiser quais são as motivações da classe política ao chamarem à pedra alguém que disse o que toda a gente já percebeu à sua custa e do país que os fenómenos por ele mencionados destroem aos poucos.
Estranho também a prontidão na exigência de explicações, de apuramento de responsabilidades, de vontade irreprimível de defender o bom nome de um grupo que possui mais meios do que qualquer outro para o fazer. Na praça pública, nos órgãos do poder que ocupam e onde poderiam provar-se incorruptíveis, inexcedíveis, tão intocáveis como pretendem agora mascarar-se nesta paródia, mais uma, no âmbito do Carnaval em que deixaram transformar a vida política portuguesa.

O inquérito exigido servirá apenas como uma panaceia oportunista para as muitas mazelas que saltam a público pelo desmazelo de alguns ébrios da impunidade generalizada ou pelos raros sucessos obtidos por quem ainda arrisca investigar o imenso lodaçal que toda a gente vê com os olhos e que por medo, por cumplicidade ou por simples (e perigosa) indiferença ninguém cuida de limpar a fundo como há muito se impõe.

Mas o Carnaval são só três dias. E Portugal são muitos mais.

Publicado por sharkinho às 01:50 PM | Comentários (4)

janeiro 24, 2008

PEQUENAS TRAIÇÕES

Temo pelo meu país. Temo a deserção em massa, resignada, verbalizada em desabafos que me soam a traição sempre que apelam à integração numa pátria que não a nossa.
A jangada de pedra alucinada de um homem senil, defendida em doca seca pelos que preferem invejar a riqueza alheia do que lutar por todos os meios para lhe equiparar a sua, esse barco apátrida comum, começa a tomar forma no discurso dos desiludidos, dos vendidos e de todos quantos olham para a bandeira como um adorno de janela em dias de futebol.

Sinto sobretudo o desdém instalado no discurso dos que advogam o fim absoluto das fronteiras, sem qualquer melindre perante a hipótese (a certeza) de que qualquer tipo de Ibéria conduziria à inexorável extinção do território, da língua, da cultura desta Nação que tanto lutou pela sua independência quando a cobiça se manifestava do outro lado da linha imaginária que nos desenha na península que o acaso geográfico criou.

Temo que esta moda derrotista, inconsequente no desfecho ambicionado por alguns, constitua mais um prego no caixão deste país que deixamos definhar à mercê de uma mentalidade mesquinha, pequena, oportunista.
Renego um progresso do qual faça parte a perda da identidade portuguesa, da realidade construída por gente de outro calibre, por antepassados cuja memória insultam os que passam uma esponja leviana sobre valores que jamais se deixam cair.
E os mercenários que espreitam e invejam a monarquia vizinha esquecem-se do facto de quem reina no mundo actual ser um país mais recente, um país acelerado precisamente pelo esforço suplementar que o nacionalismo lhe confere.

O amor a uma Pátria não é algo de que se possa abdicar com base em critérios de treta, economicistas. Uma Pátria ama-se e respeita-se, luta-se por ela. E eu não admito hipotecar o futuro dos meus descendentes, a sua origem portuga, por condescender com a aleivosia de comodistas, de gaiatos, de invejosos que nada conseguem dar de seu a uma realidade colectiva que os envergonha mas acreditam-se dignos de se integrarem numa realidade que afirmam melhor do que a sua.

Eu tenho orgulho no meu Portugal.

E nessa matéria jamais pactuarei com falinhas mansas, paninhos quentes ou pequenas traições de mesa de café.

Publicado por sharkinho às 11:05 AM | Comentários (14)

janeiro 15, 2008

ALGUÉM EXPLIQUE ISTO AO ALBERTO JOÃO

Participar em muitos corsos não basta para conseguir que a ilha da Madeira se mascare como uma espécie de Córsega.

Publicado por sharkinho às 08:30 PM | Comentários (6)

janeiro 07, 2008

PAGO MAS NÃO CALO

Em termos práticos o que distingue um casino de uma discoteca no que concerne à nova lei anti tabagista? Nada, por muito que isso dê jeito ao presidente da entidade a quem compete fiscalizar (e não interpretar) a aplicação do preceito.
Mas sinceramente estou-me nas tintas para essas questões de pormenor que apenas servem para evidenciar o cariz excessivo, fundamentalista, desta legislação de merda como quase todas as que me têm servido enquanto cidadão desta Europa purificada à imagem e semelhança do seu invejado mas decrépito modelo americano.

Aquilo que me interessa é o efeito real, a degradação da minha imagem enquanto pessoa por via de um vício a cuja implantação nenhum Estado é alheio. Entre a imagem do criminoso que insiste em fumar no restaurante onde almoça (so far so good) e a do triste que se expõe à intempérie ou ao calor sufocante porque precisa de uma passa a seguir ao café, venha o diabo e escolha.
Incomoda-me, esta soma de marginalizações que o meu país me impõe apesar da sua fama de terra de brandos costumes.

A verdade nua e crua é a que me revela que o mesmo país onde tanto floresce a economia paralela e onde o desrespeito pelas leis se faz sentir nas estradas, nos postos de trabalho, nos anúncios televisivos, na fuga aos impostos, em quase tudo quanto deste Portugal se faz, é aquele onde a bandeirinha da lei “que dá jeito” mais depressa surge hasteada nas mãos limpas das puritanas e dos puritanos que lhe reclamam a eficácia enquanto, pelas costas, fazem vistas grossas a uma infinidade de obrigações por cumprir e a todas as que bloqueiam o seu próprio feudozinho clandestino e, quiçá, ilegal de obtenção de proveitos da mais diversa ordem.

Porque carga de água a lei não permite espaços EXCLUSIVAMENTE dedicados aos fumadores? Sim, espaços magníficos SÓ para fumadores. Onde o não fumador possa sentir na pele o facto de incomodar com a sua rejeição os que lhe são hostis, os fumarentos, e anseie pela saída desses locais. Que o não fumador se sinta constrangido de frequentar, proibido, a mais.

Porque é que na trampa de um aeroporto grande a perder de vista não existem salas próprias para os viciados que aguentam horas de espera apenas para mudarem de avião?

Porque é que esta lei parece talhada para transformar um vício num pecado sem absolvição aos olhos de uma população maioritariamente hipócrita que até há pouco tempo preferia que as suas mulheres abortassem em Espanha ou às mãos de carniceiras, pela surra, do que conceder-lhes esse direito na sua própria terra?

São estas, entre outras, as questões que me fazem engolir a custo os argumentos “razoáveis” dos passivos que estão fartos dos abusadores. Porque só falam mais alto (os argumentos) porque os alvos estão à mercê dessa hipótese de exercer algum poder sobre o próximo, ainda que alguns em situações pontuais se possam ter sentido incomodados por uns quantos distraídos, abusadores ou simplesmente imbecis.
Não vejo o português comum chamar a polícia porque alguém está a privá-lo de outros direitos num restaurante que não os do ar tão limpo como o da sua consciência (em boa parte dos casos)…

Esta lei, pelos seus contornos excessivos que se reflectem nas reacções extremadas, está a fazer-me sentir ainda mais ultrajado do que outras que me marginalizam e me empurram para filmes que, por exemplo, um holandês não precisa viver.
Eu não sou um atleta, já fui. E duvido que as probabilidades do usufruto do meu fumo causarem danos nos fulanos sentados a 40 metros da minha mesa num restaurante arejado sejam muito maiores do que a de um piloto de uma avioneta me aterrar na sopa.
Mas ele pode voar, apesar dos riscos para a minha integridade. Como outros podem fazer corridas na Ponte Vasco da Gama, eu vejo-os e ouço-os, apesar de ser proibido e de o risco ninguém poder negá-lo.

E por isso, enquanto cidadão livre e sem anotações no registo criminal ou acusações pendentes, não preciso de considerandos éticos, morais, fiscais ou jurídicos para ter a certeza absoluta de que se trata de uma lei que tenta impor uma conduta com base numa motivação (falsa) moralista, caprichosa, e com objectivos que soam claros a quem os sente na pele.

Isso basta-me para a saber errada.

Publicado por sharkinho às 03:50 PM | Comentários (2)

janeiro 06, 2008

ESTUPIDEZ SECULAR

Numa aldeia qualquer em Trás-os-Montes é tradição no dia dos Reis as crianças poderem fumar.
Ou melhor, dado tratar-se de uma tradição secular, as crianças TÊM mesmo que fumar uns cigarrinhos com o beneplácito dos próprios pais que os compram.

Nunca pensei vir a encontrar algo de mais desprezável ainda do que anti-tabagistas primários...

Publicado por sharkinho às 02:22 PM | Comentários (9)

dezembro 31, 2007

E A BANDEIRA QUE ISTO DÁ?

bandeira esfarrapada na torre.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 01:01 AM | Comentários (4)

dezembro 26, 2007

QUERIDO PAI NATAL

Se não fosse agnóstico tavas lixado que trocava-te mais o teu saco cheio de inutilidades consumistas, maçadas e correrias desnecessárias pelo menino nas palhinhas deitado que era um descanso...

Publicado por sharkinho às 12:42 PM | Comentários (5)

dezembro 25, 2007

A POSTA QUE NÃO É CONVOSCO

Recuso-me a aceitar a vossa postura careta, a vossa conversa da treta acerca dos prazeres dos outros que rejeitam apenas porque nunca os conseguiram provar.
Rejeito eu, a hipótese de acatar alguma espécie de subserviência aos objectores de consciência dos amores proibidos, os que amam escondidos como se fosse vergonha uma pessoa sentir-se feliz.

Renego a posição dos que entendem o sexo como uma coisa pequena que reduzem à versão mais obscena para poderem mais facilmente pactuar com a respectiva ausência.
Oponho-me à sua abstinência quando aplicada à força a todos quantos possam servir de mau exemplo para uma conduta irrepreensível, a que no seu entender é uma coisa impossível de tolerar nos dias em que não conseguem desabafar a sua infelicidade intrínseca que tentam passar aos outros como uma doença contagiosa ou mesmo como uma maldição.

Contrario essa vossa versão mal fodida quando apenas empata a vida a todos quantos a queiram vencer e a vitória está afinal no prazer que dela se extrai. Cada um à sua maneira, percebam como é foleira essa vossa aversão a tudo quanto evoque a tesão perdida algures num beco sem saída dos que se lamentam mas nem por isso nos sustentam a paciência infinita requerida para vos aturar os queixumes sob a forma de repreensões aos outros, os que incomodam pela diferença, ou mesmo com uma atitude mais hostil.

A agressividade latente nessa reacção urticária, beatas e beatos palermas, é coisa que reflecte apenas o desconforto que vos invade sob a influência nefasta da frustração. E deviam canalizá-la para a força na luta contra tudo aquilo que vos azeda por dentro em vez de a dirigirem para os rostos sorridentes que contrapõem as vossas carrancas cinzentas que nos infestam com castrações medievais.

Porque no fundo é a liberdade que vos incomoda, a de quem não se priva de uma boa estrada em vez de estagnar num cruzamento a hesitar, sem saber por onde seguir durante tanto tempo que se desenvolvem raízes que os agarram ao chão no ponto de intersecção entre a vontade que reprimem e a cobardia que camuflam com falsos pruridos de merda.
Com maledicência e desdém sobre o melhor que a vida tem e eles não agarram, pudibundos, enquanto definham, moribundos, à mercê das suas opções desastradas que repetem sem cessar até nenhuma outra restar que não a dos fenómenos de rejeição contra cada puta das que mostram o peito e não se dão ao respeito, vão para a cama com qualquer um mesmo que não seja nenhum porque andam assim pela rua e eles, porcalhões, perseguem-nas como cães e tudo isto faz muita confusão na cabeça da pessoa que ouviu falar do orgasmo como um pecado capital e nunca ousaria experimentar.

E eu desprezo-os e a elas também sempre que o discurso recai naquilo que as outras e os outros são capazes de fazer na tal demanda pelo prazer que só se pode considerar vergonhosa, sendo essa a única saída airosa para disfarçar a inveja recalcada.
E eu não mantenho a boca calada perante esse dedo apontado, esse dedo quantas vezes utilizado para libertar um pouco da tensão acumulada, à socapa de quem ressona a seu lado na cama, dessa postura falsa puritana que esconde muitas vezes o deboche descontrolado e por norma enviesado pelos medos e pelas distorções que só as mentes enclausuradas conseguem produzir.

Não consigo esconder a minha aversão a essa estúpida tentação para a crítica feroz aos que se libertam de alguma forma desses grilhões inibidores das paixões como dos amores e avançam pela existência sem ligarem pevas às pessoas tão parvas que nem reconhecem o absurdo inato à sua mesquinhez, à sua mania de imporem aos de fora os limites que sonham em segredo violar um dia mas esse dia tarda sempre a chegar e chega, na maioria dos casos, tarde demais para compensar a alegria que morreu numa qualquer noite fria e solitária na companhia de alguém que os ignora.

E vou seguir pela minha estrada fora sem admitir interferências ou qualquer tipo de ingerências no que concerne ao meu direito individual de me assumir irracional quando as emoções prevalecem, ou de preferir o recato prudente que sinta mais conveniente em determinada altura sem que isso sirva de pretexto para os considerandos seja de quem for.

Porque acredito que o amor, sob qualquer das suas manifestações, sejam elas para toda a vida ou fugazes paixões, não se presta ao juízo de quem pela forma de intervir, com tiradas anedóticas, prova não o possuir.

E porque estou farto de hipócritas.

Publicado por sharkinho às 12:50 PM | Comentários (3)

dezembro 19, 2007

FUMO PROSCRITO

O Governo encarregou-se de me proporcionar mais um excelente pretexto para a clausura, consignando na lei aquilo que já muitos particulares me impunham nas suas casas e mesmo nos seus automóveis (apenas uma vez por pessoa, remédio santo para se livrarem da minha presença futura).

Vou cozinhar mais, vou sair menos e mesmo assim restam-me poucas dúvidas de que acabarei multado algures.
Ou desatinado com algum dos muitos que já me olham de lado, ar de repulsa, por causa da beata que ostento onde ainda posso, tão parvo quanto teimoso, ao canto da minha boca marginal que por agora apenas lhes sorri, desafiadora.

Publicado por sharkinho às 11:59 AM | Comentários (56)

dezembro 17, 2007

TALVEZ SE LIXEM...

Leio muitas mulheres que blogam empenhadas em eliminarem à bruta as diferenças entre géneros, sem distinguirem as estapafúrdias e que urge abolir das que em nada prejudicam seja quem for, que marcam a saudável diferença, e que um dia, rodeadas de criaturas andróginas e insensíveis aos pormenores, poderão apenas recordar com saudade.

E remorso, pelo seu desdém leviano para com os poucos que ainda se ralam com aquilo que assumem já não lhes fazer falta e a que reagem como contra quem verdadeiramente as insulta, vulgarizando-as, tratando-as de forma displicente e descuidada.

Como se tratam os nossos (demasiado) iguais.

Publicado por sharkinho às 11:47 AM | Comentários (8)

dezembro 13, 2007

A POSTA NAS BRINCADEIRAS DO BARALHO

Esta ideia peregrina dos CTT de chamar Phone-Ix a mais uma das suas incursões pelo mundo dos negócios (quaisquer negócios desde que não envolvam trocas de correspondência e assim) constitui a meu ver um perigoso precedente que urge denunciar.
E mais: temos que boicotar esta iniciativa por ser uma ameaça ao calão (não me refiro ao gestor que investiu o seu tempo a brincar aos telélés em vez de bolar um esquema infalível para as nossas cartas não irem parar à Conchichina).

Vamos falar a sério. Isto não vos tirou o gozo todo à utilização do bom e velho fónix? A mim tirou, pois já bastam os autocolantes no pára-brisas do carro para cumprir a minha quota de publicidade à borla.
Pior ainda: quando um gajo dizia fónix a associação de ideias conduzia-nos a coisas muito mais fixes do que telemóveis, era ou não era?
Por isso é que não podemos ser levianos e levar o assunto prá paródia. Em causa está um recurso valioso para impedir, por exemplo, gajos como eu com a língua habituada a pimenta desde tenra idade de dispararem a torto e a direito a versão hardcore do tal fónix de que os CTT nos privaram à bruta.

E agora? Que rumo tomará este país na nomenclatura das suas marcas?

Será que vamos assistir à proliferação de brincadeiras do baralho (não mexem nas cartas mas ganham o jogo na mesma) no nosso tecido empresarial?
Será que vamos ter uma revista Carassas, uma pizzaria chamada Pissaria ou um preservativo Kekas?

Julgo que já perceberam que “eles” estão a tentar transformar-nos em mupis ambulantes, com som.
Isto desvirtua a economia paralela linguística mas também interfere com a ética comercial propriamente dita.

Por isso deixo aqui o meu apelo para que não permitam o sucesso a esta insidiosa manobra publicitária que, logo que começarem a seguir-lhe os passos, vai privar-nos de uma escapatória indispensável quando nos está mesmo, mesmo a sair a bujarda e um gajo dá uma guinada e desvia-se do asneiredo à tangente com soluções de recurso como o bom velho fónix representa.
É um perigo enorme, digo-vos eu, e tem o selo de uma instituição que (ainda?) dá cartas, como se vê, na prática embrionária deste novel marketing bué.
A seguir lixam-nos o fôsgasse, ou têm dúvidas?

Já agora aproveito para vos alertar que o fim do mundo está próximo.
(E foi o Elvis quem matou o JFK).

Publicado por sharkinho às 11:17 PM | Comentários (9)

dezembro 11, 2007

A POSTA QUE A PUBLICIDADE ENVELHECE A PESSOA

Quando era mais puto prestava muita atenção aos anúncios da televisão e até lhes decorava as músicas. Achava na altura, e hoje tenho a certeza, que a publicidade reflectia muitas das tendências de cada época e por isso constituía informação a ter em conta.
Apesar dessa mania que muito acelerava as mijinhas nos intervalos dos filmes, ainda os blocos publicitários davam à justa para percorrer o corredor até à casa de banho, ida e volta, eu tentava não me deixar influenciar nas decisões de compra. Uma daquelas pelejas à David contra Golias que eu, sempre calmeirão, raramente conseguia experimentar na porrada com os putos como eu, armados em rufias. Um desafio, como lancei algures aos jogos de casino e quase perdi, ao fim de uns anos a enfrentar a besta.

E agora entro na parte da posta que tem mais a ver com o título.

É que dantes eu percebia a linguagem publicitária, apanhava logo o trocadilho e sentia-me um consumidor esclarecido. Agora sinto-me perplexo perante a imbecilidade, a boçalidade, a irritabilidade que a maioria dos spots representa. E mais, agora deu-lhes a mania de repetirem até à exaustão, num mesmo bloco a perder de vista, os mais idiotas.
Vem-me à memória assim de repente o último que envolve os Gato Fedorento e umas pitinhas todas larocas, o que tu queres sei eu, e depois aparece o sapolas e mais não sei o quê e eu pergunto-me: o mercado alvo da PT Multimédia é assim tão vincada, descarada e definitivamente composto por broncos e broncas?

Mas há mais, como os da TMN, , numa sequência a atirar pró Bronx com uma malta bué da jovem a praticar o coolto do telemóvel, ainda mais bizarra do que a generalidade das campanhas das operadoras telefónicas. E quase todos os que envolvem hipermercados, fora da época das leopoldinas e das popotas. E ainda uma parte dos que bombardeiam as crianças com brinquedos, como um gótico que já referi algures de uma tal de Dareway (uma espécie de veículo motorizado com uma posição de condução ridícula).

São cada vez mais os anúncios que não entendo, que rejeito, que me enervam. A moral da história, como o exemplo flagrante da publicidade a um automóvel que gira em torno de um acto de vingança de uma fulana contra o namorado que lhe tratou o popó sem o carinho exigido, é quase sempre perversa. A estética escarrapachada nuns quantos é, no mínimo, duvidosa. E as figuras mediáticas exploradas até ao tutano não têm, na maioria, jeito nenhum para figuras de proa publicitárias.

E eu fujo cada vez mais das recomendações que custam balúrdios a alguns anunciantes descuidados ou sem olhinhos na cara, nem que seja para punir a forma preguiçosa como me tentam impingir a banha da cobra.

Cada vez mais envelhecido por me sentir completamente desnorteado perante o mundo estranho e imperceptível como a publicidade moderna o ilustra.

Publicado por sharkinho às 12:02 AM | Comentários (2)

dezembro 09, 2007

BANDA LARGA MY ASS

Depois de uma experiência atribulada com uma placa GSM, a TMN propôs-me a sua banda larga e eu, el pato, anuí.
Agora, e depois de constatar que a rapidez dessa banda dita larga é muito inferior à do ADSL a que recorro em base fixa, tenho o modem a flipar e fico sem net a qualquer instante.
Por isso ainda hoje não postei e esta é a minha última tentativa de o conseguir.

Adivinhem quem é que vai passar uma manhã de início de semana pouco simpática numa loja dos nossos amigos da operadora móvel que mais me intruja?

Até já...

Publicado por sharkinho às 06:49 PM

novembro 25, 2007

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER É UMA ABERRAÇÃO!

Já espalhei por este blogue a minha posição acerca do assunto e por isso não vou chover no molhado e remeto-vos já de seguida para o Criancices e para o linque que a Rosa nos indica.

Hoje é o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulher.

Publicado por sharkinho às 04:56 PM | Comentários (4)

A ORTOGRAFIA DO MEU DESACORDO

A aproximação do momento de entrada em vigor do acordo ortográfico que visa uma “uniformização” artificial das várias expressões do português no mundo obriga cada um de nós a adoptar uma posição definitiva na matéria.
Perante a escolha entre aceitar o arranjinho de gosto duvidoso e com fracas justificações ou vestir a pele de velho do Restelo, numa primeira fase, e de iletrado, se o dito acordo perdurar por mais tempo do que o necessário para se revelar na verdadeira dimensão do absurdo, assumo por antecipação a minha.

A primeira consequência que antevejo desta idiotice colossal é a confusão instalada a partir do momento em que exista um boicote expressivo à mesma. Há sempre quem assine de cruz todas as imposições, mesmo as mais disparatadas, e desse lote farão parte docentes e pessoas com responsabilidades ainda mais acrescidas no domínio da língua portuguesa e sua evolução.
Adivinham-se facilmente os contenciosos e dificilmente a razão se fará impor com base nos critérios definidos por qualquer lei.

A segunda, mais séria, prende-se com a inevitável fricção que surgirá entre quem fala português em países distintos, sobretudo entre portugueses e brasileiros.
E isto não acontecerá por via de alguma animosidade latente, mas pelo simples facto (fáqueto) de um dos argumentos mais óbvios para evidenciar a estupidez do tal acordo ser a hipótese surrealista de, por exemplo, os britânicos decidirem abraçar alguns termos correntes nos Estados Unidos, na Austrália ou na África do Sul.
Mesmo que consigamos evitar o argumento fácil de ser Portugal o berço da língua portuguesa e por isso logicamente imune à influência das suas derivações além fronteiras (o contrário seria igualmente pouco razoável), soará sempre arrogante aos de fora a nossa rejeição liminar.

Mas há mais implicações nesta tentativa abjecta de imposição de uma ideia peregrina e que, adianto já, nem se equaciona aplicável se não for referendada. Não estamos a falar de algo que não interfira de forma significativa no dia a dia das pessoas, mas sim de um conjunto de alterações que se repercutirão, por exemplo, no corrector (corréquetor) do Word em que escrevo estas linhas.
E na indefinição do estatuto dos que recusarão alinhar nesta gigantesca palermice, nomeadamente os escritores, os jornalistas, os copy publicitários e, de uma forma geral, todos quantos vivam do seu talento para a escrita.

Por tudo isto e porque me legitimam muitos anos de expressão escrita em variados suportes sem que me questionassem o jeito para a função, sinto como um imperativo moral comprar esta guerra.
Sem aceitar a derrota como opção.

E ainda tenho uma filha para aditar ao dilema que uns quantos cretinos entenderam forjar.

Publicado por sharkinho às 01:22 PM | Comentários (9)

novembro 16, 2007

CONFUSÃO DE NARIZES

Orgulho e insolência parece serem conceitos facilmente confundidos pela malta.
Eu distingo-os com base numa regra muito simples: o orgulho é uma característica intrínseca (ou reacção a determinados impulsos) exclusiva das pessoas de bem (as propriamente ditas, não as farsantes) que as pode fazer sentirem-se ou parecerem insolentes em ocasiões pontuais.

A insolência, por outro lado, é comum nos medíocres. E esses, por muito que se pintem, nunca encontrarão no seu carácter e na sua conduta pretextos para se orgulharem por aí além...

Publicado por sharkinho às 04:41 PM | Comentários (2)

novembro 15, 2007

FEBRE DO OURO

Em épocas de crise financeira a ética é alvo de um processo de reengenharia para a flexibilização temporária do conceito.
Nas faces visíveis da aplicação prática desse vergar da espinha (tão "desculpável" à luz da moda do salve-se quem puder) descubro que a única novidade consiste no facto de à tradicional ganância se acrescentar o desespero de causa de alguns.

Contudo, esse acrescento e respectiva carga dramática apenas atenuam, e estritamente nas consciências de quem a pratica, o efeito foleiro da violação dos princípios enquanto mal alegadamente necessário.

Pois atenuam. Mas jamais desculpabilizam.

Publicado por sharkinho às 05:05 PM

novembro 14, 2007

PARA CONCLUIR, E PARAFRASEANDO O ILUSTRE JOÃO PEDRO DA COSTA...

gesto obsceno da autoria do grande joão pedro da costa.JPG

Sim, é mesmo uma expressão de arte (nouveaux) da comunicação pragmática, sucinta e montes de frontal da autoria do ilustre João Pedro da Costa!

(E isso, qualquer blogger sabe, retira-lhe todo e qualquer conteúdo ofensivo e esvazia de sentido toda e qualquer interpretação com conotações ordinárias. É a mão de uma vaca sagrada desta comunidade. Sem grão.)

Publicado por sharkinho às 11:38 PM | Comentários (4)

novembro 13, 2007

A QUEM NÃO ME CONHECE...

...Ainda desculpo, pois pode alegar que desconhece o cariz desproporcionado (imprevisível) das minhas reacções quando me picam directamente ou de forma enviezada apontando para alguém próximo.
Quem me conhece é mesmo burro(a) se vai por esse caminho.
Sobretudo sem qualquer objectivo concreto ou justificação plausível e com muito mais a perder do que a ganhar...

Não sei como os outros fazem (ou o que sabem) para silenciarem esses impulsos, ao ponto de poderem desrespeitar atrevidos/as em público e ainda lhes renderem homenagem em troca.
É que eu, um bruto iletrado e sem galões académicos ou outros para me valer, defendo-me com o pouco que sei e quase sempre sob a péssima influência do temperamento desbocado que me vejo grego para controlar.

Mas às vezes só aprendemos mesmo quando "elas nos mordem", não é?

Publicado por sharkinho às 04:53 PM

UNS POSTS ATRÁS

Referi que um simples obrigado bastaria.
Em causa estava um comentário meu que alguém deixou ostensivamente sem resposta. E não se tratou de uma distracção, pelos contornos do próprio espaço e pela diferença de tratamento relativamente a comentários anteriores e posteriores ao que fiz, por delicadeza, mas de um claro sinal de que a minha presença não é bem vinda ou, no mínimo, sequer notada.

Cada mundo tem as suas regras específicas em matéria de conduta e neste eu também violei algumas.
Mas estou tão saturado de receber facturas que entendo ser meu direito apresentar o troco dessas pequenas exibições públicas de desprezo que podem vestir-se de muitas peles.

E eu visto sempre as minhas. A partir de hoje há menos um blogue (uma pessoa. Ou melhor, um nick...) no meu roteiro e encerram em definitivo as vias de contacto entre mim e quem dessa forma, conhecendo-me bem, me insultou e que não nomeio apenas porque isso constituiria uma grosseria equivalente àquela como a senti.

Publicado por sharkinho às 11:09 AM

novembro 12, 2007

UM SIMPLES OBRIGADO

Teria bastado...

Publicado por sharkinho às 12:20 PM

novembro 11, 2007

A POSTA QUE EU FICAVA POR AQUI

O silêncio, para algumas pessoas, é uma arma que utilizam apenas pela surra, nos bastidores, como instrumento de puras chantagens emocionais.

Às claras, é quase certo que lhes dá para falarem sempre demais.

Publicado por sharkinho às 10:53 PM

novembro 06, 2007

DEZOITO NUM SÓ DIA

Três títulos noticiosos vezes seis cadáveres.
Dezoito vidas perdidas na estrada em menos de 24 horas, num trio de agulhas aziagas na linha por onde circulavam demasiadas pessoas à hora errada.
Um autocarro empurrado para o vazio por um ligeiro que se distraiu; um assassino cobarde (pois fugiu sem auxiliar quem vitimou) que ignorou um semáforo e abalroou quem passava; uma avó que hesitou numa passadeira e um condutor que, dizem, nem ia em excesso de velocidade, transformado no algoz de um miúdo com seis anos de idade apenas.

Foram dezoito. E ainda restam uns quantos em agonia nos hospitais, alguns certamente reservados para vidas bem diferentes das que esperavam viver antes das tragédias que os ceifaram.

Para quando os veículos feitos de borracha e com motores cuja elevada potência não constitua argumento publicitário?

Publicado por sharkinho às 09:25 AM

novembro 03, 2007

COMO É QUE ALGUÉM

Conduz na zona do Terreiro do Paço a uma velocidade suficiente para arrastar o corpo de uma jovem por mais de cem metros até conseguir parar a merda do carro?

Publicado por sharkinho às 12:14 AM | Comentários (3)

outubro 26, 2007

I REST MY CASE

Eis os elementos de prova, extraídos ao acaso de entre as decisões mais mediáticas da Justiça portuguesa:

Uma mulher que matou a filha de 2 anos a pontapé foi condenada a 7 anos de prisão. Talvez cumpra mais de metade da pena.
Um homem que violou uma criança deficiente com 11 anos de idade e que ainda hoje continua dependente de apoio psicológico foi condenado a 4 anos de pena suspensa(!) e a pagar à família da vítima a astronómica quantia de €10.000.

Ajuize quem quiser. Eu sou apenas um leigo. Boquiaberto.
E cada cabeça sua sentença...

Publicado por sharkinho às 12:47 AM | Comentários (2)

outubro 22, 2007

DAS APREENSÕES PRÁ FOTOGRAFIA

Passei de raspão pela notícia divulgada hoje de manhã na TVI, pelo que não disponho ainda de pormenores. Mas deu para perceber que se tratava do anúncio de diversas apreensões de erva levadas a cabo pelas autoridades em apartamentos particulares.
De acordo com o pivot, as apreensões resultaram de rusgas efectuadas em diversos concelhos da zona da Grande Lisboa e visavam pequenas plantações caseiras para consumo próprio ou, em alguns casos, para o de amigos próximos também.

Só podem estar a reinar connosco.

É proibido vender, plantar e consumir cannabis e derivados. Por esta ordem de importância da proibição, julgo eu. Ou seja, a ideia é deitar a mão aos grandes traficantes (que no domínio das drogas leves são invariavelmente pequenos) e produtores (que em Portugal não existem), até porque o consumo há muito deixou de constituir um factor de criminalização séria.
Como explicam então as autoridades o facto de andarem a perseguir cidadãos que plantam nas suas casas, sem chatearem ninguém e para consumirem nos seus espaços, sem chatearem ninguém (outra vez), em lugar de apontarem baterias para quem possa de facto lucrar indevidamente neste contexto de uma legislação proibicionista absurda?

Agora em vez dos assaltantes de bancos e de bombas de gasolina vão concentrar-se nos tipos que vendem caldo knorr e folha de louro, o gato por lebre do chamon, à malta que passa no Rossio?
Que raio de mensagem pretendem as autoridades divulgar quando anunciam às televisões uma palermice assim? Então agora gabam-se de invadirem a privacidade de cidadãos que em nada prejudicam a sociedade e até lesam os interesses dos traficantes (não lhes compram nada), só para poderem aumentar a quantidade de apreensões?
Só se explicaria se fossem pagos à tarefa ou ao quilo, pois destas apreensões domésticas (quem cultiva é porque consome regularmente) apenas resultam quantidades inexpressivas e novos clientes para os dealers de cada uma das zonas limpas de “perigosos bandidos” pela diligente polícia lusitana.
E isto inverte um nadinha a lógica do combate ao tráfico que preside à estranha obsessão das polícias pela cannabis quando a malta anda toda a snifar coca e a alucinar com pastilhas que se encontram a pontapé na noite lisboeta…

As autoridades andam a lançar-nos serradura para os olhos de caretas para quem a droga, qualquer droga, equivale a terror e degradação social. Dá-lhes jeito esta ignorância das pessoas acerca das diferenças entre drogas duras e leves, tanto no que concerne às verbas (e poderes) envolvidos como, e sobretudo, no que respeita às repercussões dos dois tipos de substância na vida e no comportamento das pessoas.

Se a notícia é verdadeira, este cidadão não está nada agradecido à forma como os decisores definem as suas prioridades e consomem os recursos que o Estado coloca ao seu dispor.
Das duas uma: ou andam a tentar disfarçar o insucesso no combate aos traficantes a sério, das associações criminosas que envolvem fortunas, ou temos no comando das polícias pessoas sem qualquer noção dos alvos que importa abater no verdadeiro interesse do serviço que devem prestar à causa pública.

Publicado por sharkinho às 09:44 AM | Comentários (2)

outubro 16, 2007

FAZ DE CONTA QUE É FICÇÃO

O dia estava bonito mas o gajo de trás insistia em buzinar o seu alheamento a essa realidade prazenteira.
Nada havia a fazer, de resto, bloqueada que estava a via com alguém que decidira trabalhar naquele local e à mesma hora a que o gajo de trás pretendia passar depressa.
Era uma pequena camioneta numa operação de descarga, mas a estrada, secundária e de sentido único, não tinha berma nem espaço suficiente para passarem dois veículos lado a lado.
Restava pois ao gajo de trás aguardar a sua vez e entretanto apreciar o dia bonito que estava.

O gajo da frente fazia de conta que nem percebia, espraiando o olhar pela paisagem campestre enquanto o de trás bufava e buzinava e perdia aos poucos a compostura, apressado para ir a algum lado que, numa tarde de sábado, dificilmente se trataria de compromisso profissional.
Ao seu lado uma jovem produzida, bonita como o dia que estava e o seu companheiro apressado não queria apreciar, desviava o olhar para o lado oposto e tentava ignorar-lhe a atitude imbecil.

Lá fora o dia estava bonito, mas o barulho que o gajo de trás produzia rasgava o relativo silêncio num ponto da paisagem onde apenas se vislumbravam as filas de oliveiras e os montes ao longe a partir dos quais existia de novo a civilização como o gajo de trás a entendia.
Naquele ponto específico havia apenas um grupo de árvores, paisagem, e aquela taberna com toldo de café que só era abastecida quando o rei fazia anos ou quando empatava cretinos apressados como o gajo de trás.

O gajo da frente, com uma calma aparente, aguardava apenas um momento crucial.
O camionista, que corria para a porta do seu veículo de trabalho e implorava com as mãos juntas, fingindo que rezava, a todos o perdão. Que o gajo de trás lhe negava, cuspindo palavrões. E buzinando outra vez, numa espécie de ponto parágrafo ao vernáculo que a jovem ao seu lado parecia ter por habitual.

E nesse preciso instante, o gajo da frente desligou o carro e fingiu tentar dar à chave de ignição.
Depois abriu o capot, dirigiu-se à parte de trás do seu automóvel, calmeirão e aspecto pouco dócil, armou o triângulo mesmo nas barbas do colérico, trancou as portas e começou a caminhar em direcção a nenhures, deixando o outro boquiaberto e bloqueado nas ideias também, mão pousada sobre a buzina inútil.

Ao seu lado a jovem sorria discretamente e saboreava interiormente os cenários possíveis para a sequência daquela situação, enquanto a figura do gajo da frente desapareceu de repente por detrás de uma oliveira mais larga no tronco onde, de resto, se encostaria e pouco tardaria a adormecer.

Publicado por sharkinho às 02:25 PM | Comentários (3)

outubro 07, 2007

A MONTANHA PARIU UM GATO

Aliás, pariu quatro. E nenhum deles conseguiu justificar a minha expectativa pelo regresso dos Gato Fedorento depois de umas férias que, vista a coisa, acabaram cedo demais.
Humor fácil, xi-xi e có-có, toca a cumprir calendário que a receita é ganhadora.

Mas é porreiro eu poder dizer assim mal dos nossos antigos colegas, não só porque assim eles continuam a sentir-se parte deste nosso coio virtual de maledicência mas também porque é sinal de que eles já fizeram coisas giras e depois a malta estranha quando damos connosco a sorrir perante piadas de treta só para a frustração não ser completa.

Agora a sério, não dá vontade nenhuma de rir.

Publicado por sharkinho às 10:31 PM | Comentários (3)

outubro 06, 2007

OK TELEPIROSOS

Os anúncios da Ok Teleseguro e da sua Marta estão cada vez mais pirosos e imbecis.
Este último, com um alegado cliente a ler um "testemunho real", ladeado pela Marta e pelos figurantes de uma agência de modelos a darem pala de emocionados, tudo isto com uma musiquinha da tanga a tocar, é do mais estupidificante que já vi.
E deixa bem claro o tipo de mercado alvo destas "telefónicas" da indústria seguradora...

Publicado por sharkinho às 08:36 PM

outubro 04, 2007

MAS HÁ PIOR DO QUE A RTP...

Só recomendo a quem não tenha um estômago sensível, esta barbárie divulgada pelos nossos colegas felinos.

Publicado por sharkinho às 03:37 PM

BLOG DE LUTO

blog de luto.jpg

Descobri no blogue d'O Cão que Morde mais uma exibição grotesca do sentido de oportunidade da RTP.
Nada menos do que uma tourada no Dia Mundial dos Animais...

E por isso o charco associa-se a esta iniciativa e recomenda juízo aos cretinos que tomam este tipo de decisões esquecendo que os impostos de quem detesta touradas porque gosta de animais também lhes sustentam os vícios.

Publicado por sharkinho às 12:24 PM | Comentários (4)

outubro 01, 2007

PIXMANIA? NUNCA MAIS!!!

Este é apenas o primeiro capítulo de uma novela que aqui publicarei e que relata os contornos da minha primeira (e última) experiência enquanto cliente de uma empresa com sede em França chamada Pixmania.
Enquanto aguardo que se esgote o prazo legal (mas imoral) para a resolução do problema, posso apenas limitar-me a levantar pontas do véu.
Hoje começo por divulgar aquela que considero ser a regra número um para os/as teimosos/as que pretendam arriscar uma compra dispendiosa no site daquela organização.

E essa regra é simples de fixar:

Não comprem no site, comprem na loja.
E acima de tudo JAMAIS efectuem pagamentos sem testarem o funcionamento daquilo que adquirirem!

Publicado por sharkinho às 10:09 AM | Comentários (8)

setembro 30, 2007

JÁ VOLTEI

Antes do que previa, por duas razões.
Primeiro porque já tenho máquina fotográfica e não tardo a publicar de novo os bonecos fresquinhos que a minha nova Canon registou.
Segundo, porque quero avisar-vos para pensarem duas vezes antes de comprarem seja o que for por intermédio da Pixmania. E só não explico já o fundamento deste conselho porque a história que o apoia ainda não conheceu um fim.

Mas adianto que podem ter um desgosto que, por exemplo, na Worten (onde feitas as contas até pagamos menos e temos direito a manuais em português) é impossível de acontecer nos mesmos termos.

Publicado por sharkinho às 08:19 PM | Comentários (14)

setembro 21, 2007

POR NORMA FAZ-SE ASSIM

O meu ofício viu-se apanhado nas malhas das normas comunitárias que nos impõem regras que qualquer portuga consegue instintivamente adivinhar impraticáveis. Somos diferentes, somos rebeldes (nem que a essa rebeldia corresponda apenas o talento inato para contornar com grande limpeza as leis que nos atrapalham).
Mas desta vez o pacote legislativo revolucionário fazia-se acompanhar de algumas exigências em matéria de formalidade burocrática virtual.

A formalidade burocrática virtual, pensamos nós todos os ingénuos que acreditam que a net constitui o golpe de misericórdia na velha máquina da papelada e das tradições enraizadas nas repartições por esse país fora, aterrou no colo dos mangas de alpaca veteranos como um papão.
Contudo, portugas também, a herrenwolk administrativa não tardou a encontrar a forma de adaptar as modernices europeias à sua interpretação de como a coisa deve funcionar para poderem perpetuar os seus feudozinhos onde exercem um poder que, na maioria dos casos, nos lixa.

Então, o bom do Shark, muito antes do prazo previsto (mais de 24 horas de antecedência) lá arrisca a décima tentativa de reinscrição no site institucional do organismo do Estado que tutela a minha presença no mercado.
Vou cingir-me ao essencial porque o resto vocês adivinham na essência.
Dos vários formulários a preencher online para depois imprimir em papel com cariz obrigatório contavam inúmeras inutilidades visíveis, gritantes, inenarráveis.
Mas o maior desafio não passava por aí.

Depois de várias mensagens a vermelho por as respostas não jogarem certo com as pretendidas surgiu a mais intrigante:
A morada não pode coincidir com a localidade fornecida. Em termos simples: o nome da rua, praça, praceta, beco ou avenida não pode coincidir com a localidade que consta do respectivo código postal.
Azar. A minha coincide mesmo. E após alguns insucessos, lá me decidi (porque entretanto o prazo terminou) a roubar a última letra do nome da rua para finalmente ser dada por aceite a dita reinscrição.

Passados alguns dias atendi o telefone e a coisa passou-se assim:

- Está? É do escritório do senhor Shark?
- Sim, sou o próprio.
- Fala do Instituto e é para dizer que o seu certificado não é emitido porque falta uma letra no nome da rua e assim a morada não fica correcta.

Expliquei à senhora o que me levou ao furto da letrinha. E ela:

- Desculpe mas isso não é possível.
- Mas aconteceu perante testemunhas, pelo que terá que acreditar na minha palavra e ter em conta que eu nada ganharia só com a poupança de uma letrinha. Foi a mensagem que apareceu e não me permitia encerrar o processo sem resolver esse problema.
- Desculpe mas isso não é possível. Tem que corrigir a morada para podermos emitir o certificado.
- Mas eu estou a dizer-lhe que o vosso sistema não a aceita. Insiste em chamar-me mentiroso por tabela ou aceita a minha explicação e encontra uma solução para o problema?
- Olhe, aguarde um instante em linha por favor.

Um instante, em termos de organismos públicos, corresponde a uma eternidade na vida real “cá fora”. E eu esperei. E continuei a esperar. Até que surgiu em linha a “superiora”, pessoa de um trato que as normas comunitárias jamais consignarão no meio das suas imposições excessivas:

- Olhe, aquilo que a minha colega tentou fazer foi poupar-lhe cerca de 50 euros que lhe custaria o pedido de correcção à morada em data posterior. O senhor não quer poupar essa quantia, não proceda à alteração agora e aguarde que lhe seja enviada a documentação necessária para o efeito. Bom dia.

Até hoje, meses depois, continuo sem receber o dito certificado que me confirma legalmente habilitado para ganhar a vida desta forma.

As conclusões tirem-nas vocês, pois este lençol já esticou quase tanto como a corda imaginária que simboliza a minha paciência…

Publicado por sharkinho às 12:30 PM

setembro 16, 2007

LIBERDADE PARA INSULTAR?

Volta de novo à ribalta uma questão que me divide na lealdade que um gajo deve, por princípio, manter ao grupo ou comunidade a que está ligado por força de circunstâncias tão aleatórias como a terra onde nasceu.
Uma caricatura de Maomé, sempre ele, assinada por mais um nórdico bem humorado que, nesta ocasião em concreto, entendeu ter piada desenhar o profeta no corpo de um cão voltou a constituir pretexto para a reacção extremada dos que não acham piada a estas manifestações discutíveis do que defendemos “deste lado” como liberdade de expressão.

E é aqui que assumo o meu desconforto enquanto ocidental e cristão. Se por um lado defendo com unhas e dentes a liberdade de cada um exprimir as suas convicções, igualmente acredito no pressuposto que parte do encanto do usufruto da liberdade reside no discernimento necessário para não permitir que se extravasem limites que o bom senso deveria assegurar. Acaba onde começa a dos outros, ouço dizer…
Sou agnóstico e mesmo assim não deixaria de sentir como uma exibição de mau gosto ver uma figura como Jesus retratada nos mesmos propósitos com que o desenhador sueco entendeu insultar a sensibilidade de quem alimenta outra fé.

Por isso considero este tipo de provocações como isso mesmo, provocações gratuitas e desnecessárias. E considerando que nada tenho a ganhar com os pretextos fornecidos aos radicais que abomino (de qualquer fé ou convicção) para se constituírem uma ameaça medonha que já se revelou bem real, encaro o gesto do sueco como uma espécie de traição.
Não vale tudo, no âmbito da defesa dos valores de que não abdicamos. E se não podemos comparar o assassínio de pessoas com a estupidez de insistir num insulto a valores de que outros igualmente não estão dispostos a abdicar, a questão não deixa de se colocar num plano que me desconforta como me leva a achar que interessa a alguém o resultado habitual destas atitudes levianas.

É que no meio desta guerra surda que arrasta toda a gente para lados opostos de uma barricada de forma artificial, moderados como radicais, os resíduos deste combustível vão borrifando consciências até ao ponto de ignição que se traduz na trampa de mundo que este estado de coisas constrói.

Sinto-me inimigo de crápulas capazes de explodirem de forma cobarde inocentes e, na maioria dos casos, civis. Qualquer que seja o pretexto ou a validade da indignação que motive tais gestos, não encontro na minha forma de sentir e de pensar uma única razão válida para justificar a desumanidade implícita num atentado terrorista ou na ameaça de morte com recompensa pecuniária na terra mais a (falsa?) promessa de paraísos no céu.

De igual forma hostilizo os paladinos de uma causa que deve ser a minha mas não abraço a qualquer preço, sobretudo se ao troco potencial estiver associada a repugnância instintiva ao desrespeito pelo outros que está presente também na expressão de liberdade idiota que o tal sueco escolheu.
E não me sinto solidário de forma alguma com a sua euforia perigosa que aos olhos dos que se sentem melindrados só pode ser entendida como uma munição para as tomadas de posição que nos enojam.

Nesta situação concreta a questão da galinha e do ovo não se coloca e às reacções assassinas possíveis corresponde na origem uma ofensa que eu próprio entendo como tal.

E reduzindo as coisas a um plano mais simples, não contem comigo para cruzar os braços se alguém fizer de propósito algo de grosseiro com o objectivo claro e único de acicatar o pior em mim.

Agora é só vestirem a pele de quem, mesmo um jovem muçulmano sem ligações terroristas ou motivações para cruzadas, acredita num Deus e num livro sagrado e se vê confrontado com este tipo de provocação.

Talvez o “amigo” sueco não fique assim tão bem no boneco que resulta da publicação ponderada do insulto expresso com ignóbil clareza no seu.

Publicado por sharkinho às 03:07 PM | Comentários (8)

setembro 03, 2007

E MUNDO

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Foto: Shark

Este onde se pode cair tão fundo ao ponto de se perder de vez o rasto ao caminho de volta.

Publicado por sharkinho às 11:20 AM

setembro 01, 2007

POR UMA BOA CAUSA

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Publicado por sharkinho às 07:58 PM

agosto 31, 2007

SCOLARIDADE OBRIGATÓRIA

O seleccionador nacional de futebol, Scolari, acaba de convocar para a selecção Pepe, o segundo jogador nascido no Brasil a obter esse estatuto no nosso "escrete".

E eu pergunto: o seleccionador nacional de futebol feminino tá a dormir ou quê?

Publicado por sharkinho às 01:05 AM

agosto 20, 2007

AS SUAS VOZES NÃO CHEGAM AO CÉU

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Foto: Shark

Mas fazem-se ouvir na Terra e quem me lê já sabe com o que conta.
As coisas que me irritam a sério traduzem-se em postas um nadinha radicais. E existem temas aos quais sou particularmente sensível e isso extrema ainda mais a minha posição.
O aquecimento global do planeta é um desses assuntos que se revestem de algum melindre e acerca do qual não me agradam os paninhos quentes e outras sabotagens com que alguns tentam empurrar para cima dos ambientalistas uma espécie de teoria da conspiração contra a indústria petrolífera e o bem-estar desmazelado da maioria dos cidadãos.
Eu explico melhor o meu ponto de vista.

Quando as sumidades como Anthímio de Azevedo vêm às televisões num mês recheado de aberrações climáticas defender um autêntico apocalipse no futuro próximo e poucos meses mais tarde fazem a apologia do degelo das calotas polares com base na menor salinidade dos oceanos eu, que gosto pouco de piruetas, viro-me do avesso e cheira-me logo a pressões.

Mas afinal que raio de teoria advogam os que se mostram tão cépticos acerca do peso do Homem na aceleração de um processo que deveria ser naturalmente mais moderado na sua transição? Ou seja, notem que não coloco em causa os ciclos climáticos da Terra mas apenas a dimensão do contributo que a dependência dos combustíveis fósseis tem na respectiva mutação.
E é isso que me irrita.

Que eu saiba, o Greenpeace ainda não instalou centrais termoeléctricas ou eólicas no mar da Noruega. Nem existe uma fábrica de automóveis híbridos secreta mantida com fundos da organização.
Mas existem de facto as plataformas petrolíferas, as refinarias, a economia refém dos interesses de quem explora o negócio que muitos afirmam estar à beira de nos envenenar de forma irreversível.

Existem mesmo os estudos sérios e independentes dos milhões em causa que comprovam a relação causa-efeito dos exageros poluentes e bastaria a constatação a olho das respectivas repercussões.
E bastaria um estudo com credibilidade para obrigar cada um de nós a levar a sério essa hipótese meramente académica que as evidências nos gritam sob a forma de manifestações cada vez mais aterradoras da fúria com que a Natureza reage aos abusos que sobre ela se andam a cometer.

Jogar pelo seguro, ter uma consciência, implica nunca embarcar nos argumentos fáceis que só servem os interesses da praga petrolífera que nos impinge máquinas “de sonho”, dependências artificiais para silenciar o lado negro que os ambientalistas e muita gente da Ciência denunciam.
E eu nunca vou aceitar as “bocas” dos que tentam empurrar para cima de uma suposta cabala os argumentos dos que tentam acordar-nos antes que seja tarde demais.

Considero essa atitude leviana, perigosa, insensata e inexplicável à luz da ameaça que nos pode extinguir.
E por isso gostava de saber porque é que as inteligências raras que se entretêm a contrapor os argumentos da Shell ou da BP (cujas publicidades incidem, não sei se já repararam, na fachada verde para cobrir o cinzento do fumo nas suas goelas insaciáveis) aos de quem nada tem a ganhar com os seus esforços, em vez de se concentrarem no cerne da questão.
Esclareço melhor: porque é que em lugar de ridicularizarem ou levantarem suspeitas sobre quem levanta a voz contra o perigo não reparam que pouco interessa se estamos a falar de um ciclo normal da vida da Terra ou num resultado directo da acção humana?

Se nos seus argumentos de treta os cépticos reconhecem as alterações climáticas, que diabo de motivação os empurra para o desvio da atenção de uma das causas mais prováveis (senão a única) em vez de os conduzir para a busca das poucas soluções ao alcance da Humanidade para minorar o problema?

E que tal limitarem-se a cumprir o seu quinhão em vez de defenderem a posição comodista dos que acham que “os que cá ficam” é que devem lidar com o problema e abrem as portas ao vale tudo do desespero ocidental pela manutenção da sua teimosa e imbecil política energética?

A população do Iraque, por exemplo, deve ter uma opinião bastante interessante acerca deste fascinante tema…

Publicado por sharkinho às 03:54 PM

agosto 15, 2007

HORROR EXPONENCIAL

madeleine mccann.jpg

De repente, e ainda que fosse impensável que tal pudesse acontecer, os contornos do desaparecimento da pequena Madeleine tornaram-se ainda mais tenebrosos.
E a reacção de muitos quantos estranharam a aparente frieza dos pais da menina começa agora, de forma macabra, a ver-se justificada pelos factos vindos a lume em resultado das investigações em curso.

De acordo com o que li no AEIOU, os McCann mostraram-se “aborrecidos” com o rumo que as autoridades se vêem forçadas a tomar em função dos novos elementos disponíveis.
Aborrecidos?

Alguém que perde uma filha e se vê de alguma forma envolvido na suspeição, sendo inocente, não se aborrece: indigna-se, revolta-se, insurge-se contra tal ignomínia.
Só quem não tem filhos acredita ser possível uma reacção diferente em tais circunstâncias.
E tudo indica que existem motivos de sobra para que a polícia não descarte uma história bem distinta da que foi apregoada por entre as histórias mal contadas cujas pontas soltas começam agora a aflorar.

Se o problema em causa, o desaparecimento de crianças, já possui uma carga tão negativa que muitos preferem nem o abordar, a ser verdade o que se deduz das versões contraditórias e da hipótese de a menina inglesa ter sido morta no próprio apartamento de onde alegadamente desapareceu e, ainda por cima, com possível envolvimento dos seus familiares, estaremos perante uma realidade ainda mais manchada pelo que só podemos apelidar de puro horror.

Poucas pessoas tiveram a coragem e a lucidez necessárias para enfrentarem o nojo da plateia engasgada em pudores e apontarem logo no início as baterias para aquela dupla de progenitores cuja atitude em nada deixava transparecer a devastação que a sua situação pressupunha.
Eu mesmo reprimi essa tentação, precisamente para não arriscar uma interpretação leviana que pudesse beliscar alguém que não quem tivesse culpas neste cartório hediondo.

Poucos de nós acreditamos que a desumanidade de algumas aberrações possa transcender aquilo que temos como um dado adquirido em matéria de limites para o impensável.

E ninguém com um mínimo de amor dentro de si pode conceber sem rejeitar por instinto uma verdade como a que, tudo indica, pode vir a ser revelada à medida que progridem no terreno os esforços de quem se vê obrigado a chafurdar em bizarrias desta natureza.

Publicado por sharkinho às 04:57 AM | Comentários (21)

agosto 08, 2007

COMO EU DIZIA ONTEM...

...Na Casa de Alterne, uma das coisas que mais me irritam nas pessoas com quem me incompatibilizo é não poder aplaudi-las quando se transcendem.
Da mesma forma, irrita-me o facto de não poder responder-lhes à letra quando evidenciam a sua falta de talento e de inteligência para me atacarem com um mínimo de elegância e discrição.

É a porra da ética que nos reprime...

Publicado por sharkinho às 11:53 AM

agosto 06, 2007

A POSTA NAS DESCULPAS DA TRETA

Aquilo que os americanos chamam de lame excuse é das formas de condescendência ou de paternalismo que mais me viram do avesso.
Por regra, trata-se daquele tipo de desculpa de recurso para quem pretende apenas desviar o sol da peneira (dos outros e/ou da sua). E como qualquer “ferramenta” de recurso é tão óbvia na sua falsidade que parece concebida para insultar a inteligência de quem a recebeu.

Na prática está em causa a cobardia instintiva que nos leva à negação de tudo quanto pode expor ou evidenciar algo que queremos secreto perante alguém (e/ou perante nós próprios). E essa negação traduz-se na concepção de uma alternativa, de uma justificação capaz de evitar/contornar a verdade que dói.
Eu dou-vos um exemplo clássico de uma desculpa da treta das que me refiro: não pude mandar-te o cheque em falta porque quando me lembrei já tinha fechado o envelope.

Apanharam a ideia? Pois é disso que estou a falar. De uma forma de encarar a vida que passa pela sistemática invenção de pretextos para seja o que for que não nos convenha assumir. E se isso pode ser aceitável na óptica de quem concebe uma desculpa para “evitar chatices”, nunca o será na de quem aprecia a frontalidade, não teme as consequências de qualquer verdade por revelar e renuncia ao facilitismo hipócrita que nos toma por imbecis.

Só quem se habituou a esconder por detrás de biombos cada uma das suas fraquezas pode achar natural esta forma de lidar com as outras pessoas, designadamente as mais próximas (que depois de decifrarem o código por detrás de cada desculpa esfarrapada deixam de achar piada à insistência na respectiva utilização).
Se as pessoas não querem, por exemplo, concretizar uma promessa qualquer devem assumir esse facto em vez de irem arranjando falsos pretextos gastos até à exaustão que as poupe de se assumirem não cumpridores da sua palavra.

É que de pouco serve ser (ou alegar) pessoa de palavra se depois hipotecamos a confiança que esse tipo de pessoa justifica quando enveredamos pela saída airosa mais à mão e, na prática, fazemos (tentamos fazer) os outros estúpidos. Se mentimos, afinal…

Também nesta questão não me isento de culpas. É uma tentação, a desculpa da treta, quando nos sentimos encurralados perante uma inconveniência qualquer. Mas isso não a torna menos errada enquanto opção. Porque falseia, porque adultera, porque acrescenta mais plástico ainda às nossas relações cada vez mais fúteis e superficiais.

E em boa medida é por isso mesmo que são cada vez mais virtuais as nossas relações analógicas.

Publicado por sharkinho às 02:57 PM | Comentários (3)

agosto 05, 2007

A COBARDIA, ESSA RARIDADE

Também se manifesta na fuga às verdades mais incómodas. Ou na sua camuflagem.

Publicado por sharkinho às 10:06 PM | Comentários (2)

AS DESCULPAS DE MAU PAGADOR

São como azeite em água, na sua essência.

Publicado por sharkinho às 10:02 PM

julho 31, 2007

PENA MÍNIMA

Para o psicopata ex-GNR acusado do assassínio de três miúdas suas vizinhas. Vinte e cinco anos.
Sabe a pouco. São pouco mais de oito anos de punição por cada uma das vidas que o canalha cada vez menos alegadamente ceifou.

Conhecendo a tradição do país em matéria de generosidade da aposta no milagre da reinserção social, aquelas reduções de pena por bom comportamento de qualquer facínora que acabam por o libertar vários anos antes de cumprida a sentença na totalidade, é bem provável que o fulano saia vivo da penitenciária de onde, no meu entender, jamais deveria sair.

Existem casos e réus cujos contornos extravasam a capacidade humana de entendimento. Crimes tão hediondos e criminosos tão cruéis que ninguém numa sociedade com dois dedos de testa quer ver punidos de forma ligeira.
Em alguns países, a morte é a consequência para os culpados de aberrações que provocam uma onda de choque, um medo instintivo tão forte que leva as pessoas a preferirem fechar os olhos à barbárie implícita numa pena capital.

Vinte e cinco anos de pena máxima são um insulto a todas as vítimas e seus familiares quando está em causa o assassínio premeditado de alguém, sobretudo quando os detalhes provados não deixam dúvidas quanto à natureza aberrante de quem o cometeu.
Ninguém acredita numa Justiça tão branda e o primeiro impulso mental é o da justiça com minúscula, pelas próprias mãos das pessoas afectadas e a quem pena alguma pode compensar uma perda tão trágica mas, de todo, não merecem o insulto de saberem um criminoso mais jovem de novo nas ruas em idade de repetir a façanha.

Como um advogado do processo Casa Pia referiu há dias, a propósito do seu desencanto pelo rumo que o processo tomou, é preciso que neste país a justiça se concentre pelo menos tanto nos esquemas de protecção dos direitos das vítimas como se esforça no interesse dos prevaricadores.
É isso que está em causa, tal como a inevitável conclusão que se retira desta “alergia” do sistema a penas mais pesadas, nomeadamente a única capaz de garantir a segurança dos cidadãos e conferir aos injustamente acusados condições (e tempo) para provarem a sua eventual inocência (o que a pena de morte nunca permite e os erros já se provaram acontecerem).

E essa conclusão é a de que sai caro sustentar o sistema prisional e no entender deste Estado sem coração a pena dos que sofrem a perda é mais barata do que uma pena a sério para os seus causadores.

Publicado por sharkinho às 11:29 PM

O SELO PARA O MEU CARRO

Custou quase trinta contos.
Fiz mal a alguém?

Publicado por sharkinho às 06:11 PM | Comentários (6)

julho 12, 2007

NÃO, O ASSUNTO NÃO MORRE POR SI

Tenho estado a assistir a um programa na RTPn acerca das crianças desaparecidas em Portugal, outro contributo para alertar consciências para um problema cuja dimensão pode ler-se no olhar das mães como Filomena Teixeira (mãe do Rui Pedro).
Das mães que não admitem em circunstância alguma palavras como resignação ou conformismo.

No final desta semana retomarei o assunto onde o deixei, enviando a lista de blogues participantes na iniciativa de divulgação do que se presume ser o rosto actual do Rui Pedro para o site que já vos indiquei.

Por outro lado, quero partilhar convosco a intervenção da nossa colega Pandora que me deu a conhecer este linque e que, fora do contexto da iniciativa que referi, tem tentado como eu e tantos outros não deixar que o assunto adormeça no "monte dos esquecidos". Tal como eu, a Pandora já está inscrita na Associação recém criada e da qual vos darei conta em breve.

O assunto, incómodo para qualquer pessoa de bem mas sobretudo para os familiares das crianças desaparecidas, prosseguirá para mim no mundo dito real e no âmbito da Associação mas não se esgotará em qualquer dos meios ao meu alcance neste plano virtual que ilustra bem a necessidade de insistir nesta tecla para abrir os olhos das pessoas aos contornos medonhos deste problema.

E para alimentar a esperança de quem não se pode dar ao luxo de a perder.

Publicado por sharkinho às 12:08 AM

julho 10, 2007

O MEU CÃO TEM SARNA

o cão do tubarão.jpg
Foto: Shark

E enquanto uns parasitas lhe atacam os tecidos, outros (com duas pernas) atacam-me a carteira e não conseguem resolver o problema.

Publicado por sharkinho às 10:46 AM | Comentários (9)

julho 03, 2007

TU NÃO TENS MESMO VERGONHA NA CARA...

Rapazola.

Publicado por sharkinho às 10:40 AM

julho 01, 2007

OK, VAMOS CUMPRIR A LEI. TODA A LEI E NÃO APENAS ALGUMA

Senti hoje pela primeira vez o impacto da nova cruzada anti-tabagista que a aprovação da nova lei no Parlamento irá alimentar.
Num restaurante particularmente arejado e de ampla dimensão que já frequentava passou a ser proibido fumar. Não porque a lei o exija mas porque os proprietários do tasco assim o entenderam, aproveitando a boleia legislativa para o concretizar.

Quando a senhora se aproximou de mim para me informar da sua decisão (muito mal anunciada no interior do estabelecimento, pois se eu a tivesse topado já nem me sentava), comecei por fazer má cara. Mas isso apenas porque fui apanhado de surpresa, claro, pois tratei de apagar de imediato o cigarro e de entregar a mente à dissecação do episódio.

Não tardei a concluir que a vida é assim e um gajo tem mesmo que alinhar nesta política de respeito pela lei e pela disciplina. E quando a senhora me trouxe a conta, num talão muito parecido com uma factura mas onde não constava o número de contribuinte do restaurante, pedi delicadamente que me trouxesse uma factura a sério, daquelas que a lei obriga a emitir.
E depois saí com a satisfação do dever cumprido, para nunca mais voltar.

Para quem opte desta forma por banir os fumadores para não ter que investir em condições para os receber, garantindo os direitos de quem não fuma, esta parece-me a forma mais correcta de mostrar que somos todos cidadãos cumpridores da lei (de toda a lei e não apenas aquela que lhes interessa) e de fazê-los pagar os impostos que se calhar lhes sairão mais caros do que o exaustor, se esta moda pega...

Publicado por sharkinho às 04:50 PM | Comentários (12)

junho 30, 2007

A POSTA NA VITÓRIA DO PORTUGAL CARETA

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Foto/Imagem: Shark

Num único noticiário dei conta de três indicadores óbvios da viragem portuguesa para uma forma de ser e de estar que me repugna.
Factos aparentemente isolados e sem qualquer relação entre si constituem os sinais preocupantes da lenta agonia lusitana rumo à opção mais triste, a da má onda.

Este ponto de vista, vindo de um gajo que afirma amar a Pátria sem recear de todo o uso do termo e os rótulos associados a quem não alinha em perdas de identidade do seu país em abono de uma uniformização europeia (ou mesmo ocidental) que a longo prazo nos descaracterizam e podem acabar por destruir como Nação, pode soar estranhamente derrotista.
E a linguagem será excessiva, pelo menos à luz do retrato presente do nosso território e do povo que o ocupa, mas vou tentar justificar-vos a minha posição com base nos tais indicadores de que falei a abrir.

Quatro dos cinco maiores bancos portugueses entenderam aplicar “multas” a quem se atrase mais do que cinco dias a liquidar a prestação do seu crédito à habitação. Só o BES resistiu a esse apelo merdoso de enterrar ainda mais a imagem desta banca vampira e a situação angustiante de muitas famílias apanhadas pela crise que ninguém parece conseguir inverter.

O execrável Ministro da Saúde, símbolo perfeito da chusma careta que vai tomando conta de Portugal, provocou mais uma vítima da sua falta de sentido de humor.
Por causa de uma alusão a um facto verídico, criado por uma das várias intervenções infelizes desta criatura saída de um baú poeirento para infernizar as existências alheias.
Qualquer pretexto serve para punir pessoas e instilar a lei da rolha com base no medo que tanto agrada ao poder prepotente que só aos caretas serve e agrada.

O B.Leza encerra hoje as suas portas. Não por falta de clientes, não por falta de dinheiro para o manter em funcionamento, não porque alguém se tenha queixado de algum aspecto negativo associado à sua presença ali prás bandas do Conde Redondo.
O B.Leza, um ícone do lado mais divertido e saudável da noite lisboeta, vai fechar porque os proprietários do imóvel entenderam vendê-lo a quem o pudesse transformar num condomínio de luxo.

Estes três exemplos da “caretização” que se vai aos poucos instalando sisuda sobre os cantos das bocas de quem prefere sorrir são uma gota no oceano de opções bafientas que nos retiram aos poucos a alegria de viver.
É um exagero?

Quem tem a coragem de afirmar na minha cara que é justo permitir a um banco uma punição suplementar a quem se atrasa num pagamento por falta de condições para o efectuar? É preciso ter a noção do que isso implica de desumanidade, essa atitude implacável num país gabado pela sua moderação relativamente a outros expoentes deste capitalismo cada vez mais selvagem e desapiedado.
E eu não concordo com estas exibições foleiras que o poder financeiro protagoniza cada vez mais.

Da mesma forma rejeito em absoluto pessoas, mais ainda governantes, capazes de protagonizarem episódios como o que o Ministro Correia de Campos acumula na sua infeliz passagem pelo poder.
É um cara de pau, mesquinho, intolerante. É uma pessoa sem perfil para nos representar num executivo em condições e instila na governação uma suave fragrância da prepotência hostil que a Revolução alegadamente extinguiu.

E quanto à catedral lisboeta do ritmo africano, independentemente da legitimidade (ou até da necessidade) de quem permitiu esta substituição dos sons alegres de quem se divertia à grande pelo silêncio careta do dormitório de nível superior, o sinal transmitido é o do fim de quase tudo na capital do país que possa representar uma forma de prazer que incomoda a dinastia careta.
Recordo o Parque Meyer, a Feira Popular, a Praça Sony, só para citar alguns dos outros espaços extinguidos pela cobiça imobiliária e sua ligação próxima com o poder que cruza os braços perante esta acumulação de atentados à nossa alegria de viver.

Não reconheço nestes exemplos o país a que me orgulho de pertencer e que gostaria de ver evoluir no sentido do que entendo por agradável. Uma realidade colectiva não se constrói à custa da maioria, em função das necessidades e/ou caprichos dos que possuem nas mãos as rédeas de uma chefia qualquer.

Aflige-me mais do que qualquer indicador, esta inclinação progressiva para uma forma de fazer as coisas que privilegia os critérios financeiros ou “políticos” em detrimento das pessoas e da felicidade que se presume tratar-se do mais óbvio objectivo deste nosso espaço comum.

E vamos ver se o tempo me dará ou não a razão que prefiria não ter.

Publicado por sharkinho às 12:36 PM | Comentários (2)

junho 29, 2007

NA PRÁTICA

Era mesmo só o que faltava...

Publicado por sharkinho às 12:51 AM

junho 26, 2007

A POSTA QUE TAMBÉM NÃO INALASTE

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Embalado por uma efeméride que serve, acima de tudo, como pretexto para os fundamentalistas debitarem as suas atoardas ignorantes mas politicamente correctas, o CDS/PP apontou hoje baterias às drogas leves.
Notem que eu escrevi drogas LEVES. E é aqui que assenta a estupidez corriqueira dos meninos de coro que vociferam contra aquilo que nos seus tempos betosos do liceu os fazia sentirem-se iguais aos outros meninos menos bem vestidos.

Nuno Melo, um rosto habitual dos centristas/populistas nos circuitos mediáticos, deu hoje voz a essa absurda cruzada da falange careta num noticiário da SIC Notícias com o beneplácito palerma do eterno totó Mário Crespo.
O beto de serviço, tão rebelde na sua actuação política enquanto o seu partido feito em cacos era gerido por quem teve tomates para lhe deitar a mão, alinhou no discurso estafado dos alegados malefícios da cannabis na população nacional.

Para início de argumentação, o iluminado invocou as salas de chuto mais umas estatísticas comparativas entre Portugal e a Suécia(?) nessa matéria. E depois de colocar a coisa no seu contextozinho infantil de quem acredita que os maus oferecem droga nos rebuçados para aliciarem as criancinhas, avançou para uma elaborada teoria acerca do índice de THC no haxixe.
O THC é a parte da planta que “bate”. Ou seja, sem THC a cannabis transforma-se no popular cânhamo que este país já tanto cultivou e só serve para fabricar têxteis e papel alternativo ao que dizima florestas por todo o planeta.
E o Nuninho afirmou que “há 20 anos o haxixe tinha apenas 3% de THC e agora tem trinta”.

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Pois eu, que ao longo dessas duas décadas tive o prazer de avaliar a evolução da cena de forma directa e não através de relatórios produzidos por caretas armados aos cucos, afirmo que isso é uma triste falácia. Triste por não corresponder a uma verdade porreira e falacioso por servir de sustentação para o temível papão da esquizofrenia e, mais rasteiro ainda, para móbil do elevado índice de insucesso escolar português.
Como qualquer político hábil, o central-populista desviou assim na boa um problema nascido da incompetência de sucessivos colegas seus para as costas dos dealers de chamon que, ao contrário dos seus colegas da pesada, mal conseguem ganhar para a bucha com as suas transacções “malévolas”.

De resto, só faltou o Nuninho apresentar um gráfico que provasse um insucesso escolar ainda maior na Holanda (onde a malta pode fumar daquilo sem a canga proibicionista), mesmo contrariando o habitual argumento do aumento de consumo que a despenalização terá provocado nesse país bem mais desenvolvido e inteligente do que aquele que produz os Nunos Melos e outros betinhos sem piadinha nenhuma.

Continuo sem perceber a falta de visão destes ignorantes que preferem entregar ao livre arbítrio e ao milagre da multiplicação dos polícias o controlo da substância (implicando esse controlo pelo Estado a cobrança de impostos sobre as verbas movimentadas pela surra), em vez de separarem as águas e explicarem com clareza que no ícone do Casal Ventoso o haxixe era material para fazer cócegas e que os iates de Medellin não têm paralelo com as traineiras de Tânger.

E pronto, fico por aqui com a minha forma de comemorar a efeméride.
Só mesmo para não deixar estes artolas sozinhos no púlpito a debitarem as suas rezas que cada vez mais me soam heresias.

Publicado por sharkinho às 10:31 PM | Comentários (2) | TrackBack

A POSTA QUE FOI POR BEM

Aprendemos aos poucos a interpretar os sinais subtis da mentira piedosa. São poucas as circunstâncias que a justificam, ainda que existam condições pontuais para a legitimar aos olhos de quem a usa.
Por norma, o pretexto é mentir para não magoar alguém. Um clássico, muito útil para quem disfarça a cobardia ou a hipocrisia inerentes à incapacidade de assumir os seus mais delicados calcanhares.
O outro pretexto mais comum é mentir para pura e simplesmente ocultar os lados que se consideram menos bons, os ângulos menos favoráveis do carácter que sabemos fraquinho mas precisamos de pintar um nadinha melhor.

De qualquer forma, a mentira piedosa implica uma fuga a uma verdade qualquer que pode aplicar-se ao próprio como a alguém que se queira enganar. Porque é isso que está em causa, o logro implícito numa mentira qualquer. Ainda que devidamente embrulhada no tal papel fantasia que disfarça um presente envenenado à espera de um dia, inadvertidamente, se abrir aos olhos de quem engoliu uma treta.
E é por isso que mesmo a mais bem intencionada patranha acaba por ferir a confiança merecida por quem a utilizou.

Na maioria dos casos são coisas desnecessárias, impulsivas ou condicionadas por um processo de raciocínio influenciado por uma personalidade menos forte ou por um medo qualquer.
Mente-se para evitar uma chatice, tão simples afinal. Mas depois de a mesma mentira se repetir éne vezes acaba por assumir um estatuto de justificação para uma falha qualquer que se ocultou dessa forma. Um lenitivo para a consciência que possa incomodar.

O problema com a mentira piedosa é o facto de ser menos convicta, displicente, fácil de apanhar num lapso qualquer. E difícil de remediar nessas circunstâncias, pela desconfiança que qualquer mentira descoberta induz.
E esse problema agrava-se quando outros lapsos ou mentiras entram de repente na equação sob um manto de dúvida quanto às alegadas boas intenções que, a cada nova história mal contada, se desmascaram como um recurso habitual de quem as contou.

A piedade acaba aí, aos olhos de quem se sente defraudado(a) por alguém. Sobretudo quando se percebe que não existe qualquer hipótese de salvaguardar o tal pressuposto de que nos mentem para nos preservar de um mal pior.

É que essa escala de valores só ao próprio compete definir.
E uma mentira pressupõe por regra mais do que um interveniente, nem que seja pelo possível alastrar boca a boca de uma questionável (e se calhar bem merecida) reputação e respectivas repercussões.

Publicado por sharkinho às 12:54 PM | Comentários (1)

junho 19, 2007

PARA QUEM AINDA NÃO APANHOU BEM A IDEIA...

Talvez uma leitura DISTO possa trazer outra luz ao problema.

Publicado por sharkinho às 07:53 PM

junho 18, 2007

A POSTA QUE ACREDITO EM NÓS

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O medo, a impotência e a revolta surda são inimigos naturais da felicidade plena de qualquer pessoa.
Se lhes acrescentamos o desespero, a angústia e a saudade temos criado um pesadelo de proporções inimagináveis para a estrutura emocional de seja quem for.
É impossível cruzar os braços perante tal cenário quando com ele nos confrontamos. Fazê-lo é como abdicar de uma importante porção da alma, é como fazer a cama onde o remorso poderá deitar-se um dia, é como ser cúmplice por omissão do sofrimento causado a alguém.

Todos enfrentamos momentos e situações na vida que se arrastam até ao ponto de não retorno, até à impossibilidade de reparação do mal que se criou por força do agravamento das suas consequências.
É assim e faz parte das mazelas inerentes às nossas imperfeições.
Contudo, a vida oferece-nos segundas oportunidades que podemos e devemos agarrar para de alguma forma compensar as tais máculas que o percurso pela existência pode acarretar a qualquer um de nós.

Às vezes essas alternativas nem permitem corrigir o nosso problema, o que as torna ainda mais emergentes pelo altruismo pois qualquer pessoa de bem consegue sentir-se compensada pelo que de bom consegue fazer por qualquer dos seus semelhantes em aflição.
É essa a melhor compensação que podemos extrair dos gestos que nos fazem sentir úteis, imprescindíveis até, pelo impacto positivo na vida de outrem e o quanto isso constitui motivo de orgulho e de satisfação.

Às vezes são coisas pequenas, uma gota minúscula num imenso oceano qualquer. Mas marca a nossa presença num esforço colectivo em prol de uma reviravolta na História, da concretização de um impossível que muitas vezes apenas depende de um primeiro passo que origina fenómenos extraordinários de mobilização.
Acontece com a frequência necessária para continuarmos a acreditar no Bem que prevalece na maioria das pessoas, ainda que dormente no meio de todas as pressões e alienações que nos desviam do que verdadeiramente interessa.

Vale sempre a pena tentar. Isso garante por si a manutenção da fé na capacidade humana de fazer acontecer uma mudança qualquer, congregando talentos e empenhos individuais numa sinergia de grupo aplicada com base num meio disponível e de eficácia comprovada.
E existem objectivos pelos quais vale mesmo a pena lutar.

Ao longo desta semana o Charquinho vai estar inteiramente dedicado a um tema incómodo mas cada vez mais pertinente no quotidiano de todos nós.
O desaparecimento de crianças, que o recente episódio da Maddie trouxe de novo para a ribalta, será o alvo directo de tudo quanto aqui publicar.

E conto com a vossa atenção e disponibilidade para o que pretendo propor às pessoas que fazem esta comunidade que bloga, no âmbito do tema que referi.

Publicado por sharkinho às 10:11 AM | Comentários (4) | TrackBack

junho 13, 2007

AO MENOS NA CHINA SÃO FRONTAIS

Tempos atrás revelei aqui a minha estranheza pelo facto de em alguns hotéis de topo as crianças terem um estatuto semelhante ao dos cães em matéria de direito de admissão.
Ou seja, são igualmente indesejadas por via de perturbarem o sossego dos velhos endinheirados (o maior alvo de mercado da indústria hoteleira “fina”) que nunca conheceram o prazer de estarem próximos de filhos ou de netos o tempo suficiente para não entenderem as crianças como um obstáculo à sua pasmaceira.
Seja como for, considero isto indigno e lesivo para alguns pressupostos que qualquer sociedade dita civilizada deve salvaguardar.

A família é um desses valores que considero intocáveis em qualquer espaço ou tempo, pelo menos enquanto as pessoas forem dignas de tal designação.
E numa conversa casual com alguém que ocupa o mesmo resort que eu nesta altura, nem sequer um dos finesses cinco estrelas que justificam a snobeira por inerência, descobri que a maioria dos hotéis que aceitam (viva o luxo) que pais e filhos possam hospedar-se num espaço comum impõem em contrapartida uma regra no mínimo canalha.
Eu explico.

Quando um casal com um filho decide ficar num destes hotéis é normal que lhes seja concedido um quarto com uma cama suplementar (por norma um sofá-cama) mediante o pagamento de uma sobretaxa ou o que queiram chamar-lhe.
Contudo, se a família é composta por quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) só existe uma alternativa: alugar dois quartos!

Isto constitui para mim um insulto, uma exibição do pior que a trampa do dinheiro representa. É que nem admitem a hipótese de as pessoas se acomodarem mal com a tal cama suplementar ou de fornecerem uma segunda cama. Se são dois filhos, ergo dois quartos…
Roubo descarado, por um lado, esta imposição tem pelo outro o tal cunho de indecência que não há maneira de excluir de uma regra que, na prática, limita substancialmente o número de famílias de quatro que podem usufruir destas unidades hoteleiras que, em alguns casos, até estão particularmente vocacionadas para albergarem crianças nas suas instalações.

Daí o título desta posta, em alusão à terrível política chinesa de contenção demográfica que obrigou as famílias à condição do filho único com as naturais (e em muitos casos selváticas) repercussões na vida e na estrutura de muitas famílias que não quiseram ou não conseguiram respeitar tal ignomínia.

Ao menos lá o Estado assumiu a sua responsabilidade.
Nestes nossos países ditos democráticos e civilizados os Estados viram a cara e fazem de conta que não vêem estas distorções que o mercado impõe à vida das pessoas, num laissez faire que só pode aparentar-se normal aos olhos de quem há muito se deixou cegar pelo brilho do vil metal.

E eu, estimados leitores, não acredito no futuro de uma sociedade que depois de abandonar os seus anciãos começa aos poucos a aplicar a mesma segregação ao melhor que qualquer mundo consegue produzir.

Publicado por sharkinho às 04:50 PM | Comentários (6) | TrackBack

maio 21, 2007

PONTOS DE VISTA (mau perder benfiquista? Ná...)

Vi no noticiário que um jovem actor dos Morangos com Açúcar foi agredido numa discoteca e levou 60 pontos no hospital.

Também vi o treinador do Benfica, que não ganhou rigorosamente nada este ano, afirmar que “não se pode dizer que a equipa teve uma época negativa” quando até somou 67 pontos no final.

Evitem falar-me de bola nesta altura, pois estou embrenhado num difícil processo para expurgar péssimas associações/combinações de ideias entre os dois factos noticiosos que referi…

Publicado por sharkinho às 03:22 PM | Comentários (3) | TrackBack

maio 18, 2007

A POSTA NO PEQUENO SÍMIO ARRAÇADO DE PAPAGAIO

I rest my case.

Publicado por sharkinho às 11:00 AM | Comentários (3)

maio 11, 2007

LÁ SE FAZEM...

Excluindo os casos extremos das pessoas que nem o parecem pelo grau de crueldade ou de bonomia que conseguem atingir, somos quase todos capazes de discernir entre o que de mau e de bom a nossa natureza produz.
Nem que seja pela observação do nosso impacto nas reacções dos outros, acabamos sempre por concluir se deixámos pender o prato da balança para o melhor que nos faz ou para o lado negro que todos possuímos mas apenas se manifesta nalguns e, na maioria, até se reprime sem custo em boa parte das situações onde a escolha racional ou o impulso instintivo se confrontam.

Assim sendo, nenhuma pessoa “normal” pode afirmar-se isenta de culpas quando se deixa dominar pelo pior em si.
Porém, o que faz toda a diferença é a humildade necessária para compensar os gestos foleiros, as contrapartidas, e de preferência para saber pedir desculpa de alguma forma e assim reconhecer a dimensão da asneira. Caso contrário, a reincidência assumida constitui por si uma prova inequívoca de em que lado do espectro se situa, nesta perspectiva maniqueísta, alguém que não esconde a sua preferência pessoal.

Existem os que alimentam os dias com o veneno destilado pelas memórias doridas que os consomem ao ponto de a consciência se corroer, retirando-lhes a capacidade de processar a tal diferença tão óbvia entre o que se entende por bem e por mal (ainda que só em parte, por via da subjectividade, estes conceitos possam pressupor-se universais).
São pessoas pequenas na essência, desprovidas de sorrisos na alma e de carinho no olhar. Mas sabem disfarçar essa tendência ao ponto de passarem sempre por vítimas quando recebem o troco merecido pelas suas acções.

O que não implica saírem impunes, sem receberem nas beiças um retorno adequado e de idênticas proporções…

Publicado por sharkinho às 10:59 AM | Comentários (6)

maio 10, 2007

UM MEDO MAIOR

Para além do horror implícito na situação, o desaparecimento da pequena Maddie está a levantar de novo a questão medonha da existência de redes pedófilas organizadas para o rapto de crianças que alimentem o seu circuito nojento.
Ou seja, os meios ao dispor (nomeadamente ao nível das comunicações) facilitaram a vida aos que antes agiam por impulso solitário e agora podem contar com o apoio de uma multidão de predadores que farejam as inevitáveis desatenções e atacam sem piedade o núcleo mais importante da sociedade que os produziu e está, em meu entender, a deixar ir longe demais.

O meu raciocínio não consegue processar este tipo de informação. Pessoas de todo o mundo e de diferentes culturas e estatutos sociais conseguem organizar-se em torno do objectivo de “adquirirem” alvos indefesos para o seu desvio perverso e cada vez mais perigoso na sua dimensão tentacular.
Isto é tão tenebroso quanto incompreensível e gera nas pessoas um sentimento de insegurança que condiciona a felicidade de qualquer progenitor e dos familiares de crianças.

Centrar a atenção deste caso mediático na aparente negligência dos pais da menina raptada (que tudo indica completará o quarto aniversário – nó próximo sábado - ainda na posse dos seus raptores) é desviar o enfoque daquilo que justifica a maior concentração: é inadiável a aposta em mecanismos mais eficazes de protecção e eventual recuperação das crianças vítimas destas organizações de malfeitores.
E não podemos esperar pela readaptação das autoridades a esta nova ameaça que representam os canalhas associados em torno da satisfação de um impulso perverso e das verbas cada vez mais significativas geradas pelo monstro hediondo da pornografia infantil. A sociedade civil tem que se sentir motivada para criar as organizações capazes de lutarem contra estes poderosos bandos de hienas e lhes dificultarem a existência.

Poucos acreditam que esta história possa conhecer um final feliz e quem tem filhos, neto ou sobrinhos só pode redobrar a vigilância e incutir nos pequenos o medo instintivo que os possa preservar de um destino absolutamente atroz.

E o medo nunca contribuiu para a felicidade de alguém.

Publicado por sharkinho às 12:11 PM | Comentários (6)

maio 07, 2007

PEGA DE CARAS

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Foto/imagem: Shark

É já no próximo dia 17 a partir das 19 horas que a Animal vai levar a cabo mais uma das suas acções de rua contra as touradas.
Frente à praça de touros do Campo Pequeno, a Animal coordenará a participação de quase três dezenas de organizações internacionais e dos inúmeros aderentes espontâneos que vão enchendo autocarros um pouco por todo o país, já que a Animal garante transporte gratuito para quem resida longe da capital.

Estas acções têm contribuído para divulgar o papel das associações de defesa dos direitos dos animais e para transmitir a consciência incómoda do quanto certas tradições, por muito arreigadas numa faixa da população, podem nos dias que correm assumir aos olhos de muita gente os contornos de puros actos de selvajaria tão cruel como desnecessária.

Publicado por sharkinho às 10:28 AM | Comentários (14) | TrackBack

abril 28, 2007

NA RUA DOS OUTROS

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Foto/Imagem: Shark

À tua volta a cidade que te olha com piedade ou com o desprezo a que se votam os que se colocam ou são colocados do lado de fora por alguma razão.
Já nem olhas, saturado, e ignoras esse fado urbano que é o teu, isolado, num oceano cujas ondas te arrastam para a periferia do mundo que te naufragou.

Caminhas por entre as sombras de quem passa ao lado do teu corpo massacrado pelas noites mal dormidas, desprotegido, nas lajes geladas do chão que por castigo a cidade te impôs.
Acreditas que só te resta (sobre)viver assim, sempre próximo do fim que não temes sempre que gemes as dores que ninguém pretende ouvir. Enxotado para um ponto afastado dos sentidos tão sensíveis que protestam contra a fractura exposta que representa essa miséria imposta pelos andrajos que a sociedade te vestiu.
Quando te baniu por alguma razão.

A autoridade na perseguição a esses sinais de perigo, um futuro sem abrigo que pode abater-se sobre cada um de nós. Porque basta sentirmo-nos sós em demasia num mundo que desconfia dos que não conseguem esconder a solidão. Ninguém deita a mão a alguém que assume a desistência quando lhe acaba a resistência contra as agressões do exterior.

A cidade à tua volta e a falta de amor que te isolam como uma peste a evitar. Tu e os outros a caminhar em sentidos opostos, lado a lado no mesmo espaço onde te sentem a mais. E é assim que te entendem os que te olham com misericórdia ou te borrifam com a água benta da sua presunção. Beatas no chão que pisas, esses restos que fumas, esses vícios passados dos outros presentes na tua boca sem voz.
Uma cortina de fumo entre aquilo que te rodeia e a tristeza à vista no teu olhar.

Insistes em caminhar para lado algum nessa cela sem tecto, uma estrela tão perto que quase consegues tocar, cadente, que rasga o céu com o rasto brilhante até a luz desaparecer e o teu olhar se estatelar na gravidade da situação, o rebordo de outra garrafa vazia no frio do chão. A caridade fugaz dos poucos que iluminam o trilho que insistes percorrer sob a luz da cidade que um dia te apagou.

A corrente que arrastou a tua memória para longe do desalento que um dia te desligou.
Da tomada de consciência, irrelevante, daquilo que vi.

Dessa ausência indiferente dos outros como de ti.

Publicado por sharkinho às 12:13 PM | Comentários (4)

abril 26, 2007

É INDECENTE

Interromperem assim o feriado a uma pessoa.

Publicado por sharkinho às 08:04 AM

abril 18, 2007

BOMBINHAS DE MAU CHEIRO

Uma multidão de jornalistas, a atenção de um país à abertura dos telejornais, os adiamentos para aumentar a expectativa bombástica. Depois rebentaram as águas à montanha e o rato nasceu...
O assunto Independente num crescendo de ridículo até ao fim. O assunto José Socrates num crescendo de suspeição a que esta conferência de empresa (a Sides) só serviu para acrescentar mais uns pós sem consistência.

E a gente, papalvos, a prestarmos atenção a toda esta legião de manhosos, chicos-espertos, eventualmente corruptos e, no episódio patético de hoje, comprovadamente imbecis.

Publicado por sharkinho às 07:46 PM | Comentários (10) | TrackBack

abril 09, 2007

PIOR DO QUE UMA DESTAS...

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Só mesmo a primeira segunda-feira depois das férias...

Publicado por sharkinho às 08:32 AM | Comentários (8)

março 26, 2007

PARA ANGOLA E EM FORÇA!

Deu gosto assistir aos momentos finais do Grande Programa dos Maiores Portugueses do Canal de Serviço Público tão deplorável ao ponto de ser capaz de “despachar” o Câmara Clara para o mesmo horário mas na RTP2, só para ouvir um fedelho com cara de intelectual atrevido dizer “não vamos tergiversar acerca de vaginas e quejandos” em directo, ao vivo e a cores.
Aliás, quase nem bocejei ao longo dos minutos em que pasmei com a entusiasmada argumentação de cada um(a) acerca do seu “candidato” favorito para a coroação televisiva até ao próximo Grande Programa dos Maiores Portugueses que se Deus quiser ainda vão surgir mais alguns para apimentar o tão lucrativo televoto.

Também apreciei o brilhantismo do (cada vez menos) jovem general rebelde centrista em defesa de D. João II, ao ponto de lhe adocicar a eliminação sumária de adversários (conspiravam contra ele com Castela, referiu, transformando o afastamento de oponentes à pancada numa lição da História que ele tão bem assimilou).

E a Odete, camarada, a combater o fascismo com o vigor revolucionário ou o rigor evolucionário da verdadeira comuna, chegando a contestar abertamente a medição do tempo de antena atribuído à sua bancada popular de defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores e da memória do seu Messias grisalho.

E os outros, todos muito empenhados em defender o seu figurão lusitano como uma causa própria. Só faltaram as tiradas sinceras, emotivas, do género sou pessoana desde miúda (Clara Ferreira Alves), já n’ A Bola sempre defendi os esquemas tácticos ofensivos (Leonor Pinhão, em abono de D. Afonso Henriques) ou o homem estava era mal acompanhado porque no fundo até era muito boa pessoa (Jaime Nogueira Pinto, por Salazar).

E a Ana Gomes, coitada, a defender a caravela derradeira das dez que o Grande Público seleccionou para esta navegação rasteira, perdão, costeira pela História de Portugal que se constrói na têvê, logo a seguir ao Rosado Fernandes sorrir enquanto afirmava que político virtuoso não conhecia algum e se alguém conhecer que lho apresente que ele (Rosado) ficaria contente. Da boca de um homem que os conhece muito bem, em directo.

Contagem decrescente. Dez. Vasco da Gama, caravela ao fundo. Nove. Marquês de Pombal, tinha que ter reconstruído o Estádio da Luz para ser glorioso a valer. Oito. Fernando Pessoa, eram muitos heterónimos e o eleitorado dividiu-se. Sétimo. Infante D. Henrique, hoje apanha-se um avião e chega-se lá muito mais depressa. Sexto. D João II, defendido pelo Portas só lá ia à porrada. Quinto, Luís Vaz de Camões, o preço a pagar pelas secas que todos levamos no liceu. Quarto. D. Afonso Henriques, isto de fundar países nem ao pódio leva um gajo. Ainda se tivesse marcado algum golo importante numa final do Europeu. Três. Aristides Sousa Mendes, derrotado pela concorrência desleal da democracia em directo. Dois. Álvaro Cunhal, sendo quem é obviamente não perdeu. Um. Salazar, a morte anunciada do bom senso tombado de milhares de cadeiras ou de sofás com utentes empanturrados de queijo e atafulhados de rancor.

É um péssimo sinal, dizia Clara Ferreira Alves, ver estes resultados e o que eles querem dizer, no final deste “Sporting-Benfica” entre tele-eleitores à esquerda e à direita.
Eu já nem lhe chamo sinal. Chamo-lhe premonição.

Pelo sim, pelo não, vou fazendo as malas...

Publicado por sharkinho às 12:29 AM | Comentários (10) | TrackBack

março 20, 2007

AMBIENTE PESADO

Francisco Nunes Correia. Este é o nome do Ministro do Ambiente mais absurdo que já conheci.
Estou a olhar para o fulano na RTP2, entrevistado a propósito da situação na Costa da Caparica.
Está a responder acerca dos prejuízos sofridos pelos campistas e a sua resposta é um binsulto. Porque insulta em simultâneo os lesados e as respectivas inteligências.

Chamar asno a um Ministro dá prisão?

Publicado por sharkinho às 10:18 PM | Comentários (12) | TrackBack

março 18, 2007

A POSTA NO ENSINO INFERIOR

Na Universidade Independente (UI) a vergonha prepara-se para conhecer um novo patamar.
Depois do regresso da moda dos gorilas, os tiranos que gerem(?) aquele estabelecimento de ensino querem impor a lei da rolha à Associação de Estudantes e exigem a destituição do respectivo presidente eleito.

Perdoem-me esta forma de colocar a questão: mas que merda é esta?
Quem se julgam afinal os tipos que mandam naquela instituição transformada num manicómio, numa espécie de gueto fascista onde se aplicam as regras que a Revolução exterminou?

Este meu endurecimento no discurso tem origem nas notícias que falam do boicote que a direcção da UI entendeu aplicar à sua Associação de Estudantes para em simultâneo punir a falta de solidariedade do órgão representativo dos alunos para com as suas palhaçadas e forçar a exoneração do respectivo líder.
Ao que sei, cortaram o fornecimento de electricidade e impedem os funcionários da limpeza de entrarem nas instalações da AE, para além de terem mandado arrancar os cartazes nos quais os representantes dos alunos manifestam a sua opinião.

Isto é fascismo puro e duro. É um insulto à Democracia e, caso os energúmenos da UI mais o seu pequeno exército de mercenários consigam impor esta forma de pressão, constitui um perigoso precedente que ameaça o estatuto das Associações de Estudantes e aquilo que elas representam.
Tenho conhecimento de causa do quanto foi necessário lutar para conseguir obter, mesmo após o 25 de Abril, o reconhecimento das AE’s junto dos Conselhos Directivos das escolas.
E não admito que sob o pretexto de uma guerra intestina (ou qualquer outro) os mandantes de um estabelecimento de ensino queiram amordaçar ou mesmo esvaziar de sentido um órgão representativo com legitimidade reconhecida pela Lei.

A universidade indecente está a enterrar-se cada vez mais na trampa que os seus (ir)responsáveis insistem produzir. E já está a fazer-se tarde para uma intervenção firme por parte do Ministério da Educação ou de seja quem for que consiga acabar de vez com esta humilhação a tudo o que o Ensino Superior representa.

Publicado por sharkinho às 12:35 PM | Comentários (8) | TrackBack

março 15, 2007

A POSTA NO DIA DO CONSUMIDOR INVOLUNTÁRIO DE CACA

John F Kennedy.gif

Numa clara exibição de oportunismo mediático, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) decidiu hoje atacar em força no concelho de Setúbal. E digo em força pois é disso que se trata quando os inspectores se fazem acompanhar de agentes armados até aos dentes num mercado abastecedor, algo que produz enorme impacto nas câmaras de televisão.
Contudo, esta acção das autoridades competentes, a todos os títulos recomendável (a avaliar pelos resultados), acontece neste dia para aproveitar a efeméride a que o presidente norte-americano (ironia do destino…) John F. Kennedy deu origem numa declaração ao Congresso dos EUA em 15 de Março de 1962 e se refiro o sentido de oportunidade para enfatizar o peso dos media nas decisões governamentais não é nesse aspecto que quero fazer incidir a vossa atenção.

Para lá dos muitos quilos de pescado apreendidos pela ASAE ao início da madrugada por não respeitarem normas de acondicionamento e outras questões menores que nem eram susceptíveis de constituírem ameaça para a saúde pública (a mercadoria será entregue ao Banco Alimentar), o que pode ser interpretado à luz da tradicional rebeldia dos portugas para cederem à padronização que a Europa impõe, as notícias divulgadas acerca dos primeiros resultados da mega fiscalização em curso constituem mais um sinal de alerta para todos nós consumidores.

De quatro panificadoras inspeccionadas, três ficaram out of business. E no caso de uma delas, para além da matéria-prima imprópria para consumo as autoridades referem a existência de roedores nas instalações…
Estamos a falar de pão, um daqueles alimentos incontornáveis e dos quais só podemos avaliar às apalpadelas se são de hoje ou do dia anterior. O pão corrente não é rotulado e por isso não podemos constatar se existem caganitas de rato na respectiva composição.

Perdoem-me o nojo da expressão anterior, mas é preciso que as coisas sejam postas nos respectivos lugares e que aproveitemos esta efeméride para, no mínimo, chamar os bois (que têm a indignidade de desrespeitar o asseio na fabricação de alimentos) pelos nomes (ocorrem-me assim de repente uma data deles bem insultuosos).

Isto para retirar dos rostos imbecis como o de um jovem motorista de um veículo de mercadorias apanhado a circular com o motor de frio avariado o sorriso com que reconheceu perante a câmara da jornalista da RTP que o entrevistou que “sim, já tinha topado que o motor avariou”.

Sem que esse facto o impedisse, bendita fiscalização que o caçou, de prosseguir o seu caminho de consciência tranquila para distribuir nos seus pontos de venda os alimentos inquinados que depois damos aos nossos filhos para comerem.

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ASAE

Publicado por sharkinho às 09:54 AM | Comentários (8) | TrackBack

março 14, 2007

A BLOGOSFERA DE CAUSAS

Tomei conhecimento de uma situação bem real que está a conhecer evolução virtual.
Sempre acreditei que a internet em geral e a blogosfera em particular podem tornar-se num excelente veículo para lutar por certo tipo de causas.
E embora só quem esteja no convento saiba o que lá vai dentro, conhecendo a apatia e o conformismo (comodismo) da maioria das pessoas basta-me notar o empenho por uma causa para acreditar que não há fumo sem fogo.

Convido-vos, pois, a tomarem conhecimento e eventualmente darem o vosso contributo relativamente a ESTA situação.

Publicado por sharkinho às 12:06 PM | Comentários (4) | TrackBack

março 13, 2007

O FIM DA HISTÓRIA OU O ÚLTIMO POST

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A acomodação expressa-se de muitas formas, embora quase nunca criativas (o que se explica pela própria natureza do conceito em causa), e consiste num golpe de misericórdia na atitude das pessoas perante os outros e acima de tudo perante si próprias.
Tenho encontrado na blogosfera inúmeros exemplos desta realidade que se apodera das pessoas e se reflecte, naturalmente, nos seus desabafos e/ou manifestações de desalento perante o que assumem como uma espécie de “O Fim da História ou O Último Post” (que me perdoe o Fukuyama).

Este tipo de atitude prenuncia uma idade das trevas contemporânea, pois parece-me cedo em termos evolutivos para concluir que nada se cria e tudo se transforma (também se perde a pica e só por isso não peço perdão ao Lavoisier também). Na prática, seria como estagnar a Cultura e o progresso intelectual a partir do momento em que um qualquer computador concluísse que já todas as palavras do dicionário foram utilizadas (o que impede seja quem for de conceber algo de novo em matéria de escrita), que todas as combinações cromáticas já foram reproduzidas (idem para a pintura) e por aí fora até nos contentarmos todos com aquilo que já está feito e pronto a consumir.

Eu rejeito liminarmente a aceitação deste tipo de pressuposto. O acto de criar é fruto da inspiração individual e se temos como garantido que não existem duas pessoas iguais é lógico presumir que o mesmo princípio se aplica a qualquer tipo de criação.
Existe alguma confusão neste nosso meio relativamente fechado (em cada vez maior número de círculos que se tocam e assim replicam uma determinada estética ou corrente ou o que lhe queiram chamar) entre essa proximidade dos estilos e a incapacidade de inovar.

Para criar algo de novo, de único, basta sermos genuínos e fiéis a nós próprios. Basta não ter medo de exprimir emoções e/ou ideias tal e qual nos assolam a mente, libertarmo-nos dos condicionalismos que os menos criativos (que os/as há) nos impõem por tabela com os seus recursos em matéria de pressão. E deixemo-nos de tangas: existem invejosos/as, despeitados/as, gente mesquinha que tenta destruir com distracções, fait divers, a capacidade criativa dos que a possuem ou mesmo o talento que conseguem exibir quando lhes desamparam a loja.

E eu vejo autores/as capazes, com provas dadas, a cederem ao ruído de fundo e a prostrarem-se diante do inconcebível: já nada de novo se produz.
O tanas! E repito: o tanas! E insisto em puxar pelos cabelos (porque não consigo chegar-lhes aos neurónios) desta malta e em abrir-lhes os olhos para (no caso da escrita) a inesgotável possibilidade de combinações entre os milhares de vocábulos do nosso Português tão rico em expressões.
Sim, é uma questão estatística se for preciso racionalizar a coisa para verem onde quero chegar.

Podemos criar TUDO novinho a estrear quando aplicamos as variáveis vocabulário/talento/inspiração/raciocínio/emoção e ainda deixo algumas (imensas) de fora para quem ousar rebater o que afirmo. É virtualmente impossível a estagnação criativa nos nossos dias quando até há meia dúzia de séculos só a uma ínfima fracção da Humanidade (e ainda hoje, bem vistas as coisas) eram concedidos os meios e a formação (e a Liberdade, porra!) necessários para essa exteriorização do infinito que cada um de nós encerra dentro de si.

Recuso-me por isso a apelidar de outra forma essa “escola Daniel Oliveira” – desculpa lá, mas ficou-me atravessado aquele post do outro dia – do já ninguém inventa nada: é preguiça! E, quando levado ao extremo, é uma cobardia imperdoável para quem possui argumentos para alimentar a Cultura que se faz porque se acredita na respectiva evolução.

E essa evolução acontece porque existe a inovação que a dinamiza. O mesmo se aplica a todas as áreas do pensamento e do conhecimento humanos, nomeadamente as ideologias.
Abdicar desta certeza é entregar os pontos a quem insiste em teorizar à exaustão as obras e as doutrinas de gajos que estão a fazer tijolo desde o tempo da locomotiva a vapor, com pequenas operações de maquilhagem eleitoral e depois continuar a ver o mundo degradar-se à mercê de visões da sociedade que já ninguém acredita a constituírem opção num tempo em que há muito deixaram de fazer sentido os binómios e na prática urge é puxar as orelhas aos pensadores e aos criativos mandriões.

Publicado por sharkinho às 03:45 PM | Comentários (8) | TrackBack

março 09, 2007

A POSTA REQUERIMENTO

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Exmo. Senhor Director do Instituto Não Sei das Quantas que Faz Ninguém Sabe Exactamente o Quê:

Serve a presente posta para solicitar a V. Exa. se digne dar provimento ao meu pedido.
E o meu pedido é que V. Exa. vá pró raio que o parta caso pretenda insistir em me sobrecarregar a mona com o preenchimento de impressos à pazada e a elaboração de missivas com base em minutas de mil novecentos e troca o passo de cada vez que preciso de uma merdinha qualquer.

De acordo com a portaria que regulamenta a norma que dá origem ao despacho que se baseia no texto do Dec. Lei número X, alínea Y do código deontológico do cidadão que tem mais o que fazer do que aturar estas mariquices burocráticas, registada no livro W, folha Z, a perda de produtividade subsequente ao desgaste nervoso de quem enfrenta estes processos arcaicos, absurdos e abstrôncios que insiste impor e à qual se soma o tempo efectivamente gasto a preencher a papelada nos moldes que endendeu V. Exa. serem os adequados à simples requisição de uma licença, de uma permissão ou mesmo de um documento qualquer (quantas vezes uma reles fotocópia sumida pela qual pagamos um dinheirão) constitui por si só um atraso de vida que explica em boa medida o passo de caracol a que este país avança.

Certo de que V. Exa. tudo fará para, na sequência da presente, punir a minha insolência com uma demora no dito provimento que fará com que eu desista do mesmo ou opte por fazer a coisa à revelia, subscrevo-me com a elevada consideração que só uma hipocrisia sem paralelo poderá consubstanciar e fico a aguardar expectante as suas prezadas notícias.

O requerente

Publicado por sharkinho às 01:12 PM | Comentários (4) | TrackBack

fevereiro 27, 2007

A POSTA QUE ERA MUITO BOA PESSOA

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Foto: Shark

E de repente alguém morre.

Gente relativamente próxima mais ou menos afastada, familiar ou vizinho, mais para lá do que para cá e que não consta de todo das nossas preocupações diárias ou se calhar das de ninguém, algures na multidão de um lar dos esquecidos ou na solidão de uma casa envelhecida num ermo qualquer.
Uma maçada, afinal. Um velório e um funeral quase por obrigação, tem que ser, parece mal.

E um gajo lá vai prestar a derradeira homenagem a alguém que há muito deixara de existir na verdade dos factos mas agora a coisa torna-se oficial com registo numa pedra e anúncio num jornal.
Os pêsames à família enlutada, óculos escuros para esconder o olhar que não chorou e roupa menos colorida para dar o ar.

E depois um gajo põe-se na pele do defunto e antevê-se, nesta sociedade que nos despreza depois de velhos, o transtorno futuro para um reduzido núcleo de sobreviventes que apenas aguardam na fila de espera a sua vez de justificar uma inoportuna reunião que afinal apenas celebra o final da sua presença discreta mas, pelo sinal de alerta que constitui para “os que cá ficam”, inevitavelmente incómoda.

Publicado por sharkinho às 10:19 AM | Comentários (2) | TrackBack

fevereiro 23, 2007

FALO PORQUE A REVOLUÇÃO ME DEIXA

Se alguém quer ver-me virado do avesso é falar mal da Revolução na minha presença. Podem chamar-me o que quiserem, insulto pior não conseguem encontrar. Porquê?
Porque eu sei o que valho e o que sou, não me atingem os insultos que não correspondem à realidade pela qual só eu sei responder. Mas uma atoarda contra o momento em que o meu país passou a ser um sítio onde eu posso criar uma filha, porque de outra forma ou estaria na prisão ou no degredo, é uma ofensa a demasiadas pessoas cuja luta e sacrifício merece respeito seja a quem for.

Ainda há uns dias eu referia no Arrastão que valia a pena visitar aquele espaço só pelo prazer de ver malta que se afirma salazarista, ou perto disso, a defender acerrimamente a liberdade de expressão.
E haja quem tente silenciar um fascista, ou similar, quando exprime a sua ideologia em voz grossa para afirmar a solidez da sua convicção…

Por essas e por outras, quando ouço os palermas que dizem que isto estava bom era antes do 25 de Abril torço-me todo por não poder recambiá-los para um espaço onde esse tempo pudesse de novo fazer-se sentir nos seus coiratos imbecis. E não falo, claro, dos que deixaram a riqueza nas ex-colónias (os meus que lá ficaram, sem nada a temer, ninguém lhes roubou coisa alguma) ou dos que mamaram da teta do clube privado de latifundiários, milionários e doutores que viviam num mundo à parte daquele em que vegetavam, cantando e rindo, os pais e os próprios idiotas que agora mordem a mão que lhes alimenta o leasing do popó novo e as restantes mordomias que o Portugal moderno oferece a uma classe média que Salazar nunca permitiu existir.

Falo destes estúpidos que nem sabem valorizar o facto de lhes ser permitido proferirem as asneiras que me viram do avesso e só dá vontade de disparar vernáculo à bruta, gajos que nasceram no nada e só pela Revolução tiveram hipótese de serem alguém.
Falo daqueles que não tiveram que lutar em África por uma causa estapafúrdia numa terra que nunca lhes pertenceu por direito ou lá perderam um ente querido sem justificação, dos que nasceram depois do facto consumado e se permitem vociferar impropérios contra o direito a fazê-lo na tromba de quem tem que engolir o nojo para não se equiparar aos canalhas que as suas posições acabam por defender.

Se nada mais houvesse para alegar em defesa da Revolução que homens como o Zeca simbolizam, bastaria o facto de eu não poder bufar a uma polícia secreta da Democracia a insidiosa e salazarenta expressão destes cretinos por forma a que os acordassem às tantas da matina para os arrastarem para uma masmorra qualquer e os torturarem até dizerem nomes e moradas de todos os amigos e familiares apologistas da mesma visão de sociedade antagónica à perfilhada pelo poder, seja ele qual for.

O que me vira do avesso é as aventesmas não conseguirem chegar à mesma conclusão.

Publicado por sharkinho às 03:01 PM | Comentários (23) | TrackBack

FAZER DAS MINHAS

Hoje prepara-se um dia agitado para mim em termos profissionais. Não tarda muito começa uma espécie de romaria de fulanos cujo papel é convencerem-me a botar os ovos no seu cesto. Vivem disso, de darem a volta a gajos como eu para puxarem a brasa à sua sardinha e ao cardume que representam.
Lata não lhes falta e argumentos também não.

Mas hoje escolheram mal o dia. Faz vinte anos que morreu o Zeca e a minha veia capitalista está esmagada contra um osso qualquer, estrangulada pela artéria libertária onde circula na pirisga o sangue da minha revolução interior.

Vai ser um dia difícil para os meus sedutores.
Sinto-me puta, mas só me apetece fornicar-lhes a missão.

Publicado por sharkinho às 10:01 AM | Comentários (4) | TrackBack

fevereiro 07, 2007

RECUSO-LHES O ESTATUTO DE SER HUMANO

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Foi desmantelada mais uma rede enorme de pedófilos dedicados à pornografia infantil. A minha primeira reacção é a de alegria por saber mais alguns vermes impedidos de fomentar tamanha aberração. A segunda é a de nojo por saber que são tantos, espalhados pelo mundo inteiro, estes alienígenas psicopatas capazes de uma coisa assim.
E por mais voltas que dê à pouca razão que a repulsa e o ódio visceral me permitem não consigo encontrar a mais rudimentar explicação, a mais pequena pista para que este desvio odioso faça algum sentido.

Se calhar é uma missão impossível, do ponto de vista de qualquer lógica racional, explicar criaturas capazes de encontrarem algum tipo de gozo ou de satisfação nas imagens de crianças em tais propósitos. E nem falo da “estética” doentia que possam descortinar onde um ser humano normal só vê puro horror, falo do que esta realidade implica em toda a sua dimensão.
Falo de crianças raptadas, violadas, exploradas como bonecas de trapos para a satisfação de uma tara destes animais. Falo de famílias destruídas pela sua perda. Falo de muitas variantes, todas horríveis, de sofrimento.
Falo de dor.

Se calhar não há mesmo volta a dar a uma monstruosidade inexplicável, exceptuando combatê-la por todos os meios ao alcance e sem qualquer tipo de complacência, misericórdia ou perdão.
Tentações não há quem as não tenha e todos temos de reprimir as que sabemos erradas. Mas estas são abjectas, cobardes, cruéis, moralmente indefensáveis.

Se calhar não encontro uma explicação porque ela não existe, tal como não admito atenuantes para um crime tão hediondo assim.

E tenho pena de não existir uma sentença capaz de reproduzir nestes sabujos todo o mal que a sua presença, directa ou indirecta, na vida das vítimas inocentes lhes causou.

Tenho ainda mais pena de não me nomearem o respectivo executor.

Publicado por sharkinho às 10:55 PM | Comentários (9) | TrackBack

janeiro 19, 2007

SAUDADES DE SUA ALTEZA O REI SALOMÃO

Existe uma família portuguesa sob ataque do sistema judicial, a ser liminarmente destroçada pela estupidez de uma legislação digna de um país de acéfalos e interpretada por um juiz cujo juizo deve pecar por defeito.
Por princípio sou avesso à anarquia, tanto quanto ao excesso de zelo na imposição da disciplina. Acredito que é na moderação, no equilíbrio e no senso comum que devem assentar as leis e respectiva concepção e aplicação.
E sempre, mas sempre, no superior interesse dos cidadãos que um sistema judicial digno desse nome deve acautelar.

A decisão tomada relativamente à custódia de uma criança de cinco anos de idade que um casal de bem adoptou e um dador de esperma (podem chamar-lhe pai biológico, se preferirem) entendeu de repente reclamar é grotesca, desumana e imbecil.
E eu, que faço a apologia do respeito pela autoridade que um Estado de Direito deve possuir, defendo neste caso concreto a pura e simples desobediência. Ou seja, admiro e muito a reacção dos pais (podem chamar-lhes adoptivos, se preferirem) em defesa da filha que o sistema judicial ameaça com a sua postura autista, deliberando no sentido de tratar a menina como um objecto cuja propriedade alguém reclamou.

Mas que tipo de formação humana recebem juizes como o/a que entendeu prender um homem por seis anos nestas circunstâncias, num país onde um violador não cumpre tal pena e onde não faltam exemplos de crianças mortas na sequência de decisões erradas na atribuição da custódia?
Afinal qual é o conceito da Justiça acerca das palavras "pai", "mãe", "filho" e "família"?
E bom senso, que interpretação lhe atribuem na Escola Superior de Magistratura?

A questão em causa não pode ser encarada de forma tão leviana como a que presidiu à decisão judicial em causa. É que estamos a falar de um poder independente de todos os outros (exceptuando talvez o do futebol...) e que pode interferir de forma terrível na vida das pessoas, sem que restem alternativas de recurso exteriores ao próprio sistema capaz de produzir aberrações assim.

É aterrador, na minha perspectiva, porque mina a confiança e gera justificado receio da população quanto à legislação que a orienta e, sobretudo, quanto ao discernimento de quem a pode aplicar de uma forma tão isenta de humanismo, de sensibilidade e de ponderação.
Claro que a desautorização de um juiz é algo de inconcebível numa sociedade com regras. Contudo, esta é claramente uma excepção que as confirma de caras: é unânime o espanto e a indignação de quem avalia a situação em apreço.

Uma lei, qualquer lei, pode ser confrontada com um caso concreto que a torne injusta ou mesmo absurda. E se um juiz não tem em conta os contornos específicos de cada caso e aplica os códigos com vistas curtas e de forma literal mais vale confiar as decisões à frieza incorruptível de um autómato ou de um computador.

As leis aplicam-se por e a pessoas.
E se errar é humano, juiz algum pode arvorar-se o direito de nunca dar o braço a torcer.

Publicado por sharkinho às 12:00 PM | Comentários (12) | TrackBack

novembro 26, 2006

CONTRACEPÇÃO HOTELEIRA

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Foto: Shark


Habituei-me aos poucos à ideia de as unidades hoteleiras não permitirem animais nas suas instalações. É chato e tal, os bichos fazem barulho, sujam tudo, podem suscitar alergias. Enfim, podem perturbar o sossego de quem busca um hotel para uma noite descansada ou um restaurante para uma refeição em boas condições higiénicas.
Habituei-me apesar do transtorno que isso me causa, pois sempre tive cão e nem sempre tenho disponibilidade financeira ou outras condições para arranjar quem tome conta do bicho para eu poder usufruir também desses privilégios que a hotelaria pode oferecer.

O princípio em causa, aquilo que leva os responsáveis pelos hotéis e restaurantes a recusarem liminarmente a presença de animais nos seus espaços de lazer, é fácil de assimilar. Mesmo um inconformado como eu, que já me vejo empurrado para a rua a contra-gosto sempre que quero fumar um cigarro (outro incómodo que a hotelaria decidiu banir, seguindo o exemplo das transportadoras e aproveitando o trilho que a Lei e os costumes vão criando), aceita os argumentos e age em conformidade.

Claro que só um parvo não percebe que a proibição, qualquer proibição, incute nos mais comodistas uma aversão natural aos alvos dessas limitações.
Cada vez menos gente se predispõe a acolher um animal na sua vida e cada vez mais pessoas preferem dispensar nas suas casas e mesmo nos seus carros a presença de quem fuma, impondo as mesmas regras que a hotelaria populariza.
A malta deixa cair na boa tudo quanto possa constituir um embaraço, um inconveniente, a maçada de qualquer limitação.

Fiquei a saber hoje, na revista de Imprensa de dois canais de televisão, que as unidades hoteleiras começam a impor restrições na admissão de famílias com crianças.
Neste caso concreto nem vale a pena dissecar a argumentação que queiram impingir para justificarem tal medida. Nem mesmo o facto de não ser ilegal essa reserva específica do direito de admissão.

Ninguém me conhece por moderado no discurso ou mesmo no comportamento quando as decisões de outrem me enojam. E é o caso.
Esta nova tendência, que coloca os putos ao nível dos cães, é mais uma machadada num valor fundamental e sagrado. Tão grave, na minha óptica pessimista de quem adivinha o impacto de tal aberração nos casais jovens sem filhos e nos que adoram qualquer pretexto para os confiarem a terceiros, tão grave que assumo sem problema que qualquer hotel ou restaurante que me tente privar da companhia da minha filha terá que chamar a polícia para acabar com o putedo. E garanto que não tenho medo de defender esta causa na pele de arguido num tribunal.

Dão-me saudades do tempo da “velha senhora”, estes liberais da trampa que aceitam o mercado como equilibrador natural destas coisas. Dizem eles que à proibição de uns corresponderá o incentivo de outros e nascerão as unidades hoteleiras vocacionadas para acolherem essas famílias indesejáveis noutros estabelecimentos. E apetece-me mandar à merda esses teóricos que ignoram o valor da Família como o primordial em qualquer sociedade, em qualquer civilização digna desse nome.
As crianças, como os anciãos (talvez os próximos alvos da purga), não podem ser interpretadas como uma inconveniência em circunstância alguma. Não podem servir de pretexto para vedar às pessoas o acesso aos locais da sua preferência, remetendo-as para onde as deixam entrar.

Estas anomalias indignas fazem-me ferver por dentro, pelo efeito que lhes adivinho num país onde a taxa de natalidade já não lhe permite compensar os desequilíbrios da pirâmide etária. Onde muitos jovens encaram a paternidade como um estorvo à progressão na carreira ou mesmo à manutenção de uma relação conjugal sem ondas.

Estas regras do jogo nojento que o dinheiro impõe empurram-me em simultâneo para a esquerda radical que não acredita no bom senso do mercado e exige maior intervenção do Estado na regulação destas coisas e para a direita mais conservadora que coloca valores como a Pátria e a Família no lugar que acredito intocável.
Viram-me do avesso e obrigam-me a soltar o labrego em mim, nos actos como nas palavras.

Representam o que de pior encontro naquilo que os mais cordatos assimilam de forma pacífica como as “consequências naturais do progresso e da evolução”.

Nem os macacos evoluíram de um modo tão repugnante, em muitos domínios.

Publicado por sharkinho às 12:07 PM | Comentários (3)

novembro 23, 2006

DEJÁ VU

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O torniquete, cada vez mais ávido da dor alheia, aprendeu a dosear o aperto de uma forma que prolongava a agonia e dessa forma lhe rendia mais e mais daquele prazer cruel.
Ganhou vida própria, independente do algoz que acreditava comandar a pressão exercida. A tortura devida sob a falsa batuta de quem a aplicava nos corpos e nas almas que quantas vezes lhes fugiam por entre a brisa de um suspiro final.

Nunca iria a tribunal, inimputável, quando a revolução aconteceu e o depositaram num museu onde o rosto de outros culpados não se perpetuaria, desbotando a imagem cada vez mais difusa pelo tempo que tudo perdoaria.

E o objecto facínora, tão quieto numa prateleira esquecida, completamente só, ruminava a lembrança coberto pelo pó e alimentava a esperança de rever o que viu.

A fé justificada pela memória curta de uma História filha da puta que tantas vezes se repetiu.

Publicado por sharkinho às 08:43 PM | Comentários (1)

outubro 29, 2006

CHOVER NO MOLHADO

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Em todo o mundo, a cada minuto que passa morre um ser humano em consequência de acidentes de viação. E mais de 50 sofrem ferimentos graves, muitas vezes com sequelas irreversíveis. Quase uma pessoa por segundo.
No nosso país, onde os números até revelam uma tendência favorável, continuamos a perder gente no asfalto e isso é dramático. Mais ainda quando começa a ser notória a perda de gente muito jovem, menores, envolvidos em sinistros provocados pelo excesso de velocidade. Sem carta de condução.

Este foi um fim-de-semana aziago para diversos pais portugueses. Um veículo cheio de miúdos ignorou uma operação stop e acabou por se despistar. Um outro ignorou uma passagem de nível e acabou esmagado por um comboio. E um terceiro, em Beja, com seis menores a bordo, arrastou para a morte um adolescente com quinze anos de idade e deixou os restantes em péssimo estado.
Se a isto somarmos a frequência com que as autoridades caçam jovens sem carta ao volante de automóveis, podemos concluir que está a nascer um fenómeno nada tranquilizador para quem tem filhos na faixa etária de risco.

Quem mora num raio de cinco quilómetros da ponte Vasco da Gama, pior do que residir ao lado do autódromo do Estoril, já se habituou ao roncar dos motores que parecem não incomodar as meia dúzia de esquadras da PSP e de postos da GNR da zona.
É do conhecimento geral que a partir da meia-noite das quintas-feiras torna-se uma aventura circular nos acessos à ponte e no seu tabuleiro, onde duzentos quilómetros por hora são velocidade de tartaruga…
Ninguém mexe uma palha. Mesmo tendo consciência do facto de os street racers serem pessoas muito jovens e trazerem à pendura as gaiatas e os aprendizes que pretendem impressionar. Carne tenra para o canhão macabro das estradas deste país, à mercê de factores tão aleatórios como o rebentamento de um pneu ou uma manobra imprevista por parte de outro condutor.

É um facto que está a crescer o número de jovens entre o rol de vítimas desta carnificina e que ninguém parece atento a essa progressão assustadora e, considerando a natural inconsciência da idade das hormonas de quem ocupa esses mísseis descontrolados, tão arriscada como uma roleta russa sobre rodas. Para os próprios e para quem tenha a desdita de se cruzar no seu caminho na pior altura.
E as estradas já são temidas ao ponto de muitas pessoas preferirem não sair de casa para evitarem esse risco elevado.

O Estado, cada vez mais empenhado em descartar-se do seu papel na vida dos cidadãos, tem que assumir a responsabilidade política que isto implica. Se é um facto que não é possível policiar todos os locais a todo o tempo, existe um instrumento ao alcance do poder que parece ser de último recurso e só surge em cena quando o choque mediático o impõe: a legislação.
E se existe um problema que requer o endurecimento drástico das consequências legais é o da sinistralidade automóvel.

Custa-me a entender como é possível permitir a circulação nas estradas a veículos capazes de atingirem velocidades dignas da Fórmula Um, ao alcance de qualquer cidadão. Sim, porque não me venham com o discurso da liberdade de escolha neste campo específico: os automóveis podem sofrer “estrangulamentos” baratos no motor que limitem a velocidade que podem atingir. Se não os fazem, não há volta a dar, é por estarem reféns da indústria automóvel. A mesma que pode de forma impune publicitar os seus produtos com claras associações aos carros de corrida, à potência do motor, à virilidade estapafúrdia que cultivam em torno dos seus caixões motorizados e que influencia acima de tudo a camada mais jovem da população.

A mim não enganam com a instalação de radares xpto por toda a cidade e nos veículos da Brigada de Trânsito. A sinistralidade automóvel não pode ser confiada ao livre arbítrio dos condutores alcoolizados ou demasiado jovens ou demasiado estúpidos e gágás para entenderem que uma estrada pública não pode ser um circuito de velocidade onde se buscam recordes ou que não se deve circular nas auto-estradas em contramão.

Já não existem paninhos quentes que disfarcem o óbvio.
Enquanto não endurecer a actuação do Estado o problema não acaba.
E isso não passa pelo conveniente aumento das coimas.

Passa pelos tomates com que se legisla para salvar vidas humanas.
Talvez as dos próprios filhos ou jovens familiares de quem “deixa andar” à espera que o problema se resolva por si.

Talvez a vida dos próprios cobardes que têm a faca afiada na mão para inventar as receitas extraordinárias que lhes disfarçam a inépcia na gestão das contas públicas mas preferem na prática delegar os cortes à precisão dos bisturis.

Publicado por sharkinho às 10:49 AM | Comentários (2)

agosto 12, 2006

A POSTA QUE SÓ COMES COM OS OLHOS

É uma das mais flagrantes distinções entre um homem e um chavalo. Quando toca a apreciar mulheres, os rapazolas desdenham à partida determinados “alvos de mercado”.
Só valem a pena as mais novas, gandas mamas e gandas cus, o resto são sacos de batatas com pernas que até estragam o horizonte visual destes pequenos aprendizes de labrego incapazes de verem para lá do que as suas vistas (curtas) conseguem alcançar.

Têm a tesão concentrada no olhar e cegam com o imponente mastro que enxergam no meio da testa, entre os cornos que tanto se esforçam por merecer. Não vêem boi e julgam-se verdadeiros entendedores quando falam das medidas certas para um corpo de fêmea que não passa de um corpo e a cena da fêmea é só para disfarçar.
Não é de mulheres que gostam, mas de ícones estereotipados que até podem ser tão másculos na mona como na… postura.
Eram capazes de enfiar a pila (e a língua, oxalá) na fechadura de uma porta, depois de a fita métrica (ou a balança) lhes confirmar a excelência do orifício numa óptica tridimensional.

Porque para estes atesoados visuais, uma porta não passa de um adorno utilitário e nunca lhes passaria pelas tolas embebidas em pus de borbulha olharem para a porta e observarem com atenção o que ela pode esconder por detrás. Porque o valor de uma porta reside precisamente naquilo a que a ela nos dá acesso, entrada ou saída, na riqueza do que encontramos depois de atinarmos com a chave certa.
Estes fedelhos sem vergonha partilharão (há sempre raparigas parvas ou distraídas) a vida com uma pessoa que envelhecerá, eventualmente engordará (talvez na sequência da violência que o seu corpo sofre para darem filhos a estes coirões) e é fácil adivinhar o respeito e a consideração que estes futuros velhos babosos lhes concederão.
Porque são mais estúpidos e insensíveis do que as portas que acima citei.

Uma mulher bonita e com contornos perfeitos pode ser tão interessante (na cama ou fora) como um artigo de jornal escrito por uma besta a granel. Um bocejo embrulhado numa casca reluzente, como um Ferrari com o motor de um Citroen dois cavalos.
Uma mulher madura, experiente, determinada, sem merdas, pode ser a protagonista da mais espectacular cambalhota ou do diálogo mais apelativo que um gajo experimenta na vida e em nada a sua idade, peso ou outras marcas da passagem do tempo ou de uma combinação genética aziaga contam seja o que for nessa dimensão da realidade que os meninos de escola nunca saberão entender. Na cama ou fora, uma mulher a sério mede-se pelo que dela transpira em sensualidade, em inteligência, num rol interminável de iguarias que estes pseudo-devoradores de comida enlatada não alcançam nem à chapada nos beiços sem tino.

Isto a propósito de um post que li no Controversa Maresia, onde tomei conhecimento de uma alarvidade por escrito praticada com o beneplácito dessa instituição da Imprensa nacional que parece empenhada em acolher toda a trampa que possa encher chouriço e sacos de plástico com papel. O Expresso transforma-se aos poucos numa Maria (vai cas outras) boçal e onde há espaço de sobra para estes Maneis com tanta aversão ao tecido adiposo exterior ao seu obtuso córtex cerebral.

E a malta paga para ler estes gemidos provocados pelos ténues movimentos peristálticos no interior da reduzida massa encefálica que depois os converte em gases feitos palavras que afinal também libertam odores.
Tresandam a disfunção eréctil, ejaculação precoce, masturbação intelectual e outros recalcamentos que a medicina já consegue atenuar e as remunerações auferidas por estes calhaus podem custear na boa.

Mas talvez umas palmadas bem assentes nos cuzinhos bebés pelas suas mãezinhas com corpos danone resolvessem o problema.


Publicado por sharkinho às 08:06 PM | Comentários (15)

agosto 07, 2006

AGORA VARREU-SE-ME...

Que nome se dá à tendência que as pessoas têm para usarem os outros como pretexto, como atenuante, como desculpabilização para os seus impulsos menos dignos ou menos suportáveis nas suas consciências?

Aquela cena do “se tu fizeste eu também posso fazer” e assim…

Publicado por sharkinho às 10:58 AM

julho 03, 2006

A POSTA QUE SABIAM

Na verdade, tudo aquilo que se sabe não passa ainda de um rumor. Agimos com confiança, tomando como certo cada pedaço da escassa informação que somos capazes de digerir.

Contudo, arrotamos ignorância como uns alarves no preciso instante em que nos deparamos com o conteúdo das nossas certezas inabaláveis (mas mancas na interpretação subjectiva, que o problema está sempre em nós), e descobrimos, entre golos ávidos de água com gás da marca Evidência, que afinal a vida como a pensamos é apenas um boato que só nos é desmentido à beira do suspiro final, tarde demais para remediarmos o problema.

Publicado por sharkinho às 09:42 PM | Comentários (4)

outubro 11, 2005

MURALHA DE AÇO

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Foto: sharkinho

São problemas que nos passam ao lado, no santo dia-a-dia de um país onde até os furacões despassarados decidem imolar-se para não perturbar a paz dos senhores.
Até parece mal falar destas coisas, tão confortáveis que nos sentimos enquanto protestamos contra o aumento do custo de vida que nos priva de substituir o "velho" dvd por um modelo mais recente.
Porém, cerca de 500 seres humanos partiram de diversos pontos de um continente algures na mesma galáxia que habitamos. Tinham por objectivo escapar à fome. Apenas sessenta e cinco conseguiram chegar a Marrocos, a última barreira entre a morte pela fome e uma existência clandestina mas com a barriga cheia. Desses, apenas um (!) logrou alcançar o objectivo sonhado.
Seis terão sido liminarmente abatidos, alegadamente pela polícia marroquina.
Os sobreviventes, de acordo com Pepe Alonso, um advogado de Melilla que não tem mais nada que fazer do que pugnar pelos Direitos Humanos, serão abandonados à fome e à sede no deserto, junto à fronteira com a Argélia.

O hemisfério sul começa a incomodar-nos as consciências. Talvez esteja na hora de fecharmos de vez as portas a essa seita faminta que nos pode riscar a pintura do carro novo na sua ânsia de escapar à perseguição que lhes é movida neste nosso paraíso. Ainda por cima é de lá que vêm os maus, os terroristas. E são pretos, o que pode adulterar a longo prazo a nossa alva pureza étnica.

É uma chatice, isto de eles se imolarem nas nossas vedações. O problema tem que acabar, pois as imagens televisivas podem chocar as nossas crianças-anjo incapazes de entenderem porque morrem tantas pessoas nesta migração, em barcos que afundam, em desertos que os desidratam ou sob o fogo dos heróis que nos protegem da ralé.
Talvez instalando uma barreira electrificada um pouco acima do Equador, um anel de segurança que nos poupe a estas exibições grotescas de inveja por parte dos ingratos que não reconhecem o bem que a colonização lhes fez...

Publicado por sharkinho às 11:30 AM | Comentários (24)

agosto 02, 2005

TATUADO NO MEU RANCOR

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É uma mulher bonita e dá largas, sempre que pode, à sua alegria reprimida. Quando ele não está por perto, consegue até sorrir.
Mas o seu olhar denunciava uma tristeza que me perturbou, logo na primeira vez que a vi. Incapaz de ficar indiferente, passei a observá-la com mais atenção, de forma discreta. E a ele também.
No olhos do cabrão li apenas o vazio, a expressão habitual no olhar dos cabrões. Não gostei. E logo adivinhei o cenário por detrás daquelas aparências insuspeitas aos olhos de quem não lhes prestava atenção.

Semanas mais tarde deparei-me com o rosto dela deformado, inchado pelo falso abcesso que as camadas de creme sobre o sangue pisado não conseguiam pintar.
Estava mais triste nesse dia, obrigada a trabalhar na ressaca de um terror, maquilhada à bruta para esconder na cara o que a alma não conseguia disfarçar. Pelos olhos, expressivos, transbordavam o medo, a amargura e a resignação muda de quem nada pode (consegue) contra a violência de um brutamontes possante e isento de emoções. O canalha ideal, perfeito para simbolizar o nojo que lhes dedico, aos canalhas capazes do pior. Da cobardia. Da infâmia.

Nada podia fazer, sabendo-os casados e não tendo hipótese de denunciar algo que não vi e ninguém até hoje me testemunhou. Não podia agir com base em especulações.
Engoli a revolta e passei a dar menos atenção à mulher bonita que eu pressentia estar a sofrer. Até um dia, pouco tempo atrás.

De manga curta e braços cruzados, distraída, saltou-me à vista o que me pareceu uma tatuagem, um pouco acima da dobra do cotovelo, na face lateral de um dos braços dela.
E era, de facto, disso que se tratava.
Um clássico. Um coração apaixonado, atravessado pela seta de cupido. E dentro do coração um nome de homem.
Essa era a tatuagem original, como a reconstruí mentalmente ao longo dos segundos de que dispus para a observar.
Agora, uma horrível cicatriz substituía a seta, de alto a baixo, cruzada na zona do nome que se pretendeu apagar. Mas sobraram a primeira e a última letra do nome próprio desse amor eterno que algures acabou. Não é o nome do vilão.

Desconheço, por ora, a verdade por detrás destes preocupantes indicadores. Mas só me consigo imaginar olhá-lo com desdém, ao desafio, sempre que o destino o atravessar no meu caminho.

Tenho fé que algum dia ele irá perguntar-me porquê.

Publicado por sharkinho às 12:42 PM | Comentários (23)

julho 01, 2005

A POSTA DO LIXO

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A vingança não é uma atitude bonita. Pois não. E eu nem costumo exercer com frequência esse direito à retaliação que todos, ou quase, sentimos pelo menos uma vez ao longo da vida.
Contudo, o facto de eu preferir olhar-me no espelho e ver um homem de bem não implica que me predisponha a cruzar os braços perante algumas situações que me revoltam ou repugnam. E isto aplica-se também às injustiças que vejo cometer relativamente a outras pessoas, com especial preponderância quanto às pessoas que estimo.
A injustiça é sem dúvida a razão das minhas mais tristes reacções para com terceiros.

Por norma, quem é capaz de lesar os interesses dos outros sem justificação não possui a maior parte das características de uma pessoa em condições. A coragem, por exemplo, costuma estar ausente das personalidades menos recomendáveis. Cobardes, apontam as baterias a quem pressentem mais vulnerável e menos capaz de agir em legítima defesa. E fazem-na pela calada, para limitarem ainda mais a hipótese de se verem confrontados com o troco merecido para as suas baixezas.
Odeio gente assim e sou capaz do pior, acumulei alguns exemplos pouco abonatórios da minha bonomia ao longo da vida, para lhes fazer sentir na pele o desconforto ou mesmo o medo que suscitam aos outros.

Não me orgulho desta minha prerrogativa, nem a louvo enquanto regra de conduta. Mas não consigo reprimir-me quando as más acções dos sacanas afectam alguém, sendo a minha resposta proporcional aos danos causados e à vulnerabilidade das pessoas afectadas. É feio, bem sei, mas reajo por instinto e só depois me arrependo.
Assumo esta mácula perante vós por não querer criar uma imagem de santo que não corresponda à verdade dos (meus) factos tal como a tenho revelado neste blogue.

O pretexto para esta posta é idiota. Há meses que um vizinho anónimo despejava no patamar de entrada do edifício, por cuja limpeza assumi a responsabilidade dado tratar-se de um acesso ao meu escritório, todo o lixo que encontrava na sua caixa de correio.
É uma treta sem jeito nenhum, mas irritava-me pela repetição e pela impunidade.
Hoje, finalmente, alguém apanhou o suíno em flagrante quando ele deitava para o chão de forma displicente a propaganda e outros detritos que lhe atafulhavam a caixa.
Ainda por cima trata-se do “moralista” de serviço (todos os edifícios têm um), daqueles gajos que pegam por tudo e por nada para chatearem a cachimónia da vizinhança.
Agradeço ao destino não me ter cruzado com ele na hora desta revelação, para não transformar uma coisa de nada num problema mais sério.

E eis a minha confissão. Tudo quanto ele despejou na escada, mais todo o lixo que consegui reunir na altura encafuei na caixa do correio do bacano. Enquanto o fazia repeti várias vezes em voz alta que era eu o autor da proeza (sabia que ele estava em casa na altura), para que não lhe restassem dúvidas da porta a que poderá bater se quiser pedir satisfações. Que peça, eu dou-lhas...
Um disparate pegado, pois é, e nem faz sentido servir de mote a uma posta. Mas nós pessoas somos feitos destes pormenores e nem todos correspondem às nossas melhores intenções.

Por outro lado, já vos dei a saber de mim o bastante para que não me tomem por arruaceiro, não sendo de forma alguma um anjinho como gostaria. E assim aproveito para fazer passar a mensagem de que por muito porreiro que eu seja quando me tratam com respeito e cortesia, não me inibo de reagir em conformidade (e nem sempre na proporção) quando me pisam os calos ou a quem me seja próximo.
Mea culpa. Tenho mais de tubarão do que de peixinho dourado. Mas só tem a temer quem faça de conta que não percebeu o recado que aqui deixo, disfarçado por entre o meu desabafo pseudo-“ambientalista”...

Publicado por sharkinho às 04:00 PM | Comentários (20)

dezembro 16, 2004

SHIT HITS THE FAN (A POSTA TERRORISTA)

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Feliz Natal!

Existem as meias-verdades, as histórias mal contadas e as mentiras piedosas. Este poderoso arsenal está ao alcance de qualquer pessoa e o cidadão comum utiliza-a sem problema, como um telemóvel, como um comando de televisão. Ou como qualquer outro utensílio indispensável no quotidiano de cada um.
Contudo, o cidadão comum não está preparado para manusear os equipamentos em causa. Estoiram-lhes a vida em pedaços quando implicam um retorno, um desenlace imprevisto que lhes esmaga as pretensões.

As meias-verdades são o expediente mais banal. Conta-se a história numa versão reduzida, parcial. Conta-se o mar de rosas e o final feliz e omitem-se os detalhes melindrosos ou mais susceptíveis de se virarem contra o contador. Quem conta uma meia-verdade conserva sempre a parte mais suculenta da informação, a pedra de arremesso futura, o pormenor sórdido que em vez de descer pelo cano flutua. Vem à tona porque a metade da verdade contada não camufla as incongruências e estas, como se sabe, cheiram mal em qualquer história.

As histórias mal contadas são a versão pimba das verdades meias. Mais desajeitadas, equilibradas a custo num mísero galho de veracidade, visam apenas desviar as atenções ou inventar alibis. Não requerem um esforço intelectual intenso, divertem os interlocutores mas, em contrapartida, é frequente uma história mal contada descambar num cenário confrangedor. Um pouco como um tipo tapar a cabeça e destapar os pés.

As mentiras piedosas são a artilharia pesada do hipócrita padrão. A piedade beatifica-as. São um mal necessário, um mecanismo de protecção ‘legítimo’ contra a capacidade de reacção da pessoa que se visou. Não se conta a história e inventa-se uma outra em sua substituição, para o alegado bem de um inevitável coitadinho incapaz de encaixar uma verdade nua e crua. Faz-se de parvo o alvo desta estranha misericórdia. Porque a mentira apenas oculta por algum tempo uma verdade à solta, ansiosa por se fazer descobrir.

A verdade é como uma espécie de factor aleatório, uma mina, uma bomba-relógio oculta, discreta num canto para ninguém a descobrir. Quando dão por ela, nem os especialistas conseguem desarmar alguns detonadores.
E depois pum!

Publicado por sharkinho às 11:03 AM | Comentários (19)

novembro 21, 2004

PEGUEM-ME DE CARAS, POR FAVOR

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Por vezes não consigo entender o que as outras pessoas me dizem (ou pretendem dizer-me), sobretudo quando as pessoas mandam recados em forma de enigma. Sou um asno em matéria de puzzles, enigmas ou charadas. É outra das minhas limitações. Prefiro as verdades e as opiniões inequívocas, inteligíveis e directas. Inequivocamente direccionadas, para eu saber que se referem a mim ou algo de meu, expressas em discurso directo e sem recurso a analogias, para eu perceber bem o trocadilho, e acima de tudo frontais, pois tenho aversão aos toques de espora.
Já dei mostras de saber encaixar as biqueiradas que mereci. Pedi desculpa, pouco mais haverá a fazer, e apresentei justificações quando julguei possuí-las. Sem merdas, sem jogos de palavras, sem aquele tom ‘vocês sabem do que estou a falar’ que me provoca urticária.

Detesto touradas, mas admiro uma classe de intervenientes nesse espectáculo tradicional: os forcados. A pega de caras requer uma coragem ao alcance de apenas alguns. É feita sem recurso aos instrumentos de tortura que me desagradam, como as bandarilhas, que dão poucas hipóteses aos touros de fazerem alguma justiça no redondel.
O único senão é serem precisos tantos para dominar o animal, mas dada a envergadura do bicho é compreensível que se equilibre a parada dessa forma. Seja como for, é de caras, sem cavalinho nem capote para distrair. O único que fica atrás é o rabejador, destinado a praticar esqui no meio da poeira enquanto serve de travão adicional.

Também não sou adepto da caça ‘desportiva’. Não vejo a piada de dezenas de milhar de fulanos armados, agachados no mato, em busca de alvos que não passam de trofeus numa competição onde a luta é desigual e, a meu ver, desumana. O tempo dos caçadores acabou quando o último pele-vermelha foi aprisionado numa reserva qualquer. Tirando esses e outros povos em extinção que ainda caçam para comer, só entendo a caça dos nossos dias e do nosso mundo ocidental como uma tourada sem pega de caras. È tiro ao pato, à lebre, às cegas, sobre criaturas que não se podem defender (nem sabem de onde parte o tiro) e seguramente nada fizeram para merecer tal destino.

Isso não implica que me vejam nas manifes contra as touradas ou no voluntariado de qualquer associação de defesa dos animais. Ajo de acordo com a minha consciência e sensibilidade e deixo aos outros a possibilidade de fazerem as suas escolhas, não me inibindo de expressar o repúdio pelas mesmas, se me desagradam, como esta posta é exemplo. Mas o problema desta posta é precisamente o de eu aplicar o mesmo estilo que critico, pois não tendo a certeza do que queriam dizer e se o que disseram me era dirigido escrevo às cegas, tenho que me cingir ao domínio da especulação. E fico no papel do touro que marra no vazio ou no da peça de caça que não sabe para que lado fugir. Sempre com a esperança secreta, no entanto, de o tiro passar ao lado. Ou de apanhar a jeito o sacana que me picou sem eu lhe fazer mal nenhum...

Publicado por sharkinho às 07:05 PM | Comentários (41)