março 18, 2008

A ECONOMIA TEM PÉS PARA ANDAR

De resto, não faltam as perspectivas optimistas e mesmo quem lance o isco para as excelentes oportunidades em época de crise para qualquer investidor mais audaz.

Neste doce embalo de uma crise a conta-gotas são muitos os que advogam que a Economia segue firme e segura na sua passada.
Mas com o petróleo cada vez mais em cima e as bolsas cada vez mais em baixo, convém que alguém a avise para apertar bem os atacadores...

Publicado por sharkinho às 11:09 AM | Comentários (2)

março 16, 2008

A POSTA NAS LEIS DO MENOR ESFORÇO

Quase em simultâneo, o Governo anunciou mais duas medidas proibicionistas.
Passaram a ser proibidos o culto dos cães de guerra (sete raças perigosas na lista negra) e os piercings em diversas zonas do corpo.
Assim de repente, a malta até aprova a medida. Os cães em causa quase matam mais gente por ano em Portugal do que os tubarões no mundo inteiro. E os piercings, potencialmente causadores de infecções nos putos, chocam as vistas mais conservadoras.

Eu não meto as duas medidas no mesmo saco.
Evitar a proliferação de animais ferozes à solta pelas ruas soa-me razoável, indispensável até. Sobretudo num país de bestas irresponsáveis, incapazes de cumprirem o seu papel de donos e açaimarem as suas máquinas assassinas com patas para não continuarem a matar e mutilar transeuntes.
Mas apontar o crivo proibicionista à liberdade individual de colocar piercings na língua ou onde quiser cada cidadão soa-me a contradição relativamente ao espírito tão liberal do principal argumento de muitos defensores da despenalização do aborto: o direito de cada um ser dono do seu próprio corpo.

Podia arrastar este assunto para um daqueles lençóis que poucos lêem e nenhuns comentam, mas vou resumir a coisa ao que me parece serem os efeitos práticos potenciais destas duas intervenções do Estado na vida dos cidadãos.

Os cães banidos passarão a ser criados na clandestinidade, provavelmente por “criadores” de circunstância, e sem qualquer hipótese de controlo por parte das autoridades. Ou seja, se muitos já fugiam à obrigatoriedade dos chips, dos seguros e de outros meios de controlo e atenuação do problema agora só vamos dar com os bichos tresloucados quando eles surgirem do nada fugidos dos canis incógnitos.

Quanto aos piercings e tatuagens, se até agora constituíam apenas mais uma moda das que em todas as épocas existem para os/as mais rebeldes terem à mão uma maneira simples de evidenciarem a diferença da sua atitude (é mais fácil do que prová-la sem o recurso a pinturas ou anilhas ou cabelos de cor púrpura), o Governo totó acaba de transformar essas irreverências rebeldes em autênticos gritos de revolta (o que as tornará “obrigatórias” para quem abraçar uma atitude bué contestatária que, na maioria dos casos, o futuro até comprova não passar de um desequilíbrio hormonal adolescente e passageiro).

Resumindo: se os cães não têm culpa da estupidez dos donos e, em vez de proibir, o Governo deveria penalizar de forma mais dura os donos que não cumprem as regras que a lei preconiza, os cidadãos que são mesmo donos do seu corpo não têm culpa da estupidez de um legislador careta que decidiu marrar com o comboio de chelas em vez de se preocupar com assuntos relevantes para a população.

Um país de merda constrói-se assim. Desculpabilizado pela estupidez alternada.

Publicado por sharkinho às 11:07 AM | Comentários (20)

março 13, 2008

"OS BANCOS PRECISAM DE AUMENTAR OS SEUS LUCROS"

Se é inegável a preponderância da banca enquanto pedra basilar do funcionamento da economia que temos, sobretudo no que respeita ao tecido empresarial e à oscilação bolsista, está a tornar-se demasiado óbvia a pele de carrascos que os bancos começam a vestir relativamente ao que definimos como classe média.
De carrascos e de coveiros, pois o aviso de que o título deste texto dá conta prenuncia o apertar do seu poderoso torniquete nas depauperadas (endividadas) condições financeiras das famílias que o negócio do crédito foi aos poucos tornando reféns.

A contradição entre os resultados fabulosos que em cada ano transpiram a saúde da banca (mesmo o BCP, em plena convulsão, mantém um nível de lucro apreciável) e o aparente desplante (vulgo lata) com que se defende a necessidade de os consolidar (leia-se esmifrar ainda mais o cidadão sem excedentes nem poupanças) salta à vista de qualquer leigo.
Para a generalidade da população mobilizada para combater a cada vez mais difícil batalha contra o fim do mês, o reclamar de lucros por parte das instituições bancárias que se traduzirá na revisão em alta dos spreads (os mesmos que baixaram ao ponto de viabilizarem compromissos hipotecários a um prazo de cinquenta anos, garantindo o endividamento antecipado da próxima geração) soa insultuoso.
E ameaça fazer disparar o número de vidas escangalhadas pela parceria entre a ganância bancária e a mania portuga de insistir em correr mais depressa do que os próprios pés o permitem.

De pouco adianta imputar responsabilidades a qualquer dos Governos que permitiram o fartar vilanagem da sedução consumista, sem qualquer controlo sério que pudesse evitar a proliferação dos excessos no contexto de uma luta desigual entre gestores ambiciosos, estrategas habilidosos e publicitários cada vez mais eficazes e o mexilhão do costume, o Zé Povo, incapaz de resistir à tentação perante o carro novo, o plasma ou a crónica de férias do vizinho.
E de nada vale denunciar a irresponsabilidade (na maioria dos casos simples ignorância ou incapacidade de lidar com as novas regras deste jogo sem lei) das famílias que aos milhares se foram empenhando e deixando arrastar pela enxurrada da euforia que a Europa dos ricos e a tentação a cada esquina facilitaram.

Os números não mentem e muitos pescoços já sentem a pressão da corda. E com famílias aos milhares a verem-se privadas dos bens que tinham como indicador do nível de vida que julgavam possível, os bancos não podem continuar a esticá-la.

É que o medo que se vai instalando aos poucos destas garras inflexíveis da dinâmica sanguessuga, o boca a boca dos caídos em desgraça cada vez menos envergonhados de a assumirem por existirem culpados flagrantes a apontar está em vias de criar uma reacção alérgica ao negócio desalmado que a banca cada vez menos conseguirá desmentir com a cosmética publicitária e outras.

A cama que os bancos farão se insistirem neste divórcio com a componente humana da actividade financeira, a voragem do lucro, será aquela onde se irão deitar não tarda.
É que cada vez mais se sente o apelo de trocar a ameaça dos balcões pela relativa segurança dos colchões.

E nessa cama específica não há lugar para caixas desempregados e para gestores de conta às moscas...

Publicado por sharkinho às 12:10 PM | Comentários (2)

março 07, 2008

MAS ANDA MESMO TUDO ASSIM TÃO DOIDO?

Como é que um gajo consegue matar duas pessoas em poucas horas tendo a trampa de dois carros como móbil?
Pior ainda, como é que um gajo chega à conclusão de que a forma mais eficaz de se suicidar é enfiar a naifa três vezes pelo peito adentro e efectivamente arranja forma de levar a cabo essa ideia estapafúrdia?

Será do clima, alguma coisa na fruta ou agora somos de travadinhas como os rottweiler?

Publicado por sharkinho às 01:17 PM | Comentários (6)

fevereiro 27, 2008

TRIGO LIMPO

Os aumentos do preço do petróleo, por comparação, são peanuts.
Gente pobre não possui automóvel...

Publicado por sharkinho às 09:32 PM | Comentários (13)

fevereiro 25, 2008

VALUPITE AGUDA

Com o armistício assinado na guerra civil da Parvónia e a Media Markt a meter o rabinho entre as pernas com o polémico escuteiro do seu anúncio a desaparecer pela magia de uma "boa acção" por cagufa, foi agora lançada mais uma campanha publicitária (do Banco Espírito Santo) feita à custa da ridicularização de um grupo específico de profissionais.
Desta feita os visados são os vendedores de automóveis, caricaturados na sua versão menos agradável.

O problema destas paródias publicitárias reside numa lógica muito simples e difícil de desmentir.
Para se justificarem na função os publicitários provam-nos a sua influência na tomada de decisão do seu público-alvo de circunstância. Ou seja, conhecedores dos seus instrumentos mais eficazes (os media, nomeadamente a televisão), arvoram-se capazes de manipularem os impulsos de compra de fatias aleatórias da audiência massificada.
E tudo indica que se confirma o pressuposto.

Ora, a mesma lógica que lhes sustenta a eficiência é a que confere aos media um impacto determinante na formação de decisões. E de opiniões também.
E é aqui que entra a face foleira do argumento utilizado nestas ridicularizações pontuais desta ou daquela realidade, sem que isso se revele particularmente eficaz ou possa sobrepor-se às hipotéticas alternativas.
Se aceitamos o impacto da publicidade nas pessoas não há como fugir à evidência da sua eficácia pela negativa.
E nesse caso, a imagem de um grupo ou classe profissional sai efectivamente lesada no boneco que os anúncios pintam.

A delicada questão das fronteiras

Anda um enorme sururu no Aspirina em torno da sensível questão das caricaturas a Maomé e um dos aspectos mais polémicos é precisamente o da definição do que é ou não insultuoso e, por tabela, de quais os limites (se existirem) da aplicação prática do conceito de liberdade de expressão que é tão cara a quem se revê no modelo de sociedade que é a nossa.
O paralelo que encontro nestes dois aparentes conflitos entre a liberdade criativa e a sensibilidade (ou vulnerabilidade) de determinado grupo de pessoas reside precisamente nos pontos de convergência das duas questões levantadas, passe a relevância de cada uma.

A liberdade de expressão não deve constituir-se plataforma para abusos. Contudo, a definição de abuso pode ser moldada ao sabor das conveniências de quem pretenda encontrar pretextos para a cercear. Quero com isto dizer que se o livre arbítrio de quem insulta ou inferioriza pode resvalar para os terrenos pantanosos do fartar vilanagem, mais facilmente a manipulação oportunista de falsas virgens ofendidas pode converter-se numa ameaça à liberdade em si própria.

Na questão da publicidade de mau gosto, o episódio Media Markt conheceu um epílogo que se transportado para o exemplo das caricaturas a Maomé faria com que os dinamarqueses pedissem desculpas públicas e banissem os trabalhos da polémica. E esse precedente seria tão encorajador para a chantagem de bombistas como o será para qualquer grupo influente que acene com as formas de pressão ao seu alcance no Estado de Direito para se proteger de uma eventual imagem lesiva.
O paralelo reside na cedência que basta ver-se multiplicada para se arreigar como um costume, como uma prática recomendável.
E isso constitui um perigo real para o conjunto de valores que nos distinguem, enquanto civilização, das que se revejam num modelo onde o bom senso é substituído pelo proibicionismo e pela força bruta fundamentalista.

Definição de prioridades

E foi essa a verdade que a argumentação inflexível do Valupi nos dois posts publicados acerca da bronca das caricaturas enfatizou. Entre o enquadramento legislativo que evite os excessos ou permita a sua reclamação (jurídica) por qualquer pessoa ou grupo que se sintam lesados e o recuo inerente a uma retracção em função de qualquer ameaça desproporcionada o mal menor é sempre o primeiro destes dois cenários.

Os publicitários que optam por denegrir a imagem de uma classe profissional, legitimados pelo direito que possuem de o fazer, são uns imbecis aos meus olhos e só revelam falta de capacidade para enveredarem por um caminho talvez menos fácil mas seguramente mais digno na abordagem.
Os empresários que cedem à ameaça latente de terceiros só para evitarem transtornos são uns cobardolas revisionistas.
Mas isso é a minha opinião, que sou livre de emitir porque vivo no lado do mundo onde esse direito não é algo de negociável. Porque sou igualmente responsável pelas consequências dos meus actos e afirmações, caso o seu teor ultrapasse o que a Lei defina como legítimo dentro do espaço de manobra que a liberdade me confere.

Eu não subscrevi o visível recuo da Media Markt, como não levei a sério as virgens ofendidas escutistas. Sei que a indústria automóvel possui os meios necessários para contrapor à “arrogância” criativa dos anúncios bancários uma resposta adequada e proporcional.
E ainda sei que anos atrás um banco “revolucionário” impôs a sua diferença através da ridicularização dos processos arcaicos da concorrência (as velhas chapinhas numeradas de metal, lembram-se?), pelo que nem se pode dizer que são incapazes de apontarem as baterias aos “seus” da mesma forma que os caricaturistas escandinavos podem embicar para questões tão delicadas como a pedofilia que a Igreja Católica tem albergado no seu seio (certamente com uma expressão tão minoritária como a dos extremistas que ameaçam de morte quem os melindre, no contexto da multidão que arrastam na imagem intolerante mas que certamente não representam).

Com conta, peso e medida

Já fui vendedor de automóveis e numa primeira reacção, instintiva, senti-me incomodado com a ridicularização implícita na campanha que referi. Mas se tivesse que ameaçar uma instituição bancária (jamais as pessoas que as integram – também valorizo essa diferença) com uma acção à bruta jamais seria sob o pretexto de desatinar com uma chalaça mas eventualmente por me “fecharem a torneira”, executarem uma hipoteca e fazerem-me sentir a mais na sociedade e no mundo a que quero pertencer.
Precisamente o que me querem fazer sentir os fundamentalistas que ameaçam matar quem os hostilize com reacções à sua visão afunilada das coisas que se traduz numa conduta criminosa mesmo à luz dos preceitos que alegadamente defendem.
Talvez porque seja assim que eles próprios se sentem.

Mas a culpa não é minha, nem do modelo de sociedade em que me revejo.
E isso não me cega às desigualdades e injustiças que dele resultem, como estas não podem servir de pretexto para abdicar por medo de coisas tão preciosas como o sentido de humor para poder rir-me destas palermices todas.

Ou de debochar com a sua essência tão séria e no entanto, pelas suas inúmeras incongruências e equívocos, quase a roçar o descaradamente infantil.

Publicado por sharkinho às 11:52 AM | Comentários (4)

fevereiro 20, 2008

TERRAMOTOS

Um forte abalo sísmico foi registado hoje na Indonésia, atingindo os 7,5 na escala de Richter. Até ao momento em que escrevo esta posta parece não haver vítimas a lamentar.

Entretanto, no PSI 20, as acções do Millenium BCP sofreram uma quebra na abertura do mercado que poderá vir a atingir igualmente os 7,5 (%) mas deste "abalo" irão certamente resultar milhares de carteiras vitimadas.

Publicado por sharkinho às 09:20 AM | Comentários (0)

fevereiro 17, 2008

CASA DO GAIATO

O MP arquivou processo a alegados abusos sexuais.

Casa Pia...

Publicado por sharkinho às 01:29 PM | Comentários (5)

fevereiro 16, 2008

KOSOVAI-SE?

E os sérvios, ficam-se?

Publicado por sharkinho às 08:29 PM | Comentários (6)

fevereiro 15, 2008

A AMEAÇA ROTTWEILER

Em Loulé aconteceu mais um episódio propício para os criadores desmentirem a costela Frankenstein destes bichos aterradores.

Quantas vítimas mais serão necessárias para este rebanho de teimosos dar uma nova oportunidade ao fiável pastor alemão?

Publicado por sharkinho às 09:35 AM | Comentários (2)

fevereiro 13, 2008

JUÍZO TOTAL OU JUÍZO FINAL?

aids.jpg

Este post do Rui Pedro Lima trouxe-me à ideia a minha própria experiência recente nessa matéria de receber o ansiado negativo que nos tira de cima uma carga de toneladas e, em simultâneo, nos recorda o quanto pode sair cara uma forma espontânea e descuidada de viver a vida.

As DST, com a SIDA à cabeça na gala dos horrores possíveis, são a mais cruel e refinada manifestação do bizarro sentido de humor de Deus ou de quem quer que o substitua nesse tipo de decisões maradas.

Publicado por sharkinho às 07:27 PM | Comentários (13)

fevereiro 11, 2008

...E A MENINA ESTÁ ONDE, JÁ AGORA?

Noto e respeito o silêncio instalado na blogosfera relativamente ao desaparecimento da pequena Maddie McCann, subsequente ao espalhafato que o caso instalou nos media e, por tabela, em boa parte de nós que damos eco daquilo que ocupa a mente e a preocupação do cidadão comum.
Aos poucos, e depois das reacções a quente na sequência dos factos(?) divulgados pela Imprensa e pela Justiça (na qual se enquadra a PJ alegadamente precipitada que agora se revelou), fomos percebendo o quanto a história vem sendo mal contada e até que ponto tudo quanto é sério foi desaparecendo do guião ou relegado para um segundo plano que serve os interesses dos autores do crime na perfeição.

Ocorrem-me meia dúzia de coisas.

1 - Desapareceu mais uma criança em Portugal.
2 - Os responsáveis por esse crime ainda não foram encontrados (tal como a criança).
3 - Os pais da Maddie, culpados de negligência que muitos progenitores consideram criminosa, não foram acusados desse facto previsto na Lei. Antes seriam constituídos (e agora previsivelmente “desconstituídos”) arguidos e, por inerência, presumíveis suspeitos de um crime ainda mais hediondo.
4 - Essa suspeita, pela gravidade do seu teor e pelo quanto isso indicia do rumo tomado pela investigação, acrescentou um estigma sobre os pais da criança desaparecida e, caso se confirme a "precipitação" propalada, terá arruinado as hipóteses de obter pistas credíveis (para além de acrescentar um sofrimento suplementar e dispensável sobre o casal).
5 - Toda a gente procura com afinco os culpados do retumbante fracasso policial, que agora se expõe na sua vertente mais grotesca, enquanto escasseiam os que se esforçam por procurar a criança desaparecida.
6 - Se com tanta exposição mediática e investimento em detectives e, na prática, com todos os meios disponíveis e mais alguns a Maddie continua a parecer a vítima de rapto por extraterrestres, qualquer mãe ou pai neste país tão folclórico no acompanhamento das tragédias têm motivos sérios para se preocuparem com a segurança das suas crianças.

Só quebro o silêncio que acima citei porque estou farto de ver o assunto centrado no tipo da Judite, nos pais da miúda, nos amigos dos pais da miúda, nas teorias da conspiração em catadupas, em retratos robô e em tudo quanto este circo arrasta para a pista falsa do falatório às cegas.

Entretanto…

Publicado por sharkinho às 11:51 PM | Comentários (2)

fevereiro 07, 2008

TEMPOS DIFÍCEIS

Adivinham-se.

Publicado por sharkinho às 09:05 AM | Comentários (0)

fevereiro 05, 2008

E PERGUNTAVA EU À ERNESTA

Num mundo em que as pessoas gastam fortunas para melhorarem a aparência e numa altura em que se revela a indústria milionária que gira em torno dos transplantes de órgãos (sem falar na que se move pelos esconsos da economia paralela mais tenebrosa), quanto estariam algumas pessoas dispostas a pagar por um transplante do cérebro se tal fosse tecnicamente possível?

Publicado por sharkinho às 07:54 PM | Comentários (8)

janeiro 31, 2008

A IRREPREENSÍVEL EUROPA

No mesmo velho continente onde existe um país cujas suiniculturas descarregam detritos nos rios mais à mão e onde nem há muito tempo se descobriram explorações onde os animais morriam à fome e se comiam uns aos outros, nesse novo mundo onde o ar é sempre puro e a fruta parece adereço, foi decretado um embargo à carne do Brasil.
Parece que as condições sanitárias brasucas não correspondem aos critérios, aos elevados padrões que a União Europeia mergulhada em Asseptal quer impor (também) aos de fora.

São questões de saúde pública, politicamente intocáveis, que ninguém contesta por se saber automaticamente mal no boneco se sair em defesa da picanha, da maminha e do resto da pouca carne tenra e saborosa que ainda vamos provando neste nosso paraíso impoluto onde cada vez mais sabe tudo cada vez a menos.

Estão em causa milhões de euros mais a saúde das relações comerciais (e diplomáticas, se esticarem a corda em demasia) entre a Europa a que pertencemos e o Brasil que descobrimos. Entre a mulher abastada a que juntámos os trapinhos por conveniência, justificada a ligação pelo legado cultural comum ou coisa que o valha, e a amante que nos apaixona e cuja carne sempre nos dispara a tentação.

No rodízio dos interesses em causa estarão certamente imensos factores que nos escapam, a nós leigos apanhados nas curvas por estes braços de ferro que nos vão privando de prazeres com base num medo permanente das inúmeras doenças possíveis, do colestrol, das vacas loucas, da sida, do cancro do pulmão.

Condenados à tirania do fitness e à salubridade isenta de risco, mas igualmente desprovida dos sabores como os recordam os que cresceram na tal terra onde dantes a malta produzia queijo da serra sem luvas de borracha nas mãos.

Publicado por sharkinho às 09:43 AM | Comentários (13)

janeiro 30, 2008

MIELOMA MÚLTIPLO

É uma nova expressão que este dia acaba de adicionar ao meu vocabulário, pela boca e provável desdita de alguém que pertence ao top ten das pessoas que me são mais próximas.

Deve ser ingrato para quem exerce enfermagem ou medicina. Possuem milhares de expressões aterradoras para com quem lidam no quotidiano laboral. E só dispõem de uma expressão que os outros ouvem com agrado da sua boca: tem cura.

E nem é o caso.

Publicado por sharkinho às 04:20 PM | Comentários (8)

janeiro 20, 2008

UM ATENTADO EM PORTUGAL?

Parece-me uma ideia pouco estimulante para qualquer terrorista.
Seria fácil demais.

E nem sequer garantia uma projecção mediática em condições.

Publicado por sharkinho às 07:36 PM | Comentários (14)

janeiro 18, 2008

INTOXICADOS PELO DESNORTE

As organizações estão a envenenar as pessoas.

Publicado por sharkinho às 12:03 PM | Comentários (2)

janeiro 14, 2008

UMA VERDADE INCONVENIENTE

Vi hoje pela primeira vez.
Tem Al Gore a mais.

Mas não é por isso que alguns não o gramam.
É que nos dias que correm, o conceito de verdade está prestes a fundir-se com o de inconveniência.
E não é de filmes que estou a falar.

Publicado por sharkinho às 12:17 AM | Comentários (4)

janeiro 12, 2008

URSA POLAR E LEOPARDO QUASE CONSEGUEM FUGIR DO ZOO

Onde está a notícia neste título de uma peça da SIC Notícias?
Será que os bichos tinham planeado a evasão em conjunto e estamos perante uma insólita história de amor entre reclusos?
Será que agora vão erguer-se as vozes puritanas a exigirem o fim dos zoos mistos, acicatadas pelo rigor noticioso lusitano?

Ou será que vamos passar em definitivo à escola jornalística do quase aconteceu?

Publicado por sharkinho às 12:06 PM | Comentários (3)

janeiro 11, 2008

SEJA EM ALCOCHETE OU NA MOITA

Vai ter um espaço em condições reservado para os fumadores ou não?

Publicado por sharkinho às 09:13 AM | Comentários (4)

janeiro 02, 2008

ONE HUNDRED BUCKS!

E o ano de 2008 começa já a revelar-se um poço potencial para o contínuo jorrar de problemas.
Com o petróleo a atingir pela primeira vez os cem dólares em Nova Iorque, somando-lhe o impacto mais do que previsível da crise imobiliária nos states (é este ano que "elas nos mordem") e o resto dos barris (de pólvora) apenas à espera da faísca ideal para se revelarem nas parangonas começo a conseguir relativizar a nova legislação anti-tabágica versão director da ASAE (faz aquilo que eu digo e não aquilo que faço) como um problema de somenos importância.

Até o acordo ortográfico me parece interessante na perspectiva de ver quais os jornais e revistas que noticiam as ações e quais os que optam pelos factos como eles se vestem na terra onde os criaram.

Publicado por sharkinho às 09:28 PM | Comentários (2)

dezembro 27, 2007

O MAL CONTINUA A MARCAR PONTOS

Conseguiram finalmente calar Benazir Bhutto.

Publicado por sharkinho às 03:08 PM | Comentários (6)

JUSTIÇA POSTIÇA

Num país de inocentes onde os processos mais mediáticos acabam sempre por parir um rato, a absolvição dos acusados nunca tem honras de primeira página. E o mesmo não se aplica quando os dedos são apontados em caixa alta aos (poucos) suspeitos que a Justiça consegue sequer levar aos tribunais.

Existem duas consequências possíveis para esta prática da moda.
A primeira é o progressivo descrédito do sistema jurídico junto de uma população farta de muita parra para pouca (ou nenhuma) uva e que se reflecte na discrição das notícias que, para todos os efeitos, ilibam os tais suspeitos que quantas vezes parecem pouco mais do que testas de ferro para animar a malta ao longo do caminho até à prescrição.

A segunda, mais hedionda, pode ilustrar-se com as mazelas sofridas ao longo de anos por duas figuras públicas acabadas de inocentar pela Justiça mas de forma alguma pela Imprensa que, na prática, os condenou.
Torres Couto e Carlos Melancia não foram considerados culpados dos crimes (alegados) que lhes interromperam os percursos anos atrás enquanto os seus nomes faziam vender jornais.

Who gives a shit?

Publicado por sharkinho às 11:44 AM | Comentários (13)

dezembro 26, 2007

SÃO MESMO DOIS...

...Os hemisférios.

Publicado por sharkinho às 03:31 PM | Comentários (0)

dezembro 19, 2007

ALERTA LARANJA

Com o frio e o vendaval que andam lá fora é mesmo bom consumir vitamina cê às litradas.

Publicado por sharkinho às 12:44 AM | Comentários (6)

ALERTA LARANJA

Com o frio e o vendaval que andam lá fora é mesmo bom consumir vitamina cê às litradas.

Publicado por sharkinho às 12:44 AM | Comentários (6)

dezembro 13, 2007

CHAMEM-LHE NOMES...

Nojento. Ridículo. Dispensável. Supérfluo. Pecaminoso. Sujo. Desagradável. Porco. Ordinário.

Encontrei na internet as palavras acima como definição de sexo por parte de algumas pessoas, umas conhecidas e outras não, de ambos os géneros.
Há algo que me está a escapar?

Publicado por sharkinho às 06:32 PM | Comentários (15)

REFERENDUM!

Sempre que os políticos se unem em torno de um objectivo que passa por evitar a todo o custo o crivo eleitoral, temendo como um embaraço a vontade da população e a sua expressão democrática, existem razões para suspeitar das melhores intenções por si apregoadas.

Porque é que o meu Governo tratou de me fazer chegar um folheto acerca dos contornos da lei anti-tabagista e não procedeu de igual forma relativamente ao Tratado de Lisboa que vai assinar nas nossas costas?

Publicado por sharkinho às 10:10 AM | Comentários (4)

dezembro 08, 2007

FICO UM NADINHA CONFUSO...

...Perante a contradição entre os sinais de alarme que representam os índices de pobreza na região do Porto (do pior a nível europeu) ou, pela boca do Banco Alimentar, a constatação de que há médicos e professores a recorrerem à caridade, por contraponto ao facto de mesmo sem neve os hotéis da Serra da Estrela já estarem praticamente lotados para a passagem de ano.

Até nas crises somos um país fora do comum.

Publicado por sharkinho às 01:55 PM | Comentários (4)

novembro 30, 2007

ON (THE) STRIKE!

Hoje vou enfrentar o SNS em dia de greve, no que será a minha estreia absoluta nessas circunstâncias.
Adivinho a seca, os maus modos, o caos instalado num ponto onde os utentes já parecem em excesso num dia normal.
Tentarei ao longo do dia dar-vos conta de como se sentem os efeitos de uma greve quando por algum motivo não podemos fugir às suas consequências imediatas.

E confesso-vos que antevejo uma experiência desagradável, à mercê da luta entre os sindicatos nos quais nunca calhou filiar-me e um governo que o meu voto não ajudou a eleger.

Publicado por sharkinho às 09:14 AM | Comentários (2)

novembro 26, 2007

A OPERAÇÃO NATAL COMEÇOU...

...E por mera coincidência regressaram no mesmo dia os roncos dos motores à zona circundante da Ponte Vasco da Gama, a partir da meia-noite, com os "pilotos de teste" a procederem às suas corridas tresloucadas sob a escuta atenta de meia dúzia de esquadras da PSP e de postos da GNR...

Publicado por sharkinho às 12:05 PM | Comentários (0)

novembro 24, 2007

SANGUE TAXISTA

Apagaram à bruta mais um "fogareiro".
Aqui bem perto, no Parque das Nações.

Publicado por sharkinho às 07:04 PM | Comentários (0)

A POSTA DESCRENTE

Pedem-me para aceitar sem grandes ondas a existência das pirâmides apesar de ninguém conseguir explicar a sua construção no tempo em que as situam.
Obrigam-me a aceitar como um dado adquirido que o universo é infinito e a prová-lo impingem-me o conceito de Deus.
Exigem-me que me contente com as conclusões obtidas por pessoas com ideias definidas com base numa realidade completamente diferente da minha, com o modelo que determinaram ideal para viver em sociedade num mundo onde nem se imaginavam possíveis as questões que nos confrontam agora.

Fazem tudo ao seu alcance para vestirem a pele de lunáticos, utópicos, malucos até, todos quantos teorizem diferente a mentalidade vigente e todos os pressupostos que constatamos tão rígidos como cadáveres mumificados com base num conhecimento que nos escapa mas preferimos explicar como uma fé.
Rotulam de revolucionários os que contestam o sistema morno que instituíram com base numa ilusão chamada Democracia depois de a amordaçarem ao ponto de quase a privarem da sua natural e desejável irreverência, depois de a encaixarem num cómodo padrão que afasta os que elegem daqueles que escolhem para gerir e acabam por querer mandar sem restrições. A ditadura cor-de-rosa em que votamos na mais convincente das canções de embalar.

Nada de novo, nada de diferente, nada passível de ser confundido com radical. Esquerda, direita ou centro talvez. Liberais ou democratas, isto ou aquilo, liberdade relativa de escolhas influenciada pelos insuspeitos arautos de um poder que não se vê.
A busca da paz, infrutífera, enquanto metade do mundo guerreia sem forças um pedaço de pão.
Um clima generalizado de desilusão, o desconforto causado pelas notícias que nos chegam da periferia do sistema que nos enclausura pela ignorância, pelo comodismo ou pelo medo da factura das asneiras que nos impedem de denunciar chamando-nos traidores ou ainda pior.

Isolam os inconvenientes, banindo-os do seu círculo social como verrugas e não como um sinal de saúde mental colectiva exibida pela pluralidade nas opiniões. Vestem-lhes a pele do ostracismo, os que questionam ou denunciam, apagam-nos do mapa por todos os meios que conseguem alcançar, como seitas.
Renegam os mais sinceros como excêntricos e acusam os mais autênticos de arrogância impossível de aceitar.
Desvirtuam os princípios em abono de condutas que servem os seus propósitos, transformam a segurança num pretexto que o medo sustenta enquanto justificação para a legítima instituição do controlo apertado do domínio privado de quem lhes possa ameaçar o poder incontestável com exigências impossíveis de aceitar.

O mundo a mudar, anestesiado pelo governo instalado nas ilhas Caimão ou em outro paraíso fiscal.

E a Liberdade, preciosa, a sucumbir afogada aos poucos numa consciência colectiva quase em coma, apática. Pouco mais actuante do que um simples vegetal.

Publicado por sharkinho às 03:32 PM | Comentários (2)

novembro 10, 2007

ANO INTERNACIONAL DA TERRA

Se está tão agradável esta sensação de (literalmente) andar em cuecas pela casa, porque raio me sinto algo perturbado pelo facto de isto estar a acontecer no dia 10 de Novembro (em pleno Outono)?

Publicado por sharkinho às 02:47 PM | Comentários (0)

outubro 30, 2007

A POSTA NO JORNALISMO DE EXCELÊNCIA

Confesso que me desagradam ambos os protagonistas, tanto em termos pessoais como políticos. E isso, aliado ao facto de em tempos ter vestido a pele de jornalista, cria-me o dilema típico de qualquer advogado do diabo e torna este assunto num mote desconfortável para a escrita.
O presidente francês, Sarkozy, abandonou a meio uma entrevista ao programa 60 Minutos da CBS, que a SIC Notícias anuncia como “jornalismo de excelência”, num gesto com inegável paralelo ao de Santana Lopes aquando da interrupção absurda de uma entrevista sua a propósito da chegada de Mourinho ao aeroporto em viagem de férias.

O paralelo, confrangedor quando envolve uma cadeia de televisão com a responsabilidade que a CBS deve assumir, reside no facto de os dois entrevistados se sentirem no direito de desrespeitar os jornalistas cuja conduta profissional se pautou pela futilidade inerente à cegueira provocada pelas guerras de audiências.
É de respeito que se trata. Useiros no enxovalho da classe política com base nos casos pontuais que o proporcionam, os jornalistas começam agora a sentir na pele o mesmo veneno que destilavam com alguma razão. A mesma razão que coloca a classe no seu todo sob um manto de suspeições variadas, as que derivam por um lado da óbvia subserviência aos grandes grupos financeiros que lhes garantem os postos de trabalho (o fenómeno não é exclusivamente português, como se constata) e que os leva a enveredarem pelo jornalismo pimba e, por outro lado, as que estão ligadas ao incumprimento das regras deontológicas do ofício ou, no mínimo, ao mais elementar conjunto de pressupostos éticos e/ou morais que antes prevaleciam enquanto imperativos teóricos a abraçar sem excepção.

Falo de dignidade, de elevação e de bom senso. Falo de um conjunto de requisitos que aliados ao rigor e ao amor pela verdade sem névoa garantem a credibilidade da informação mas também o delicado equilíbrio onde assenta o critério da pertinência.
O mais evidente paralelo entre as duas situações a que aludo reside precisamente no desprezo negligente das redacções em causa pelos requisitos que enumerei.
É tão absurdo interromper uma entrevista a um ex Primeiro-Ministro em vésperas de um congresso do maior partido da oposição para emitir um directo da chegada para férias de um treinador de futebol como o é, ainda pior pelas proporções, desperdiçar o tempo concedido para uma entrevista ao Presidente de uma das mais poderosas nações europeias com perguntas de índole pessoal, numa onda talk show.

Os jornalistas estão a transformar-se em moços de recados, em arautos ao dispor de quem entende, por exemplo, convocar “conferências de Imprensa” impondo à priori a condição de não responder a quaisquer perguntas. E aqui ilustro a minha opinião com outra imagem da falta de respeito a que os profissionais da Informação se prestam, aceitando todo o tipo de ordens e de pressões em prol do cumprimento de funções que cada vez menos se adequam ao que temos por razoável.

Os jornalistas estão cada vez mais vulneráveis, na proporção directa ao impacto das atitudes teatrais de figurões com sentido de oportunidade ou simples falta de pachorra, ao sensacionalismo tentador que ainda ontem abriu noticiários com uma “morte por espancamento” que hoje se converteu numa brincadeira alarve com péssimo desfecho mas sem marcas de violência e à progressiva exposição de profissionais credenciados ao dedo acusador da opinião pública perante factos embaraçosos que protagonizam e mancham a classe (como acontece com qualquer outra às mãos dos próprios jornalistas) no seu todo, arrastando o Jornalismo para um lodaçal que já poucos contrariam de forma visível.

Assisti, ainda numa época em que os jornalistas possuíam a força e os tomates necessários para lançarem publicações a partir de cooperativas, ao emergir da arrogância do poder financeiro perante a proliferação excessiva de títulos nas bancas que condenava muitos projectos a uma inevitável falência. E refiro sem hesitar os três vértices dessa realidade que decidia o futuro das revistas e dos jornais de âmbito nacional, quando a Imprensa regional já vergava à influência das autarquias: as distribuidoras, que muitos acusavam de verdadeiros boicotes às publicações que não lhes interessava manter ou serviam de peões para as guerras entre rivais do ramo; as agências de publicidade, que determinavam como realezas quais as publicações elegíveis para o beneplácito das suas indispensáveis campanhas (e nem sempre em função dos interesses imediatos dos anunciantes, mas por critérios de simpatia pessoal); e finalmente os abastados proprietários de títulos isolados ou de grupos que começavam a surgir com cada vez mais interferência nas decisões dos chefes de redacção dessa altura.

As primeiras verdades silenciadas foram as susceptíveis de incomodarem os anunciantes cruciais para a sobrevivência de publicações que jamais poderiam garanti-la a partir das vendas, num mercado sem espaço para as acolher em número tão elevado.
A partir desse precedente seria inevitável o colapso da independência como resultado de uma cedência que, como em tantos outros domínios, corrói princípios e abastarda o papel isento que compete a quem possui o dever de informar sem mordaças ou limitações.

Aquilo a que hoje assistimos não passa do resultado previsível de uma evolução às avessas, de uma erva daninha que manipula consciências e deturpa o espírito de missão que outrora orgulhava quem abraçava a carreira.
Os jornalistas estão a dar os flancos e a perder o norte a um dos pilares da sua influência, o respeito de que não podem jamais abdicar.
Essa triste imagem protagonizada por alguns, deixados na cadeira a falarem sozinhos ou remetidos para o tal papel de porta-voz dos vários poderes e interesses que os manietam, ameaça destruir por contágio a essência de um dos mais importantes instrumentos de salvaguarda da Democracia.

E em última análise, sentimentalismos à parte, é ela que mais me preocupa.

Publicado por sharkinho às 11:23 AM | Comentários (0)

outubro 21, 2007

O JULGAMENTO DE HIPÓCRATES

Li, no Criancices, da Rosa, um post acerca de um assunto levado da breca mas que deve ser falado com insistência: os cuidados paliativos.
Por cuidados paliativos o leigo entende assistência de médicos e de enfermeiros ao longo da agonia de um paciente que a medicina não consegue salvar.
E essa carga pejorativa reflecte-se na dificuldade de encarar, num mundo onde não faltam os males sem remédio capazes de matarem alguém aos poucos sob um nível de sofrimento quantas vezes insuportável, aquilo que mais do que um problema é uma questão humanitária fulcral.

A dor, uma ameaça terrível para a maioria de nós, não é uma área da medicina acarinhada ou devidamente apoiada em Portugal. E isso implica que os poucos profissionais de saúde preparados técnica e psicologicamente para lidar com pacientes terminais desdobram-se em esforços para atenderem a demasiados casos e quando não conseguem chegar a todo o lado é desnecessário descrever, quem conviveu de perto com a realidade saberá melhor do que eu, a dimensão das repercussões.

Um ser humano sensível deve revirar-se por dentro para conseguir impor o critério e o distanciamento requerido a um profissional da Saúde, sempre que se vê confrontado em simultâneo com a impotência para salvar e com a exigência de minorar o sofrimento de alguém. De uma criança, até. Como a Rosa especificou.

O meu dilema de leigo perante circunstâncias tão dramáticas como ver reduzidas a um milagre as hipóteses de salvação de uma pessoa vítima de doença terminal consiste, resumindo para não entediar, na inversão preocupante das prioridades que defino na questão da pena de morte por oposição à prisão perpétua. Se entre estas duas hipóteses não hesito em escolher a que privilegia a vida como opção, na escolha entre assistir à dor permanente de alguém destinado a morrer ou colocar um fim a esse sofrimento desnecessário para a vítima como para os seus inclino-me para a segunda e o alerta de contra-senso dispara na minha consciência de agnóstico que, nessa condição, decide sem a limitação do temor a Deus e às suas apregoadas intenções.

A eutanásia, que ainda consta como interdita no código deontológico da Ordem dos Médicos, por exemplo, e presumo que o seja também no âmbito dos parâmetros pelos quais os enfermeiros se regem na sua conduta perante tal opção quando esta se coloca, faz ainda mais sentido num país que não possui ainda uma resposta séria e capaz para as situações extremas a que faço alusão.
E eu, que rejeito a simples hipótese de executar um inocente por engano ou apenas por algum Estado arrogante e indecente possuir esse instrumento para se livrar de cidadãos incómodos (o pretexto nem sempre coincide com os termos da acusação), sinto-me próximo dos que defendem que as pessoas devem ser livres de escolher o seu caminho até ao fim. Ou os que as amam por si, se lhes faltar a hipótese de comunicar com clareza aquilo que aos olhos de quem as acompanha é gritante.

Acredito que existe um ponto a partir do qual a mesma humanidade que nos leva a preservar a vida de alguém para lhe conceder a hipótese de se provar inocente se o for, ou a preservar os sistemas judiciais da aplicação de sentenças “divinas” (um poder que a ninguém se pode confiar), essa mesma humanidade obriga-nos a equacionar a hipótese de atender ao pedido de alguém ou de pessoa próxima para acabar com uma vida indigna de tal designação.
Volto a chamar a atenção para o facto de me reconhecer leviano aos olhos de quem entenda a vida como um valor sagrado no sentido restrito e sem excepções. Eu quero respeitar essas nobres interpretações (que já na questão do aborto se evidenciaram), mas não concebo que alguém possa sofrer sem necessidade apenas por uma questão de princípios que, sob condições extremas, se revelam precisamente… extremistas.

A vida que eu defino não começa na fecundação de um óvulo e não existe na agonia de um corpo moribundo onde apenas acontece a percepção de uma dor tão inevitável (os cuidados paliativos também não produzem milagres) como insustentável à luz de muitos dos critérios adoptados na prática por quem invoca um nojo cristão perante a derradeira solução piedosa.
E não vale a pena encaminharmos o discurso para os casos excepcionais, os ressuscitados de coma profundo e outros exemplos clássicos esgrimidos por quem privilegia os dogmas em detrimento da misericórdia que merecem os imensos episódios (que envolvem pessoas de carne e osso) com que convivem de perto os que trabalham em clínicas ou em hospitais.

A questão que se coloca é se devemos continuar a arriscar, cada um de nós, um final indigno numa dolorosa convulsão ou uma “existência” vegetativa sustentada por máquinas ou uma dependência total de terceiros até chegar o fim, sem que nos seja oferecida (e aos nossos) uma opção devidamente enquadrada em termos legais e que permitisse a cada profissional da Saúde optar pela objecção de consciência que a sua ditar.

A questão é a mesma do costume, num país habituado a preferir os males necessários e as justificações por vezes hipócritas e tão contraditórias como a que expus no meu caso concreto.

É aquela mania de privarmos os cidadãos das soluções voluntárias que colidam com as posições instituídas com base em códigos e em crenças que assim se impõe a todos e não apenas a quem os adopte no âmbito de um direito que no fundo cada um exige para si e deveria ser concedido a todos por igual.
O simples (e sempre pintado como radical) direito a cada um ser livre de tomar as decisões que entenda sobre si próprio ou mesmo sobre outros quando estes nos conhecem o bastante ou estudaram o suficiente para as poderem tomar por nós.

Publicado por sharkinho às 09:51 PM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 19, 2007

PREOCUPA-ME A SUBIDA DO PREÇO DO PETRÓLEO...

...Mas o que me aterroriza mesmo é o dia em que for a água a fazer notícia nessa perspectiva.

Publicado por sharkinho às 11:03 PM | Comentários (2)

outubro 11, 2007

CLUBE DE JORNALISTAS

Tiveram a coragem necessária para abordarem o tema mais delicado, a recente façanha da SIC Notícias que envolveu um directo da chegada de Mourinho a meio de uma entrevista a Santana Lopes.
Porque são jornalistas e o programa em causa é de sua inteira responsabilidade sabiam que teriam que o fazer. Porém, qualquer deles exibiu enorme pudor na abordagem ao tema e nem na questão dos critérios, da definição de prioridades que o bom senso aliado à experiência profissional deve acautelar, conseguiram uma posição consensual.

Também assumiram a subjectividade como um mal inevitável, o que me preocupa. A subjectividade tem lugar num blogue, não num órgão de Comunicação Social. É proibida por inerência, porque corrompe a verdade tal como ela deve ser contada e não se permite pintada com as cores de quem assume e se responsabiliza por um imperativo moral indissociável da função.

Emídio Rangel, Paquete de Oliveira e João Barreiros deram-me a conhecer alguns dos aspectos mais negativos da evolução do Jornalismo submetido à pressão dos poderes que sempre tentaram estrangular-lhe a verdade para lhe manipularem a razão, tanto pelo conformismo do discurso deste trio como pela fuga ao assunto que deveria ser o principal.
E nessa revienga ao dedo na ferida reconheço os sinais de uma falência garantida da credibilidade, da isenção e do respeito sem os quais não existirá um futuro digno no horizonte dos últimos arautos da Democracia tal como sempre a acreditei.

Publicado por sharkinho às 12:32 PM | Comentários (2)

outubro 05, 2007

O DEVER DA VERDADE

Na mesma semana, uma dupla portuguesa com alguma notoriedade rimou na defesa da verdade mais incómoda para quem prefere acreditar numa visão optimista do país que estamos a construir.
Catalina e Medina, pessoas com idade avançada e pouco ou nada a perder, imunes às consequências que silenciam a maioria dos que poderiam falar, embaraçam quem nos governa com autênticos gritos de alerta daqueles que se multiplicam e custa cada vez mais ignorar.

Medina é um homem de mérito reconhecido na área que domina, a economia, e conhece os dois lados (chamemos-lhes ideológicos) da questão. Viveu por dentro o poder e agora hostiliza-o com uma versão muito pessimista do caminho que estamos a percorrer.
E os números que esgrime preocupam, pelo quanto desmentem a crença num rumo com norte para o futuro de Portugal. Incoerências e contradições, mentiras como lhes chama. Serradura para os nossos olhos que apenas adia, de acordo com o autor de um livro que dá nome a esta posta, um colapso tão inevitável quanto pressentido por cada vez mais inquiridores.

Catalina foi a figura mais mediática do escândalo mais vergonhoso dos anos recentes deste país. Entalada por pressões de toda a ordem, de realidades que enojam qualquer um, a antiga Provedora deu cabo da saúde e da vaidade numa carreira que ninguém (e muitos tentariam) conseguiu conspurcar na sua fase terminal. Sujaram-na os salpicos de vergonha que brotaram da “sua” instituição quando, não há fumo sem fogo, o pesadelo da pedofilia saltou dos armários da Casa Pia com rostos conhecidos e a classe política em visível aflição.
Anos decorridos sobre o turbilhão, afirma que estão a repetir-se os factos que a Justiça aparenta julgar num processo que faz lembrar os das facturas falsas ou do apito dourado na inconsequência após a denúncia e respectiva exposição.

Um e outro podiam manter o silêncio e assim garantirem a paz numa fase da vida em que todos a ambicionamos de alguma forma. Preferiram falar, uma verdade que é a sua e que, no mínimo, justifica a maior atenção.
É que não estamos a falar de autores anónimos de blogues, mas sim de figuras públicas cujas circunstâncias pessoais e respectivas inclinações ideológicas em nada parecem influenciar as respectivas conclusões. E ambas convergem na crítica ao poder, este como outros, que parece esconder ou pelo menos maquilhar todos os aspectos que possam evidenciar o estado paupérrimo em que o Estado está a deixar a nação.

A verdade é um dever quando a realidade nos pode trair como uma surpresa, no dia inevitável de apresentação da factura no seu todo.

A mesma que os factos de Catalina e os números de Medina representam apenas numa ínfima fracção.

Publicado por sharkinho às 10:37 PM | Comentários (2)

setembro 27, 2007

OUVI FALAR POUCO DISTO E É MAU QUE DÓI

Há fracassos que sinto quase como meus.

Publicado por sharkinho às 11:01 PM | Comentários (0)

setembro 26, 2007

REGRESSADOS DA BURMA

Impressiona-me, a mancha vermelha de monges budistas nas ruas de uma nação esmagada pela mais negra ditadura das que ainda restam por cair.
Cravos com pernas, numa luta desigual com canalhas que, teme-se, não tardarão a manchar com um vermelho de outro tom as vestes de quantos inventam coragem para desafiar abertamente um poder tenebroso que nem o nome do país lhes poupou.

Acompanho deslumbrado esta revolta imberbe que não tardará a crescer revolução.
E torço para que não se repita mais um banho de sangue nas páginas da História cruel de um mundo onde as tiranias matam sempre antes de morrerem por fim.

Publicado por sharkinho às 12:10 AM | Comentários (2)

setembro 23, 2007

O RESPEITINHO É MUITO BONITO...

martelo rebelo de sousa.gif

E bastou avistarem um jovem (e por isso praticamente inofensivo) esqualo como o da gravura acima para evacuarem à pressa as águas e hastearem a bandeira vermelha na praia de Sesimbra.

(Curiosamente ninguém evacua as ruas quando nelas se avista um pitbull sem açaime, um bicho responsável por muito mais mortes humanas do que as directamente provocadas pelos tubarões...)

Publicado por sharkinho às 10:11 PM | Comentários (2)

setembro 11, 2007

DUAS CRIANÇAS DECAPITADAS PELA MÃE?

Em Viseu?
Com uma serra eléctrica???

Digam-me que percebi mal a notícia da TVI, por favor.


(Act: Hoje já dei conta de outros noticiários que "substituem" a serra por uma faca eléctrica, o que pouco ou nada altera em matéria de horror. E a depressão volta a ser apontada como causa do enlouquecimento de alguém. Talvez assim se comece a levar mais a sério este problema que afecta boa parte da população portuguesa.)

Publicado por sharkinho às 08:50 PM | Comentários (7)

setembro 10, 2007

ESTA SAGA MCCANN

Assume contornos cada vez mais confusos, sórdidos, espalhafatosos e absolutamente incompreensíveis à luz de qualquer lógica que lhe queiramos aplicar.

(É verdade: e aquela menina filha do casal no centro das atenções, que é feito dela?)

Publicado por sharkinho às 10:07 AM | Comentários (6)

setembro 01, 2007

MILHÕES DE RATOS NA FRONTEIRA

Esperemos que o flautista de Hamelin não tenha cedido como o Simão Sabrosa ao apelo para jogar na liga espanhola...

Publicado por sharkinho às 11:59 AM | Comentários (4)

agosto 28, 2007

A POSTA NO FOGO QUE ARDE SEM SE VER

Ontem escrevi acerca de como o Mário Crespo se mandou ao seu entrevistado ambientalista para o pintar como um mau daqueles que incentivam ataques à propriedade alheia para fomentarem o debate (acerca de karaté biológico ou coisa assim).
E pensei com os meus botões: este tipo de “guerrilheiros” ambientalistas não tem qualquer hipótese de impor o uso da força perante o poder, qualquer poder, ao que acresce o triste facto de a sua cruzada comprometer o objectivo global dos restantes movimentos, os não adeptos da defesa do ambiente ao pontapé e à chapada.
Se a Imprensa que o Mário Crespo representa pende para a colagem da iniciativa farsola a termos como eco-terrorismo, os poderosos a quem possa interessar a fragilização do ambientalismo não podem perder a janela de oportunidade que isso representa.

Hoje o entrevistado era outro, tal como o tom quase servil do MC se distinguia à légua do que ontem empregou na sua infeliz arremetida contra os malandros dos vândalos dos campos de milho, coitados, transgénicos.
Mas antes de vos apresentar o protagonista esclareço que a peça anterior à entrevista de hoje foi um pungente corta e cola da tragédia grega incendiária.
Morte, dor, incêndios, questão ambiental.

E entra o convidado da noite, na qualidade de responsável por um daqueles projectos cor-de-rosa que blá blá mostram o lado bom e preocupado do tecido empresarial, blá blá, e reúne empresas portuguesas em torno de um esforço (titânico, com toda a certeza) para combaterem os incêndios em Portugal.
Quer dizer, não é bem combater pois ao que sei nenhum dos quadros da tal associação é bombeiro. Dão assim uma ajuda indirecta e tal, a preocupação dos cidadãos, blá blá, coitadinho do planeta que arde e que preocupação tão ambientalista que a nossa organização possui.

O convidado de hoje, que por acaso é logo a seguir a ontem (dia da chacina premeditada do ideal ambientalista dos “pequenos accionistas” deste planeta envenenado que tanto incomodam, sei lá, a indústria petrolífera), foi (coincidência, claro) o Dr. Murteira Nabo.

O Dr. Murteira Nabo, um eco-anjo, convidado na qualidade de responsável pelo tal eco-não-sei-o-quê para as empresas preocupadas com os incêndios e tal, falou um nadinha acerca do fogo, esse terrível flagelo, blá blá, e depois transitou sem querer para a costela ambientalista destes soldados da paz corporativos (coincidência, claro, esta de aproveitar a boleia dos incêndios para salientar a preocupação profunda, blá blá, com o ambiente, blá blá, e temos todos que despertar para o tema, blá blá) é o presidente da GALP.

(…)

Digam lá se isto não dava uma teoria da conspiração muito combustível?

Publicado por sharkinho às 11:55 PM | Comentários (2)

MANIPULAÇÃO PATÉTICA

Ninguém me afirmou que ambientalista joga com pacifista. Só rima.
Contudo, confesso que retenho uma imagem que conjuga as duas características nas pessoas mais conotadas com a defesa do planeta.
E por isso, sinto-me desconfortável com os pontapés filmados nas acções de “propaganda” como a que ocorreu por causa dessa incógnita que são as plantas geneticamente alteradas que nos dão a comer, diz-se, pela surra.

De modo algum considero que todos os problemas possuem uma resolução pela via pacífica, embora o anseie. Mas sinto que o movimento ambientalista resvala para uma imagem pública pouco séria com a postura “okupa” de pendor caceteiro.
O vandalismo, ainda que “bem intencionado” ou apenas sustentado pelo desespero perante aquilo que alguns já entendem como uma causa quase perdida, dificilmente poderá angariar apoio junto da população e arrasta os movimentos com tino para uma imagem na opinião pública de grupelhos com um comportamento demasiado similar ao das claques dos clubes de futebol.

Por outro lado, ouvir o Mário Crespo a forçar o paralelo entre a tal acção polémica e o eco-terrorismo soa-me a ético-terrorismo por parte de um profissional da Imprensa a quem se exige a isenção e imparcialidade necessárias para, no mínimo, conter as expressões radicais como instrumento de desestabilização dos seus entrevistados. E para não tentar arrancar respostas comprometedoras com base em perguntas carregadas de opinião pré-formada para proceder ao julgamento televisivo sumário e, no caso concreto, com a sentença proferida pelo próprio tom do jornalista.

Não interessa a ninguém a que clube pertencem as cores dos brutos adeptos do vandalismo em bombas de gasolina ou em transportes públicos. São as claques e ponto.
Da mesma forma, quando o líder de um movimento ambientalista se vê confrontado com um rótulo como o que o MC gosta de impor aos seus “réus” todos os movimentos comem por tabela. O homem gere o noticiário como um apresentador de talk-shows.
E a causa de que se fala não merece mazelas derivadas da arrogância de um profissional que se faz esquecido das regras que qualquer aprendiz da Comunicação Social assimila no ensino secundário, ou da Redacção que impregna (inquina) o seu trabalho com o terreno movediço da interpretação apriorística.

De um lado temos um fulano que decidiu cultivar o que provavelmente constituirá no futuro mais um daqueles erros estúpidos que se revelam sempre tarde demais para evitar a perda de vidas e outras consequências desastrosas.
Do outro temos um bando de putos que embarcaram numa ideia no mínimo palerma e justificada em directo pelo líder do GAIA como um estímulo ao debate do assunto em causa.

Um debate acerca de assuntos sérios não se suscita desta forma teenager, não se impõe à bruta.

E uma notícia não se constrói desta forma tendenciosa e que, na prática, também brutaliza.

Uma e outra são brutais para quem distingue a informação e a convicção sérias destas manipulações patéticas.

Publicado por sharkinho às 01:19 AM | Comentários (7)

agosto 27, 2007

PORQUE QUEREM OU PORQUE OS EMPURRAM?

mesa de sueca.jpg
Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 05:18 PM | Comentários (4)

julho 28, 2007

TENHO ANDADO ARREDADO DAS NOTÍCIAS

Mas ao que vou sabendo, continua tudo doido neste país e os títulos estão a ser feitos de coisas medonhas...

Publicado por sharkinho às 06:33 PM | Comentários (0)

O MEU GLORIOSO

Está a deixar-me muito preocupado...

Publicado por sharkinho às 06:29 PM | Comentários (6)

julho 24, 2007

SÓ ACONTECE AOS OUTROS

ground control.JPG
Foto: Shark

Tanto quanto percebi, um grupo de trezentos passageiros de um voo que os deveria trazer desde Cancún (México) viu-se confrontado com uma avaria num sistema qualquer do avião.
A avaria em causa, embora não impedindo a aeronave de cruzar os céus, era grave o bastante para impor determinada altitude sob pena de a cabina perder a pressurização.

Eu detesto andar de avião.
E faz-me imensa impressão que só cinquenta passageiros em três centenas tenham optado, em face das circunstâncias, por ficarem em terra…

Publicado por sharkinho às 05:33 PM | Comentários (6)

julho 22, 2007

CAVALOS E BURROS

De um lado as ”bombas” anunciadas com cavalos à brava e conotadas com máquinas de Fórmula Um ou de outra modalidade de alta competição prego a fundo. Até as gasolineiras carregam no pedal com os seus combustíveis supersónicos cheios de força para conferirem mais umas partículas de segundo aos topos de gama da moda.
Do outro, os radares da Câmara alfacinha a tirarem a fotografia a dois mil aceleras por dia e uma frota de viaturas à civil da GNR a caçarem mais uns quantos nas insuspeitas auto-estradas onde parece pecado circular abaixo dos 150 à hora.

De um lado os campeões do asfalto urbano a gabarem o seu recorde pessoal da travessia do IC19 que baixaram em dois minutos à custa de meia dúzia de manobras impensáveis a velocidades estapafúrdias.
Do outro as famílias dos que oferecem às centenas a vida à estrada mais os que mal conseguem balbuciar os contornos da sua asneira ou da dos outros que os amarrou a uma cadeira de rodas ou à cama de um hospital.

De um lado a sede de viver desarvorada que provoca arritmias e exige adrenalina para se sentir tão intensa como a que pintam nos filmes ou nas revistas as vedetas que depois, tantas vezes, acabam por se desmascarar na sua realidade mimada e infeliz.
Do outro a vontade de viver desesperada dos que abrandam em cada estrada e só torcem para que não venha um louco descontrolado consumar o supremo acto de estupidez a meias com quem abdica do risco em abono de uma existência estatisticamente mais prolongada.

De cada vez que me deparo com os números da sinistralidade nas estradas custa-me a entender onde reside afinal a dificuldade de atinarmos nas nossas decisões sobre rodas.

Publicado por sharkinho às 10:36 PM | Comentários (0)

julho 11, 2007

A "LIBERDADE" DE EXPRESSÃO OU A "CREDIBILIDADE" DA INFORMAÇÃO?

Tempos atrás, retive um trecho de um livro que passo a partilhar convosco:

Durante muito tempo julgou-se que o boato era um ersatz (um produto de substituição de menor qualidade): por falta de media fiáveis e controlados impunha-se encontrar um media de substituição, que contasse tudo pelo pior. A coexistência dos mass media e dos boatos demonstra o inverso: estes são um media complementar, o media de uma outra realidade. É lógico: os mass media inscrevem-se sempre numa lógica de comunicação descendente, dos que sabem para os que não sabem. O público só recebe, portanto, aquilo que lhe querem dizer. O boato é uma informação paralela e logo não controlada.

Espero que estejam a seguir o raciocínio do autor, para perceberem depois o paralelo que tentarei suscitar.
A coisa prossegue nos seguintes termos:

Para o engenheiro, o técnico, o jornalista, esta ausência de controlo evoca o espectro de uma norma incumprida no altar da credibilidade da informação. É preciso, portanto, suprimi-la.
Para o político, o cidadão, a falta de controlo significa falta de censura, o desvendar do segredo e o acesso a uma realidade oculta. É necessário portanto preservá-la.
A concepção negativa que associa o boato à falsidade é de ordem tecnológica: só é boa a comunicação que é controlada. O boato opõe um outro valor: só é boa a comunicação que for livre, mesmo que a sua credibilidade venha a ser prejudicada.
Por outras palavras, os “falsos” boatos constituem o preço a pagar pelos boatos com fundamento
.

Espero que não tenha sido uma seca para quem lê.
O livro do qual retirei estas palavras (os sublinhados são meus) chama-se Boatos e foi escrito por Jean-Noël Kapferer, um pesquisador nas áreas de comunicação, imagem e publicidade, no final da década de 80.
Só por piada: substituam, nos trechos que reproduzi, a palavra boato pela palavra blogue.

As últimas três peças acerca da blogosfera, bem curtas, que vi num noticiário televisivo tinham como protagonista o inevitável “vilão blogueiro” de serviço (o colega Balbino Caldeira) e com a incidência da notícia na queixa-crime de que nós, os que blogam, ainda vamos ouvir falar mais do que desejaríamos.
Ao longo do mesmo período apanhei três peças, compridas, acerca do Second Life e da maravilha que representa para os deslumbrados jornalistas.
Pergunto: o que faz a diferença no tom? Porque se debruçam os jornalistas com transbordante entusiasmo acerca da nova moda, inventando notícias de uma realidade virtual que nada produziu de concreto em termos informativos senão os dados estatísticos do costume, e da blogosfera só falam os jornalistas que blogam ou os que encontram matéria a jeito para debilitar a imagem da blogosfera?

Cada qual tire as suas conclusões.

(E eu terei todo o gosto em debater o assunto. Na caixa de comentários ou mesmo sob a forma de postas.)

Publicado por sharkinho às 09:33 AM | Comentários (1) | TrackBack

julho 10, 2007

GLOBALIZAÇÃO

maçã do intermarché.JPG
Foto: Shark

Sim, é uma maçã comprada num supermercado em Portugal...

Publicado por sharkinho às 08:30 PM | Comentários (8)

junho 30, 2007

A MÁQUINA DO TEMPO

Ainda há dias os Rolling Stones deram um espectáculo em Portugal e já têm idade para serem avôs.
Mas agora vejo a minha herdeira ouvir músicas das Doce (Mania) e fico com a sensação de que há algo que me está a escapar neste filme...

Publicado por sharkinho às 08:37 PM | Comentários (14)

A MÁQUINA DO TEMPO

Ainda há dias os Rolling Stones deram um espectáculo em Portugal e já têm idade para serem avôs.
Mas agora vejo a minha herdeira ouvir músicas das Doce (Mania) e fico com a sensação de que há algo que me está a escapar neste filme...

Publicado por sharkinho às 08:37 PM | Comentários (14)

junho 11, 2007

A LUTA DE CLASSES EXISTE

E a prova disso é o facto de ser o tubarão a rapinar à socapa dos chefes as gambas e outros acepipes proibidos para a malta que trabalha no sítio que os disponibiliza aos clientes.

Publicado por sharkinho às 04:47 PM | Comentários (0)

maio 26, 2007

MINAS E ARMADILHAS

Se morrerem atropeladas meia dúzia de pessoas num dado ponto de qualquer estrada e num intervalo de tempo reduzido talvez nem seja necessária a pressão da opinião pública para que o poder intervenha, impondo as condições de segurança que o número anómalo de fatalidades prova não serem as ideais.
Quer isto dizer que as conclusões obtidas a partir de uma relação causa (falta de segurança)/efeito (estatística elementar) bastam para que toda a gente actue por ser evidente o nexo de causalidade para a excessiva fatalidade em comparação com a de outros locais.
Sem necessidade de estudos que o comprovem.

Já morreram cerca de noventa trabalhadores das explorações de urânio na zona de Nelas e entre os sobreviventes existem muitos que padecem de complicações do foro oncológico. É simples, trabalharam demasiado tempo em contacto com substâncias radioactivas e sofrem as terríveis consequências.
Não é preciso ser particularmente inteligente para somar dois e dois. A percentagem de pessoas afectadas por este tipo de problemas é tão mais reduzida noutros pontos do país e noutras actividades profissionais que é elementar a dedução acerca da origem desta mortalidade anómala na Urgeiriça.

Contudo, o Delegado de Saúde da zona dá a cara pelos “estudos” que não permitem provar a ligação entre o contacto com a radiação dos minérios e a proliferação de doenças cancerígenas na massa laboral das minas. E são esses estudos que negam às pessoas afectadas a natural compensação, o apoio que o assumir de responsabilidades implicaria para atenuar um castigo já de si injusto e quantas vezes fatal.

E onde quero eu chegar com isto tudo?

À manifestação da minha incapacidade para entender esta dualidade de critérios.

Publicado por sharkinho às 02:45 PM | Comentários (0)

maio 23, 2007

FRAQUE PRETEXTO

É possível aprender a impor na nossa ideia a coexistência de impressões antagónicas acerca de um mesmo assunto. Ou seja, perante o dilema que este ou aquele tema coloca conseguimos justificar, em processos de raciocínio mais ou menos “sofisticados”, a defesa dos dois extremos de qualquer questão.
Esta gestão das contradições de que qualquer mente flexível (e de alguma forma permeável às distorções de índole emocional) se faz ocorreu-me a propósito do tom de uma peça que li no Sol acerca de uma empresa de cobranças difíceis qualquer.

Soou-me demasiado simpática a abordagem ao esquema da perseguição movida a cada um dos cerca de oito mil(!) envolvidos na carteira de clientes da dita organização.
E aqui entra um caso prático do que acima afirmei.
Se por um lado é fácil vestir a pele de quem se vê alvo de um calote (e essa perspectiva é referida no artigo), desculpabilizando o recurso aos fulanos que, entre outros mimos, “anunciam” à vizinhança do seu alvo o respectivo estatuto, também vale a pena encaixar nesses milhares de assediados alguns exemplos de pessoas de bem a quem a vida correu mal.

Estes últimos casos (talvez a minoria, nesta terra cada vez menos honrada) podem tratar-se de vítimas de um esquema que se orgulha de uma taxa de sucesso na ordem dos 75 por cento mas que pode arrasar o bom nome de uma pessoa ou de uma família.
Desconheço quais são os critérios de selecção para o “assalto” ao devedor nem quais (se existirem) os parâmetros que determinam a razoabilidade e o bom senso dos operacionais deste tipo de empresa, mas num país onde é tradição fazer tudo em cima do joelho sou livre de temer os excessos de zelo em casos pontuais.

Em localidades de província ou quando estão em causa actividades ou profissões que dependam da honorabilidade e do grau de confiança que as pessoas inspiram é fácil de prever o impacto da actuação nada discreta que caracteriza o modus operandi deste negócio naturalmente mais próspero quando uma crise aperta.

Ainda assim, e voltando ao lado menos humanitário da questão, a fatia de leão dos que se vêem confrontados com esta ferramenta moderna engloba um lote dos cada vez mais numerosos caloteiros por “distracção”. Aqueles tipos que se esquecem de honrar compromissos financeiros, distraídos a cuidar da manutenção da sua piscina…
E também lá apanham os caloteiros por natureza, os cravas que se habituam a viver à conta da passividade da maioria dos entalados pela sua habilidade suja.
Morrem assim os argumentos em sentido contrário. Ou melhor, não morrem. Mas colidem entre si, pela oscilação extremada das razões em causa.

É pacífico conviver com estas contradições, com a incoerência das nossas diferentes percepções de cada matéria. Basta aceitarmos a noção de que não é possível um juízo ponderado e isento quando não tentamos entender todas as partes intervenientes na questão e, no fundo, não conseguimos vestir todas as peles envolvidas.

E neste exemplo concreto o que salta à vista é o florescimento preocupante de uma nova indústria nascida para recolher, de entre os cacos dos fracassos alheios, aquilo que sobra de dignidade nos múltiplos desesperos económicos que uma sociedade demasiado endividada produz.

Publicado por sharkinho às 12:58 AM | Comentários (4) | TrackBack

maio 18, 2007

O PEQUENO TARZAN

Um miúdo chamado Nando, de São Tomé e Príncipe, desapareceu na floresta equatorial durante oito meses e acabou por reaparecer vivo e com saúde para contar a história.
Uma miúda chamada Madeleine, do Reino Unido, desapareceu de uma zona urbana no sul de um país da Europa Comunitária há 15 dias e já poucos prevêem um final feliz.

Qualquer que seja o prisma ou a comparação, as conclusões dão muito pano para mangas e pouca vontade de sorrir.

Publicado por sharkinho às 09:17 PM | Comentários (0)

maio 05, 2007

MARCHAR PELO BOM SENSO

Hoje às 14 horas tem início uma marcha pela legalização das drogas leves, tanto em Lisboa como no Porto.
A concentração da capital começa às 14 horas no Jardim das Amoreiras e a marcha arranca às 16 horas no Largo do Rato, enquanto no Porto o ponto de encontro é a Praça do Marquês a partir das três da tarde.

De acordo com a COM.MARIA (a comissão organizadora da marcha em Lisboa), este evento visa a “legalização da cannabis e das suas utilizações”, “regulamentar os modos de obtenção da cannabis” e “encorajar o estudo e a pesquisa da planta Cannabis Sativa”.

Em causa está algo de incompreensível, a manutenção dos circuitos paralelos que em nada contribuem para o país quando, como acontece na Holanda, seria possível controlar e tributar o comércio destas substâncias em vez de tolerar o seu consumo numa semi-clandestinidade que só interessa a traficantes e puritanos.

Por outro lado, porque a planta na origem da polémica possui comprovadas propriedades que a tornaram em tempos importante para o desenvolvimento do país (o cordame das nossas caravelas foi feito a partir da Cannabis), nomeadamente ao nível dos têxteis.
Em algumas nações, a aplicação médica da marijuana no controlo da dor é uma realidade que desmente o papão que interessou a alguém criar num dado momento da história.
E note-se que é possível o fabrico do papel a partir da planta, em alternativa ao esgotamento do recurso valioso que são as árvores comuns, o que explicaria algumas renitências na recuperação de uma planta que já foi em tempos divulgada e apoiada no seu cultivo pelo Estado Português (década de 40).

Por tudo isto, e não apenas pela face visível do consumo da cannabis enquanto droga leve, a Marcha constitui um acto de cidadania respeitável e que envolve pessoas de bom senso a quem interessa apenas chamar a atenção do público para uma realidade que só em mentes tacanhas faz sentido hostilizar.

Publicado por sharkinho às 10:10 AM

maio 03, 2007

ALMIRANTE CARMONA

Desde o Marechal do tempo da velha senhora que o nome Carmona não soava aos ouvidos dos portugueses como um rufar de tambores antes da grande batalha.
Bom, a bem dizer, a batalha não é muito muito grande. Mas os clarins da revolta ecoaram quando o Carmona mais recente se agigantou perante o líder do Partido que o escolheu e lançou um repto impossível para Marques Mendes de aceitar: "a mim ninguém manda borda fora!"
Impossível porquê? Porque o líder social-democrata não tem... er... estrutura óssea para o desmentir, avançando com a sua armada para a abordagem ao navio encalhado que o seu independente amotinado se recusa abandonar.

Claro que uma pessoa só pode brincar com estas coisas, pois esta revienga de Carmona Rodrigues poderá implicar ondas de choque de consequências políticas imprevisíveis. E já deve estar a acontecer a corrida aos salva-vidas na Distrital do PSD...
Lisboa é agora o palco central da política folclórica e Marques Mendes já provou que esta música não sabe dançar. O homem parece um magneto e voam naifas de todos os pontos cardeais, podendo este cutelo alfacinha diminuir consideravelmente o tamanho das suas hipóteses de vir a disputar como líder as próximas legislativas.

Pior, nem mesmo a Madeira.

Publicado por sharkinho às 09:19 PM

E DEPOIS OS ROMANOS É QUE SÃO LOUCOS...

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Afinal parece que o eleitorado francês ainda consegue ser mais estúpido do que o seu congénere americano.
Se no caso dos EUA a coisa se explica pelo fraco calibre dos opositores de Bush e pelo efeito nine eleven, enfim, já na França é gritante sob qualquer prisma a tendência que as sondagens indicam.
Os franceses, instados a escolher entre uma mulher inteligente, capaz, bonita e ainda por cima de uma cor política que nesta altura representa uma alternativa de mudança, inclinam-se para um gajo sem piadinha nenhuma, sem ponta por onde se pegue, um daqueles fulanos que até no olhar evidenciam a sua banalidade entediante.

Custa-me a entender este fenómeno de estupidificação colectiva, sobretudo quando se tem em conta que os anos recentes não foram particularmente agradáveis para os franceses em mais do que uma questão.
Só mesmo o machismo bacoco pode explicar esta opção que se desenha no horizonte dos resultados eleitorais das presidenciais gaulesas.

Ou isso ou o mesmo sintoma de acefalia que chegou a guindar Jean Marie Le Pen a um plano de popularidade no mínimo assustador.
Os franceses andam mesmo a dormir ou cairam na poção trágica em pequeninos se perderem a oportunidade que a espectacular candidata da esquerda lhes oferece para se deixarem do mais-do-mesmo-ou-ainda-pior.
E transmitem um péssimo sinal da sua capacidade de discernimento em matéria democrática.

Pior do que isto, só mesmo na Madeira...

Publicado por sharkinho às 08:29 AM | Comentários (9) | TrackBack

maio 02, 2007

ENROLA OUTRO QUE ESSE NÃO BATEU

Acabo de ler no maço de tabaco de enrolar Samson que comprei o seguinte aviso:
"O fumo contém benzeno, nitrosaminas, formaldeído e cianeto de hidrogénio."

E eu pergunto:
Com tanta coisa com nome esquisito na mistura como é possível que um gajo fume disto sem ficar ganzado?

Publicado por sharkinho às 06:06 PM | Comentários (2)

abril 26, 2007

TALVEZ EM ALCOENTRE OU NO LINHÓ...

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Foto: Shark

Publicado por sharkinho às 09:13 PM | Comentários (2)

abril 17, 2007

FISSURAS NA BARRAGEM

Se um homem atinge um ponto de desespero tal que arrisca "invadir" um banco, desafiando a morte (estas coisas podem correr mesmo muito mal) e garantindo a sua detenção e consequente humilhação na praça pública, é porque sentiu os calos muito apertados por alguma situação.

O crédito mal parado começa aos poucos a entrar à bruta na vida das pessoas, como este triste exemplo dá conta, e não há indicadores macro ou micro que possam contrariar estas evidências que começam a brotar de entre pessoas insuspeitas, cidadãos comuns apanhados pela face mais selvagem e impiedosa deste sistema capitalista que alimentamos sem alternativa.

Um homem, um português como qualquer de nós, optou por levar a sua luta pessoal, desesperada, à imolação social que entendeu como a forma mais digna de desistência.

O seu grito abafado deve alertar-nos a consciência para o quanto é fácil sucumbir ao verdadeiro cilindro compressor em que a banca se transforma quando chega a hora de apresentar a factura, qualquer que seja a aparente tranquilidade que a nossa situação financeira num dado momento possa transmitir.

Ou o seu sacrifício tresloucado terá acontecido em vão.

Publicado por sharkinho às 08:13 AM | Comentários (4)

abril 11, 2007

MORDAÇA LEGAL

Num facto para mim inédito, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) decidiu condenar o jornal Público por difamação do Sporting Clube de Portugal (até podia ser o Cascalheira FC) ocorrida em 2001.
O insólito da questão prende-se com o insignificante detalhe de os factos noticiados (um calote fiscal “daqueles”) serem verdadeiros.

Vejam a coisa tal como ela se afigura: o STJ abriu o precedente de ser possível condenar um Órgão de Informação por publicar a verdade. Aliás, mais uma destas e a jurisprudência criará um monstro difícil de controlar.
É que a coisa aplica-se neste caso a duas pessoas colectivas mas amanhã podem estar em causa cidadãos comuns.

Levado ao extremo: o Zé Moinas, de Vila de Baixo, assaltou uma conhecida anciã. O Notícias de Baixo, publicação regional, dá conta do acontecimento. E o Zé Moinas, que até tem tempo para ver televisão, só espera sair da prisão para processar o periódico e garantir um regresso à liberdade, na maior, na pele do culpado difamado.

Ou seja, se eu afirmar aqui, preto no branco, que o STJ acaba de desferir um golpe foleiro na liberdade de Imprensa posso ser processado pelos juízes que o compõem.
Nem que seja por não ter juízo nenhum (eu, não o STJ).
Isto parece uma brincadeira, mas nos últimos tempos a Justiça tem revelado apetência para a paródia com coisas sérias.

Ou é impressão minha?

Publicado por sharkinho às 09:39 AM | Comentários (24) | TrackBack

abril 10, 2007

CONTA CARTÃO

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Teria a sua piada que a nossa existência fosse gerida com base num cartão de crédito divino. Um crédito à partida e um saldo a equilibrar à chegada, tal como preconizam os preceitos que alegadamente podem levar-nos para o céu no fim.
A conjugação perfeita entre a forma cristã, ocidental, de nos obrigar (em teoria) a sermos merecedores de um direito em vida que só a fé garante usufruirmos na hora de morrer, e o sistema capitalista que nos controla cada vez mais.
Talvez mais até do que um Deus, caso exista.

O princípio é o de nascer com um cartão embutido, com o qual possamos ir liquidando as dívidas à sociedade que a nossa passagem pela vida possa contrair. Em prestações suaves.
Mas com juros, que os erros acarretam sempre uma perda que alguém acabará por pagar.

É o equilíbrio nas contas, o deve e o haver, registado nos movimentos cuja consulta requeira não mais do que uns momentos de introspecção. Quero pagar as consequências deste erro que cometi. Verde, código, verde. A transferência efectuada e a consciência sossegada até ao final de cada mês. Ou de uma vida, no crédito à habitação destes frágeis invólucros cuja construção se revela a qualquer instante pouco fiável.
As doenças que atormentam e os pesadelos que se acrescentam no telhado que chamamos cabeça e que é afinal a que mais parcelas acumula nos créditos registados pelo tal cartão.

O preço da solidão, custeado pelo visa dourado para nos evitar o tal castigo das facturas que os outros nos apresentam. Pagamento a pronto de uma asneira ou de um equívoco qualquer. Relações acabadas, pessoas afastadas e as almas como bolsos vazios e tanta infelicidade que se podia evitar.
Bastaria não ter que pagar na hora. Passar o cartão, assinar o comprovativo da nossa noção da despesa efectuada. Para sabermos o que está em causa e aprendermos a poupar na vida que dura até o cartão expirar.

O acerto de contas inevitável perante Deus ou pelo simples facto de chegarmos ao fim da coisa como a entendemos, mortais. Mas sem dívidas de gratidão ou outras, tudo liquidado pelo crédito assegurado no chip da memória daquilo que fomos e do que não fomos capazes de ser. Quanto menos linhas no extracto, melhor.

A melhor nuvem para o repouso eterno do anjo em nós, uma carrada de virgens ou a reencarnação num invólucro mais refinado. Qualquer prémio acumulado por toda uma existência sem má interferência nas de quem connosco a partilhe, nem que seja a certeza de que no saldo de conta a nossa passagem tem aos olhos dos que ficam um sinal que é uma cruz. De mais, positivo, o sistema cognitivo que nos transmite a percepção do arrependimento ou do perdão a confirmar-nos que valeu a pena e toda gente que nos ama com vontade de nos abraçar, a saudade a homenagear na ausência a válida presença que o cartão confirmará no final.

Pois o saldo global reflecte o epitáfio que outros escreverão acerca de nós.

E aí já é sempre demasiado tarde para acertarmos as contas.

Publicado por sharkinho às 11:41 AM | Comentários (24)

UNIVERSIDADE MODERNA

Não falo, ao contrário do que o título da presente possa induzir, da Moderna propriamente dita mas da modernaça instituição do Ensino Superior privado a quem o Ministro Mariano Gago acaba de guilhotinar as veleidades académicas.
Não lhe bastou comunicar o encerramento de portas, apelidou os factos ocorridos como uma traição ao país. E isso, mais recurso menos recurso, constitui o golpe de misericórdia no prestígio da UI por lhe corroer a dignidade a par com a dos “responsáveis” que o Ministro não hesitou apontar.

Nada do que afirmo, porém, constitui uma censura à decisão tomada. Estou certo de que para os alunos da casa a maior aflição seria decisão nenhuma, agora que ocorre o êxodo em massa no que constituirá o maior jackpot dos últimos anos para a concorrência da agora quase extinta UI. Os alunos, mais de dois mil, sairão sempre perdedores, alguns talvez de forma irreversível no que respeita à ambição de uma licenciatura. Ou de saídas posteriores.
Por isso se impunha uma intervenção determinada, o sim ou o não depois de cuidada ponderação de todos os factores a jogo.

E o jogo era de azar para quem apostou naquela carta agora fora do baralho da bagunça que só podemos esperar se fique por aqui, neste ensino inferior a que o Estado deu cobertura quando permitiu a sua excessiva proliferação.
Se calhar as broncas já acontecidas não passam de uma normal reacção do mercado, uma espécie de purga para eliminar os players mais vulneráveis de uma oferta comprovadamente excedentária.

Porque para estas coisas virem a lume há quase sempre alguém que se chiba.

Publicado por sharkinho às 01:25 AM | Comentários (0) | TrackBack

abril 01, 2007

KAMIKAZE DO BOMBARRAL

Um homem com 27 anos de idade tornou-se no mais recente protagonista de um acidente em contramão nas auto-estradas portuguesas.
Na A8, perto de Óbidos e numa zona bem conhecida do agora defunto, outras duas pessoas viram-se traídas pela coincidência e lutam agora num hospital contra a morte que o louco ou suicida tentou com elas partilhar.

Aconteceu esta madrugada.
E constitui mais um grão na sinistra engrenagem que me afasta cada vez mais do prazer da condução.

Publicado por sharkinho às 12:23 PM | Comentários (2)

março 28, 2007

ASSIM NÃO PINTO!

Gostava de ver no episódio apenas o lado “tia” da coisa e relegar o assunto para o domínio do humor, “ah, porque nos tempos do PREC a malta do PC e do MRPP fartava-se de andar à porrada e ninguém morria nem desistia da militância” (o que, à época, era quase a mesma coisa).

Gostava, até porque aconteceu no seio de um partido que não aprecio de todo. Mas não posso.

Não posso, porque o abandono da militância e também do mandato de Vereadora na Câmara de Lisboa indicia uma reacção de absoluta descrença por parte de alguém que se deparou na política com algo que é mais vulgar acontecer no futebol.
Maria José Nogueira Pinto é uma das poucas mulheres que logram chegar a lugares cimeiros na hierarquia partidária. É uma das poucas pessoas capazes, à direita como à esquerda, de virar as costas a uma vida pacata (que a sua condição financeira e prestígio acumulado certamente permitiriam) e enveredar pela (agora literalmente) luta corpo a corpo com a tradicional falange masculina sempre tão hermética na sua composição, para participar de forma activa no processo democrático.

E agora fartou-se, como se fartariam outras/os no seu lugar perante os tristes factos que são do domínio público. E deixa um péssimo rasto em matéria de motivação para que outras pessoas capazes se queiram meter na mixórdia.

E deixa-me a estranha sensação de desconforto por de alguma forma temer que deste tipo de situações a Democracia saia sempre a perder.

Em mais do que um aspecto.

Publicado por sharkinho às 09:10 PM | Comentários (0)

março 25, 2007

VISÃO DESFOCADA

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Vês a sombra negra no horizonte, como o chefe índio impotente perante a superioridade de um adversário que nem os deuses conseguiam deter. E preparas-te para combater a adversidade que vier, com a tenacidade dos fortes e a força desesperada que te dá a loucura que se apodera de ti.
Também vês a enorme extensão de céu azul, como o monge no alto da montanha escuta o voo da mariposa e aproveita para se conhecer. Por dentro o inimigo maior, insuspeito na sua camuflagem traiçoeira que nos soa familiar. E preparas-te para batalhar com a confiança dos vencedores e a força multiplicada de uma certeza adquirida pelas emoções como pela razão.

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Vês a água que escorre pela rocha enquanto seguras firme a tocha que revela os segredos guardados pelos antepassados, a herança genética pintada nas paredes da gruta, a transmissão do saber acerca da luta enfrentada por todas as gerações. O tempo marcado em estalactites de sangue derramado em nome de mentiras e decepções.
Também vês a vida que brota do mais recôndito lugar do planeta, teimosa, resistente, alimentada pelos instintos de sobrevivência e de conservação.
A natureza que é a tua na singeleza da terra que fornece a explicação, tão clara que logo dispara em ti a vontade indómita de prevalecer.

Vês o futuro na tua mágica bola de cristal. Vês a constante mutação, a permanente renovação na tua mente de conhecimentos que te tornam mais capaz. Evidente aos teus olhos o fio condutor. A linguagem do amor corrompida pelas suas aberrações, equívocos ou demonstrações práticas de que a paciência implica a tolerância ao imperfeito ou mesmo a sua aceitação. Como um termo de comparação para aprenderes a saborear o que de bom a vida te dá.
A felicidade genuína, despida de condicionalismos ou falsas questões. O teu direito, afinal, o princípio fundamental de qualquer existência e muito acima de credos ou de nações. O teu dever de ser feliz.

Vês aquilo que te diz o Ancião imaginário, conselheiro voluntário com as histórias que aprendeu para contar, sabedoria. Vês agora aquilo que o passado dizia a quem estupidamente o ignorou. O futuro transparente na tela clarividente da tua imaginação. E surge a ambição motriz das realizações extraordinárias, imprevistos não agendados nas rubricas várias que requerem a tua atenção.
Vês tudo o que querias mais aquilo que preferirias nem saber. Vês a vida a doer, lado escuro da paleta com que pintas igualmente a cor da satisfação.

Vês mais do que uma razão para justificar um empenho redobrado no objectivo traçado por quem ou o quê possa ter produzido a Criação.

Fincas o pé no que cultivas como uma fé, exiges liberdade para exprimires a vontade de viveres numa utopia onde a sinceridade é regra fundamental. Isso mais a consciência global da felicidade repartida, a paridade requerida para sedimentar qualquer forma de paz.
O mundo ideal nessa bola de cristal reflectida pelo teu olhar.

O presente perfeito de um aperto no peito que anuncia uma paixão.
Porque está escrito no coração de cada um o nosso dever de amar.

A vida e quem contigo a partilhar, em ritmo diário, com os medos postos a nu.
Mas isso, companheiro visionário, não consegues ver tu…

Publicado por sharkinho às 06:48 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 24, 2007

CONDOMÍNIO FECHADO, ou As Relações de Vizinhança em Sentido Lato

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Com tanta gente a afirmar ter visto ovnis, mais uns irredutíveis que tudo fazem para que acreditemos terem sido raptados por seres alienígenas, somando-lhe a improbabilidade estatística de sermos o único planeta habitado do Universo e as teorias da conspiração como a de Roswell que são tantas e tão rebuscadas que conseguiam alimentar mais umas dez temporadas de “Ficheiros Secretos”, é quase impossível ignorar a hipótese de os extraterrestres existirem de facto.

E notem que me escudo na prudência de um “é quase impossível”, não assumindo qualquer posição definida acerca do assunto. Mas eu tenho uma.
Relativamente à probabilidade de sermos visitados/contactados por uns marcianos quaisquer eu sou dos que esperam. Dos que esperam sentados (e aqui já fica definida a tal posição por mim assumida).

Agora explico-vos o porquê deste cepticismo primário por definição e secundário sob qualquer das vossas perspectivas.
Alguém acredita que criaturas mais evoluídas desenvolveriam tendências belicosas? Melhor dizendo, acham que os americanos (o mais próximo de marcianos que conseguimos encontrar nas redondezas) servem de exemplo para a Humanidade no seu todo em termos evolutivos?
O que seria razoável para uma nação (ou um planeta, no caso concreto) escolher sendo rica, inteligente e poderosa senão investir em paraísos tropicais e instrumentos vários de prazer para a malta poder estar toda numa boa?

Ora aí está: uma civilização evoluída, nada do que encontremos nesta esfera azul, quer tudo menos escaramuças. E se falarmos de uma raça alienígena capaz de enviar naves espaciais do cu de judas (que pode ser o quarto orifício da testa de um venusiano) até este fim do mundo (ou da galáxia, para ser mais rigoroso), temos que partir do princípio de que se nós, primatas de carbono, conseguimos inventar o periscópio e o buraco de fechadura é legítimo pressupor que os vizinhos verdes com antenas as conseguem sintonizar por forma a observar com atenção as inúmeras evidências da barbárie que nos neandertaliza.

Mas alguém me quer convencer que uma criatura de uma raça evoluída, inevitavelmente pacífica, nem paranóica nem desconfiada e que consiga observar-nos a prudente distância não conseguiria adivinhar-se nas calmas aterrada num ermo qualquer com um arsenal apontado ao capacete enquanto repetia patética o clássico “vimos em paz”?

São mesmo uns tóininhos, para acreditarem nessas cenas…

Publicado por sharkinho às 11:09 AM | Comentários (8) | TrackBack

março 17, 2007

DESCALÇAR A (B)OTA

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Foto: Shark


Quanto mais ouço e leio acerca do novo aeroporto nacional mais me convenço de que se trata de um disparate colossal.
Sou um leigo em todas as disciplinas que podem contribuir com estudos sérios acerca da viabilidade e oportunidade deste projecto. Porém, a localização é um dos aspectos que não requerem um nível de conhecimentos profundo para podermos opinar. E a distância entre a Ota e Lisboa ou qualquer outro centro urbano dotado de infra-estruturas adequadas para dar resposta ao bulício gerado por um aeroporto não deixa margem para ilusões.

Porque devem os leigos, os cidadãos comuns, meter o bedelho nestes assuntos high level? É um bocado como as inefáveis assembleias de condóminos: não temos pachorra para aturar boa parte da vizinhança e suas reclamações estapafúrdias mas quando chega a hora de intervir na obra megalómana que nos vai custar cara e, eventualmente, criar mais problemas do que contribuir para a sua resolução não temos outro remédio senão intervir.

Uma obra destas dimensões desvia fundos astronómicos de outras aplicações emergentes. Hospitais, escolas, centros de investigação, equipamentos sociais de todo o tipo que o país reclama. Por isso mesmo não podemos encarar de forma leviana a questão que, de resto, sabemos poder constituir mais uma mina para um lote de oportunistas habilidosos nos domínios da especulação imobiliária e outros.

Não faltam os peritos que discordam da Ota como opção realista, por mais motivos do que os necessários para obrigar a uma reflexão mais profunda acerca da coisa. E isso legitima a preocupação por parte de cada um de nós, considerando o esforço exigido ao país para a construção do que será o principal aeroporto português.

Agora que surgem a público notícias que dão conta do facto de existirem dúvidas acerca da própria duração da utilidade do aeroporto previsto (fala-se em catorze anos!), o assunto transforma-se num berbicacho a que não podemos voltar as costas.
Com o país a atrasar-se irremediavelmente em relação a toda a Europa nossa parceira, o investimento mal direccionado será um gigantesco tiro no pé do qual levaremos anos, talvez décadas a recuperar.

E não é da manutenção do telhado do prédio que estamos a falar…

Publicado por sharkinho às 01:33 PM | Comentários (9) | TrackBack

março 07, 2007

APITO MORGADO

Custa-me a acreditar que seja uma simples coincidência. A entrada de Maria José Morgado nos bastidores da investigação do Apito Dourado fez renascer uma esperança (cada vez mais justificada) no fim da impunidade para os suspeitos do costume.
No mínimo, o assunto sai do âmbito do “diz que fez” e é tratado nas barras dos tribunais.

E isso já basta para podermos acreditar um pouco mais na Justiça e na sua capacidade de intervir na bagunça de que toda a gente ouve falar mas à qual dava a sensação de ninguém querer pôr fim.

Publicado por sharkinho às 09:38 AM | Comentários (4) | TrackBack

março 05, 2007

A POSTA NA PERTURBAÇÃO DA ANSIEDADE

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Num dos casos conheço a pessoa. No outro a história foi-me contada por terceiros, mas possuo em casa provas factuais da existência desse ser humano cuja vida não prima pela normalidade.
Longe de possuir conhecimentos que me permitam “diagnosticar” os dois exemplos que resumirei, ao longo do início da minha vida profissional tive acesso a alguma informação acerca de comportamentos desta natureza e sinto-me tentado a enquadrá-los naquilo a que a Psicologia dá o nome de Perturbação da Ansiedade.

Uma das mais conhecidas, embora pouco (e mal) divulgada, é a Agorafobia (que se distingue, lato senso, pela fuga aos lugares ou situações em que num acesso de pânico seja difícil ou impossível contar com a ajuda de alguém). No entanto, os casos que cito têm mais a ver com a Fobia Social.
As pessoas em causa, por motivos que desconheço na totalidade, optaram pelo quase absoluto isolamento e abdicaram de muito daquilo que temos como garantido numa vida normal.

Uma delas ainda está longe de completar os trinta anos de idade. Desistiu de uma licenciatura, nunca sai de casa e fecha-se no quarto sempre que os familiares que dela cuidam recebem alguém (mesmo pessoas próximas).
A outra, quarentona, viu-se entregue a si própria quando lhe faltaram os pais e, embora financeiramente independente, enclausurou-se numa mansão de onde saiu para concretizar em Espanha (por fertilização in vitro) o sonho de ser mãe (do qual resultou o nascimento de duas crianças).

Se a primeira evolui nos sintomas com o acompanhamento próximo (não implica intervenção concreta na resolução do problema, note-se), a segunda acabou por manifestar de forma tão radical a sua inadaptação que os dois filhos foram já entregues para adopção por iniciativa dos organismos competentes.

São dois exemplos de que tomei conhecimento por via mais ou menos directa, mas estou certo de que muitos outros existirão e que boa parte serão frequentadores deste mundo virtual que lhes permite algum contacto social sem os expor às reacções que a sua mente produz.
São pessoas normais com um problema do qual têm absoluta consciência mas a que ninguém consegue dar resposta, apesar de a Medicina se acreditar capaz de o minorar com terapia e fármacos. Porém, é evidente que o próprio embaraço da pessoa afectada limita a correcta avaliação do problema e, consequentemente, o respectivo tratamento.

O sofrimento permanente de pessoas nestas condições é por demais óbvio e a sociedade que temos pouco ou nada contribui para o aliviar. O crescente individualismo acaba por acentuar ainda mais o isolamento de todos quantos possam manifestar este ou outros tipos de disfunção (associada em muitos casos a factores tão aleatórios como a hereditariedade) e a infelicidade é um dado adquirido para quem se veja vítima de um padecimento para o qual a compreensão é quase nula e o apoio é muito relativo.

Resta-me referir que nã